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COE: o que é Certificado de Operações Estruturadas

Com a Selic a 2% ao ano, na mínima histórica, você quer aumentar o retorno da sua carteira de investimentos ao aplicar em renda variável. Contudo, deseja ter um risco controlado e não tem tempo para acompanhar o sobe e desce do mercado? Existe um tipo de aplicação que oferece essa possibilidade: o COE.

Sigla para Certificado de Operações Estruturadas, essa aplicação pode devolver o dinheiro investido caso a estratégia dê errado. Seu diferencial está na combinação de aplicações para garantir um retorno definido previamente. A aplicação pode ser personalizada conforme o perfil de quem investe.

Antes de colocar seu dinheiro em COEs, é preciso saber quais são as suas características para não ter surpresas desagradáveis. Para ajudar você, preparamos um texto com todos os detalhes sobre o investimento. Confira!

O que é o COE?

O Certificado de Operações Estruturadas (COE) é um título que combina ativos de renda fixa e variável e que é indexado a um indicador financeiro. Ou seja, investir em COE permite aplicar em um único produto já diversificando.

As principais características desse investimento são:

  • estabelecer condições para que quem investe aproveite os ganhos e amorteça as perdas;
  • ser atrelado a um indexador (como a Selic, o IPCA ou o Ibovespa);
  • ter vencimento preestabelecido;
  • ter valor mínimo de aporte.

O COE foi lançado no Brasil em janeiro de 2014, inspirado na nota estruturada, aplicação financeira comum nos Estados Unidos e em países da Europa.

Assim como o Certificado de Depósito Bancário (CDB), o COE é uma fonte de captação de recursos para os bancos emissores dos títulos. No início, a oferta desse tipo de investimento só poderia ser feita pelas instituições bancárias. Dessa forma, o acesso ficava restrito a investidores de alta renda.

Essa situação mudou a partir de 2016, quando foi permitida a oferta pública do COE por corretoras e distribuidoras de valores. Desde então, o título começou a ganhar mais atenção de um público mais amplo. Isso porque passou a ser acessado por custos menores nas prateleiras de corretoras e bancos.

O estoque de COE negociado no mercado passou de cerca de R$ 15,9 bilhões em setembro de 2018 para R$ 20,8 bilhões em setembro de 2020.

Como funciona o COE?

O COE pode parecer complexo, mas seu funcionamento é mais simples do que se imagina e se resume a três etapas, descritas abaixo.

Cenário

As operações estruturadas em um COE são baseadas em perspectivas do mercado. O emissor traça um cenário para o desempenho de determinado ativo financeiro ou índice, como dólar, inflação ou ações. Depois, faz investimentos ou programa aplicações para serem feitas até a data de vencimento do COE. Para cada possibilidade, o investimento estabelece uma regra em caso de ganhos e outra em caso de perdas.

Vamos imaginar um exemplo: um COE que acompanha a movimentação do Ibovespa durante dois anos. Segundo as regras do título, quem investe será remunerado caso o índice suba até 15%. Se o índice registrar queda no período, ele tem seu dinheiro de volta, sem correção.

Processo

Ao ter consciência do risco, das regras e do vencimento do título, quem investe não precisa fazer mais nada. Basta esperar pelo vencimento.

Isso porque eventuais flutuações do índice não vão interferir no resultado ao longo do tempo. O que influenciará o investimento é a diferença entre o valor do índice no início da aplicação e seu valor no dia do vencimento.

Resultados

Tomando esse COE como exemplo, no vencimento do título podem acontecer três cenários. No caso de queda do Ibovespa, quem investe recebe o dinheiro que investiu dois anos antes, sem qualquer atualização. Já se o índice registrar estabilidade ou alta de até 15%, quem aplica recebe exatamente essa rentabilidade. Por fim, caso o índice valorize mais do que 15%, o valor excedente fica com o banco emissor.

Quais são as modalidades de COE disponíveis?

Ao investir em COE, é possível optar entre um título com Valor Nominal Protegido ou com Valor Nominal em Risco.

É importante observar que a escolha da modalidade determinará qual será a estruturação dos investimentos realizados.

Nas duas modalidades, pode haver investimento tanto em renda fixa – como títulos públicos –, quanto em renda variável, como ações e derivativos.

