5 coisas que ainda não te contaram sobre os bancos digitais

por Mariana Congo | 19/11/2017

bancos digitais

Mesmo quem já está habituado a usar aplicativo de banco ou Internet Banking ainda se depara com procedimentos que não fazem mais sentido em um mundo conectado. E o pior: pagando caro por isso. Felizmente, a tecnologia está mudando esse cenário e abrindo espaço para o banco digital.

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Da abertura da conta bancária ao esclarecimento de dúvidas, todas as necessidades dos clientes podem ser resolvidas por canais digitais. Sem fila, sem burocracia e sem precisar sair de casa.

São novas propostas - algumas ainda em consolidação - que estão em busca de resolver problemas como tarifas elevadas, falta de transparência, conflito de interesses, entre outros.

O objetivo é ter mais agilidade no atendimento e, assim, atingir um número maior de consumidores.

Neste artigo, você vai ver mais detalhes sobre os bancos digitais e as fintechs que oferecem serviços mais acessíveis.

Também vai conhecer quais são os principais bancos digitais em atividade no Brasil e quais iniciativas dos grandes bancos estão indo nessa direção. Boa leitura!

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1 - Ir à agência bancária não faz mais sentido

Quando foi a última vez que você precisou ir a uma agência bancária para realizar um depósito, transferência ou pagamento de contas?

Boa parte das pessoas que têm conta em banco utiliza o Internet Banking. Muitos também já adotaram os aplicativos em seu dia a dia.

Segundo a pesquisa mais recente da Federação Brasileira de Bancos  (Febraban), o número de transações financeiras feitas pelo celular cresceu 70% em 2017 na comparação com o ano anterior.

A substituição da agência bancária física pelos bancos digitais é uma tendência global. Um estudo do banco americano Goldman Sachs feito em 2015  mostrou que um terço dos jovens entre 18 e 34 anos acredita que não vai precisar de um banco nos próximos cinco anos.

Metade desse grupo já vê as fintechs substituindo os bancos nos serviços mais utilizados.

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2 - Banco digital é diferente de banco digitalizado

Plataformas digitais e canais interativos não são suficientes para converter uma instituição financeira em banco digital. É preciso atender a requisitos específicos e, essencialmente, oferecer um serviço que dispense totalmente a presença do cliente na agência bancária. Do contrário, pode-se considerar que trata-se apenas de um banco digitalizado e não de um banco digital.

Para diferenciar os dois casos, a Febraban destaca três características principais dos bancos digitais:

  • processo não presencial: captura digital de documentos e informações do cliente e coleta eletrônica de assinatura;
  • acesso a canais eletrônicos para todas as consultas e contratação de produtos;
  • resolução de problemas por múltiplos canais sem a necessidade de ir à agência.

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3 - Bancos digitais promovem a inclusão bancária

Milhares de brasileiros ainda não têm conta em banco, nem mesmo poupança. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) esse grupo de pessoas era de aproximadamente 55 milhões de pessoas entre 2013 e 2014.

O papel dos serviços financeiros que estão sendo desenvolvidos pelos bancos digitais é fundamental para reverter esse cenário. Com uma proposta mais prática e acessível, esses negócios podem promover a inclusão bancária, viabilizando a utilização simplificada do dinheiro, o controle dos rendimentos, a poupança e até fazer investimentos.

Para os empreendimentos de alto impacto a perspectiva é igualmente vantajosa. Os desbancarizados não têm conta, mas têm dinheiro. E não é pouco!

O IBGE calculou que essa população tinha renda anual de R$ 665 bilhões, o equivalente ao PIB do Chile, na época do levantamento.

O Banco Digital da Maré, por exemplo, é um projeto que busca promover a inclusão no sistema financeiro da população da Comunidade da Maré, uma das maiores do Rio de Janeiro.

O serviço bancário é oferecido por meio de um aplicativo que transações bancárias como pagamento de contas e transferência de valores.

Apostando na tecnologia blockchain, o Banco Digital da Maré criou a moeda digital "palafita", desenvolvida exclusivamente para uso na comunidade. Os usuários do serviço conseguem fazer compras no mercado local usando a criptomoeda.

4 - Bancos tradicionais estão investindo cada vez mais em serviços digitais

Os bancos tradicionais estão investindo cada vez mais em inovação, pois já perceberam que a transformação do sistema financeiro é inevitável. A Pesquisa de Tecnologia Bancária 2018, da Febraban, revela que em 2017 o setor financeiro investiu R$ 19,5 bilhões em tecnologia. Esse valor representa um aumento de 5% em relação ao ano anterior.

Um item apontado pela pesquisa foi o maior ritmo de adoção de agências digitais, com atendimentos por meio de chats, telefone, e-mail ou videoconferência. O número dessas agências triplicou em relação a 2016: são 373 agências em 2017, ante 101 no ano anterior.

Com a revolução do setor financeiro, instituições bancárias convencionais estão criando seus próprios bancos digitais. Em 2017, por exemplo, o Banco do Brasil lançou o BB Digital e o Bradesco, o Next. Ambas são iniciativas que se enquadram no conceito de banco digital

5 - Bancos digitais já somam mais de 1 milhão de clientes

O número de clientes de bancos digitais já cresceu bastante no Brasil, apesar de a novidade ser relativamente recente. 

