Conheça os jogadores brasileiros que são craques também nas finanças

por Magnetis | 18/06/2014

Craque da bola e das finanças

Histórias como a de Mané Garrincha, que viveu momentos de glória defendendo a Seleção Brasileira, mas acabou morrendo na miséria, são simbólicas de uma realidade comum entre jogadores de futebol e outros esportistas.

Grandes entradas de dinheiro, enormes gastos correntes, baixa educação financeira, pressão para ostentar e pouca preocupação com o futuro formam uma combinação que, invariavelmente, resulta em momentos difíceis quando chega a aposentadoria (precoce, típica de carreiras esportivas) e o salário para de cair na conta. Depois de um imenso salto na pirâmide social, vem uma queda maior ainda.

Casos de má administração de recursos no mundo do futebol infelizmente não estão restritos ao passado. O ex-craque Romário, por exemplo, há poucos anos enfrentou turbulências e viu sua cobertura no Rio de Janeiro ser colocada em leilão judicial para quitar dívidas acumuladas.

Esse tipo de problema não acontece apenas no Brasil. Para se ter uma ideia, um levantamento divulgado pela revista Sports Illustrated em 2009 mostrou que 78% dos jogadores da NFL, a liga de futebol dos Estados Unidos, declaram falência ou se veem em sérias dificuldades financeiras em até dois anos após terminarem a carreira profissional.

Informações da consultoria alemã Schips Finanz apresentadas em 2011 pela revista alemã Sport Bild e replicadas nos mais diversos meios de comunicação no Brasil indicam também um quadro dramático: 30% dos jogadores em atividade nos campeonatos europeus estão perto da ruína financeira e 50% se encontram quebrados ao encerrar a carreira.

Exemplos positivos

Em meio a esse cenário, a boa notícia é que vemos surgindo aqui no Brasil cada vez mais exemplos diferentes, positivos, de craques que estão mudando essa lógica. Eles ainda mantêm vários hábitos caros, mas crescentemente buscam uma gestão profissional das suas carreiras, que passam a ser administradas como verdadeiras empresas lucrativas e com visão de longo prazo.

Os jogadores, pouco a pouco, aprendem a diferença entre gastar – em carros, barcos, hobbies caros etc. – e investir. Nessa nova perspectiva, a ideia fundamental é usar o dinheiro que chega como salário e verbas publicitárias para gerar mais dinheiro e assim garantir anos e anos de vida tranquila depois que pendurarem as chuteiras.

No geral, até por conta da predominante origem humilde e da pouca educação financeira, os jogadores de futebol brasileiros ainda são bastante conservadores em seus investimentos. Eles preferem, por exemplo, comprar imóveis ou aplicar na poupança, mesmo havendo alternativas mais rentáveis. Mas há quem vá além e invista em fundos e no mercado de ações, de olho em maiores retornos.

Ronaldo, um caso emblemático

Um caso emblemático de jogador que soube e sabe cuidar das finanças é o do Ronaldo. Depois de anos de enorme sucesso profissional, o Fenômeno se aposentou em 2011, mas segue batendo um bolão fora de campo. Sua fortuna está estimada em valores próximos a R$ 1 bilhão.

Ronaldo não tem mais o salário de jogador, porém mantém contratos publicitários milionários e é muito bem remunerado por atividades como a de comentarista de TV e embaixador do Corinthians. Ele também é sócio de uma empresa de marketing esportivo e de uma academia, que lhe garantem excelentes rendimentos.

O Fenômeno se declara conservador e diz poupar 80% da renda, que são aplicados com a ajuda de um time de economistas. Segundo ele, uma pequena fatia é destinada a ações.

No time dos jogadores aposentados que se planejaram para continuar vivendo bem – e conseguiram – também está Raí. Ele, que fez fama no São Paulo e no Paris Saint-Germain, é dono de cifras menos fenomenais, mas bastante significativas.

Raí investe mais da metade do seu patrimônio em imóveis e em um fundo de renda fixa. Ele também afirma ser conservador e não lidar bem com riscos, motivo pelo qual evita o mercado de ações.

Lições para Neymar

Agora você deve estar se perguntado: e o Neymar? O maior jogador brasileiro da atualidade tem todas as chances de se aposentar e viver dos frutos do esporte até o fim da vida. Mas, para isso, Neymar precisa aprender várias lições.

Só do Barcelona, ele vai levar mais de R$ 30 milhões ao ano pelo atual contrato, sem falar das campanhas publicitárias que estrela e dos negócios que controla – empresas de consultoria e marketing esportivo, produtos com sua marca e administração de imóveis.

Por outro lado, Neymar tem gostos extravagantes que, se não forem dosados, podem colocar os ganhos a perder. O que dizer de uma coleção de carros caros, que inclui um Porsche Panamera comprado por cerca de R$ 1 milhão, e de um iate que, para ser mantido, exige dispêndios anuais de R$ 250 mil? Sem falar na casa de R$ 2 milhões que comprou para a mãe do seu filho e da pensão alimentícia de R$ 30 mil que paga mensalmente.

É, Neymar, estamos aqui torcendo para que você se revele um craque também fora dos gramados. Que, assim como Ronaldo, você sirva de inspiração para todos nós, brasileiros, construirmos um patrimônio que permita realizar grandes sonhos e viver com tranquilidade no futuro.

 

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Foto: Rafael Ribeiro/CBF

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