A fraude em fundos que deixou um engenheiro a ver navios

por Mariana Congo

(Post originalmente publicado em outubro de 2014)

Quem nunca viu de perto ou viveu uma história complicada, que provocou perdas ou sofrimento na vida financeira? É para compartilhar essas experiências que publicamos aqui no blog a série "Histórias de Horror", uma sequência de posts para conscientizar você sobre as armadilhas que podem comprometer o seu dinheiro.

Os casos que publicamos aqui são relatos dos leitores do nosso blog, cuja identidade foi preservada com nomes fictícios. No final, essas histórias trazem um grande aprendizado e servem de alerta para que você não passe pela mesma situação. Aproveite a leitura!

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A história

Tudo começou assim: em 2003, um amigo do engenheiro Lopes foi trabalhar no Banco Santos como gerente. Sua função lá era captar novos clientes.

A instituição estava em ascensão, com marketing ostensivo, instalada num prédio novinho numa das avenidas mais caras da capital paulista. Além disso, oferecia aos investidores condições mais favoráveis do que as de bancos mais tradicionais. Parecia um pacote muito atrativo.

O amigo-gerente apresentou ao Lopes investimentos em fundos de renda fixa de crédito privado que pagavam de 102% a 105% do CDI, bastante acima dos 95% que prevaleciam no mercado.

As aplicações eram mostradas pelo banco como empréstimos a juros para empresas de primeira linha, com baixíssimo risco. Várias das companhias em questão eram bastante conhecidas e mencionadas com destaque para dar credibilidade à proposta.

Para aumentar a atratividade dos fundos, o Banco Santos afirmava que, se porventura viesse a passar por algum problema, ainda assim os investidores estariam a salvo. Isso porque as companhias honrariam as dívidas e os fundos seriam transferidos para outra instituição financeira.

Convencido de que se tratava de um bom negócio, Lopes investiu mais de 10% do seu patrimônio nesses fundos. “Aí veio a catástrofe”, conta. Em 2004, o Banco Santos sofreu uma intervenção judicial e, no ano seguinte, foi decretada a sua falência.

De fato, como prometido, os fundos foram transferidos para outros bancos. Porém, as empresas devedoras alegaram não reconhecer as dívidas. Disseram que tomaram empréstimos junto ao Banco Santos para realizar investimentos indicados pela própria instituição que pagavam juros maiores do que os dos empréstimos. A garantia para o financiamento eram os próprios investimentos.

“Houve um esquema fraudulento. Os devedores dizem que não devem nada e o dinheiro desapareceu”, resume o engenheiro. “As empresas que tomaram crédito não perderam. Zeraram o débito com o crédito. O maior dano foi para nós, investidores, já que o investimento em renda fixa estava lastreado em créditos podres.”

Passados aproximadamente dez anos, o que Lopes conseguiu recuperar foi metade do capital originalmente investido. Hoje os fundos têm outro administrador e existe a expectativa de ressarcimento de mais uma parte do montante perdido.

“Mas valores que não pagariam nem a inflação registrada durante o período transcorrido. A sensação final não é de perda de um investimento financeiro, mas de dinheiro roubado”, lamenta o engenheiro.

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As lições

O caso do Banco Santos relatado pelo Lopes é emblemático do que não pode acontecer em um fundo de investimento. E deve servir de alerta para todos aqueles que aplicam ou pretendem aplicar seu dinheiro dessa forma.

A indústria dos fundos prevê que as funções de todos os participantes (gestora, administradora, auditor) estejam bem segregadas para garantir eficiência e evitar conflitos de interesse. Essa divisão clara é determinante para a segurança do investidor.

No episódio vivido pelo Lopes, entretanto, os fundos em questão eram administrados e também geridos pelo mesmo banco, deixando o investidor mais exposto a riscos. Quem deveria estar fiscalizando o fundo de forma imparcial era, na verdade, parte da mesma instituição de quem estava sendo fiscalizado. Com isso, abriram-se brechas.

Para piorar, os fundos estavam comprando, em grande quantidade, créditos emitidos pela própria instituição, ou seja, emprestando muito dinheiro para o Banco Santos. Os cotistas dos fundos, que não deveriam ser afetados pela quebra do banco, acabaram tendo perdas.

A lição que fica aqui é seguir sempre uma regra básica: escolha sempre um fundo cuja gestora seja independente da administradora. É essa distinção de papeis que vai assegurar a sua segurança como investidor e minimizar as possibilidades de fraude e perdas devido a má gestão.

E nunca é demais lembrar: diversifique suas aplicações para reduzir seus riscos, ponto em que Lopes acertou, já que colocou apenas uma parcela das suas economias nesses fundos.

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Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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