A composição dos investimentos sempre terá uma parcela maior de renda fixa para COEs com capital garantido. Já nas aplicações de Valor Nominal em Risco há uma fatia maior de instrumentos de renda variável.

Valor Nominal Protegido

O COE de Valor Nominal Protegido (também conhecido como capital garantido) pressupõe um retorno financeiro mínimo. Isso acontece mesmo que a perspectiva traçada para a aplicação não se concretize.

Se a estratégia não sair conforme o planejado, quem investe receberá de volta a quantia aplicada.

Contudo, o valor será resgatado sem qualquer índice de correção ou rentabilidade. A modalidade representa a maior parcela das emissões de COE.

Valor Nominal em Risco

O investidor assume a possibilidade de que pode perder toda a quantia investida. Como o nome já indica, há mais risco nessa opção.

Ainda assim, é um risco limitado ao valor que foi aplicado. Não haverá, portanto, um endividamento no encerramento da operação. Isso porque o prejuízo não será superior ao total investido.

Em quais ativos é feito o investimento?

A formulação do COE é feita a partir do investimento estruturado entre os seguintes ativos:

  • commodities;
  • moedas;
  • ações nacionais e estrangeiras;
  • índices da bolsa local e de bolsas estrangeiras;
  • juros;
  • inflação.

As aplicações são feitas com o objetivo de obter ganhos com a variação desses ativos ou indicadores financeiros.

Quais são as principais características do COE?

Agora que você sabe o que é e como funciona o COE, veja abaixo as principais características dessa aplicação, distribuída em bancos e corretoras.

Quem emite

O COE geralmente é emitido por grandes bancos, como Bradesco, Itaú, Santander, BTG, XP, entre outros. Todos os títulos são registrados na B3. A bolsa brasileira busca garantir que existam opções de títulos variadas, com prazos e retornos diferentes. É a B3 que realiza o depósito e a liquidação do COE.

Onde comprar

É possível aplicar em COE nas próprias instituições emissoras (bancos) ou por meio de plataformas online de corretoras, como a Easynvest. Basta ter conta em um banco que emita o certificado ou em uma corretora que faça a distribuição do produto.

Para aplicar em um COE, o processo é totalmente online: basta preencher algumas informações pessoais e enviar foto do CPF ou RG. Escolhido o COE, basta transferir dinheiro de uma conta bancária para a conta da corretora e começar a aplicar.

Aplicação mínima

A quantia mínima exigida na aplicação em COEs vai depender da estratégia da corretora ou do banco.

Hoje o investidor encontra COEs com aplicação mínima a partir de R$ 1 mil. Mas, em geral, o valor de um COE gira em torno de R$ 5 mil. Quanto mais sofisticado for o produto, maior tende a ser o seu valor mínimo.

Como é tributado

Sobre o COE há incidência de Imposto de Renda conforme a tabela regressiva, válida para investimentos de renda fixa:

  • 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;
  • 20,0% para aplicações com prazo de 181 até 360 dias;
  • 17,5% para aplicações com prazo de 361 até 720 dias;
  • 15,0% para aplicações com prazo acima de 720 dias.

Em qualquer caso o IR é cobrado somente no resgate. O valor recebido por quem investe já vem com o desconto do imposto. Ou seja, não é necessário se preocupar em pagá-lo.

Essa característica torna os COEs mais vantajosos do que fundos de investimento, nos quais existe o chamado come-cotas. Neles, o tributo é cobrado de forma antecipada a cada semestre.

Por outro lado, mesmo que inclua ações, o COE não oferece benefícios fiscais relacionados ao ativo. Por exemplo, eventuais prejuízos não podem ser compensados por ganhos nessas operações.

Para valores resgatados em menos de 30 dias, é cobrado também o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Seu valor é regressivo e vai de 96% a 3% no período.

Documento de informações essenciais

O COE sempre é apresentado a quem investe com o chamado DIE (Documento de Informações Essenciais). Trata-se de um documento similar ao prospecto que existe nos fundos de investimentos. O DIE traz informações sobre as principais características e os fatores de risco do produto.

O DIE inclui informações como a modalidade e garantia do COE, o banco emissor e a rentabilidade prometida. Também descreve o prazo de investimento e regras no caso de ganhos ou perdas.

O chamado suitability (adequação) de determinada pessoa à aplicação financeira faz parte do processo de venda do produto. O banco e a corretora têm de exigir de quem aplica a assinatura do Termo de Risco. Obrigatório, o termo ajuda a enxergar se o COE deve ou não compor a cesta de ativos de quem investe.

