Saiba como escolher uma corretora de investimentos em 6 passos

por Mariana Congo

Escolher uma corretora de valores é um passo importante na hora de fazer investimentos. São essas instituições que concretizam os processos e fazem a ponte entre o investidor e o mercado de capitais. Para quem é novo no segmento, essa decisão pode não ser tão simples. Afinal, com todas corretoras disponíveis no mercado, como escolher qual é a melhor opção? Há muitos aspectos a considerar, várias dúvidas a esclarecer e a necessidade de conhecer exatamente como funciona o serviço destas empresas. Desta forma, fica mais fácil decidir qual corretora pode ser a melhor para você.

É o seu caso? Então, fique tranquilo! Neste post, explicamos como as corretoras atuam, quais regras precisam seguir e o que você deve avaliar para escolher uma corretora. Você verá que fazer uma boa escolha pode facilitar muito o início da sua jornada como investidor. Vamos lá?! Acompanhe!

Por que as corretoras de valores são importantes?

As corretoras de valores sempre foram decisivas para as operações de investimentos. Até há pouco tempo eram as únicas instituições autorizadas a operar em bolsa de valores. Isso mudou em 2009, com a edição da Decisão-Conjunta BACEN/CVM Nº 17, que abriu espaço para que as distribuidoras de valores também realizem essa atividade.

Isso, no entanto, não diminui a importância das corretoras, que exercem várias atividades atreladas a investimentos. O principal serviço oferecido por essas instituições são as ordens de compra e de venda. Essa ação é muito comum no mercado de ações: sempre que um acionista quer negociar seus papéis, faz isso com o intermédio de uma corretora ou uma distribuidora (mais à frente explicamos a diferença entre elas).

É comum ver, em filmes, a imagem clássica vinculada à bolsa de valores: um grupo de engravatados opera, aos berros, as compras e vendas de ativos por telefone. Há alguns anos, esse era o cenário conturbado dos pregões presenciais.

Hoje, entretanto, as operações são realizadas em pregões eletrônicos. O investidor usa um sistema online, conhecido como home broker ou plataforma de investimentos, para fazer os pedidos de compra e venda. Nem por isso as corretoras deixaram de ser necessárias.

Se antes o intermediário era um corretor que recebia orientações por telefone, agora a ordem é transmitida digitalmente. A corretora ainda é um agente fundamental nesses processos: ela é o responsável por intermediar operações, oferecer consultoria, fazer análises e negociar uma série de títulos que não se restringem às ações.

Os serviços podem englobar, então, o auxílio ao investidor, a prestação de informações sobre produtos financeiros, a tecnologia usada nas plataformas de investimento, a oferta de projeções de mercado e análises técnicas, e até mesmo a administração de fundos de investimento.

Para fazer todas essas funções, as corretoras de valores só podem ser constituídas após autorização prévia do Banco Central do Brasil (Bacen). Além disso, essas instituições são fiscalizadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), além do próprio Bacen.

Qual a diferença entre corretora e distribuidora de valores?

Uma dúvida muito comum para quem começa a investir é a diferença entre uma corretora e uma distribuidora. Na prática, as Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM) e as Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) não tem diferença, na verdade tem um papel em comum.

Mas nem sempre foi assim. As atribuições dessas entidades sempre foram muito semelhantes e, até 2009, o que as diferenciava era a exclusividade que as corretoras tinham para operar na bolsa de valores. Hoje tanto as corretoras quanto as distribuidoras são instituições autorizadas a operar na bolsa. Elas podem fazer a intermediação tanto de produtos de renda fixa, renda variável e fundos de investimentos.

Com a mudança, portanto, as funções se tornaram as mesmas: hoje, então, só o nome é diferente. Corretoras e distribuidoras são intermediadoras nos mercados financeiro, cambial e de capitais. É assim que o Banco Central do Brasil (Bacen) classifica as duas instituições. Tanto as corretoras quanto as distribuidoras são fiscalizadas pelo Bacen e precisam ter autorização da CVM para poderem funcionar. Entre as funções que ambas estão habilidades a executar, destacam-se:

  • comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros;
  • operar em bolsa de valores;
  • intermediar a oferta pública e a distribuição de títulos e valores mobiliários no mercado;
  • administrar carteiras e custodiar títulos e valores mobiliários;
  • instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento;
  • prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais.

Na hora de escolher uma corretora ou uma distribuidora, vale avaliar quais os tipos de serviços você busca, quais aplicações a instituição opera, entre outros fatores. Para saber exatamente o que você deve considerar na avaliação de uma corretora, confira a seguir.

O que avaliar ao escolher uma corretora?

Escolher uma corretora requer atenção a alguns aspectos importantes. Eles vão garantir que se consiga investir com segurança e de forma eficiente. Veja o que considerar a seguir!

1. Serviços e produtos oferecidos

As corretoras podem oferecer diversos serviços: operar na bolsa, prestar assessoria, administrar fundos e assim por diante. Isso não quer dizer, porém, que todas prestam o mesmo tipo de serviço: as operações de uma corretora não necessariamente são as mesmas de outra. É possível encontrar uma que ofereça consultoria de investimentos e outra que não, por exemplo.

Um dos primeiros aspectos a observar, portanto, é se a corretora atende às suas necessidades. Se precisar de serviços de administração de carteiras de investimento e consultoria, além das ordens de compra e venda, deve buscar uma instituição que atenda a essas demandas e esteja alinhada a seu perfil.

Vale reforçar a importância da diversificação nessa etapa. As corretoras trabalham com inúmeros ativos, algumas com mais e outras com menos. Então, é preciso considerar seu perfil de investidor para identificar quais são os instrumentos financeiros mais alinhados a seus objetivos.

