O que é o come-cotas dos fundos de investimento? Entenda aqui

por Mariana Congo | 15/05/2019

O que é o come-cotas dos fundos de investimento? Entenda aqui

A cobrança de impostos é uma das grandes preocupações de quem investe, já que, dependendo da fatia comprometida pelos tributos, a rentabilidade de um investimento pode deixar de ser tão interessante. No caso dos fundos de investimento, é preciso lidar também com o chamado come-cotas.

Por trás desse nome engraçado, está uma obrigação nada agradável para quem aplica em fundos de investimento. Sendo assim, é importante entender como funciona essa cobrança para não ser surpreendido por ela.

Trouxemos neste texto tudo o que você precisa saber sobre o come-cotas nos fundos. Boa leitura!

O que é o come-cotas? Quais são as principais características desse imposto?

Come-cotas é o nome dado ao mecanismo pelo qual é feita uma antecipação do Imposto de Renda (IR) das aplicações em determinados tipos de fundos de investimento.

O nome peculiar vem do fato de todo o dinheiro aplicado em fundo ser convertido em cotas. Assim, sempre que essa cobrança é feita, ela se reflete no número e nos valores das cotas, diminuindo-as.

Quem investe em fundos sem saber da existência do come-cotas acaba sendo surpreendido por esse desconto e fica na dúvida se ocorreu algum problema com seu investimento, quando, na verdade, houve apenas o pagamento de um tributo.

Como funciona o come-cotas na prática?

Não há grandes segredos na dinâmica da cobrança do come-cotas. Além disso, quem investe não precisa agir para que ele seja cobrado, já que o desconto é feito de forma automática. A cobrança é feita semestralmente, sempre no último dia útil dos meses de maio e setembro.

O desconto é feito com base na menor alíquota de imposto de renda cobrado na categoria à qual pertence o fundo e incide apenas sobre os rendimentos. Apesar disso, o valor descontado impacta no número de cotas disponíveis.

Qual é a alíquota do come-cotas?

Assim como em alguns tipos de aplicação de renda fixa, a tributação da maioria dos fundos de investimento é regressiva, ou seja, quanto maior for o período de tempo em que o dinheiro fica investido, menor será o percentual cobrado.

Além disso, há diferenças entre os chamados fundos de curto prazo (cujos ativos em carteira de prazo médio é menor que 365 dias) e os fundos de longo prazo (nos quais os ativos têm vencimento médio superior a 365 dias).

Dessa forma, nos fundos de curto prazo a alíquota tem duas faixas: 22,5% para investimentos de até 180 dias e 20% para investimentos acima disso. Já os fundos de longo prazo contam com outras duas faixas de cobrança, para os períodos maiores.

Neles, quem deixa o dinheiro investido entre 361 e 720 dias precisa arcar com uma alíquota de 17,5%. E, para investimentos que superem os 721 dias, a alíquota será de 15%.

Entendendo as faixas de contribuição, basta ver qual alíquota é a menor de acordo com o fundo no qual você está investindo para saber qual será o tamanho da fatia cobrada pelo come-cotas.

Como ocorre o recolhimento antecipado?

Até aqui, mostramos que a cobrança de come-cotas acontece semestralmente, sempre nos meses de maio e setembro, e toma como base a menor alíquota da categoria de fundo de investimento.

Além disso, o imposto é recolhido de forma automática, aparecendo como um resgate no extrato do fundo. Mas, ainda que o come-cotas funcione como uma antecipação do imposto de renda devido, é preciso arcar com a complementação do tributo no momento do resgate.

Ou seja, quem investe em fundos que cobram o imposto por meio desse mecanismo, deve também pagar a diferença entre o que foi recolhido pelo come-cotas e a taxa indicada na tabela regressiva, de acordo com o período em que o dinheiro ficou investido.

Um exemplo ajuda a compreender isso melhor. Imagine que você está investindo em um fundo de longo prazo por 2 anos. Nesse caso, semestralmente serão feitos os descontos referentes ao come-cotas, com a menor alíquota possível. Isso significa que serão descontados 15% sobre os rendimentos, diminuindo o seu número de cotas disponíveis.

Depois disso, no momento do resgate, será necessário pagar a diferença entre esses 15% e alíquota da tabela. Como o dinheiro ficou investido por 2 anos (ou seja, mais de 720 dias), serão mais 5% dos rendimentos levados pelo Leão da Receita Federal.

Quais fundos estão sujeitos ao come-cotas?

Entre os principais fundos, seja de curto ou de longo prazo, a maioria deles está sujeita ao come-cotas. Entram nesse grupo os fundos de renda fixa, os multimercados, os cambiais e os DI.

Porém, existem outras opções de fundos que não sofrem com a incidência do come-cotas, como os de ações, de previdência, de debêntures incentivadas e alguns fundos imobiliários. Isso não significa que eles são isentos da cobrança de IR, mas que ela acontece apenas no momento do resgate, de forma integral.

O come-cotas pode atrapalhar investimentos de longo prazo?

Em um primeiro momento, o come-cotas afeta, sim, a rentabilidade dos investimentos. Ao retirar partes das cotas semestralmente, ele diminui a base de cálculo do rendimento dos meses seguintes.

Imagine, por exemplo, quanto essas cotas descontadas poderiam trazer de rendimento se o IR fosse pago apenas no momento do resgate. Assim, entre fundos de rentabilidade parecida, aquele sem a cobrança do come-cotas certamente será uma opção melhor.

No entanto, às vezes um fundo com essa cobrança pode apresentar rentabilidade maior, compensando o efeito desses descontos. Dessa forma, é necessário fazer os cálculos para encontrar a melhor alternativa.

Quais são os outros impostos e taxas dos fundos de investimento?

A antecipação do IR por meio do come-cotas não é o único imposto a que os fundos de investimento estão sujeitos. O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) também incide sobre eles.

Para escapar de mais essa cobrança, basta manter o dinheiro investido por pelo menos 30 dias. Em resgates feitos em períodos inferiores a 30 dias, a alíquota varia de 96% no primeiro dia de aplicação, até ser zerada no trigésimo.

Além dos impostos, os cálculos sobre os custos de se investir em fundos devem incluir também as taxas de administração e performance.

Embora nunca seja agradável ver os descontos do come-cotas no saldo, isso não significa que os fundos devam ser descartados como opção de investimento. Eles são alternativas viáveis para compor a carteira dos mais diversos perfis.

Só não se esqueça de fazer as contas para entender como a tributação afetará seus retornos!

Quer saber mais sobre esse assunto? Confira nosso post onde falamos tudo sobre fundos de investimento.

Mariana Congo

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais..

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