Como investir na bolsa de valores para o longo prazo

por Mariana Congo

Quando você pensa em como investir na bolsa de valores, você imagina que terá que se dedicar a essa atividade todo dia e gastar seu tempo em frente a milhares de dados, distribuídos em gráficos e tabelas?


Então, em primeiro lugar, saiba que este é apenas um dos caminhos para quem investe em ações na bolsa de valores. Por sinal, mais indicado para pessoas que têm muito tempo e conhecimento técnico para se dedicar à compra e venda de ações.


Ao contrário, existe uma outra maneira para se investir em bolsa de valores. É um caminho para quem investe com uma visão de longo prazo, uma forma rentável, que não exige conhecimento técnico prévio e nem necessita que você fique seguindo todas as notícias e indicadores do mercado no dia a dia.


É isso que vamos mostrar aqui: como investir dinheiro na bolsa de valores com uma estratégia para o longo prazo. Essa é uma maneira de investir, por exemplo, para a aposentadoria.

Investir na bolsa de valores pode ser tranquilo

Quando falamos em ações e Bolsa de Valores ainda é possível que venha à sua mente algo como um amontoado de pessoas ao redor de telas com índices de ações, apegadas a “telefones” enormes, para fechar negócios.

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Pregão viva-voz na BM&F em 2009 (Foto: Alf Ribeiro/Shutterstock.com)

Desde o final dos anos 2000, a cena não existe mais, mas a lógica das operações do mercado acionário permanece. Profissionais da área, conhecidos como “traders”, negociam diariamente para tentar obter lucros no day trade — operação de compra e venda da mesma ação no mesmo dia.


Essa forma de investir em ações tem custos muito altos, como as taxas de corretagem, emolumentos e Imposto de Renda. Além disso, fazer day trade implica em muito tempo dedicado a este trabalho, assim como a estudos para aprender análise técnica ou gráfica. E tudo isso sem a garantia de ter um retorno positivo, pois o resultado da estratégia é incerto.


Enquanto em um dia se ganha e em outro se perde, no final os lucros são inexistentes ou até mínimos. Muitos traders, aliás, erroneamente deixam de contar os custos na hora de falar se uma estratégia foi bem-sucedida ou não.


Mas se você tem um objetivo de longo prazo, como guardar dinheiro para a aposentadoria, não precisa passar por todo esse estresse diário. É possível investir na bolsa de valores de uma maneira mais tranquila e com custos reduzidos.


Com um planejamento focado no resultado para o futuro, você pode se sentir confortável e até "esquecer" das oscilações diárias do valor do seu patrimônio, algo totalmente natural no mercado acionário.

Qual é o nível que risco que você está disposto a correr?

Se você investe em renda fixa, mas quer uma rentabilidade maior e está disposto a correr algum risco com ações, combinar esses dois investimentos — renda fixa e variável — em uma carteira é um caminho interessante.


Para que você consiga visualizar o que estamos falando, vamos supor que há pouco mais de dois anos você tivesse decidido investir R$ 100 mil em uma carteira de investimentos.

Segundo a tabela abaixo, 2015 foi negativo para quem investiu em ações (Ibovespa), enquanto 2016 foi muito positivo. Já na renda fixa, os dois anos foram positivos.


Neste exemplo, vamos considerar o investimento em um CDB que rende 116% do CDI, que é uma ótima taxa.

Investimento

Desempenho em 2015

Desempenho em 2016

Ibovespa

-13,31%

38,94%

CDB (116% do CDI)

15,50%

16,48%

Vamos supor que você tenha montado uma carteira de investimentos com 90% em renda fixa e 10% em renda variável no final de 2014. Qual teria sido o comportamento após um ano? E após dois anos?

Investimento

Posição inicial

Valor em 2015

Valor em 2016

Ibovespa

R$ 10.000,00

R$ 8.669,00

R$ 12.044,71

CDB (116% do CDI)

R$ 90.000,00

R$ 103.950,00

R$ 121.080,96

Total

R$ 100.000,00

R$ 112.649,00

R$ 133.125,67

Mas, e se você tivesse resolvido se arriscar mais, e investido não 10%, mas 30% em ações? Veja como teria evoluído a sua carteira:

Investimento

Posição inicial

Valor em 2015

Valor em 2016

Ibovespa

R$ 30.000,00

R$ 26.007,00

R$ 36.134,13

CDB (116% do CDI)

R$ 70.000,00

R$ 80.850,00

R$ 94.174,085

Total

R$ 100.000,00

R$ 106.857,00

R$ 130.308,21

Como se pode observar na comparação, no total a carteira com mais ações teve uma alta bem menor em 2015. Já no ano seguinte, ela subiu tanto que quase alcançou a outra.

No ano de 2015, em que a bolsa de valores caiu, você teria vendido suas ações? Se a resposta for “sim”, observe que você teria perdido a oportunidade de recuperar o seu patrimônio no ano seguinte.