Nesse sentido, quanto mais opções de produtos de investimentos a corretora oferece melhor, já que isso, ao final, abre mais oportunidades e permite diversificar sua carteira com mais facilidade. Assim, dependendo das condições de mercado, das suas metas e do seu momento de vida, sempre há como aprimorar o seu portfólio de investimentos.

2. Plataforma de investimento

O home broker é a plataforma das corretoras, em que as operações são realizadas. Ele pode ser o diferencial na hora de escolher uma corretora, já que cada uma tem sua própria plataforma. Antes de escolher, é preciso saber se vai se sentir confortável ao usá-lo e se vai encontrar informações e análises com facilidade, por exemplo.

Então, procure saber mais sobre as ferramentas que terá à disposição e se o sistema é intuitivo e fácil de utilizar. Muitas corretoras oferecem testes gratuitos: se for possível, faça uma experiência no ambiente de investimentos antes de tomar a decisão. Além da plataforma de investimentos, algumas corretoras oferecem outras ferramentas como aplicativos para celular, interface com a plataforma do Tesouro Direto, entre outras. Tudo isso pensando em facilitar ainda o seu dia a dia como investidor e tornar o relacionamento com a corretora mais acessível. Portanto, antes de escolher a corretora, veja que tipos de ferramenta são disponibilizadas para você, quanto maior for o número e a qualidade de ferramentas oferecidas, melhor para você.

3. Reputação

Em investimentos, a credibilidade é fundamental. Por isso, é muito importante conhecer a reputação da corretora no mercado. Pesquise bastante, sobretudo em sites de reclamações e, se for possível, converse com outros clientes e até profissionais de mercado, caso tenha acesso a algum.

O número de clientes atuais também ajuda a determinar a confiabilidade da corretora, item essencial para que você invista com segurança e sabedoria.

A reputação da instituição pode ser um fator decisivo na escolha, isso porque um ponto importante quanto falamos em investimentos é a questão do conflito de interesses. Acontece que assim como os bancos, as corretoras também têm suas metas e objetivos internos e, entre eles, está a preferência por determinados produtos — inclusive em função de comissões geradas com a venda.

Ou seja muitas vezes, algumas corretoras acabam não recomendando produtos que são o melhor para você, mas sim o que é mais vantajoso para a empresa. É exatamente neste ponto que surge o conflito de interesses, uma vez que você não está investindo de forma alinhada aos seus interesses mas aos da instituição. Ficar atento a este ponto é fundamental para ter sucesso em seus investimentos e por isso a reputação da instituição se faz tão importante!

4. Custos

Os custos fazem parte das transações de investimento. Deparar-se com eles, portanto, é inevitável. Para não comprometer a rentabilidade de suas aplicações, é preciso observar esse aspecto com atenção. Evidentemente, vale procurar preços competitivos, mas lembre-se de que há inúmeras opções de corretoras e muita propaganda: algumas oferecem taxa zero para alguns investimentos, porém, na prática não é bem assim. Confira, a seguir, os principais custos cobrados, antes de escolher uma corretora:

  • taxa de corretagem: corresponde ao preço do serviço de intermediação das transações, que pode ser cobrado por operação ou uma taxa fixa;
  • taxa de custódia: é o custo de guarda dos ativos. Pode ser cobrado por mês, mas há corretoras que isentam seus clientes;
  • taxa para home broker ou mesa de operações: o investidor pode ter de pagar para fazer as operações no home broker ou nas ordens em mesa de operações (mais caras, nesse caso);
  • impostos: toda prestação de serviços sofre incidência do Imposto sobre Serviços (ISS), cobrança associada à contratação da corretora;
  • emolumentos: são as taxas cobradas na negociação e na liquidação dos ativos.

Quando se sabe quais são os custos associados às transações, é mais fácil fazer uma análise precisa e negociar condições já com base em todas essas cobranças. Uma dica importante é não escolher a corretora somente pelo preço e sim pela combinação entre os valores cobrados e o que é oferecido.

5. Registro na CVM e certificações de mercado

As corretoras precisam estar registradas na CVM, mas só isso não basta para avaliar se operam de acordo com as melhores práticas. Uma forma de fazer essa verificação é consultar as entidades responsáveis pela regulação, pela fiscalização e pela organização do mercado, como a própria CVM, a B3 e o Bacen.

A B3 nasceu da combinação entre a BM&FBOVESPA e a Cetip. Em seu site, é possível buscar corretoras para conhecer seus produtos financeiros, o perfil dos clientes atendidos e se as instituições têm certificação no Programa de Qualificação Operacional (PQO), um método desenvolvido pela B3 com base em indicadores de qualidade.

6. Atendimento

O atendimento é importante para todo mundo, mas, sobretudo, para quem ainda está no início da jornada dos investimentos. O que deve ser avaliado é se o serviço corresponde às necessidades. A disponibilidade dos profissionais e a forma como tratam o cliente e solucionam suas dúvidas devem ser determinantes para a sua escolha. Os profissionais devem ser ágeis e didáticos nas explicações, pois será um relacionamento de longo prazo envolvendo seu patrimônio.

A equipe da corretora deve ser acessível e estar sempre disponível para que você não se sinta desamparado. Contar com canais de suporte, fáceis de serem acessados também é essencial, afinal você precisa estar seguro em relação aos seus investimentos.

Agora que você já sabe o que é importante verificar na hora de escolher uma corretora, que tal conhecer as vantagens de usar um app de investimentos ? Descubra porque eles podem ser uma poderosa ferramenta para acompanhar em tempo real as aplicações e ajudar você a cuidar melhor do seu dinheiro!

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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