Investimento em CDB: entenda o que é, seus tipos e se vale a pena

por Mariana Congo | 01/05/2017

CDB: entenda o que é e quais são os principais tipos

Se você já procurou uma alternativa para sair da caderneta de poupança, deve ter se deparado com o CDB: trata-se de um dos investimentos mais populares, além de ser muito fácil e acessível — dá até para aplicar pelo internet banking!


No entanto, antes de aplicar, você precisa saber mais sobre como é calculada sua rentabilidade, quais são os riscos, se há impostos e outros pontos importantes. Ficou interessado? Continue lendo!

O que é CDB?

Antes de tudo, vamos conceituar o que é CDB. Sigla para Certificado de Depósito Bancário, esse é um título usado pelos bancos para captar recursos. Na prática, você empresta dinheiro para o banco oferecer crédito a outros clientes, como crédito pessoal, cheque especial, capital de giro para empresas etc. Dessa forma, o banco recebe juros e paga uma remuneração para você.

Quais são os riscos que envolvem o investimento?

O CDB é um título de renda fixa. Isso quer dizer que a remuneração é definida com regras claras, o que a torna bastante previsível. Assim, os riscos de mercado também estão praticamente ausentes — isto é, oscilações na economia não afetarão a regra estabelecida para o seu rendimento. Contudo, existe o risco de crédito: você pode tomar um calote do banco, caso ele passe por dificuldades financeiras ou entre em processo de falência.


​Para esses casos, há uma proteção: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), instituição privada criada para dar estabilidade ao sistema financeiro brasileiro, assegura investimentos até o limite de R$ 250 mil por CPF. Se você pretende investir mais que isso, uma dica valiosa é dividir a quantia entre duas ou mais instituições, para diminuir as chances de ter problemas. Lembrando que desde dezembro de 2017 o FGC criou um novo limite global de R$ 1 milhão por CPF.


​Por fim, no caso de investimento em CDB que só permitem o resgate no vencimento, também há o risco de liquidez, que é a possibilidade de precisar recorrer à quantia investida e não conseguir sacá-la ou ter que abrir mão da remuneração para pegar o dinheiro de volta.

Como é calculado o rendimento do CDB?​

Ao contrário da caderneta de poupança, que tem sua rentabilidade fixada por lei e é igual para todos os bancos, a remuneração dos CDBs é diferente em cada instituição, e dois fatores influenciam o pagamento oferecido. Confira a seguir:

​Tamanho do Banco

Bancos maiores e mais famosos pagam taxas menores, ao passo que bancos de pequeno e médio portes oferecem mais pelo seu dinheiro, justamente por serem instituições menos conhecidas. Não é necessário abrir conta nesses bancos menores — é possível fazer o investimento por meio de uma corretora, que oferece diversas opções.​

Assim, caso busque por maior retorno, o mais indicado é procurar instituições menores. Se for mais vantajoso, no entanto, obter taxa menores, vale a pena investimentos em CDB de bancos maiores.

Liquidez e vencimento

Títulos de CDB que têm liquidez diária — ou seja, que podem ser resgatados a qualquer momento — pagam menos, enquanto aqueles em que você só pode pegar o dinheiro de volta no vencimento oferecem remunerações maiores.


É importante lembrar-se de que não existe uma aplicação mais indicada para todos os tipos de perfil, quer dizer, muito embora seja mais rentável conseguir esperar até o vencimento do título, existem casos em que a liquidez é um fator de maior influência. Por isso, sempre compreenda melhor suas prioridades antes de investir.

Rentabilidade e CDI

O retorno do investimento em CDB não tem uma taxa de rentabilidade igual para todos os casos. O rendimento do CDB, diferentemente da poupança, por exemplo, varia de acordo com o que foi negociado com o banco no momento da contratação do título. Geralmente, quanto maior o valor aplicado — maior, nesse caso, significa melhor para o investidor —, maior também será a taxa de rendimento da aplicação.

A rentabilidade do CDB é o percentual de crescimento do investimento. É importante saber que os rendimentos de um CDB têm como índice referencial o CDI, Certificado de Depósito Interbancário, taxa cobrada entre bancos para empréstimos de 24h. Ele é usado como referência para a rentabilidade de renda fixa e está sempre muito próximo à Selic, a taxa básica de juros.

Para remunerar o investidor, os bancos usam como referência a média do CDI que apresenta variação diária. Essa é a forma mais comum de determinar o rendimento de um investimento em CDB, também chamada de pós-fixada.

