Ainda vale a pena investir em renda fixa? Depende do seu caso

por Luciano Tavares, CFP® | 30/10/2019

Ainda vale a pena investir em renda fixa? Descubra aqui!
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A taxa Selic hoje está em seu menor patamar em 33 anos. Nesse contexto, será que ainda vale a pena investir em renda fixa?

Estamos aqui para tirar essa e outras dúvidas! A partir de agora, você vai entender qual é a relação entre a Selic e os investimentos, principalmente as aplicações de renda fixa.

Também vai ver quais são os melhores investimentos para você, considerando os juros em queda. Mas antes de começar, vamos recapitular o que é Selic e como ela é definida.

Veja mais: Sabia que você pode começar a investir com a Magnetis a partir de R$ 1 mil? Faça grátis uma simulação de investimentos!

O que é Selic?

A taxa Selic é um indicador financeiro usado como base para as operações no mercado de títulos públicos. É nesse mercado que o governo negocia com outras instituições os títulos de sua dívida.

Quem investe nos títulos do governo, na verdade está emprestando dinheiro para o Tesouro Nacional. Em troca, recebe uma remuneração por esse empréstimo, a chamada taxa de juros.

Nesse sentido, não é à toa que a Selic é chamada de taxa básica de juros. Ela é a taxa que baliza as negociações de títulos públicos, os investimentos mais seguros do mercado.

A cada 45 dias, um conselho de diretores do Banco Central do Brasil – o Comitê de Política Monetária (Copom) – define uma meta para a taxa que deve ser praticada nesse mercado: a Selic Meta. Ou seja, todas as negociações buscam ficar próximas dessa taxa.

A Selic atual é um valor aproximado da meta, e por isso fica ligeiramente abaixo dela. No jargão do mercado financeiro, ela é chamada de Selic over (ou overnight).

Os dois principais investimentos que usam a Selic atual como referência são a poupança e o Tesouro Selic.

Veja mais: Entenda por que o rendimento da poupança é ruim

Selic e CDI: qual é a diferença?

A sigla CDI significa Certificado de Depósito Interbancário. Também se trata de uma taxa que baliza a negociação de títulos, só que no mercado bancário.

Todos os dias, os bancos tomam dinheiro emprestado entre si para equilibrar suas operações e manter algum dinheiro em caixa. A taxa que eles usam como referência é o CDI, que fica um pouco abaixo da Selic.

Os bancos também usam o CDI como referência nos investimentos que eles oferecem para as pessoas. Assim, um investimento que rende 100% do CDI é um investimento que replica de forma integral a taxa dos empréstimos praticados entre os bancos.

Como a Selic afeta os investimentos de renda fixa?

A Selic e o CDI são os dois indicadores mais básicos do mercado de renda fixa. Ou seja, é neles que se baseiam os investimentos mais seguros.

Dessa forma, qualquer alteração na Selic – para baixo ou para cima – faz com que todos os outros investimentos de renda fixa reajustem a rentabilidade que eles oferecem.

E assim, o rendimento dos investimentos menos arriscados fica mais próximo da Selic, enquanto o das aplicações mais arrojadas geralmente é superior, na proporção de seu nível de risco.

Para entendermos na prática como esse mecanismo funciona, vamos relembrar o conceito de investimentos pré e pós-fixados.

  • investimentos prefixados: são aqueles que estabelecem uma taxa fixa de retorno no momento da aplicação. Os mais famosos são o Tesouro Prefixado (LTN), o Tesouro Prefixado com Juros Semestrais (NTN-F) e o CDB Prefixado;
  • investimentos pós-fixados: são aqueles cuja rentabilidade é baseada em um índice financeiro, como a Selic, o CDI, o IPCA ou o IGP-M. As aplicações mais famosas são o Tesouro Selic, o CDB pós-fixado e o Tesouro IPCA+ (em outro post aqui no blog, explicamos melhor quais investimentos rendem acima da inflação).

A queda da Selic se reflete de forma imediata nos investimentos pós-fixados que usam a Selic ou o CDI como referência.

Como o retorno desses investimentos é calculado a partir do valor integral ou parcial dessas taxas, o rendimento dessas aplicações fica menor quando a Selic cai e maior quando ela sobe. O mesmo vale para os investimentos baseados no CDI.

Suponha que você tenha aplicado seu dinheiro em um CDB que promete o rendimento de 100% do CDI em um ano. Caso a Selic caia no meio do caminho, o rendimento continuará sendo de 100% do CDI. A diferença é que ele será calculado sobre uma taxa de juros menor.

Por outro lado, os investimentos prefixados se ajustam de forma indireta às alterações na Selic, mas esse ajuste acontece apenas para novas aplicações.

Uma pessoa que tenha investido em uma aplicação prefixada continuará tendo a mesma rentabilidade prometida, independente do rumo da Selic. Porém, se ela subir além do projetado, os investimentos pós-fixados renderão mais.

Dessa maneira, a pessoa deixa de ganhar mais dinheiro com outras aplicações. Esse é o risco dos investimentos prefixados: o chamado custo de oportunidade.

Suponha que você tenha aplicado seu dinheiro em um CDB prefixado que prometa um rendimento de 10% ao ano. Imagine também que a Selic atual esteja em 9% ao ano.

Se a Selic subir para 11% ao ano nesse meio tempo, seu investimento continuará entregando os 10% ao ano. No entanto, o próprio Tesouro Selic ou uma aplicação que renda 100% do CDI já terão um retorno maior.

