Blockchain: o que é e qual a sua importância para o futuro do mercado financeiro

por Mariana Congo | 28/09/2018

blockchain

Mesmo quem não é muito ligado em notícias sobre tecnologia ou economia já deve ter ouvido falar do bitcoin, a moeda virtual que ultrapassou o nível recorde de US$ 19 mil no fim de 2017 . Essa ascensão de preço fez, inclusive, com que ela se tornasse uma escolha de investimento para muitas pessoas.

Contudo, uma questão vital por trás de todo o sistema de gerenciamento da criptomoeda foi deixado um pouco de lado por boa parte das discussões sobre o assunto: trata-se do blockchain.

Se você nunca ouviu falar dessa tecnologia, não se preocupe! Neste texto explicamos o que é blockchain, qual a sua relação com o bitcoin e como ele tem o potencial de revolucionar o setor financeiro! Confira!

O que é blockchain?

O blockchain (ou cadeia de blocos, em tradução livre) cumpre a função de um livro contábil digital, que registra transações ou operações para resguardar sua segurança e veracidade. Por isso, ele também é chamado de "protocolo de confiança".

Esse livro contábil é descentralizado (afinal, ele não é armazenado em um computador específico) e suas informações são criptografadas. Apesar disso, elas podem ser verificadas e auditadas por qualquer usuário da cadeia.

Como o blockchain funciona?

O funcionamento da tecnologia blockchain é simples. Primeiro, todas as informações das transações são registradas em blocos. Eles, por sua vez, têm uma espécie de impressão digital, chamada de hash.

Os hashes são obtidos a partir de uma função matemática, que transforma a informação recebida em uma cadeia numérica criptografada. Dessa forma, sempre que uma nova operação é feita, mais um bloco é criado. Ele produz seu hash ao juntar sua própria combinação numérica com a do bloco anterior, o que dá origem a uma nova série de números. Ou seja, os blocos passam a formar uma cadeia, o que explica o nome do conceito.

Todas essas operações e encadeamentos de blocos ficam registrados no ledger. Ele é como um grande livro-razão ou uma planilha em que qualquer usuário da rede pode confirmar a veracidade de uma operação. Não há motivo para medo: nomes não ficam visíveis, apenas as sequências numéricas de cada transação.

Essa lógica de funcionamento dificulta muito o trabalho de quem busca violar um blockchain. Para fazê-lo, é necessário quebrar a sequência de todos os blocos sucessivamente.

Por fim, qualquer intermediário é dispensável, já que a confiabilidade das transações é garantida pelos próprios integrantes da rede.

Qual é a relação entre blockchain e bitcoin?

Bitcoin e blockchain estão intrinsecamente ligados. A primeira menção à tecnologia nos moldes atuais apareceu no texto Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System, assinado por Satoshi Nakamoto, o misterioso criador da criptomoeda. Desconfia-se que o nome seja um pseudônimo para um grupo de pessoas.

Seja quem for o autor, entretanto, sua intenção era criar um mecanismo que desse segurança a transações que envolvem a moeda digital. Assim, seria possível garantir que os valores enviados chegassem aos destinatários e que nenhum bitcoin fosse utilizado duas vezes.

Portanto, todas as movimentações que envolvem bitcoins utilizam o blockchain. Para processar as operações, é necessária a validação de outros usuários, que emprestam o poder de processamento de seus computadores para que as transações sejam concluídas.

Esses participantes da rede são recompensados com frações ínfimas da criptomoeda. Tal processo é chamado de mineração: ele dá origem a novos bitcoins, que podem ser usados para comprar produtos ou trocados por outras moedas.

Quais são as outras aplicações do blockchain?

O blockchain não é uma marca ou um produto. Ele é um conceito de estruturação de dados. Sua aplicação mais conhecida é o bitcoin, mas existem outras utilidades que podem ser exploradas, provavelmente em um futuro próximo.

O blockchain pode ser empregado em qualquer transação, acordo ou contrato que demande a certificação dos envolvidos. Ele pode ajudar na autenticação de assinaturas, documentos digitais, páginas na internet, marcas e propriedades, sejam elas virtuais ou físicas, como imóveis, por exemplo.

Até o transporte de cargas pode tirar proveito dessa tecnologia. No começo de 2018, um carregamento de soja foi levado dos EUA à China com o auxílio do blockchain: contratos, cartas de crédito e demais certificados foram inteiramente auditados em uma cadeia específica de blocos digitais.

Como as instituições financeiras podem se beneficiar do blockchain?

As instituições financeiras talvez sejam as mais interessadas na tecnologia blockchain. A possibilidade mais óbvia envolve aumentar a segurança em transações financeiras internacionais ou entre bancos diferentes a um custo mais baixo. Afinal, elas envolvem sistemas complexos de intermediação, liquidação e custódia, que são caros e demorados.

O blockchain pode trazer mais celeridade também às negociações de commodities e ativos financeiros, como as ações. Com a criação de um registro geral de todos os papéis negociados, é possível dispensar os atuais agentes de custódia, de maneira similar ao que acontece com a transferência de moedas digitais.

Desde 2016, o Banco Central do Brasil estuda o potencial dessa tecnologia. A partir desses estudos, foi elaborado o documento Distributed ledger technical research in Central Bank of Brazil. Nele, a entidade explora a capacidade do blockchain na emissão de moedas eletrônicas nacionais, plataformas de gerenciamento de identidades e sistemas de transações capazes de substituir os atuais.

Apesar de promissoras, as conclusões são um pouco pessimistas: o blockchain esbarra em normas que regulam a transferência de informações entre instituições financeiras. No entanto, em janeiro de 2018, o BC passou a utilizar um projeto de blockchain com o intuito de facilitar a troca de dados com outros órgãos do sistema financeiro.

Em um primeiro momento, a plataforma será empregada para autenticar informações perante instituições como a Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Isso vai substituir processos que antes eram feitos por e-mail, telefone ou documentos em papel. 

O blockchain é uma das tecnologias que promete revolucionar o sistema financeiro. Se você gostou de saber mais sobre essa tecnologia, que tal entender como as fintechs estão mudando o mercado brasileiro? Aproveite a leitura e deixe aqui o seu comentário!

Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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