Como investimos: conceitos, influências e metodologias

por Luciano Tavares, CFP® | 05/11/2015

Como investimos: conceitos, influências e metodologias

Investir não é das tarefas mais fáceis. Exige dedicação, tempo e disciplina. Agora imagine ter de escolher sozinho, sem qualquer apoio, as aplicações financeiras mais adequadas aos seus objetivos. A boa notícia é que os serviços de investimento automatizado, como o oferecido pela Magnetis, fazem esse trabalho para você. São os algoritmos que comandam as atividades usando conhecidas técnicas de otimização de carteiras para fazer a seleção da cesta de ativos financeiros que mais combina com seu perfil.


Por seguir metodologias sofisticadas, a análise acaba sendo muito mais objetiva e imparcial em relação às recomendações de um assessor financeiro ou gerente do banco, que podem ter opiniões e interesses próprios, os quais podem interferir na montagem do seu portfólio de investimentos. Embora seja inovador, cabe destacar que o trabalho da Magnetis é fundamentado em metodologias e teorias bastante consagradas. Convidamos você a conhecer um pouco sobre cada uma desses conceitos que geram melhores resultados no processo de investimento.


Modern Portfolio Theory (Teoria Moderna do Portfólio)

Criada pelo economista americano da Universidade de Chicago Harry Markowitz, a Teoria Moderna do Portfólio é uma das teorias mais consagradas sobre otimização de carteiras de investimento. Com o estudo, Markowitz conquistou o Prêmio Nobel de Economia em 1990. Conforme a teoria, as decisões tomadas na seleção das aplicações financeiras devem levar em conta a relação risco-retorno. Na prática, caso tenha de escolher entre dois ativos com o mesmo retorno, o investidor escolherá aquele com o menor risco. Já um investimento mais arriscado só será aceito se oferecer uma possibilidade de ganho muito maior que as demais opções mais conservadoras, por exemplo. Por isso, para atingir as melhores rentabilidades em uma carteira de investimentos, é preciso diversificar as aplicações com ativos que tenham baixa correlação entre si.

Essa diversificação permite, por exemplo, que o investidor consiga compensar o prejuízo de um movimento muito forte de queda do mercado de ações com a cesta de aplicações em renda fixa, que acabam funcionando como uma espécie de escudo diante das turbulências ocorridas no mercado financeiro. Ao mesmo tempo, caso a Bolsa entre em um forte ciclo de alta, o investidor acaba alcançando uma rentabilidade maior em seu portfólio.

É exatamente aí que entra outro conceito desenvolvido por Markowitz, conhecido como “Fronteira Eficiente”. Em linhas gerais, significa que o risco de apenas um investimento não é tão prioritário quanto o conjunto de todas as aplicações que compõem o portfólio. Embora cada ativo tenha suas próprias características, ao incluí-los em uma mesma cesta de investimentos bem administrada, o risco e o retorno daquela carteira mostram-se muito mais eficientes do que o desempenho isolado de determinada aplicação financeira.

Com base nos princípios da Teoria Moderna do Portfólio, a Magnetis constrói, de maneira automatizada, sua carteira de investimentos. Os recursos aplicados são fatiados em diferentes ativos que são meticulosamente selecionados pelos nossos algoritmos. Você tem a segurança de que aquela será a combinação ideal para seu perfil de risco, maximizando suas chances de alcançar o objetivo selecionado.


Investimentos passivos


O americano John C. “Jack” Bogle é fundador da Vanguard, uma das maiores gestoras do mundo, que possui sob gestão cerca de US$ 3 trilhões em ativos, todos eles em fundos de investimento com gestão passiva. Em seu livro “Common sense on mutual funds: new imperatives for the intelligent investor”, o fundador da gestora lista algumas regras aos investidores, como selecionar fundos de índice de baixo custo, não superestimar a rentabilidade passada do fundo e procurar montar uma cesta de investimentos e mantê-la.

A gestão passiva, da qual Bogle é um dos grandes defensores, significa que o desempenho do fundo de investimento vai sempre acompanhar a variação de um índice de referência, o chamado benchmark. Essa estratégia é diferente da gestão ativa, onde existe uma equipe de gestores cuja meta não é apenas seguir o benchmark, mas superá-lo. O que acontece, porém, é que uma parcela significativa dos gestores com estratégia ativa de investimento não consegue bater o benchmark. Nos Estados Unidos, por exemplo, apenas um terço dos gestores conseguiram superar o S&P, principal índice de referência de ações, nos últimos 20 anos.

Dentre as vantagens da gestão passiva estão o custo menor em relação à estratégia ativa, afinal sempre é comprada uma cesta fixa de ações que compõem o índice de referência. Desta forma, a gestão torna-se bem simplificada, já que o trabalho operacional é menor e pode ser automatizado. Além disso, há maior transparência e menos surpresas. Em outras palavras, o investidor saberá a todo momento que o retorno da aplicação será igual ao índice de referência, e não dependerá da capacidade (ou sorte) do gestor de superá-lo.


Os ETFs (Exchange Traded Fund) são um exemplo clássico de investimento passivo, lançados no fim da década de 1980 nos Estados Unidos. A partir daquela época, o crescimento desse tipo de fundo no mundo foi bem significativo e hoje, só nos EUA, existem mais de 1.400 ETFs, atingindo a impressionante marca de 2.97 trilhões de dólares em ativos.


