Bitcoin: mitos e verdades que você não ouviu falar!

por Fernando Reis | 16/02/2018

bitcoin mitos e verdades

O bitcoin foi um dos assuntos mais comentados em 2017. Muito se falou sobre a mais famosa das criptomoedas - que promete revolucionar a forma como nós lidamos com dinheiro. Sua independência em relação aos governos e às instituições financeiras tradicionais provoca uma série de incertezas a respeito do seu real funcionamento e futuro. E, como todo assunto que está em alta, é comum que haja muitas dúvidas e especulações.

Frente a algo totalmente novo e desconhecido por grande parte das pessoas, como o bitcoin, vários mitos e verdades foram veiculados nas redes sociais e em notícias, deixando muita gente no mínimo desconfiada.

Se você ainda se sente um pouco confuso sobre o que é real ou não a respeito do bitcoin, leia este post até o final e descubra alguns conceitos sobre a valorização desta criptomoeda. Veja também o que é legal e ilegal sobre bitcoin no Brasil. Além disso, entenda se ainda vale a pena ou não comprar bitcoin. Confira!

Valorização do bitcoin

O bitcoin já existe há alguns anos, porém, foi no ano passado que a criptomoeda explodiu em popularidade e teve uma valorização absurda, de 1.300% apenas em 2017.

valorizacao do bitcoin 2017

Fonte: Mercado Bitcoin

Existem vários mitos sobre esta valorização tão expressiva. O mais frequente deles é a acusação de que o aumento das transações e do próprio valor da moeda têm relação com um esquema de pirâmide. Muitas pessoas realmente já ganharam muito dinheiro com bitcoin, mas isso faz dele uma fraude? A resposta é: não.

Ao contrário do sistema de fraude do tipo pirâmide, em que o fundador precisa sempre atrair novos investidores com promessas de altos lucros (de forma que os que estão na base na pirâmide alimentem os lucros dos que estão no topo), o bitcoin surgiu depois que foi publicado em um fórum de criptografia enquanto seu protocolo seguia sendo desenvolvido. Não havia ninguém tentando persuadir as pessoas a comprarem a moeda e começarem a minerar — ou mesmo fazendo promessas de lucratividade —, tanto é que a adesão à criptomoeda não foi imediata.

Desde então, o valor do bitcoin aumenta e diminui de acordo com a lei básica da oferta e da demanda. A criptomoeda não está ligada a nenhum governo ou banco central. Sua variação também não está relacionada à flutuação da cotação de outras moedas, como o dólar ou euro, por exemplo.

O bitcoin não é uma cédula, como o dólar ou real, mas sim um número divisível, que pode ser negociado em frações. Assim, quem tem interesse em adquirir essas moedas não precisa, necessariamente, pagar o valor integral de um bitcoin, mas sim adquirir uma pequena fração da moeda.

Bitcoin é ilegal?

Um grande mito difundido no Brasil é de que as criptomoedas são ilegais no país. Isso não é verdade. Existe um número pequeno de países que não se mostraram receptivos ao uso de bitcoin. Mas, no caso do Brasil, a validade dos bitcoins é tão reconhecida que a criptomoeda precisa estar inclusa na declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física, tal como qualquer outra moeda dotada de valor econômico.

O que acontece é que o mercado brasileiro ainda é um tanto inflexível quanto ao uso dessa moeda no mercado financeiro. Existem poucas empresas no país que já aceitam o bitcoin como forma de pagamento.

Além disso, no final do ano passado, o Banco Central e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) alertaram para o risco das moedas digitais e da necessidade de estar atento a possíveis fraudes e golpes, reforçando ainda que não há uma regulação vigente para este tipo de ativo financeiro no país, se é que se pode classificá-lo com um ativo. Alguns exemplos de fraudes e golpes: corretoras fantasmas ou negociação de criptomoedas que não existem de verdade.