Prazo de vencimento

Assim como o valor mínimo a ser investido, os prazos de vencimento dos COEs são distintos de acordo com o título emitido e a instituição.

A maior parte das operações considera um prazo entre dois a cinco anos. É possível encontrar certificados com vencimento inferior a 90 dias, mas são bem menos frequentes.

Por que o COE é um produto complexo?

O COE é um produto em que há espaço para criatividade. O emissor pode traçar cenários muito variados e, para cada situação, criar uma regra de rentabilidade. Por isso, o COE pode ser uma aplicação complexa.

O COE sempre será emitido por um banco e distribuído por uma instituição financeira, como um banco ou uma corretora. Além disso, cada título tem características próprias, como valor de aplicação mínimo, prazo de vencimento, liquidez e regras de rentabilidade. Essas normas são criadas de acordo com a expectativa de desempenho do ativo ao qual ele está atrelado.

Vamos ver um exemplo.

Imagine um COE baseado na variação do Ibovespa, principal índice de ações da bolsa brasileira. O produto tem vencimento em um ano e as seguintes regras de rentabilidade:

  • se o Ibovespa cair ou ficar estável no período, o investidor terá seu dinheiro de volta (capital protegido);
  • se o índice valorizar até 25%, o investidor terá um ganho proporcional à valorização;
  • se o índice subir mais do que 25%, o investidor terá seu ganho máximo fixado nesses 25%.

Se você confia nos rumos da economia e acredita que o Ibovespa terá uma valorização no próximo ano, poderá ganhar até 25% aplicando nesse COE.

Porém, se a valorização do índice for ainda maior, digamos 50%, investir nesse produto pode não ser tão vantajoso. Nesse caso, outras opções, como ações ou ETFs, podem capturar melhor a alta do mercado.

Por outro lado, se você acredita que o Ibovespa pode cair, o COE dará proteção do valor investido, mas não pagará nada além disso.

Então, valeria a pena investir nesse COE? Depende do perfil de quem investe e de seus objetivos financeiros. Se quem aplica acredita que o Ibovespa vai subir, mas não quer fazer um investimento em ações ou ETFs, o COE pode ser vantajoso. Ele permite colocar um pé na renda variável sem o risco de perder o dinheiro investido.

Porém, se houver grandes chances de o Ibovespa cair, uma alternativa mais interessante seria investir em outra aplicação. Entre as alternativas, há as que acompanham a taxa de juros (Tesouro Selic ou CDBs) ou a inflação do período (Tesouro IPCA+). Assim, quem investe consegue obter pelo menos a correção do valor aplicado.

Ou seja, esse COE seria mais vantajoso apenas em um cenário intermediário, no qual o índice Ibovespa tivesse uma alta moderada. Nesse caso, quem investe teria o mesmo retorno da bolsa, mas assumindo menos risco.

Como é feita uma operação estruturada?

Você pode estar se perguntando: o que há dentro dessa operação estruturada? Quanto eu estou pagando por isso? A resposta não é simples e exige alguns cálculos.

Digamos que você invista R$ 100 mil no COE que descrevemos acima. Ele pode ser composto da seguinte forma:

Renda fixa

Para garantir seu capital, o banco emissor do COE usará a maior parte dos seus R$ 100 mil para captação própria. É como se ele estivesse emitindo um título de renda fixa, como um CDB.

O banco sabe que precisará devolver pelo menos R$ 100 mil ao final da operação. Por isso, fará o cálculo de quanto deve captar hoje para disponibilizar esse valor a quem aplica no vencimento.

Renda variável

Além do capital garantido, o emissor promete pagar a variação do índice Ibovespa da seguinte forma:

  • para queda ou estabilidade: capital garantido;
  • para alta de até 25%: variação do Ibovespa;
  • para alta de mais de 25%: rentabilidade fixa de 25%.

Quer dizer, então, que se o Ibovespa subir 25% ou mais, o banco emissor terá um prejuízo?

Não. Ele usará uma parte menor da sua aplicação para operar no mercado de derivativos, comprando opções de compra ou venda em uma data futura. O banco faz essa operação para ficar protegido – independentemente do cenário futuro – e para garantir a rentabilidade prometida.

