CDB ou Tesouro Direto? Entenda a diferença de forma simples

por Mariana Congo

Quem busca formas de acumular uma boa quantia para realizar projetos futuros (como viagens, cursos e aquisição de imóveis), ou apenas para completar a renda, tem nos investimentos de renda fixa oportunidades de atingir esse propósito. Entre os que mais trazem resultados para os investidores, temos o Tesouro Direto e o CDB (Certificado de Depósito Bancário).

Ambos são mais seguros do que os investimentos de renda variável, como as ações da bolsa de valores, além de vantajosos para aqueles que aplicam no médio e longo prazo. Porém, possuem distinções entre si que os tornam mais atraentes para diferentes perfis de investidores. Quer saber mais sobre eles? Então continue lendo!

O que são investimentos de renda fixa?

Os investimentos de renda fixa são remunerados seguindo uma regra fixa, de modo que no ato da aplicação o investidor já fica ciente de quais termos e índices vão definir os rendimentos obtidos pelo capital investido. É diferente da renda variável, na qual não há como saber se o valor aplicado vai se valorizar ou desvalorizar.

A natureza dos investimentos de renda fixa permite melhor previsibilidade de ganhos para os investidores, além de os riscos envolvidos serem menores e de haver maior segurança quanto ao recebimento.

Em suma, os títulos de renda fixa que uma pessoa adquire funcionam como se fossem empréstimos feitos ao Governo ou a instituições bancárias (públicas, privadas ou mistas) de acordo com o tipo de aplicação escolhido. A aquisição deles é intermediada por instituições financeiras credenciadas.

Quais suas modalidades mais populares?

Entre os investimentos mais comuns de renda fixa, dois se destacam: o Tesouro Direto e o CDB. Ambos possuem características específicas que os tornam vantajosos para quem quer ganhar dinheiro de forma mais equilibrada e segura, especialmente em cenários de incerteza econômica, como em crises.

Tesouro Direto

Os títulos públicos do Tesouro Direto são aplicações conservadoras. Quem adquire esse tipo compra papéis emitidos pelo governo federal, o qual faz a remuneração conforme taxas e índices predefinidos — a principal é a taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia).

Ela é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central do Brasil (Bacen) num período de 45 em 45 dias, em torno de 8 vezes por ano. Vale destacar que os ganhos reais obtidos em aplicações do tipo consistem nos índices usados menos a inflação acumulada.

Em suma, investir em um título público do Tesouro Direto é como fazer um empréstimo para o Governo Federal (que usará esse valor para financiar e executar dívidas internas) e obter juros por causa disso.

Vale ressaltar que a Secretaria do Tesouro Nacional é a encarregada de administrar a dívida pública federal. Desse modo, para conseguir financiar essa obrigação, ela faz a emissão dos títulos de crédito de renda fixa no mercado, os quais são ofertados como investimentos.

Existem três tipos de títulos do Tesouro Direto. São eles:

Tesouro Direto prefixado

Os títulos prefixados do Tesouro Direto possuem juros determinados no ato da compra. Ou seja, seu rendimento não está ligado a nenhuma taxa ou indicador econômico. Ele é atrelado a uma taxa definida previamente, fixa, o que significa que você poderá saber de antemão qual valor receberá no final da aplicação.

Tesouro Direto pós-fixado

Os títulos pós-fixados entregam ao investidor a alternativa de indexar esse investimento a um índice, como a já mencionada Taxa Selic. Desse modo, sua rentabilidade segue a variação dessa taxa, e somente no ato do resgate é possível saber qual o montante final.

Tesouro Direto híbrido

Os títulos híbridos são o resultado da união das duas modalidades indicadas acima. O retorno deles é definido por uma taxa prefixada acrescida da variação de um índice da inflação, como o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado) ou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor). Isso faz com que os rendimentos obtidos estejam quase sempre acima do valor da inflação do período.

Vantagens do Tesouro Direto

O governo garante a liquidez imediata dos títulos, ou seja, você pode resgatar seu dinheiro a qualquer momento, mesmo antes do vencimento. Além disso, o Tesouro Direto permite começar com valores menores.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

O CDB tem um funcionamento semelhante ao Tesouro Direto, porém, em vez de emprestar para o Governo Federal, o investidor empresta dinheiro para os bancos e é remunerado por isso em determinado período. Do mesmo modo que os títulos do Tesouro, os títulos de CDB possuem três tipos:

CDB prefixado

Nessa modalidade, uma taxa ou índice anual é definido entre o investidor e a instituição financeira, visando remunerar os papéis negociados. Por causa dessa característica, quem aplica já fica sabendo exatamente qual o valor final que receberá ao fim da aplicação.

CDB pós-fixado

O título pós-fixado tem sua rentabilidade ligada a um indicador da economia, como ocorre com a Taxa Selic, o IPCA e o IGPM no caso dos títulos do Tesouro Direto. Mas aqui o índice geralmente usado é a Taxa CDI (Certificado de Depósito Interbancário), embora a Taxa Selic também possa ser empregada.

Adquirindo papéis de CDB pós-fixado, o investidor só saberá corretamente quanto receberá no final da aplicação, ou seja, no resgate dos valores.

CDB híbrido

O CDB híbrido consiste na união dos dois tipos anteriores, possuindo uma parte de sua remuneração atrelada a um indicador da economia e outra a um índice previamente estabelecido. Nesse caso, o investidor também só fica sabendo o quanto tem para receber no ato de sacar o montante, no resgate.

Vantagens do CDB

A grande vantagem de emprestar valores a um banco por meio de um CDB é o risco reduzido, pois esse título tem a proteção e garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Esse fundo protege aplicações de até R$ 250 mil por CPF e instituição, em caso de a instituição bancária falir ou não honrar os valores acordados por meio desse título com você.

Vale destacar que os CDBs de bancos menores têm rentabilidade melhor do que os de bancos grandes, o que traz oportunidades para quem busca maiores ganhos.

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Para quais perfis de investidores são indicados o CDB e o Tesouro Direto?

Tanto o CDB quanto o Tesouro Direto são indicados para investidores que possuem um perfil mais equilibrado e que buscam maior segurança em suas aplicações. Todavia, é importante que também haja paciência, pois quanto mais tempo aplicado, maiores as chances de obter montantes melhores. Desse modo, eles se tornam ideais para projetos de médio e longo prazo.

Por fim, é importante mencionar que os tributos são semelhantes em ambos os investimentos de renda fixa, de modo que no momento do resgate haverá incidência de Imposto de Renda (IR). E se a periodicidade de sua aplicação for menor do que 30 dias, haverá também incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF).

Quem procura opções de investimentos atrativas e seguras tem no CDB e no Tesouro Direto duas possibilidades vantajosas. Por isso, vale pesquisar bem e optar por aquela que mais se adequa às suas necessidades e exigências.

Para isso, é importante entender qual é o seu perfil. Quer saber como fazer isso? Veja nosso artigo especial sobre o que você precisa saber sobre perfil de investidor!

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.