Outro ponto importante: em janeiro deste ano, a CVM proibiu fundos de investimentos locais de investir em bitcoin, assim como em outras criptomoedas. Para a autarquia, ainda não há clareza no Brasil e em outros países sobre a natureza desta modalidade de investimento, além da sua finalidade.

Apesar disso, desde 2015, existe um projeto de lei (2303/15) que prevê a regulamentação das moedas virtuais como arranjos de pagamento, com supervisão do Banco Central. Atualmente, o projeto está em trâmite na Câmara dos Deputados.

Outro ponto que é discutido ao redor do mundo é se o uso de bitcoin poderia estar associado à prática de lavagem de dinheiro ou ao financiamento de outras práticas ilícitas, como o terrorismo. Mas, assim como o dinheiro centralizado por instituições financeiras ou pelo governo, o bitcoin também pode ser utilizado em escala mundial para atividades ilícitas. Entretanto, isso não necessariamente significa que essa moeda facilite e incentive tais atividades.

Por ser negociado globalmente, de forma muito acessível, o dinheiro transacionado via bitcoin também é utilizado por ONGs, por exemplo, que buscam alternativas para arrecadar doações internacionais sem perder valores em taxas pagas para intermediários.

Não dá para comprar nada com bitcoin?

As criptomoedas proporcionam uma inclusão financeira bastante significativa para a população desbancarizada. Utilizando o bitcoin, é possível transformar qualquer smartphone em um banco, facilitando as transações financeiras de qualquer parte do mundo.

Com isso, além da atenção dos entusiastas da área de TI, essa moeda despertou o interesse de muitas pessoas que desejavam comprar itens de outros países com maior nível de segurança e sem ter que pagar altas taxas a grandes bancos como intermediários financeiros.

Hoje é possível adquirir uma lista imensa de itens com o bitcoin — desde computadores e softwares — e até fazer doações para ONGs. São exemplos do que já está disponível:

  • hospedagem em algumas pousadas e hotéis;

  • contratação de serviços de mudanças;

  • viagens pelo mundo;

  • aquisição de jogos digitais;

  • graduações;

  • procedimentos cirúrgicos;

  • compra de alimentos e bebidas;

  • contratação de serviços de transporte etc.

No entanto, um mito recorrente é de que o bitcoin fomenta atividades ilícitas. Como já citado, a utilização da criptomoeda para a aquisição de itens é livre e impossível de ser totalmente controlada, como acontece com qualquer outra moeda.

Assim como pode ser empregado para fins ilícitos, o bitcoin também pode ajudar muitas pessoas em missões humanitárias, por exemplo.

Nesse sentido, esta polêmica em relação à utilização do bitcoin como algo benéfico ou prejudicial foi abordada no documentário Banco ou Bitcoin (originalmente, Banking on Bitcoin) dirigido por Christopher Cannucciari.

O documentário está disponível no Netflix e apresenta uma série de entrevistas com especialistas e entusiastas do bitcoin. Abordando a origem, o futuro, a postura de órgãos reguladores norte-americanos e a tecnologia por trás desta controversa moeda digital. Vale a pena conferir!

Blockchain: bitcoin é seguro?

Outro mito ou erro de interpretação em relação ao bitcoin diz respeito ao anonimato do usuário. A verdade é que, apesar de não precisar informar dados pessoais para entrar na rede, cada usuário possui um histórico completo de todas as suas transações. Tudo isto é possível graças a tecnologia conhecida como blockchain, que teve seu surgimento praticamente junto com o bitcoin, no auge da crise financeira de 2008. Basicamente, blockchain é uma rede formada por uma “cadeia de blocos”, encadeados de forma muito segura, que sempre carregam um conteúdo junto a uma impressão digital .

Na prática, funciona como um grande “livro contábil” em que são registradas várias transações e que possui seus registros espalhados por vários computadores. As transações em conjunto são colocadas dentro de cada bloco, que são “trancados” por criptografia, garantindo anonimato de quem realiza as transações.