A precificação dos derivativos é realizada por meio de modelos matemáticos sofisticados e de forma pouco transparente. Portanto, muitas vezes é difícil saber quanto o banco emissor paga de fato para adquirir as opções.

Segundo estimativas, nesse caso seria necessário gastar R$ 9.970 em prêmios de opções para garantir os cenários de rentabilidade prometidos no vencimento.

Custos

Portanto, dos R$ 100 mil recebidos de quem investe, o banco emissor utilizou R$ 87.719 para garantir o principal por meio de uma operação de renda fixa. Além disso, utilizou R$ 9.970 para se proteger da variação prometida do Ibovespa.

Opa! Sobraram R$ 2.311. Para onde vai esse dinheiro? Essa é a remuneração da corretora que vendeu o produto.

O COE geralmente não tem taxas de custódia, performance e administração explícitas e muitas vezes também são isentos de custos de corretagem. Contudo, esses valores já vêm embutidos no preço da aplicação.

Nesse exemplo, o custo seria equivalente a 2,31% do valor investido no período, sendo embolsado pela corretora e pelo banco emissor. Assim,

  • valor investido no COE de Ibovespa, vencimento em um ano: R$ 100 mil;
  • parcela aplicada em renda fixa: R$ 87.719;
  • parcela usada para pagar prêmios de opções: R$ 9.970;
  • valor restante, usado para remunerar a corretora e o banco: R$ 2.311;
  • custo embutido: 2,31%.

Alerta

Os COEs costumam ser criticados por serem empurrados por assessores de investimentos a clientes que não têm o perfil de risco exigido. Isso acontece por conta da alta comissão recebida por quem distribui a aplicação, já que ela costuma ser lucrativa para o emissor.

Por isso, algumas corretoras, como a XP, vêm discriminando, em folhetos publicitários, qual é a comissão recebida. Segundo a corretora, é cobrada uma taxa de até 1,8% ao ano ao banco emissor, em linha com o que recebe por fundos de ações e multimercado.

Quais são as vantagens do COE?

Investir em COE gera sete benefícios principais:

  • diversificação da carteira de investimentos;
  • acesso a instrumentos financeiros sofisticados;
  • tributação única;
  • perdas limitadas;
  • cultura de longo prazo;
  • possibilidade de alto desempenho;
  • internacionalização dos investimentos.

Confira em detalhes abaixo.

Diversificação da carteira de investimentos

Diversificar a carteira de investimentos, reunindo aplicações em renda fixa e variável, é fundamental no gerenciamento de riscos. Essa estratégia possibilita um retorno médio melhor. Investir em COE, portanto, pode ser o primeiro passo para quem quer ampliar o seu portfólio de aplicações.

Como você acompanhou aqui, esse título já é, em sua essência, uma aplicação diversificada. Conhecer e acompanhar seus fundamentos ajuda quem está inseguro a se familiarizar com outras modalidades de investimento. E o melhor: não é necessário, para isso, monitorar diversos ativos. Basta verificar o que está acontecendo com um único produto.

Acesso a instrumentos financeiros mais sofisticados

Investir em COE facilita o acesso a produtos com estratégias de investimento mais sofisticadas. Para isso, dispensa a estruturação de uma carteira com diversas aplicações. É possível, por exemplo, comprar ações de índices americanos, como S&P 500, de maneira mais prática.

O investimento no exterior só começou a ser mais facilitado recentemente. Hoje em dia há a opção de ETFs listados na bolsa brasileira que investem em índices lá fora, como o S&P 500. Um público mais amplo também terá à disposição, em breve, os BDRs não patrocinados. Começam a surgir também corretoras de baixo custo sediadas nos EUA e com foco em brasileiros.

Tributação única

Outro ponto favorável ao COE é a tributação única, independentemente dos investimentos que fazem parte do produto.

Nos COEs o Imposto de Renda segue a tabela regressiva, assim como em investimentos de renda fixa. Mesmo que inclua renda variável e invista em diversos ativos ao mesmo tempo, quem aplica continuará a ter a tributação que encontraria em um CDB.

Se quem investe aplicasse nos produtos incluídos no COE separadamente, provavelmente teria que lidar com uma tributação maior e mais complexa.

Perdas limitadas

Independentemente de optar pelo COE com valor nominal protegido ou em risco, quem investe já sabe, antecipadamente, quanto pode perder. Ou seja, no pior cenário, pode receber o valor investido sem correção ou sofrer um prejuízo limitado ao montante aplicado.

