Como fazer um plano de previdência privada?

por Mariana Congo | 14/08/2017

Como fazer uma previdência privada?

Como fazer um plano de previdência privada? Cada vez mais brasileiros se fazem essa pergunta. Diante dos problemas e dúvidas sobre a previdência social e do crescimento da expectativa de vida, não dá mais para adiar a hora de procurar investimentos para garantir uma boa renda quando chegar a aposentadoria.

É natural pensar na previdência privada como uma opção. Ofertados pelas seguradoras dos grandes bancos, esses planos são uma forma bastante lembrada por quem quer poupar para manter seu padrão de vida no futuro.

Se você está interessado em fazer isso, este post traz tudo o que você precisa saber sobre esses planos e outras alternativas que são, inclusive, mais baratas e rentáveis no longo prazo. Continue lendo!

O que é previdência privada?

Planos de previdência privada são produtos em que você aplica seu dinheiro, deixando o investimento em ativos financeiros a cargo de um gestor especializado. O objetivo é acumular uma quantia que permita uma renda mensal para complementar sua aposentadoria no futuro — ou um saque total, se você preferir.

Apesar das semelhanças com os fundos de investimento, há algumas diferenças marcantes.

A principal delas é legal: a previdência privada é enquadrada como um seguro, sendo, inclusive, regulada pela Susep (Superintendência de Seguros Privados). Isso permite que planos desse tipo tenham regimes de tributação diferentes dos outros investimentos.

Além disso, há planos distintos e taxas próprias desses planos.

Falaremos um pouco disso a seguir.

PGBL? VGBL? O que é isso?

Quem pesquisa sobre previdência privada acaba se deparando com essas duas siglas: PGBL e VGBL. São duas categorias de previdência privada, cada uma com uma forma específica de cobrança de impostos. Você deve escolher entre uma das duas ao fazer o plano.

O PGBL, sigla para Plano Gerador de Benefício Livre, é mais recomendado para quem tem uma renda mais alta.

Nele, o dinheiro aplicado pode ser abatido na declaração anual de ajuste do Imposto de Renda (é necessário fazer a declaração completa) até o teto de 12% da sua renda bruta anual. Isso pode significar uma mordida menor do Leão.

Não se trata, porém de uma isenção, e, sim, de um adiamento. No futuro, quando você for sacar o dinheiro, a base do cálculo do Imposto de Renda será todo o dinheiro aplicado.

O VGBL, Vida Gerador de Benefício Livre, por sua vez, é mais recomendado para quem tem um salário menor e é isento ou opta pela declaração simples do Imposto de Renda.

O valor aplicado não é abatido do seu Imposto de Renda. Por outro lado, a base de cálculo da tributação na hora do resgate é apenas o rendimento.

O que são os regimes de tributação?

Além de PGBL ou VGBL, outra decisão que você precisa tomar é entre os dois regimes de tributação. Não é possível mudar de uma para outra depois de fazer essa opção.

No regime progressivo, os saques feitos do plano de previdência privada têm a incidência de 15% de Imposto de Renda.

Depois, na declaração anual de ajuste, que você faz todo começo de ano, eles entram como rendimentos tributáveis, como acontece hoje com seu salário. Pode haver mais impostos a pagar ou restituições a receber, de acordo com as faixas de renda definidas pela Receita para aquele ano.

Isso dificulta a retirada integral dos recursos, já que um valor muito alto de renda em um único ano faria você pagar muitos impostos.

No regime regressivo, por outro lado, as alíquotas de Imposto de Renda vão de 35% a 10%, dependendo de quanto tempo o dinheiro ficou aplicado — a cada dois anos, a alíquota cai 5%, atingindo a menor porcentagem depois de 10 anos. A cobrança ocorre no momento do resgate e não entra nos cálculos da declaração anual de ajuste.

Esse regime pode causar problemas caso você decida usar o dinheiro da previdência pouco tempo depois de fazer o plano, já que terá que pagar muito mais em impostos.

Quais são as taxas da previdência privada?

Os planos de previdência privada cobram taxas dos clientes para custear suas despesas e obter lucro — e elas podem comprometer seu patrimônio e fazer você ganhar menos dinheiro com suas aplicações.

