Assessoria sem custo? Veja o que está por trás dessa estratégia

por Malena Oliveira

Provavelmente, você já deve ter visto ou ouvido em algum lugar a frase: “não existe almoço grátis”. De forma bem resumida, significa que não é possível obter alguma vantagem sem ter que dar algo em troca. 

No mundo dos investimentos, essa é uma grande verdade. Nenhum vendedor de algum produto ou serviço financeiro vai oferecer o trabalho dele de graça para você. Resta saber qual é a sua remuneração.

Agora, você deve estar pensando: “Mas e quanto àquela propaganda sobre assessoria sem custo que eu vi na TV e na internet?”. É sobre isso que vamos falar nesse post.

Existe mesmo assessoria sem custo?

Imagine que você é o dono de um supermercado. Você compra produtos de fornecedores por um preço e revende esses produtos para seus clientes por outro preço, um valor maior.

E não há nada de errado com isso. Afinal, você tem custos com armazenamento dos produtos, pagamento de funcionários, sistema de entrega para seus clientes, sem falar em outros gastos e no seu próprio lucro, uma vez que o supermercado é a sua fonte de renda.

Na hora de fazer uma promoção, você pode até divulgar que tem o menor preço da região, entre outras estratégias. Mas faria sentido dizer que você não cobra absolutamente nada para disponibilizar os produtos para seus clientes? Nem você mesmo acreditaria nisso.

E esse é o ponto em relação ao mito da assessoria sem custo: um consultor ou assessor de investimentos não oferece o trabalho dele de graça. Se fosse assim, a conta simplesmente não iria fechar.

Se você acompanha o blog da Magnetis, já deve ter visto o nosso post “Desvendando a taxa zero das corretoras”. Para a assessoria sem custo, a lógica é a mesma.

Mas vamos aprofundar um pouco mais essa discussão e entender um pouco melhor as diferenças entre um consultor, um assessor e um agente autônomo de investimentos.

Consultor, assessor ou agente autônomo de investimentos: qual é a diferença?

Existem várias figuras cuja atividade profissional é auxiliar as pessoas a aplicar seu dinheiro. Vamos entender mais detalhes sobre cada uma dessas funções a seguir.

Consultor de investimentos

O consultor de investimentos é um profissional qualificado e autorizado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a recomendar aplicações financeiras para investidores. Essa atividade é regulada pela Instrução CVM 592/2017.

A principal base para essa recomendação é o perfil do investidor, que deve ser apurado por meio de um questionário, conhecido no mercado financeiro como questionário de suitability.

É com base no resultado desse questionário e nos objetivos do investidor que o consultor de investimentos vai avaliar as opções disponíveis e indicar a que melhor atende os anseios de seu cliente.

O consultor de investimentos não pode receber comissões ou rebates pelo seu trabalho. Por isso, a forma mais comum de remuneração é uma taxa sobre o valor total dos recursos investidos - chamada de taxa de administração ou taxa de consultoria. Também existe a possibilidade de o consultor cobrar por hora de trabalho.

A transparência é uma exigência legal para a atividade profissional de um consultor de investimentos. Ao firmar um contrato com um investidor, ele sempre precisa deixar claro qual é a forma de remuneração de seus serviços.

Ele também precisa esclarecer se há qualquer tipo de conflito de interesses com qualquer empresa com a qual ele mantenha algum vínculo.

O consultor de investimentos não pode:

  • check
    receber nenhuma comissão ou bônus pelos serviços que indica;
  • check
    garantir rentabilidade;

  • check
    omitir informações sobre riscos e conflitos de interesses.

Ele pode:

  • check
    cobrar taxa de performance, mas somente de investidores profissionais.

Agente autônomo de investimentos (AAI)

O agente autônomo de investimentos (AAI) atua como um representante de vendas da corretora à qual ele está ligado.

É seu trabalho apresentar os produtos para potenciais clientes, tirar dúvidas e mostrar mais detalhes sobre as aplicações financeiras disponíveis na prateleira dessa corretora.

É o clássico exemplo do vendedor na loja de roupas. Como o seu principal objetivo é vender o máximo possível, ele não vai se importar em dizer que determinada peça de roupa é perfeita para você, ainda que ela não seja tão perfeita assim.

Essa atividade é regulada pela Instrução CVM 497/2011, que não determina qual deve ser a forma de remuneração de um agente autônomo de investimentos. As maneiras mais comuns vistas no mercado atualmente são as comissões e os bônus pelas vendas.

É papel do agente autônomo de investimentos:

  • check
    captar clientes;
  • check
    registrar ordens de compra ou venda dos produtos de sua corretora;
  • check
    tirar dúvidas desses clientes sobre esses produtos financeiros.