Com o desenvolvimento do mercado, existem mais COEs sofisticados e atraentes para quem investe. Esses produtos têm diferentes classificações, mesmo na modalidade de capital protegido.

Por exemplo, um COE de capital protegido de categoria Alavancada pode permitir alavancagem de 5 vezes sobre a rentabilidade de um índice internacional.

Se após um ano o índice de referência subir 10%, o COE alavanca em cinco vezes a rentabilidade de quem investe. Ou seja, em um ano é possível obter um retorno de 50%. Nesse cenário, no caso de um investimento de R$ 10 mil, seria possível obter um retorno de R$ 15 mil.

Já se o índice cair 10%, quem investe tem o dinheiro de volta em um prazo relativamente curto. Ou seja, apesar da possibilidade de ganhos elevados, não há uma penalidade adicional na modalidade caso a estratégia não se concretize.

Cultura de longo prazo

O COE é um investimento com prazo de vencimento definido, geralmente entre 2 e 5 anos. Quem investe pode ter prejuízos caso decida vendê-lo antes da hora. Portanto, o produto incentiva quem aplica a criar uma cultura de investimento de longo prazo.

Afinal, o longo prazo é um caminho comprovadamente eficaz para obter maiores rendimentos. Em prazos mais longos, os altos e baixos do mercado tendem a ser diluídos na renda variável. Dessa forma, o potencial de retorno é maior, e os riscos, menores.

Além disso, quanto maior o prazo do produto, menor a alíquota do IR cobrada no resgate. Esse também é um incentivo para aguardar o vencimento do título.

Possibilidade de alto desempenho

Os COEs podem ter uma rentabilidade maior do que as aplicações em renda fixa, como CDBs, títulos públicos e fundos de renda fixa. Isso acontece porque aplicam uma porção do seu valor em renda variável.

Além disso, as instituições financeiras que emitem o título têm grande interesse no sucesso das operações, especialmente nas de capital protegido. Isso porque, caso a alta seja maior do que a estipulada na venda, todo o retorno excedente será do banco emissor. Ou seja, essa característica dá a segurança a quem investe de que o banco apostará em um cenário com grande chance de se concretizar.

Existem COEs que podem ganhar com a queda do mercado, com a alta e até mesmo nos dois cenários. É o caso dos bidirecionais, que usam derivativos não apenas para buscar a alta do índice, mas também gerar rentabilidade caso ele registre uma queda. Mesmo que o índice caia, a rentabilidade do título ainda será positiva. É possível até obter retornos caso o mercado fique estável.

Essa flexibilidade da aplicação também permite que o título tenha um grande potencial de retorno, dependendo da forma como a operação é estruturada.

Internacionalização dos investimentos

O COE permite a quem investe ter exposição a ativos no exterior sem a necessidade de realizar uma remessa ou converter a moeda.

Aplicar em ativos lá fora é importante para diversificar e proteger a carteira. Ativos no exterior tendem a ser descorrelacionados do risco político e econômico no Brasil. Além disso, em momentos de crise a tendência é que o real se deprecie em relação ao dólar. Dessa forma, esses ativos protegem o portfólio de investimentos.

Quais são as desvantagens de investir em COE?

Investir em COE também tem desvantagens. Elencamos cinco:

  • custo de oportunidade;
  • risco de crédito;
  • baixa liquidez;
  • alto custo;
  • ganhos limitados.

Custo de oportunidade

Mesmo quando a escolha de investir em COE é feita com base no capital protegido, pode haver prejuízo. Falamos aqui que, nessa modalidade, o título prevê a devolução do valor investido, sem rentabilizá-lo.

O investidor perde ao deixar de remunerar o capital aplicado, pois terá deixado de ganhar dinheiro em outra aplicação financeira. Há, portanto, um custo de oportunidade.

Risco de crédito

Outro risco importante é o de a instituição financeira emissora quebrar. Diferentemente de CDBs, LCAs e LCIs, por exemplo, o COE não tem garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Em caso de falência da instituição, portanto, você pode perder todo o dinheiro que aplicou.

Por isso, é importante conhecer bem o banco que emite o título antes de fazer a aplicação. Vale a pena pesquisar as notícias mais recentes sobre a instituição financeira, assim como sua avaliação de crédito (rating).