Investir com foco no longo prazo significa ter a clareza de que o resultado no longo prazo é mais relevante que o resultado no curto prazo

Como uma carteira de investimentos trabalha para você

Já ouviu falar no conceito de market timing? Essa expressão é usada para falar do perfil de investidor que tenta encontrar a hora perfeita para comprar seu investimentos. Em outras palavras, isso significa tentar "adivinhar” quando as ações vão subir ou cair — apesar de mercado financeiro ser incerto e bastante imprevisível.


Para quem investe para alcançar objetivos de longo prazo, o mais indicado é fazer os investimentos de maneira consistente, sem tentar adivinhar se aquele é o melhor momento ou não.

Saiba mais: Investimento adicional - entenda por que ele faz bem para o seu portfólio

Vamos tomar como exemplo a carteira em que você investiu 30% em ações. No ano seguinte, com a forte queda da bolsa, você teria apenas R$ 26 mil em renda variável, para um patrimônio total de R$ 106 mil. Ou seja, a proporção de ações teria caído para 24,3%.


Por causa da volatilidade da bolsa de valores, o percentual de suas ações na carteira irá sempre aumentar ou diminuir. Para balancear, isto é, voltar a ter 30% em renda variável, você deveria investir bolsa e adquirir mais ações. Nesse caso, estará comprando na baixa (pois elas acabaram de cair).


Mais tarde, quando a bolsa de valores subisse, a proporção das ações na carteira iria aumentar. E por causa disso você deveria vender parte das suas ações ou aplicar mais em renda fixa para voltar à proporção inicial, de 30% em renda variável.


Repare que, fazendo isso, na maior parte das vezes você vai acabar comprando ações na baixa e vendendo na alta. Então você precisa ficar monitorando sua carteira todo mês? A resposta é “não”!


Você tem a opção de acompanhar os seus investimentos, mas não precisa se preocupar com o rebalanceamento. Aliás, uma das vantagens dos clientes Magnetis é que nosso serviço já faz esse rebalanceamento para os clientes de maneira automática.

Simulação: retorno em carteiras com diferentes riscos

Agora que já mostramos como funciona o modelo de investimento em ações para a aposentadoria ou outros objetivos de longo prazo, vamos aos números!

Veja abaixo algumas simulações sobre o retorno de longo prazo ao se investir em uma carteira com ações e renda fixa. As simulações foram feitas pela ferramenta da Magnetis (Quer fazer sua própria simulação? Comece por este questionário).

Aplicação inicial: R$ 20 mil

Aporte mensal extra: R$ 2 mil

Para uma carteira de perfil de risco 4, balanceada entre investimentos na bolsa da valores (ações), títulos de renda fixa e curto prazo (fundos DI), a proporção ideal da distribuição dos investimentos recomendada pelos algoritmos da Magnetis é:

Curto prazo: 20%

Renda fixa: 55%​

Ações: 25%

Esta será a composição inicial da carteira, e ao longo do tempo a proporção será sempre a mesma, mantendo o seu nível desejado de exposição ao risco.

Em dez anos você terá investido no total R$ 280 mil e terá:

  • 80% de chance de ter R$ 498 mil
  • 50% de chance de ter R$ 538 mil
  • 20% de chance de ter R$ 583 mil

Fonte: Magnetis

Em 20 anos, o total investido chegará a R$ 500 mil e você terá:

  • 80% de chance de ter R$ 2,085 milhões
  • 50% de chance de ter R$ 2,355 milhões
  • 20% de chance de ter R$ 2,669 milhões

Fonte: Magnetis

Para finalizar, vamos ver como ficaria o resultado do mesmo valor investido da mesma forma ao longo de 20 anos, mas somente em renda fixa, você teria:

  • R$ 1,713 milhão investindo em Tesouro Direto (Selic)

Fonte: Simulador do Tesouro Direto

Nesta última simulação, fica claro que investir exclusivamente em renda fixa traria um rendimento menor em comparação a uma carteira diversificada com investimentos na bolsa de valores e também em renda fixa.


Lembrando que os dados mencionados aqui são apenas um exemplo. O investimento inicial de R$ 20 mil não é o ideal para você? Os aportes mensais de R$ 2 mil não são o que você espera? Então faça uma ou mais simulações de acordo com o seu bolso e o seu objetivo.

Devo investir sempre na bolsa?


Na verdade, em investimentos não existe certo nem errado. Tudo depende do objetivo, do seu apetite pelo risco e da sua tolerância a perdas. Por isso, é essencial que se faça um estudo detalhado sobre você mesmo.


Na prática, é essencial analisar seu perfil de investidor — conservador, moderado ou agressivo — e entender como ele funciona perante os objetivos de vida que você possui, a curto prazo ou a longo prazo. Apenas assim, será possível definir qual é a melhor porcentagem de investimentos em renda fixa ou variável.


Além disso, nada é tão definitivo: é possível arriscar mais em alguns objetivos, menos em outros e mudar seu perfil conforme a idade. Por isso, é necessário continuar investindo na bolsa de valores, sempre com a ajuda de um especialista, como a Magnetis! Para saber mais sobre como aplicar seu dinheiro com segurança, veja o e-book Guia de Alocação de Ativos!

E se tiver dúvidas, entre em contato com a gente pelo contato@magnetis.com.br ou (11) 4380-8080.

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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