Uma delas é a taxa de carregamento, uma fatia de cada aporte feito que fica para o banco ou para a seguradora.

Se seu plano cobra 5% de taxa de carregamento e você investe todo mês R$ 1.000, só R$ 950 vão para o fundo e R$ 50 ficam para o gestor do plano.

Além disso, o fundo em que seu dinheiro será investido cobra taxa de administração, um percentual anual sobre o patrimônio investido.

Isso quer dizer que, se você deixa R$ 100 mil investidos em um fundo com, por exemplo, 4% de taxa de administração, R$ 4 mil por ano serão destinados para remunerar os gestores do fundo.

Essa quantia acaba prejudicando (e muito!) o rendimento. Ela não aparece nas despesas, pois é descontada da rentabilidade mês a mês.

Por fim, alguns planos ainda cobram taxas de saída, uma porcentagem sobre as retiradas feitas.

Esses custos podem ter um efeito bastante prejudicial para seus investimentos no longo prazo. Em outro post aqui no blog sobre rentabilidade líquida, fizemos uma comparação dentre aplicações com taxa de administração de 0,5% ao ano, 1,5% ao ano e 2,5% ao ano. No final, a rentabilidade líquida de cada um dos investimentos é muito diferente, como resume este gráfico:

Rendimento líquido dos investimentos: saiba quanto seu investimento rende de verdade

Quais são os riscos?

O principal risco de aplicar em uma previdência privada é o de liquidez. Liquidez é o nome dado à facilidade de resgatar o dinheiro de um investimento.

Se você tiver algum imprevisto e precisar recorrer aos recursos que estão em seu plano de previdência privada, poderá esbarrar nos prazos de carência (que normalmente são de 180 dias) e perder dinheiro com Imposto de Renda (principalmente se optou pelo regime regressivo) e taxas.

Por isso, só faça uma previdência privada depois de ter uma reserva de emergência.

Também há o risco da seguradora falir. Planos de previdência privada não contam com proteção do Fundo Garantidor de Créditos ( FGC), como acontece com produtos de renda fixa como CDB, LCI e LCA.

Por fim, é preciso ficar atento aos rendimentos. Muitos fundos de previdência privada têm lucros inferiores até mesmo aos obtidos na poupança. Isso acontece justamente por causa das altas taxas cobradas. Essa realidade pode colocar em risco sua formação de patrimônio. Imagine a decepção ao chegar ao momento de se aposentar e obter uma renda menor que a planejada?

Como fazer um plano de previdência privada?

Por conta de todas as questões levantadas nesse texto — dificuldade de resgate, rendimentos ruins, altas taxas, entre outros —, a previdência privada é recomendada apenas para quem é extremamente indisciplinado em seus gastos e não consegue guardar dinheiro.

Os aportes na previdência privada podem ser debitados automaticamente em conta, se tornando mais uma despesa mensal, como as contas de água e luz ou o aluguel. Assim, você acaba “se obrigando” a investir.

Se esse é o seu caso, analise bem entre os planos disponíveis e os regimes de tributação possíveis, pois não é possível mudar essas características do plano. Por outro lado, você pode migrar sua previdência privada para outro gestor, graças à portabilidade.

Além disso, não deixe de pesquisar os produtos oferecidos pelas seguradoras independentes, pois as taxas por elas cobradas costumam ser menores que as praticadas pelos grandes bancos, além de entregarem rentabilidades melhores em seus fundos.

Agora, se você quer ter realmente os melhores investimentos para a aposentadoria, certamente deve buscar alternativas à previdência privada, como aplicações em renda fixa - um exemplo é o Tesouro Direto - ou montar uma carteira diversificada.

Eu realmente preciso de uma previdência privada?

Não! Há formas de investir muito melhores, com custos mais baixos e rendimentos superiores, mesmo com as vantagens tributárias da previdência privada.

Além disso, já é possível contar com uma carteira de investimentos diversificada, administrada automaticamente por um robô investidor. Isso torna todo o processo muito mais simples para quem não tem conhecimentos sobre investimentos nem tempo de estudar o mercado financeiro.

Que tal conhecer outros investimentos para a aposentadoria? Acesse o guia gratuito sobre como investir para ter uma aposentadoria tranquila.

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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