Novas regras do cheque especial: você sabe o que mudou? Confira aqui!

por Mariana Congo | 04/01/2020

cheque especial: entenda as novas regras
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As novas regras do cheque especial entraram em vigor em janeiro de 2020. Elas ajudam a proteger as finanças pessoais de quem precisa recorrer a essa modalidade de empréstimo.

A partir de agora, a taxa de juros do cheque especial não poderá ser maior do que 8% ao mês.

Isso é um grande avanço para quem chegava a pagar até 14% ao mês (!) em juros para os bancos.

Então, vamos entender melhor quais são as novas regras dessa categoria e como não cair em armadilhas na hora de contratar. Vamos começar?

O que é cheque especial?

O cheque especial é um tipo de empréstimo pré-aprovado. O banco deixa o dinheiro disponível para ser usado a qualquer momento.

Funciona da seguinte forma: quando um cliente está com saldo zerado no banco e faz uma compra, o valor é debitado normalmente.

Porém, é necessário pagar uma taxa de juros sobre esse valor. Afinal, o banco está emprestando o dinheiro para o cliente.

É por isso que o cheque especial é uma das categorias de empréstimo mais usadas no Brasil.

Afinal, é muito simples usar o limite de crédito aprovado pelo banco. Tanto é que muitas pessoas ficam negativas e nem percebem.

Mais ainda: o saldo negativo consome todos os novos depósitos que entram na conta até zerar o saldo.

Porém, o pior problema do cheque especial é a taxa de juros muito alta. Como falamos antes, ela chegava a 14% ao mês antes das novas regras.

Para você ter uma ideia, imagine ter uma dívida de R$ 100 nessa modalidade. Considerando essa taxa, temos uma dívida de:

  • R$ 114 no primeiro mês;
  • R$ 129,96 no segundo mês;
  • R$ 148,15 no terceiro mês e assim por diante.

Ao final de 12 meses, uma dívida de R$ 100 se transformou em espantosos R$ 481,79 por causa dos juros compostos, sendo:

  • R$ 100 da dívida original;
  • R$ 381,79 de juros (!).

É por isso que o cheque especial é uma das modalidades de crédito mais caras no Brasil. Não é à toa que cerca de 15% das pessoas que usam o serviço ficam endividadas.

Como o limite do cheque especial é calculado?

Cada pessoa tem um limite diferente de cheque especial. Esse limite é calculado com base em um indicador chamado score de crédito.

Ele calcula a probabilidade de uma pessoa deixar de pagar algum compromisso financeiro. Quanto mais alto é o score de crédito, mais facilidade uma pessoa tem para contratar esse tipo de serviço.

É por isso, inclusive, que uma pessoa pode ter acesso ao cheque especial sem ter contratado o serviço.

Afinal, um cliente com um bom score é um prato cheio para um gerente que precisa bater suas metas.

Por isso, preste atenção! Verifique se você tem acesso a esse tipo de crédito e saiba qual é o seu limite antes de ficar no vermelho.

Quais são as novas regras do cheque especial?

1 – Taxa de juros de 8% ao mês, no máximo

Como falamos, o limite de juros do cheque especial não pode ultrapassar os 8% ao mês. Ainda assim é uma taxa bem alta.

Para você ter uma ideia, os juros do empréstimo consignado, uma das modalidades mais baratas do mercado, está na casa dos 2% ao mês no grandes bancos.

Para você ter uma ideia do impacto das novas regras, vamos refazer o cálculo do exemplo anterior, agora considerando a nova taxa de 8% ao mês.

Assim, uma dívida de R$ 100 no cheque especial ficaria em:

  • R$ 108 no primeiro mês;
  • R$ 116,64 no segundo mês;
  • R$ 125,97 no terceiro mês e assim por diante.

Ao final de 12 meses, a dívida acumulada ficaria em R$ 251,81, sendo:

  • R$ 100 da dívida original;
  • R$ 151,81 de juros.

2 – Taxa para ter direito a usar o cheque especial

Antes, se você não usava o cheque especial, ele não te fazia nenhum mal.

Agora, simplesmente dispor do serviço pode gerar uma tarifa bancária de 0,25% ao mês quando o limite exceder R$ 500.

Assim, a cada R$ 500 de limite de cheque especial, você paga R$ 1,25 ao mês: ou seja, R$ 15 por ano. É dinheiro de graça para o banco. Assim, temos:

LimiteTarifa anual
R$ 1 milR$ 15
R$ 5 milR$ 135
R$ 10 milR$ 285

Alguns bancos estão falando que não vão cobrar essa taxa, mas vale a pena se informar sobre cada situação.

O que fazer para não cair na armadilha do cheque especial?

Tomar um empréstimo não é necessariamente ruim. O problema é fazer uma dívida sem planejamento financeiro: há um sério risco de ver a dívida transformada em uma bola de neve.

Por isso, aqui vão algumas dicas para você lidar melhor com o cheque especial.

1 – Verifique se você tem acesso ao serviço e qual é o seu limite

Qualquer pessoa que tenha conta-corrente precisa prestar atenção nesse detalhe: será que o banco aprovou automaticamente um limite para você no cheque especial?

Se sim, é necessário saber qual é esse limite, pois muitas pessoas acabam caindo nele sem perceber.

Nunca é demais lembrar: faça essa verificação em todas as contas que você possui para não ter surpresas ruins.

2 – Consulte as condições que o seu banco oferece

Antes de entrar de fato no cheque especial, procure saber qual é a taxa de juros cobrada.

Alguns bancos oferecem a possibilidade de ficar 1 dia nessa categoria sem pagar juros, mas é melhor não arriscar.

Saiba com antecendência todas as condições para usar o limite. Além disso, busque saber se há alguma alternativa oferecida pelo próprio banco caso você precise usar o crédito.

3 – Mantenha sua reserva de emergência em dia

A reserva de emergência é o caminho ideal para você nunca precisar de cheque especial.

Por isso, tente criar e manter o hábito de guardar uma parte da sua renda para algum imprevisto.

Os benefícios dessa prática vão muito além de prevenir as dívidas. À medida que você aumenta sua reserva, pode passar a guardar dinheiro para seus objetivos financeiros: comprar um imóvel, trocar de carro, viajar, investir na sua aposentadoria.

4 – Se a situação sair do controle, busque renegociar

Cair no cheque especial não é crime. O problema é continuar nele sabendo das altas de juros.

Hoje, os bancos precisam oferecer alternativas para seus clientes. Uma delas é o empréstimo pessoal, que precisa ser negociada diretamente no banco.

Essa modalidade tem taxas menores e pode ser uma saída para sua dívida não virar uma bola de neve.

5 – Busque alternativas além dos grandes bancos

Com a popularização de fintechs e bancos digitais, a concorrência está cada vez maior. Na prática, isso significa melhor serviço e condições de pagamento para você.

Por isso, cancele o seu cheque especial, troque de banco, busque um empréstimo em uma fintech. O poder está em sua mãos!

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