Endividamento: o empurrão que faltava para eu começar a investir

por Magnetis | 31/07/2014

Diário de um investidor: como começar a investir

Olá.

No último post, contei sobre a minha tumultuada vida financeira, sempre gastando tudo o que recebia em despesas correntes, sem conseguir poupar. Falei também sobre dois mentores que apareceram na minha vida: um amigo da universidade e um chefe. Eles incentivaram que eu adotasse uma nova postura, mais consciente e organizada, e começasse a investir para garantir um futuro tranquilo. Mas, por mais que eu sentisse que era preciso tomar uma atitude, faltava dinheiro para iniciar esse movimento. Foi então que um empurrãozinho me convenceu de vez.

Durante anos, mantive o hábito de pagar todas as compras com cartão de crédito e parcelar as contas naquela opção sem juros que as lojas sempre oferecem no momento em que passamos o cartão na maquininha. Parecia simples e fácil, mas, depois de um tempo, acabei perdendo o controle dos gastos e me vi numa situação difícil: mais de 30% da minha renda estavam comprometidos com o parcelamento do cartão.

A soma dessas parcelas e das minhas outras despesas – incluindo o financiamento de um carro – ficou pesada e chegou um momento em que não consegui pagar o total da fatura. Precisei dividi-la, a juros altíssimos. Naquela situação complicada, nem me dei conta de poderia haver alternativas de crédito mais baratas e aceitei a oferta de financiamento da própria administradora do cartão. O jeito foi distribuir a dívida em várias fatias pequenas para que eu desse conta de pagar nos meses seguintes.

Controle de orçamento

E assim foi. Passei praticamente um ano quitando as prestações. Foi um ano difícil, em que ficou extremamente nítida para mim a necessidade de ter uma reserva financeira para que eu não viesse a passar por uma situação daquela novamente. Mas foi também um ano positivo, que funcionou como um momento da virada, um período de mudança profunda de hábitos.

Comecei a trabalhar em casa, reduzi despesas com transporte e refeições e assim fui juntando dinheiro para pagar as parcelas da dívida do cartão. Me impus uma nova regra para compras no cartão: só estavam permitidos parcelamentos  sem juros e que não ultrapassassem três prestações. Nada de prazos longos, que aumentassem meu risco de endividamento. Também criei uma ferramenta que me ajudou muito: um sisteminha para controlar meu orçamento.

Ok, você pode dizer que o fato de ser um analista de sistemas me colocou em vantagem nesse sentido. Já adianto, porém, que isso não serve de desculpa. Qualquer pessoa poderia adotar uma solução parecida e igualmente eficiente usando uma planilha de Excel ou mesmo a boa e velha combinação de papel e caneta.

Pois bem. Nesse sisteminha, passei a registrar todas as entradas e saídas do meu orçamento, mês a mês: o salário, as despesas correntes (casa, comida etc.), as parcelas do carro e do cartão… Aliás, com relação ao cartão, programei o mecanismo para já distribuir as compras parceladas entre as despesas dos meses seguintes e assim evitar surpresas.

A partir de então, passei a saber claramente, a cada momento, quanto tinha disponível para gastar e eventualmente para guardar. Dessa forma, devagarinho, dei início a uma pequena reserva. Nada sofisticado. Eu apenas ia deixando um dinheiro sobrar todos os meses, ali mesmo na conta corrente.

Pagamento antecipado

Posso dizer que esse processo de tomar uma consciência maior do meu orçamento e começar a geri-lo com mais cuidado foi responsável por expandir minha educação financeira. Essa foi uma mudança com um significado enorme, que vou levar para a vida toda.

E como todo sacrifício tem recompensa, saibam que a reserva que consegui construir ao longo daquele ano me permitiu quitar o débito com o cartão três meses antes. Com isso, obtive uma boa economia em juros que deixei de pagar.

Meu chefe-mentor me explicou a grande vantagem desse pagamento antecipado. Segundo ele, os juros cobrados pelo cartão eram muito elevados, muito acima do que qualquer investimento ao meu alcance poderia render. Por isso, antecipar as parcelas e deixar de desembolsar os encargos valia mais a pena do que manter em uma aplicação o dinheiro que eu vinha guardando. Segui essa lógica e saí ganhando.

Uma tentação pelo caminho

Com o fim da dívida do cartão e meu maior controle financeiro, segui tentando juntar dinheiro. Aí apareceu uma nova tentação: trocar de carro.

Eu tinha mantido intacto meu décimo-terceiro salário, havia recebido a restrituição do imposto de renda e, para completar, existia um restinho da reserva iniciada um ano antes. A vontade de ter aquele automóvel era tão grande que não resisti. Juntei tudo para dar a entrada e financiar o mínimo possível, mas de qualquer forma assumi uma dívida maior do que a do carro anterior.

Você agora deve estar decepcionado comigo. Olhando para trás, também fico. Mas prefiro tomar como mais um aprendizado. E, para a minha sorte, essa lição não custou tão caro. O desfecho caiu praticamente do céu: minha mãe recebeu uma parte de uma herança inesperada e, como um presente, quitou as parcelas a vencer. Não fosse esse dinheiro que surgiu do nada – uma situação praticamente impossível de se repetir -, provavelmente eu continuaria endividado até agora. Mas “milagres” acontecem!

Eu me vi então vivendo uma combinação absolutamente nova: estava sem dívidas e tinha a consciência de guardar parte do que ganhava. Se eu desperdiçasse essa chance de novo, poderia não haver outra. Era agora ou nunca!

Meu empurrãozinho tinha surtido efeito finalmente. Opa! Eu falei em um empurrãozinho? Na verdade não foi apenas um, como você pode perceber. Houve a dívida do cartão, depois a herança… Ainda bem!

Agora era a hora de levar os investimentos a sério e dar passos importantes. No próximo post, conto tudo.

Continue me acompanhando e deixe seus comentários sobre a minha história. Conte também um pouco da sua!

Um abraço,

Alberto

 

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