Ainda vale a pena investir em renda fixa?

Temos recebido muitas mensagens de pessoas perguntando se ainda vale a pena investir em renda fixa. A resposta pode ser dividida em três tópicos:

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  • depende de como está a inflação;
  • depende de qual é o investimento de renda fixa;
  • depende de como está a diversificação da sua carteira.

1 – Depende de como está a inflação

Quando se trata de investimentos, é importante não esquecer do conceito de rentabilidade real: quanto o investimento rendeu descontada a inflação. O cálculo da rentabilidade líquida é feito da seguinte maneira.

Rentabilidade real: como calcular?

Em 2015, a Selic chegou a 14,25% ao ano, mas a inflação encerrou aquele ano em 10,67%. Assim, a rentabilidade real de um investimento que replicava a taxa de juros foi de 3,23% em 12 meses.

Perceba que a rentabilidade nominal era bem mais alta, só que a inflação corroía a maior parte dos ganhos.

Durante algum tempo, a Selic ficou estacionada nos 14,25% ao ano enquanto a inflação começava a cair.

Como você pode ver no gráfico a seguir, esse quadro aumentou a rentabilidade líquida dos investimentos de renda fixa (que está no espaço entre a linha do IPCA e a da Selic).

Em 2016, a taxa básica de juros encerrou o período em 14% ao ano, enquanto a inflação foi bem menor: 6,29%. Isso levou a uma rentabilidade líquida de pelo menos 7,25% na renda fixa. Na época, havia investimentos desse tipo com rentabilidade de até 1% ao mês.

Já em 2017, o índice caiu de forma considerável, atingindo mínimas históricas. Por isso, o BC reduziu a Selic em diversas ocasiões, chegando ao menor patamar da história em 2019.

A partir de agora, portanto, o desafio é encontrar a melhor rentabilidade na renda fixa. Aliás, essa é uma das tendências em investimentos para 2019, como já falamos em outro post aqui no blog.

2 – Depende de qual é o seu investimento de renda fixa

A renda fixa é sempre uma boa opção – mas desde que você esteja aplicando em um bom investimento. Com a queda da Selic, em muitos casos até a poupança passa a ganhar de fundos de renda fixa!

Se você tem aplicação em fundo de renda fixa que cobra 1% ao ano ou mais de taxa de administração, você já está perdendo esse jogo para a poupança.

E, você sabe, nos grandes bancos é quase impossível achar um bom fundo de renda fixa com taxa de administração menor que 1% ao ano.

Mais do que nunca é importante que as pessoas busquem novos ares para seus investimentos.

O principal fundo de renda fixa que recomendamos na Magnetis é prova de que existem bons fundos no mercado, pois tem 0,3% ao ano de taxa de administração e retorno – já descontadas taxas de impostos – de 100% do CDI.

3 – Depende de como está a diversificação da sua carteira

Se o seu objetivo é preservar patrimônio, a renda fixa sempre fará parte da sua carteira de investimentos. Ela funciona como uma espécie de proteção contra momentos ruins na economia.

No entanto, se a sua carteira já é composta por aplicações desse tipo, vale a pena refletir sobre incluir outros tipos de investimento no seu portfólio: fundos multimercado, ações, ETFs e assim por diante.

É claro, diversificação é uma estratégia que deve respeitar o seu perfil e os seus objetivos. Não adianta nada investir na bolsa se você precisa ter certeza do rendimento dos seus investimentos.

Da mesma forma, também não vale a pena ficar trocando de CDB a cada nova oferta de rentabilidade imperdível.

O objetivo da diversificação é deixar a sua carteira mais resiliente ao que acontece no mercado e também ampliar as possibilidades de retorno.

Nós da Magnetis somos uma consultoria de investimentos especializada em diversificação. Utilizamos um método baseado em teorias consagradas pelo prêmio Nobel, que busca trazer a melhor diversificação com o menor risco e o menor custo para você.

Hoje, oferecemos investimentos no Brasil e no exterior a partir de uma aplicação mínima de R$ 1 mil, algo que a maioria dos bancos não oferece.

Mais do que investir em várias aplicações aleatoriamente, diversificar é entender quais ativos fazem sentido para você e qual é a melhor combinação entre eles para atingir os seus objetivos. Faça uma simulação grátis e conheça a nossa plataforma.

Voltando à pergunta inicial: Ainda vale investir em renda fixa depois da queda dos juros?

  • Sim, ainda vale – e sempre vai valer. O importante é que você tenha bons produtos de renda fixa, com baixo custo e boa rentabilidade líquida;
  • Se você aplica em um fundo com taxa de administração de 1% ao ano ou mais, até a poupança está melhor. É hora de buscar alternativas melhores!
  • A renda fixa nunca sai de moda. Qualquer investidor precisa dela. Mesmo os mais agressivos devem deixar suas reservas de emergência em renda fixa.

Escolher os melhores investimentos não é uma tarefa fácil, até mesmo para quem já se familiarizou com as opções disponíveis.

Hoje em dia, graças à tecnologia, mais pessoas podem investir bem o seu dinheiro e não é necessário ter uma fortuna para isso.

No mercado há diversos tipos de aplicações e de empresas que oferecem esse serviço para você. Quer conhecer quais são? Baixe grátis o nosso ebook Guia Completo sobre Tipos de Investimentos e conheça as melhores alternativas para você!

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(Post originalmente publicado em março de 2018)

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