Um deles é o Banco Original, criado em 2008 como Banco JBS. Em 2016, o Original lançou as operações como banco digital.

Outra instituição que se destaca pelo número de clientes é o Banco Inter. Depois de atuar por 23 anos como Intermedium, mudou de marca em 2017 e lançou ações na bolsa de valores em abril de 2018, tornando-se a primeira fintech listada na B3. Em setembro de 2018, atingiu a marca de 1 milhão de clientes.

Quais são os principais bancos digitais?

Neon

Para ter uma conta na Neon, basta baixar o aplicativo em seu celular e seguir os passos indicados de maneira simples e gratuita. Não é necessário aprovação de crédito. A conta é ativada quando o cliente deposita os primeiros R$ 25. A instituição oferece um cartão de débito internacional. Também oferece um aplicativo de gestão financeira e serviços para empresas (pessoa jurídica), sendo uma alternativa para micro e pequenos empresários (PMEs).

Banco Original

É uma das primeiras instituições a oferecer um serviço completamente digital, com a disponibilidade de cartão múltiplo (com as funções crédito e débito), e um gerenciador financeiro integrado à conta. No entanto, não é gratuito — a isenção de tarifas só ocorre caso o cliente invista R$ 100 mil com o banco. Assim como a Neon, é preciso baixar o aplicativo do Banco Original para abrir a sua conta. 

Banco Inter

Com um aplicativo para realizar todas as transações, o Banco Inter é isento de tarifas, mesmo para transferências e saques na rede 24h. Um diferencial é o depósito com boleto, em que, para depositar uma quantia em sua conta, basta gerar um boleto no próprio aplicativo e pagar em qualquer casa lotérica. Tem cartões de crédito e débito internacionais sem custo adicional e também oferece os mesmos serviços para pessoa jurídica, sendo outra alternativa para PMEs.

Sofisa Direto

O grande diferencial do Sofisa Direto é a possibilidade de investir a partir de R$ 1 em qualquer modalidade de aplicação de renda fixa oferecida pelo banco. O Sofisa Direto oferece cartão de débito e até quatro saques gratuitos por mês na rede 24h.

Nubank

O Nubank é uma startup criada em 2013 que, inicialmente, oferecia apenas um cartão de crédito sem anuidade. A fintech lançou sua conta digital no final de 2017, a NuConta, e caminha para se transformar em um banco.

C6 Bank

Instituição fundada por ex-sócios do banco BTG Pactual, é focada em clientes do segmento premium. Oferece conta digital, cartões de crédito e débito, empréstimos, investimentos, dentre outros serviços bancários.

PagSeguro

A empresa, que começou como meio de pagamento eletrônico, tem atuação focada em micro e pequenas empresas (PMEs). Oferece conta digital e máquinas de cartão de crédito e débito.

Mercado Livre

Famosa por sua plataforma de revenda digital de produtos, a empresa passou a concentrar sua atuação em serviços financeiros. A partir de 2019, vai oferecer conta digital, conta-salário e crédito. 

Bancos digitais dos bancos tradicionais

Preocupados com a concorrência, os bancos tradicionais também passaram a oferecer algumas alternativas no ambiente digital. É possível ver:

  • Conta Corrente Online (conta digital do Itaú). Antigamente, o banco tinha uma conta digital gratuita chamada iConta. Porém, ela foi descontinuada e substituída por uma versão paga;
  • Next (banco digital do Bradesco). O banco também tinha uma conta gratuita, a Digiconta, que também foi descontinuada;
  • BB Digital (versão digital do Banco do Brasil);
  • SuperDigital (conta corrente digital do Santander);
  • Money Ex (iniciativa da Caixa Econômica Federal para criar um novo banco digital); 
  • BS2 (versão digital do antigo Banco Bonsucesso);
  • Agibank (versão digital do Banco Agiplan);
  • Pag! (iniciativa digital do grupo Avista).

Shadow banks

Algumas instituições que oferecem serviços bancários no  Brasil não precisam de licença do Banco Central para operar.

Esse tipo de sistema é conhecido mundialmente como shadow banking (banco sombra, em inglês) e é um importante meio de inclusão financeira.

No Brasil, alguns exemplos de shadow banks são:

  • Banco Maré: banco digital voltado para pessoas que vivem em comunidades carentes no Brasil. Oferece cartão pré-pago e tem uma moeda própria, a Palafita, baseada em tecnologia Blockchain;
  • Avante: fintech que oferece serviços para micro e pequenas empresas (PMEs), como microcrédito e maquininha para cartão.

A maior vantagem dos bancos digitais é a economia de tempo e de dinheiro, afinal muitos serviços já são gratuitos. Assim, você economiza na hora de usar os serviços e pode até investir seu dinheiro por meio dessas plataformas.

E você? Já tem conta em algum dos bancos digitais? Deixe aqui nos comentários a sua experiência. E se quiser saber mais sobre investimentos, confira o teste que fizemos com a Nuconta, do Nubank. Será que vale mesmo a pena? Tire a prova!

Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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