Afinal, vale a pena participar de um clube de investimento?

por Malena Oliveira | 05/07/2019

Afinal, vale mesmo a pena participar de um clube de investimento?

Buscar boas opções de investimento são essenciais para fazer o seu dinheiro render bem. Mas além de investir individualmente, é possível contar com a participação de outras pessoas, como amigos e familiares. Nesse caso, o clube de investimento é uma alternativa a ser considerada.

Com um funcionamento voltado para uma atuação coletiva, ele oferece características próprias de rentabilidade e regras diferenciadas. Antes de recorrer a essa possibilidade, entretanto, o recomendado é conhecê-la bem.

Então, que tal saber se vale a pena integrar um clube de investimento? Descubra essa resposta!

O que são essas alternativas?

Previsto na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o clube de investimento é uma modalidade coletiva, com mínimo de 3 e máximo de 50 participantes. Ele permite que várias pessoas físicas se juntem para movimentar o montante em opções específicas.

A participação também é fracionada em cotas e o total conquistado é dividido entre os integrantes, de maneira proporcional. Além de ser um tipo de investimento especialmente recomendado para quem não tem tanta experiência no mercado.

Como funciona um clube de investimento?

Há algumas regras que definem essa modalidade de investimento. A primeira delas é que um clube de investimento exige uma constituição de sociedade.

Deve ser elaborado um estatuto social, com os participantes, modalidades de aplicação, resultados e assim por diante. Obrigatoriamente, ele tem que ser administrado por uma empresa do setor financeiro, como um banco ou uma corretora de valores.

A partir dessa constituição, cada pessoa oferece uma cota e o montante é movimentado de forma junta. Vale notar que ninguém pode ter mais de 40% das cotas em um clube.

É possível que um ou vários participantes gerenciem os valores, se não, é viável contratar um profissional reconhecido pela CMV. Em qualquer situação, tudo tem que estar previsto no estatuto.

Por regra, 67% do total deve ser aplicado nas seguintes opções:

  • ações;
  • bônus de subscrição;
  • debêntures conversíveis em ações;
  • recibos de subscrição;
  • ETFs de ações;
  • certificados de depósitos de ações.

Normalmente, o restante é direcionado para fundos de renda fixa e títulos públicos, como o Tesouro Direto.

O pagamento de Imposto de Renda é feito sobre a diferença entre o recebimento e o valor aplicado, com alíquota é de 15%. A rentabilidade, por outro lado, depende das condições de mercado, já que é uma alternativa de renda variável.

Qual é o histórico dessa modalidade?

Em 1984, a CVM instituiu o clube de investimento como uma possibilidade regulada. No entanto, demorou algum tempo até que se tornasse popular.

Foi no final da década de 1990 e começo do ano 2000 que a opção passou a receber maior destaque e concentração de ativos. Nos últimos anos, novas modalidades ganharam força, então os clubes se tornaram menos comuns.

Em muitos países, entretanto, não há regulação sobre o tema ou ela não é ampla o suficiente. Em 2002, o Novo Código Civil Brasileiro reforçou a possibilidade de associação de pessoas físicas, o que faz com que a lei brasileira seja mais completa nesse sentido.

Quais são alguns grupos formais existentes?

Entre os formais existentes, há o clube de investimento do Banco Inter, além do famoso voltado para funcionários do Banco do Brasil. Também há o que é direcionado para colaboradores do Magazine Luiza e até os ligados às realizações artísticas, como shows e festivais.

No entanto, por causa da sua atuação, é mais comum que cada grupo de interessados crie a própria alternativa, como um meio de facilitar todo o processo.

Quais cuidados tomar?

O primeiro cuidado tem a ver com o atendimento das regras específicas. É indispensável ter um estatuto completo e seguir as determinações do CVM. Do contrário, o processo pode ser suspenso e gerar prejuízos a quem investe.

Também é muito importante reconhecer os riscos, já que se trata de uma opção de renda variável, majoritariamente.

Além disso, fique de olho nos custos com a taxa de administração e de performance, se for o caso. Somando esses valores ao imposto de renda, a rentabilidade fica menor. Portanto, é indispensável prever os gastos.

Principalmente, é recomendado não trocar o clube de investimento por uma alternativa informal. Simplesmente juntar recursos e permitir que alguém movimente não é a melhor escolha. Se houver um conjunto de interessados, o ideal é ter toda a regulamentação prevista.

Qual a diferença para o fundo familiar?

Os fundos familiares são fundos de investimento voltados para integrantes de uma mesma família. Normalmente, é uma proposta associada a holdings de controle familiar, como grandes grupos de atuação econômica.

É uma alternativa viável para quando há uma holding pertencente a todos os membros da família. Assim, esse elemento passa a ser integrado ao fundo familiar, o que garante melhor planejamento sucessório e proteção patrimonial.

A diferença para o clube de investimento é que este é voltado para pessoas físicas, sem a atuação de uma holding. Além disso, a aplicação de renda variável é direcionada para ações e valores mobiliários. Já no fundo familiar, o gerenciamento é feito exclusivamente por um profissional, além de tudo ser ligado a um empreendimento.

Afinal, vale a pena participar?

Antes de decidir aplicar o seu dinheiro, é importante considerar se essa alternativa, realmente, vale a pena. Então, pense em quais são os seus objetivos e expectativas sobre o processo.

Se estiver interessado em aprender mais sobre o mercado financeiro e sua operação, trata-se de uma boa escolha. Se você tiver um perfil de investidor voltado para o risco, esse tipo de investimento pode valer a pena, principalmente por conter investimentos voláteis.

No entanto, deixa de ser oportuno diante de taxas muito altas de administração, por exemplo. Também não é o caminho mais conveniente para quem busca praticidade, já que existe um nível de burocracia. Além disso, não é indicada para quem estiver à procura de opções avançadas e qualificadas.

Portanto, tudo tem que ser ponderado, de modo a identificar se a possibilidade é adequada para você.

Quais são as alternativas ao clube de investimento?

Para quem define que não vale tanto a pena ou que essa modalidade não corresponde a seu perfil, dá para recorrer a outras escolhas. Reunir-se com familiares e amigos interessados em investir pode dar origem a soluções variadas.

É o caso de cada um fazer aplicações individuais e todos trocarem informações sobre as melhores estratégias.

Também é viável integrar um fundo de investimento “tradicional”, onde os bons resultados são compartilhados graças às cotas. Como dito, a única coisa a ser evitada é criar “clubes” informais, pois isso pode gerar perdas.

O clube de investimento é uma modalidade relativamente recente e voltada para a renda variável. Com características especiais, deve ser feita uma boa avaliação antes de você decidir recorrer a ele.

Agora que você já sabe o que é um clube de investimento, para não cair em furadas, saiba mais sobre o que é a pirâmide financeira e outros golpes no mercado.

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