Como uma médica perdeu R$ 15 mil num negócio com avestruzes

por Mariana Congo

(Post originalmente publicado em outubro de 2014)

Quem nunca viu de perto ou viveu uma história complicada, que provocou perdas ou sofrimento na vida financeira? É para compartilhar essas experiências que publicamos aqui no blog a série "Histórias de Horror", uma sequência de posts para conscientizar você sobre as armadilhas que podem comprometer o seu dinheiro.

Os casos que publicamos aqui são relatos dos leitores do nosso blog, cuja identidade foi preservada com nomes fictícios. No final, essas histórias trazem um grande aprendizado e servem de alerta para que você não passe pela mesma situação. Aproveite a leitura!

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A história

Uma profissional bem-sucedida e com a vida financeira equilibrada, mas pouco conhecimento sobre investimentos. Uma quantia considerável parada na conta corrente. Um negócio que prometia retorno acima de 10% ao mês, mais do que qualquer investimento tradicional. Vários amigos aderindo à novidade e dizendo multiplicar seu dinheiro em pouco tempo. 

Foi essa a combinação de fatores que levou a médica Ana a cair em um golpe financeiro que enganou milhares de pessoas no Brasil.

“Sou muito prudente com o dinheiro. Sempre gastei menos do que ganhei e nunca tive dívida”, conta Ana, hoje com 61 anos. Ela costumava aplicar seu dinheiro na poupança e em imóveis. Eventualmente, também buscava alternativas indicadas pelo gerente do banco. 

No começo dos anos 2000, a médica viu grande parte do seu círculo de amigos, em Goiânia, investindo em um negócio peculiar oferecido pela empresa Avestruz Master: aquisição de aves jovens, que posteriormente seriam recompradas pela própria companhia para exportação.

Não se falava de outra coisa na cidade: o avestruz entrou na moda. Sua carne era servida nos melhores restaurantes, seu couro era usado em bolsas comercializadas nas mais finas boutiques. Parecia o negócio do século.

De uma amiga, Ana ouviu que sua aplicação de R$ 15 mil havia dobrado em pouco tempo. Outra tinha acabado de vender um apartamento de R$ 200 mil para poder investir nas aves. Mais de 40 mil pessoas colocaram suas economias no negócio. Uma intensa publicidade que consumiu milhões de reais reforçava a sensação de que a oportunidade era fantástica.

“Se todos estão lucrando, por que não eu? Só eu vou ficar de fora?”, perguntou-se a médica.

Uma foto na imprensa que trazia o presidente da Avestruz Master ao lado de Fernando Henrique Cardoso ajudou a dar mais peso à imagem de credibilidade. Ana, então, aderiu à moda e resolveu investir R$ 15 mil no negócio, mesmo sem pesquisar muito sobre ele.

A médica não chegou a ver os lucros. Também não recebeu seu dinheiro de volta até hoje. Poucos meses depois de realizar a aplicação, em 2005, ficou provado que a operação da companhia se tratava de uma fraude, uma pirâmide financeira. O prejuízo dos investidores foi estimado pelo Ministério Público Federal em cerca de R$ 1 bilhão.

“Guardei os documentos e ainda declaro no Imposto de Renda”, completa, na esperança de um dia ter o dinheiro de volta.

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As lições

Ao aplicar dinheiro no negócio com a Avestruz Master, Ana não considerou alguns dos princípios básicos de fazer bons investimentos e isso a colocou em uma situação de alto risco.

Seu primeiro erro foi buscar ganho fácil. Bons investimentos demandam tempo e paciência para render frutos. Por isso, é fundamental sempre duvidar daqueles que parecem extraordinários e prometem rendimento muito acima da média.

Outro equívoco foi fazer uma aplicação motivada pela recomendação de amigos. O conhecido “efeito manada”, em que as pessoas simplesmente seguem o que outras estão fazendo e não avaliam se isso é bom para elas, dificilmente traz bons resultados. É muito importante fazer um pesquisa sobre opções existentes ou, sempre que possível, procurar um consultor especializado.

Por outro lado, Ana manteve aplicações em CDB, poupança e imóveis, uma atitude inteligente. Mesmo que o negócio das avestruzes fosse um investimento legítimo e rentável, não seria recomendável que ela investisse todos seus recursos nessa aplicação.

Um princípio básico dos investimentos é a diversificação. Aplicar em diferentes ativos permite evitar que eventuais perdas comprometam o patrimônio inteiro. 

“Muita gente ficou arruinada. Não choro passado. Aprendi a lição e toco em frente”, finaliza Ana.

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Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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