No Brasil, os ETFs também estão disponíveis, ainda que sua utilização no momento seja incipiente quando comparada à norte-americana. Aqui, esses fundos têm suas cotas negociadas na BM&FBovespa da mesma forma que ações. Um dos principais provedores é a BlackRock, atualmente a maior gestora de ETFs globalmente, através do seu programa iShares.  (Veja a lista completa de ETFs brasileiros.)

No seu processo de seleção de investimentos, a Magnetis aproveita as vantagens da gestão passiva, para reduzir os custos e aumentar a transparência das carteiras recomendadas. Por exemplo, na parcela das carteiras que é alocada em ações brasileiras, utilizamos ETFs que seguem os principais índices como o IBrX100. Esse instrumento cobra uma taxa de administração de apenas 0,20% ao ano, ou seja, pelo menos 10 vezes menor do que um fundo de ações tradicional que normalmente cobra 2 a 3% ao ano! O resultado é uma carteira mais diversificada, transparente e com menor custo.

Finanças comportamentais

O psicólogo israelense Daniel Kahneman é um dos principais expoentes da área conhecida como Finanças Comportamentais, que combina psicologia com economia para explicar as tomadas de decisões, principalmente nas finanças. Os estudos de Kahneman, ao lado de seu colega também psicólogo Amos Tversky, renderam ao israelense o Prêmio Nobel de Economia em 2002.


Entre suas pesquisas, eles apresentaram a definição de heurísticas, que representam formas simplificadas de fazer julgamentos e tomar decisões em situações de incerteza. Essas “regrinhas de bolso”, muito úteis em nossas escolhas do dia a dia, podem levar a erros sistemáticos, os chamados vieses comportamentais. São esses vieses que prejudicam decisões importantes, por exemplo, as relacionadas aos investimentos que fazemos.


Um viés, de grande impacto sobre as decisões de investimento, é o conceito de “aversão à perda”. Frequentemente, costumamos sentir mais as perdas do que valorizar os ganhos obtidos. Em muitas situações, essa aversão leva o investidor a tomar decisões pouco racionais, como fazer apostas demasiadas na tentativa de recuperar uma perda ou vender um ativo antes da hora, no caso de ganhos.


Essa cegueira também pode levar o investidor a seguir grupos que tenham pensamento igual. Cria-se o famoso “efeito manada”, no qual as pessoas caminham na mesma direção para tomar decisões, situação muito comum no mercado de ações. Por exemplo, o papel de uma empresa está subindo e alguns amigos ou familiares dizem pra você que aquele é o melhor investimento do momento. Por confiar nas pessoas, você acaba seguindo-as, deixando de pesquisar sobre o histórico da companhia.


A automação na hora de fazer investimentos, conforme o modelo que a Magnetis segue, surge justamente como uma maneira de minimizar o resultado de decisões tomadas emocionalmente. O uso de critérios objetivos, baseados em algoritmos, ajuda a eliminar o efeito manada e acaba por impor mais disciplina ao investidor. Suas decisões, portanto, sofrem menor impacto de aspectos subjetivos.

Adaptação à realidade do mercado brasileiro


Embora sejam bem estabelecidas no mundo, todas as metodologias financeiras precisaram ser adaptadas ao contexto econômico e à realidade do mercado financeiro brasileiro, ainda pouco desenvolvido se comparado a mercados como o dos Estados Unidos. Aqui, ainda impera uma cultura de renda fixa, caracterizada pela preferência por produtos mais conservadores e tradicionais.


O que comprova isso é a predominância da caderneta de poupança, um instrumento com baixa rentabilidade, na carteira de investimentos do brasileiro. Sem contar que o número de investidores pessoa física na Bolsa de Valores é muito pequeno e não chega a 560 mil CPFs cadastrados, segundo os dados mais recentes da BM&FBovespa. A quantidade, inclusive, vem caindo nos últimos anos – o máximo foi alcançado em 2010, quando estavam cadastrados mais de 610 mil investidores pessoa física.

Outro aspecto característico da realidade brasileira é a taxa de juros em patamares elevados. Só para efeito de comparação, a taxa básica de juros no país, conhecida como Selic, está em 14,25% ao ano, enquanto que nos Estados Unidos, os juros de referência ficam entre zero e 0,25% ao ano. Uma baita de uma diferença, não?


A pequena variedade de fundos de índices (os ETFs) é mais uma marca da realidade brasileira. Hoje em dia, são disponibilizados apenas 18 ETFs ao investidor, que espelham índices do mercado de ações. Como escrevemos lá em cima, nos Estados Unidos, existem mais de 1.400 ETFs, o que mostra que esse instrumento ainda precisa ganhar fôlego no Brasil.


O país tem, ainda, limitações em investimentos internacionais. Embora uma nova regulamentação da CVM, a Instrução 555, tenha criado um fundo que poderá aplicar 100% dos recursos no exterior, trata-se de um produto voltado a investidores qualificados, pessoas com pelo menos R$ 1 milhão para investir. Nos Estados Unidos e outras economias desenvolvidas, é muito comum investir em ativos internacionais como uma forma de diversificação, mas essa estratégia ainda não se popularizou entre os investidores brasileiros.

Em meio a esse cenário, a boa notícia de tudo isso é que a Magnetis conseguiu adaptar consagradas metodologias à realidade do país, garantindo a implantação de todos os conceitos a partir da oferta de um serviço de investimento automatizado com baixo custo e acesso aos ativos financeiros mais adequados. O resultado não poderia ser melhor: uma carteira de investimentos sob medida para seus objetivos, suas necessidades e seu perfil de risco.

E aí, já montou seu plano?

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

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