Como uma médica perdeu R$ 15 mil num negócio com avestruzes

por Mariana Congo | 02/11/2018

Quem nunca viu de perto ou viveu uma história complicada, que provocou perdas ou sofrimento na vida financeira? É para compartilhar essas experiências que publicamos aqui no blog a série "Histórias de Horror", uma sequência de posts para conscientizar você sobre as armadilhas que podem comprometer o seu dinheiro.

Os casos que publicamos aqui são relatos dos leitores do nosso blog, cuja identidade foi preservada com nomes fictícios. No final, essas histórias trazem um grande aprendizado e servem de alerta para que você não passe pela mesma situação. Aproveite a leitura!

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A história

Uma profissional bem-sucedida e com a vida financeira equilibrada, mas pouco conhecimento sobre investimentos. Uma quantia considerável parada na conta corrente. Um negócio que prometia retorno acima de 10% ao mês, mais do que qualquer investimento tradicional. Vários amigos aderindo à novidade e dizendo multiplicar seu dinheiro em pouco tempo. 

Foi essa a combinação de fatores que levou a médica Ana a cair em um golpe financeiro que enganou milhares de pessoas no Brasil.

“Sou muito prudente com o dinheiro. Sempre gastei menos do que ganhei e nunca tive dívida”, conta Ana, hoje com 61 anos. Ela costumava aplicar seu dinheiro na poupança e em imóveis. Eventualmente, também buscava alternativas indicadas pelo gerente do banco. 

No começo dos anos 2000, a médica viu grande parte do seu círculo de amigos, em Goiânia, investindo em um negócio peculiar oferecido pela empresa Avestruz Master: aquisição de aves jovens, que posteriormente seriam recompradas pela própria companhia para exportação.

Não se falava de outra coisa na cidade: o avestruz entrou na moda. Sua carne era servida nos melhores restaurantes, seu couro era usado em bolsas comercializadas nas mais finas boutiques. Parecia o negócio do século.

De uma amiga, Ana ouviu que sua aplicação de R$ 15 mil havia dobrado em pouco tempo. Outra tinha acabado de vender um apartamento de R$ 200 mil para poder investir nas aves. Mais de 40 mil pessoas colocaram suas economias no negócio. Uma intensa publicidade que consumiu milhões de reais reforçava a sensação de que a oportunidade era fantástica.

“Se todos estão lucrando, por que não eu? Só eu vou ficar de fora?”, perguntou-se a médica.

Uma foto na imprensa que trazia o presidente da Avestruz Master ao lado de Fernando Henrique Cardoso ajudou a dar mais peso à imagem de credibilidade. Ana, então, aderiu à moda e resolveu investir R$ 15 mil no negócio, mesmo sem pesquisar muito sobre ele.

A médica não chegou a ver os lucros. Também não recebeu seu dinheiro de volta até hoje. Poucos meses depois de realizar a aplicação, em 2005, ficou provado que a operação da companhia se tratava de uma fraude, uma pirâmide financeira. O prejuízo dos investidores foi estimado pelo Ministério Público Federal em cerca de R$ 1 bilhão.

“Guardei os documentos e ainda declaro no Imposto de Renda”, completa, na esperança de um dia ter o dinheiro de volta.

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As lições

Ao aplicar dinheiro no negócio com a Avestruz Master, Ana não considerou alguns dos princípios básicos de fazer bons investimentos e isso a colocou em uma situação de alto risco.

Seu primeiro erro foi buscar ganho fácil. Bons investimentos demandam tempo e paciência para render frutos. Por isso, é fundamental sempre duvidar daqueles que parecem extraordinários e prometem rendimento muito acima da média.

Outro equívoco foi fazer uma aplicação motivada pela recomendação de amigos. O conhecido “efeito manada”, em que as pessoas simplesmente seguem o que outras estão fazendo e não avaliam se isso é bom para elas, dificilmente traz bons resultados. É muito importante fazer um pesquisa sobre opções existentes ou, sempre que possível, procurar um consultor especializado.

Por outro lado, Ana manteve aplicações em CDB, poupança e imóveis, uma atitude inteligente. Mesmo que o negócio das avestruzes fosse um investimento legítimo e rentável, não seria recomendável que ela investisse todos seus recursos nessa aplicação.

Um princípio básico dos investimentos é a diversificação. Aplicar em diferentes ativos permite evitar que eventuais perdas comprometam o patrimônio inteiro. 

“Muita gente ficou arruinada. Não choro passado. Aprendi a lição e toco em frente”, finaliza Ana.

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Mariana Congo, da Magnetis

Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

(Post originalmente publicado em outubro de 2014)

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