Porém, essas informações são públicas e podem ser consultadas online por qualquer pessoa, como no site Blockchain.info.

O detalhe é que a identificação de cada usuário é protegida por uma espécie de pseudônimo, de forma criptografada, sendo impossível, portanto, obrigar a revelação de alguma identidade ou mesmo congelar os bens de algum usuário.

Muitos bancos e instituições financeiras ao redor do mundo, incluindo o Banco Central do Brasil, têm demonstrado interesse na utilização da tecnologia blockchain, em transferências interbancárias, por exemplo.

Mitos e verdades sobre bitcoin

Confira de forma resumida alguns dos mitos e verdades sobre o bitcoin:

Mitos

  • a valorização do bitcoin tem relação com um esquema de pirâmides;

  • as criptomoedas são ilegais no Brasil;

  • o bitcoin facilita a prática de atividades ilícitas;

  • o uso de bitcoin é anônimo.

Verdades

  • o valor do bitcoin flutua livremente, de acordo com oferta e demanda;

  • a emissão de bitcoins é limitada;

  • o mercado financeiro brasileiro ainda é inflexível ao uso de bitcoin;

  • é possível adquirir muitos itens com o bitcoin;

  • cada usuário possui um histórico de todas as suas transações realizadas com a criptomoeda.


Ainda vale a pena comprar bitcoin?

Essa é uma das perguntas que muitas pessoas se fazem. Recentemente, houve uma queda considerável no valor do bitcoin, o que tem gerado furor global. Ainda é cedo demais para entrar em pânico ou seria este o ínicio da chamada bolha?


O gráfico abaixo mostra a variação do valor do bitcoin entre o fim de janeiro e começo de fevereiro de 2018:

cotação do bitcoin
Cotação do Bitcoin 2

Fonte: Mercado Bitcoin

*A cotação pode ser acompanhada no site: Mercado Bitcoin Serviços Financeiros


Note que na semana entre os dias 5 e 8 de fevereiro houve uma tendência de queda considerável, que deixou muita gente preocupada. Porém, depois de uma semana o valor da criptomoeda voltou a subir. A questão é que o bitcoin, assim como outras criptomoedas, possui uma volatilidade extrema e ainda está inserido em um contexto de muita incerteza. Somado a isso, as criptomoedas ou criptoativos têm sofrido uma pressão intensa não só de agentes regulatórios, mas também grandes instituições financeiras, governos e grandes empresas como o Facebook. Tudo isto pode ter impactado na volatilidade e gerado uma tendência de queda.


Vale ressaltar que a valorização do bitcoin em 2017 foi extrema, então é possível que o valor esteja chegando a um nível de estabilidade, mas isto é apenas um dos vários fatores que poderiam explicar esta queda. Não é possível prever o futuro e ainda não está totalmente claro qual será o papel das criptomoedas no mercado financeiro tradicional. Por isso, dizer se ainda vale ou não comprar bitcoin seria uma recomendação incerta. Essa é uma decisão muito pessoal.

É importante destacar que quem decide comprar bitcoin ou qualquer outra criptomoeda deve aplicar somente um valor que não vai fazer falta, porque o risco de perda é extremamente elevado. Se este é ou não o ínicio da chamada bolha do bitcoin ainda não é possível dizer. É preciso estar atento ao mercado e acompanhar qual será o futuro desta revolução das criptomoedas.


A dica geral, independentemente de qualquer coisa, é sempre buscar a diversificação dos seus investimentos e não apostar todas as suas “fichas” em um mesmo ativo, ainda mais de alto risco como as criptomoedas. E, claro, diversificar levando em consideração o seu perfil e objetivos como investidor.

Se você gostou deste texto, não deixe de conferir o Desafio Fintech: Como investir em Bitcoin e TUDO sobre criptomoedas. Nosso CEO, Luciano Tavares, montou uma carteira diversificada de criptomoedas e contou a sua experiência aqui no blog.

Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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