Circuit breaker na Bovespa, o que é isso?

por Mariana Congo | 24/05/2017

Circuit breaker na Bovespa, o que é isso?

Você sabe o que é circuit breaker? É quando a Bovespa (atual B3) interrompe suas negociações por causa de uma queda generalizada dos preços das ações.

Esse mecanismo, criado em 1997, foi acionado 17 vezes na história da Bovespa. A última delas foi no dia 18 de maio de 2017 - quinta-feira da semana passada. Na noite anterior, o país foi surpreendido com o teor da delação da JBS na Operação Lava Jato.

O mercado reagiu com muito nervosismo às notícias que levaram o foco da crise política diretamente para o presidente Michel Temer, além de citar diversos outros políticos, como o senador Aécio Neves e o ex-deputado e presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Tamanho nervosismo, o Ibovespa chegou a cair mais de 10% - gatilho necessário para o acionamento do circuit breaker.

De acordo com a B3, no dia 18 de maio houve recorde no número de negociações na Bovespa, alcançada a marca histórica de 3,1 milhões de negócios. Esse número mostra o quanto o mercado se movimentou por causa do estresse - para todo investidor que quis vender por medo da baixa dos preços, havia do outro lado um comprador interessado nos preços “baratos”.

Vamos explicar agora em mais detalhes o que é o circuit breaker e qual é a diferença dele para o leilão de ações individuais - como tem acontecido bastante com as ações da JBS desde a publicidade da delação.

O que é circuit breaker

O circuit breaker foi criado em 1997 com o objetivo de proteger os investidores, pois interrompe todas as operações da Bovespa em períodos de crise. Basicamente, é uma maneira forçada de dar tempo para todos respirarem em meio a situações de estresse.

As regras para acionamento do circuit breaker são as seguintes:

  • Se o Ibovespa (principal índice da Bolsa brasileira) cair ou subir mais de 10% em relação ao índice do fechamento anterior, os negócios são interrompidos por 30 minutos.
  • Reabertos os negócios, se o Ibovespa cair 15% em relação ao índice do fechamento anterior, os negócios são interrompidos por 1 hora.
  • Novamente, se após a reabertura o Ibovespa cair 20% sobre o fechamento do dia anterior, as operações são suspendidas por prazo a ser definido pela Bovespa.
  • As regras não valem na última meia hora de funcionamento do pregão.

Diferença entre circuit breaker e leilão de ações

No circuit breaker, todas as operações da Bovespa são interrompidas. Ou seja, ninguém pode comprar ou vender ações individuais ou fundos de índice (ETFs).

Mas existe uma regra específica que serve para as ações individuais, é o chamado leilão de ações.

Assim como no circuit breaker, é um mecanismo para proteção do investidor em momento de muita volatilidade.

O leilão dura 5 minutos - prorrogáveis por mais 5 - e é acionado automaticamente nos seguintes casos:

  • Queda ou alta de mais de 10% no preço da ação em relação ao fechamento do dia anterior no pré-mercado (antes da abertura do pregão).
  • Queda ou alta de mais de 10% no preço da ação em relação ao preço de abertura, durante o pregão.
  • Oscilação do valor entre 10% e 19,99% sobre o último preço do papel antes de entrar em leilão (em qualquer horário do dia).

O leilão é diferente do circuit breaker pois não significa uma suspensão das operações. Durante o leilão, a Bolsa continua a registrar as ofertas de compra e venda, mas elas só são efetivadas quando os preços de compra e venda se encaixam. Isso previne um descontrole dos preços e garante uma melhor formação de preços.

Nos últimos dias as ações da JBS já entraram diversas vezes em leilão. No auge das crises da Petrobras e das empresas de Eike Batista, o leilão de ações também era tema comum do noticiário.

Circuit breaker, vai ter de novo?

O circuit breaker foi acionado somente diante de fatos altamente inesperados pelo mercado, como em grandes crises econômicas: crise asiática, crise da Rússia, crise cambial brasileira e no estouro da crise financeira de 2008.

A Bolsa não era interrompida desde a crise financeira de 2008 - o que nos ajuda a entender seriedade com que o mercado recebeu a delação da JBS.

Apesar da incerteza, muitos cenários que se desdobram a partir dessa nova etapa da crise política agora já são esperados e precificados pelo mercado.

Por isso, um novo circuit breaker aconteceria somente se novos fatos muito inesperados pegassem o mercado “de calças curtas”.  Nesses momentos de pânico, a melhor atitude é manter a calma e o foco nos retorno de longo prazo para seus investimentos. Sobre esse assunto, leia também: 4 dúvidas sobre investimentos depois da delação da JBS.

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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