Contudo, há outras maneiras de o banco determinar quanto o cliente vai ganhar de juros na aplicação, com a forma prefixada, em que é combinada uma taxa no momento da contratação do título e não é alterada mesmo com a variação do CDI. Já no caso dos títulos híbridos (indexados à inflação) o banco pode usar também como parâmetro a variação da inflação. A seguir, uma explicação detalhada sobre os três tipos de

aplicação em CDB

e suas diferentes formas rendimento:

Pós-fixado

CDB pós-fixado é aquele que tem sua remuneração atrelada a um percentual do CDI. É, também, o tipo mais comum de CDB, em que é feito o cálculo do retorno de acordo com valores definidos durante o resgate.


CDI, ou taxa DI, é uma taxa definida pelos empréstimos feitos entre um banco e outro. Para entender a correlação entre CDB e CDI, veja o exemplo: um CDB pode pagar 110% do CDI. Quando o CDI for de 10%, a remuneração anual será de 11%.


Vale ressaltar que essa remuneração é paga diariamente, com base na conversão da taxa anual para uma taxa diária. Quando o CDI muda — após o governo fixar uma nova meta para a Selic, por exemplo —, a remuneração também é alterada a partir daquele momento.


Esse tipo de CDB pode ter liquidez diária, permitindo o resgate a qualquer momento, ou liquidez no vencimento, em que você só tem seu dinheiro de volta após um período determinado.

Prefixado

CDB prefixado é aquele em que, no momento da aplicação, você já sabe qual será a remuneração, pois ela é estabelecida como um percentual anual e não é modificada nem antes nem após o vencimento e o resgate.


Por exemplo: um CDB prefixado pode ter uma remuneração de 9,5% ao ano. Não importa o que aconteça com outras taxas, ele pagará exatamente isso. Por essa razão, esse tipo de investimento geralmente só permite o resgate no vencimento e, assim, é mais indicado para aplicações de médio e longo prazos.

Atrelado à inflação

Este é o tipo mais raro de CDB. Ele paga um percentual fixo mais a variação de algum indicador do índice de preços do período, como o IPCA ou o IGP-M. Para entender como investir em CDB híbrido, veja o exemplo: um CDB pode oferecer IPCA + 6% ao ano. Se o IPCA naquele ano foi de 5%, a remuneração deverá ficar próxima de 11% ao ano.


Assim como no CDB prefixado, geralmente só é possível reaver o valor investido no vencimento do título.

Tributação do investimento

Se a sua dúvida é se o CDB paga impostos, a resposta é sim. A aplicação em CDB paga Imposto de Renda (IR) e, em alguns casos, o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Os rendimentos dos títulos de CDB são tributados conforme a alíquota regressiva do Imposto de Renda, que poderá variar de 22,5% a 15%, de acordo com o prazo de investimento, retido direto da fonte.


Quando dizemos que a arrecadação do IR realizada para o CDB é feita de forma regressiva, significa que quanto menor o tempo da aplicação maior será a tributação. A seguir, o percentual de tributação do IR para os títulos de CDBs:

Período

Alíquota do IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 721 dias

15%

IOF: incide no resgate de aplicações feitas há menos de 30 dias. Ele varia de 96% (no primeiro dia corrido) a 0% (do trigésimo dia em diante), retido diretamente na fonte.

Dica: Sempre que possível, procure manter seu investimento por no mínimo dois anos, para pagar a menor alíquota.

Prazos do investimento em CDB

Não há um prazo mínimo estabelecido para aplicações em CDB, contudo quanto mais tempo os investidores tiverem para o investimento, maior será a taxa de retorno oferecida pelo banco. O vencimento da aplicação em CDBs ocorre quando o investidor recebe o retorno do investimento — esse prazo é acordado entre a o investidor e o banco, no momento da aplicação.

Quando o investimento termina

Quando um investidor escolhe aplicar em um CDB, ele acorda com o banco emissor um prazo de vencimento desse título, ou seja, um prazo para resgatar seu dinheiro que está sendo emprestado.


Esse período que pode ser compreendido por meses ou anos varia de acordo com a escolha do cliente. É importante ressaltar que o prazo de investimento define a rentabilidade do título, já que, normalmente as melhores taxas oferecidas pelos bancos são para os títulos de CDB que possuem o tempo de investimento maior.


A partir disso, o cliente pode resgatar o dinheiro investido quando quiser, como por exemplo na poupança, desde que haja essa possibilidade, ou pode deixar a quantida rendendo até o fim do prazo que foi combinado.


Contudo, assim que o período acaba, o dinheiro investido precisa ser retirado. Caso o cliente projete continuar com o investimento, deverá receber a o retorno da aplicação e só depois renegociar as condições com o banco.