Por outro lado, um agente autônomo de investimentos não pode:

  • check
    realizar serviços de administração de carteira, consultoria ou análise de investimentos;
  • check
    ser agente autônomo de mais de uma corretora;
  • check
    confeccionar e enviar extratos para clientes.

Sobre o assessor de investimentos, legalmente essa definição não existe. Acaba sendo uma palavra usada como sinônimo tanto para consultor quanto para agente autônomo. Por isso é importante ter muita atenção em relação ao contexto em que o termo é empregado.

E aqui está uma pergunta que você, investidor, pode fazer ao profissional de investimentos que lhe atende: qual é o tipo de registro que ele possui na CVM? Consultor ou agente autônomo?

Conflito de interesses: qual é o impacto para o investidor?

Saber qual é o escopo da atuação do profissional de investimentos que está à sua disposição facilita as suas próprias decisões de investimento.

Isso porque você passa a entender melhor qual é a motivação por trás desse trabalho: é o crescimento do seu patrimônio? Ou é apenas uma comissão sobre uma decisão que você tomar, independente do quanto ela está alinhada a seu perfil e seus objetivos?

Essa questão pode parecer sutil, mas é a diferença entre investir bem o seu dinheiro ou apenas fazer uma aplicação no investimento da moda.

A situação é parecida com a do gerente do banco. Você já aprendeu que ele está lá para oferecer os produtos da instituição para a qual ele trabalha e que ganha comissões para mostrar os produtos que são melhores para ele mesmo antes de qualquer outro interesse.

Logo, que sentido faz desbancarizar-se diante da promessa de uma "assessoria sem custo", mas manter as velhas práticas do banco?

Vamos ver um exemplo prático: o banco A emite um título de renda fixa que oferece remuneração de 120% do CDI (taxa dos investimentos mais conservadores, que acompanha a taxa Selic).

A corretora B compra grandes lotes desse título e os revende, só que oferecendo uma rentabilidade de 116% do CDI. A diferença entre as rentabilidades é o chamado spread, que é embolsado pela corretora.

O agente autônomo de investimentos C recebe um bônus a cada R$ 100 milhões que seus clientes investirem nesse título. Para isso, ele dispõe de várias técnicas de vendas, incluindo oferecer assessoria sem custo. Afinal, o bônus vai compensar o esforço.

No caso do consultor de investimentos, como já mencionamos, a transparência é uma exigência legal. Não é possível fazer esse tipo de arranjo e o profissional que infringir essas regras será punido, podendo até ser banido do mundo dos investimentos.

Mais transparência, por favor

Quando um agente autônomo de investimentos não revela o quanto está ganhando, ele dá espaço para a desconfiança.

“Por que ele está me oferecendo esse fundo e não outro? Essa aplicação está mesmo alinhada meus objetivos?”, você pode pensar. A resposta para essa questão depende da forma como a pessoa que recomenda esse investimento é remunerada.

Manter uma relação que não é 100% transparente com seu agente não é saudável no longo prazo. Isso porque se você não estiver tranquilo em relação ao trabalho desse profissional, continuará tendo bastante trabalho para administrar seus investimentos.

plano de investimentos

Por isso, uma boa maneira de você passar a limpo esse ponto é questionar sobre como esse profissional recebe pelo seu trabalho.

No caso da Magnetis, por exemplo, somos uma gestora de recursos que presta o serviço de consultoria de investimentos. Nós não ganhamos comissões por indicar títulos ou fundos de determinados bancos, e nem por trabalharmos em parceria com a corretora Easynvest.

Nossa única remuneração é uma taxa de 0,4% ao ano sobre o valor total investido por nossos clientes. E é apenas isso.

Existem outros custos, dependendo do tipo de carteira de nossos clientes, mas eles se referem às taxas dos próprios produtos que nós recomendamos, como taxa de administração, corretagem e emolumentos (saiba mais detalhes sobre esses custos).

Esse dinheiro não vai para o caixa da Magnetis, mas remunera o trabalho dos gestores de fundos e dos bancos emissores dos títulos que nós recomendamos.

RESUMINDO: Dizer que a assessoria é sem custo é uma pegadinha para atrair a atenção dos desavisados. É muito mais saudável que você saiba exatamente o quanto está pagando pelo serviço que usa, até para avaliar o quanto ele está valendo a pena.

Se você quiser conhecer melhor o trabalho da Magnetis, pode entrar em contato com nossos consultores ou fazer o seu plano de investimentos em nosso site (sem custo!). Faça o teste e descubra você mesmo os benefícios de investir com diversificação e mais transparência.

Luciano

Malena Oliveira é jornalista especializada em Finanças Pessoais e redatora na Magnetis.

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