Liquidez

O COE tem uma data de vencimento definida no momento da emissão. Em alguns casos, não é possível realizar a venda antecipada ao banco. Ou seja: quem investe é obrigado a carregar o título até o vencimento, sem poder resgatar o dinheiro.

Há opções que oferecem a possibilidade de resgatar o montante aplicado antes do prazo final. Nesses casos, porém, quem investe corre o risco de ter prejuízo ao revender o papel ao banco, porque o emissor pode aplicar alguma penalidade.

Em qualquer caso, o título pode ser revendido a outro comprador no mercado secundário. No entanto, quem aplica no COE fica sujeito ao risco de mercado e pode receber um valor com deságio, menor do que o aplicado.

Outra característica do COE em relação à liquidez é que o capital investido só é garantido em sua totalidade no vencimento do papel. Assim, o dinheiro aplicado em COE deve ser aquele valor do qual quem aplica não terá necessidade de liquidez imediata.

Alto custo

Para quem investe, aparentemente não há taxas de administração, custódia ou performance no COE. Mas, como já demonstramos, esses custos estão embutidos no valor do produto.

Vale observar que, dependendo do cenário, o custo total do investimento pode ser maior ainda. Em caso de uma aplicação frustrada, por exemplo, o investidor perde a rentabilidade do capital. Essa é uma perda que também precisa ser considerada.

Quando o ganho se concretiza, é preciso considerar ainda que sua rentabilidade foi limitada a um patamar predefinido na aquisição do título. Então, pode não ser tão evidente, mas você deixou de ganhar um valor maior, como explicaremos a seguir.

Ganhos limitados

Aqui, vale a pena aprofundar um pouco mais. Assim como as perdas são limitadas, os ganhos também acabam ficando restritos às condições de rentabilidade do título.

Isso porque o COE vai oferecer uma determinada remuneração considerando a concretização do cenário traçado pelo emissor. Já há, de início, uma barreira de retorno.

Retomando o exemplo do COE de Ibovespa, o percentual de retorno já está definido para o seu investimento. Isso quer dizer que, mesmo que a variação do índice seja excepcional, seu retorno ficará dentro do limite de 25% imposto pelo título.

É interessante ter essa condição em mente porque há outras modalidades de investimentos que também se destacam pela diversificação dos ativos. Contudo, não têm uma regra limitadora dos ganhos.

Em comparação com o cenário citado, há fundos de investimento indexados ao Ibovespa, por exemplo. Esses produtos geram retorno próximo ao do índice, sem que o percentual de ganho esteja preestabelecido.

É evidente que o mesmo ocorre no cenário de perda. No entanto, vale fazer essa reflexão. Se você está adquirindo um COE porque aposta na alta do Ibovespa, talvez seja interessante comparar os cenários de ganhos com outras aplicações.

Qual é a nossa opinião sobre o COE?

O COE é um produto bastante flexível e que pode ser utilizado em estruturas vantajosas a quem investe. Vai depender do seu perfil e de seus objetivos financeiros.

O COE com capital protegido é indicado, geralmente, para investidores com perfil no mínimo moderado. Ou seja, que buscam exposição a algum indexador de renda variável sem correr risco de perda do principal investido.

o produto sem a proteção do capital costuma valer para o investidor de perfil mais arrojado, cuja tolerância ao risco é maior. Nessa modalidade, há possibilidade de perda parcial ou de todo o dinheiro investido se o cenário projetado não tiver se concretizado no vencimento do papel.

Geralmente, de acordo com o perfil de quem investe, é recomendado que o COE represente de 5% a 15% do portfólio de investimentos.

Para garantir uma condição vantajosa, analise cuidadosamente as condições do título e a credibilidade da instituição emissora do COE. É fundamental verificar não só quanto se pode ganhar, mas também quanto se pode perder ao deixar de investir em outras aplicações. Agora que você entende o que é o COE, como ele funciona e suas vantagens e desvantagens, busque as melhores opções de investimentos. Para isso, o primeiro passo é entender qual é o seu perfil de investidor!

Luciano Tavares, CFP®

Luciano Tavares, fundador e CEO da Magnetis, acredita na tecnologia como solução para melhorar e democratizar a gestão de investimentos. Administrador de carteiras credenciado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e planejador financeiro CFP®, Luciano tem mais de 25 anos de experiência no mercado financeiro.

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