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Benefícios flexíveis: o que são e por que implementar na empresa?

O capital humano nunca foi tão importante para as empresas quanto agora, uma vez que os colaboradores assumem papéis cada vez mais estratégicos. Nesse sentido, a relevância da gestão de pessoas também aumenta. É preciso entender que os profissionais têm aspirações e necessidades distintas, e a implementação de uma política de benefícios flexíveis vai ao encontro dessa visão.

O sistema de benefícios flexíveis não é uma nova ideia. Surgiu na década de 1970 e ganhou força nos Estados Unidos já há um bom tempo, mas se popularizou no Brasil apenas nos últimos anos.

Esse modelo tem se mostrado vantajoso tanto para a empresa quanto para o profissional.

Vamos explorar melhor o tema neste artigo, mostrando o que são, afinal, os benefícios flexíveis, como eles funcionam e as vantagens que trazem. Além disso, vamos mostrar quais são as implicações legais desse sistema e, por fim, como implementá-los na empresa. Acompanhe!

O que são benefícios flexíveis?

Os benefícios flexíveis são como um cardápio que a empresa oferece aos seus profissionais, com uma determinada quantidade de crédito que ele pode investir nisso.

Para explicar melhor, vamos, primeiro, pensar no modelo tradicional, que é o pacote fixo de benefícios. Ao contratar um novo profissional para os seus quadros, a empresa apresenta os benefícios. Alguns dos mais comuns são:

  • plano de saúde;
  • plano odontológico;
  • seguro de vida;
  • creche ou auxílio-creche;
  • vale-refeição;
  • vale-alimentação;
  • vale-transporte;
  • vaga em estacionamento;
  • bolsas de estudo;
  • plano de previdência privada.

A questão, como dissemos, é que nem todos os colaboradores precisam ou querem tudo isso. Para aqueles que não têm filhos, por exemplo, a creche pode não fazer sentido.

Por outro lado, o profissional pode estar interessado em praticar atividades físicas. Então, seria mais interessante ter acesso a um plano gratuito ou subsidiado de uma academia, algo que a empresa não oferece.

Um sistema de benefícios flexíveis permite essa customização maior, em que cada profissional pode escolher aqueles itens que fazem mais sentido para ele. Isso permite, inclusive, colocar mais opções nesse cardápio, já que a empresa não vai ter que pagar por todos eles.

Como funcionam?

Existem diversas maneiras de operacionalizar esse sistema de benefícios flexíveis. Um dos mais comuns é atribuir uma pontuação a cada benefício e dar ao colaborador um certo número de pontos para gastar.

Vamos supor que o colaborador tenha 1.500 pontos para consumir em benefícios e que os “preços” de cada um deles seja como abaixo:

  • plano de saúde — 400 pontos;
  • plano odontológico — 50 pontos;
  • seguro de vida — 50 pontos;
  • creche ou auxílio-creche — 200 pontos;
  • vale-refeição — 300 pontos;
  • vale-alimentação — 300 pontos;
  • vale-transporte — 0 ponto;
  • vaga em estacionamento — 150 pontos;
  • bolsas para pós-graduação — 700 pontos;
  • previdência privada empresarial — 200 pontos;
  • academia — 100 pontos.

Imagine que o colaborador não tenha filhos, mas seja casado com alguém que já tem um plano de saúde pela empresa. E, por isso, ele não precisa de outro plano de saúde. Por outro lado, quer fazer uma pós-graduação e frequentar a academia.

Ele poderia montar o pacote de benefícios dele da seguinte forma:

  • seguro de vida — 50 pontos;
  • vale-refeição — 300 pontos;
  • vale-alimentação — 300 pontos;
  • vale-transporte — 0 ponto;
  • vaga em estacionamento — 150 pontos;
  • bolsas para pós-graduação — 700 pontos;
  • previdência privada empresarial — 200 pontos;
  • academia — 100 pontos.

Tudo isso somaria 1.800 pontos. É mais, portanto, do que ele tem direito. Para chegar aos 1.500 pontos, ele poderia abrir mão do vale-alimentação e, assim, chegar à pontuação dentro do seu limite.