CDB Vantagens e desvantagens da aplicação em CDB

Apesar de não ser tão popular como a poupança, o Certificado de Depósito Bancário (CDB) também é uma forma muito comum entre os brasileiros para reservar e ganhar dinheiro. A seguir, as principais vantagens e desvantagens do investimento em Certificado de Depósito Bancário:

VantagensDesvantagens
Rentabilidade- superior à rentabilidade, dependendo do tipo de CDB adquirido, o lucro pode chegar ao dobro da poupança.Imposto de Renda - cobrado sobre o rendimento, que varia de 15% e 22,5% sobre o lucro, dependendo do tempo que o cliente demora para resgatar o dinheiro
Liquidez diária - o CDB pode possuir liquidez diária, permitindo que o investidor resgate o dinheiro aplicado quando desejar.Taxas de rentabilidade - que variam entre os bancos, é preciso pesquisar bastante, e se possível contar com uma corretora.
Segurança - é um investimento de baixo risco, já que conta com a garantia do FGC de até R$250.000 por CPF, o que faz com que esse investimento seja considerado muito seguro.Taxa de administração - normalmente os bancos cobram um taxa de administração dos investimentos em CDB.

​Merece destaque uma outra vantagem de investir em títulos de CDB: a possibilidade de usar a aplicação como forma de garantia para operações na bolsa de valores.


Com isso, o investidor amplia suas possibilidades, pois pode rentabilizar seu capital com segurança ao mesmo tempo que diversifica sua carteira de investimentos, ao receber seu rendimento da renda fixa e potencializar o lucro com investimentos na bolsa de valores.

Vale a pena investir em CDB?

Como em todo investimento, a resposta para essa pergunta depende de seu perfil de investidor e de seus objetivos: para quem tem em vista o curto prazo, um CDB pós-fixado que oferece liquidez diária é uma ótima forma de remunerar aquele dinheiro que está parado na sua conta-corrente, de conseguir um rendimento melhor que o da caderneta de poupança ou de formar uma reserva para emergências.


No entanto, fique atento à remuneração oferecida: CDBs que pagam em torno de 80% do CDI geralmente perdem para a poupança. Por isso, é mais indicado buscar CDBs emitidos por bancos de menor porte, distribuídos por corretoras.


Quem procura uma aplicação visando o longo prazo também pode recorrer ao CDB, escolhendo um título com vencimento mais distante e boa remuneração, como uma taxa superior ao CDI. Ele também pode fazer parte de uma estratégia para diversificar seus investimentos, equilibrando e, por consequência, protegendo aplicações mais arriscadas, como ações.

Dicas para investir em CDB

A lógica do investimento em CDB é bem simples: funciona como um empréstimo que o investidor faz a um banco de sua escolha. Desse modo, é depositado um valor mínimo e, na contratação, é combinado um prazo para que a quantia fique aplicada; assim que o prazo termina, o cliente resgata o valor depositado acrescentado da quantia que ele rendeu.


Depois que você compreendeu o funcionamento da aplicação, o processo para investir em títulos de CDBs não é nem um pouco complicado, os passos fundamentais são as seguintes:

  • Primeiramente, é importante saber onde você irá confiar seu dinheiro, isto é, escolher uma instituição financeira para emissão do seu título. Pode ser o banco em que você é correntista, mas não necessariamente deve ser lá. É importante ficar atento às opções de títulos de diversas instituições, pois pode haver melhores instituições para você investir;

  • Além disso, como já ressaltamos também é decisivo que você tenha muito bem definido qual seu objetivo com a aplicação, por exemplo, investir dois anos para realizar uma viagem; pois essa meta determinará o tipo de título e prazo, e como dissemos anteriormente, quando o assunto é CDB, o prazo de resgate é decisivo para o retorno que o investidor terá,

  • Depois de ter esses aspectos muito bem delimitados, finalmente, invista seu dinheiro no título da instituição bancária escolhida. Depois, é só acompanhar o desempenho do seu investimento e aguardar seus lucros.

Viu como é simples? Lembre-se de que nem sempre a melhor aplicação em CDB é o mais rentável ou o mais seguro; é preciso avaliar as suas necessidades, de acordo com o seu perfil, e fazer investimentos com base nesses fatores.

Quer começar a aplicar, mas ainda não sente segurança? A Magnetis, como gestora de investimento, pode ajudá-lo a encontrar as melhores opções de títulos de renda fixa, em diversificadas instituições financeiras. Então, entre em contato conosco.​

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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