É importante notar que ele optou por um item “caro”, que é a bolsa para cursar a pós-graduação e é a prioridade dele no momento.

Quais são as vantagens dos benefícios flexíveis?

Esse modelo parte do conceito de que os colaboradores não são uma massa única e uniforme, mas indivíduos, que devem ser tratados como tais. Ele traz benefícios para as duas partes. Veja a seguir alguns dos principais.

Satisfação dos colaboradores

Quem não gosta de ser ouvido, consultado e atendido em relação às suas necessidades? Esta costuma ser uma grande queixa nas empresas. A de que as coisas são impostas sem que ninguém pergunte ou se importe se aquilo faz sentido para o profissional.

Poder escolher dá um senso de autonomia. Também passa a imagem de que a empresa o vê como indivíduo, com necessidades próprias, e não como mais um membro sem rosto nem nome. Faz parte desse entendimento de uma gestão mais humanizada e colabora para elevar a satisfação do colaborador.

Motivação e produtividade

Não é segredo que pessoas mais satisfeitas são mais motivadas e produtivas, além de faltarem menos, reduzindo os índices de absenteísmo.

Esse é um dos principais motivos pelos quais as organizações investem tanto em entender o que deixa as pessoas que trabalham ali mais felizes. Vale também como um diferencial para atrair e reter talentos.

Alinhamento dos benefícios para as multinacionais

O sistema de benefícios flexíveis ainda tem uma vantagem adicional para as multinacionais. Isso porque ele permite oferecer o mesmo cardápio — ou, pelo menos, opções muito semelhantes — nos diversos países em que atua.

Assim, os profissionais expatriados sentem menos o degrau da mudança e conseguem manter o que é importante para eles.

Quais são as implicações legais de oferecer benefícios flexíveis?

Pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho), a única restrição é que qualquer mudança precisa ter a anuência do emprego. Além disso, ele não pode sofrer nenhum tipo de prejuízo, como estabelece o artigo 468 da lei.

No entanto, algumas categorias têm condições específicas. Por isso, antes de adotar uma mudança desse tipo, é preciso consultar a convenção coletiva fechada com o sindicato da categoria. Também é essencial checar se ela não prevê a obrigatoriedade de alguns benefícios.

Além disso, existe uma discussão se a lei prevê ou não a isonomia de benefícios. Ou seja, se todos os trabalhadores devem receber os mesmos benefícios. Nesse sentido, um colaborador poderia ir à Justiça afirmando que não teve os mesmos itens que outros trabalhadores. E pode ser que o juiz também tenha esse entendimento.

A melhor forma de se resguardar desse tipo de ação é colocando essa mudança do modelo tradicional para o flexível no Acordo Coletivo de Trabalho.

Como colocar a política de benefícios flexíveis em prática?

Uma vez que a empresa tenha decidido pelo modelo de benefícios flexíveis, o primeiro passo é entender o que os seus colaboradores querem e valorizam. Não há melhor jeito de fazer isso do que perguntando diretamente a eles. Para isso, pode ser feita uma pesquisa de clima.

Depois, é preciso analisar os resultados, elencar quais são os benefícios mais relevantes e também checar o que a empresa tem condições de implantar. Com isso, chega-se ao cardápio final que será oferecido aos colaboradores.

Por fim, é preciso comunicar os benefícios ao time. Essa é uma parte muito importante, pois eles precisam entender que toda mudança foi feita pensando no bem-estar e nas demandas que eles mesmos trouxeram.

Cada um dos detalhes que compartilhamos aqui será essencial para criar e implementar esse tipo de vantagem na sua empresa. E, agora que você já sabe como funciona esse modelo, aproveite para conhecer 7 benefícios flexíveis que você pode oferecer na sua empresa!

Julia Ayres

Julia é jornalista por formação, mas apaixonada por marketing digital, performance e educação financeira. Atualmente, lidera as estratégias de marketing para a área de empresas da Magnetis

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