Warren Buffett investe como uma mulher: 8 princípios do sucesso nos investimentos

por Malena Oliveira

Você já deve ter ouvido falar do megainvestidor Warren Buffett, um dos nomes mais respeitados do mundo quando o tema é investimentos.

Ele é considerado o investidor mais bem-sucedido do século 20 e vem fazendo investimentos de sucesso desde os anos 1960.

A aura mística em torno de seus negócios sempre desperta a curiosidade de quem está em busca das melhores aplicações financeiras: como Warren Buffett investe? Afinal, como é possível ter bons resultados ao longo de tantos anos sem depender da sorte?

Perfil: Warren Buffett

Warren Buffett investe como uma mulher: 8 princípios do sucesso nos investimentos

Warren Buffett também é conhecido como o Oráculo de Omaha. Um dos homens mais ricos do mundo, ele construiu sua fortuna investindo em empresas como American Express, Coca-Cola, Disney, Gilette e diversas outras.

Assumiu ainda nos anos 1960 o controle da Berkshire Hathaway, na época uma empresa de seguros.

Hoje, ela é uma das maiores firmas de investimento do mundo, com negócios nos setores de alimentos, comunicação, eletrodomésticos, energia, transporte, artigos de luxo e serviços públicos.

Vamos mostrar neste post que sim, existem algumas técnicas que aumentam as chances de melhores resultados nos investimentos.

Agora, o elemento mais interessante: essas técnicas estão diretamente relacionada às características e habilidades historicamente ligadas às mulheres.

É isso mesmo: estudos já mostraram que características consideradas femininas aumentam as chances de um resultado melhor nos investimentos.

Dados publicados em 2017 pela Fidelity, uma empresa americana de liquidação e custódia de ativos, mostrou que as investidoras norte-americanas poupam mais e têm rentabilidade maior em suas carteiras de investimento.

Diante de uma aplicação financeira, elas tendem a se comportar segundo oito princípios, explicados em detalhes no livro Warren Buffett Investe Como as Mulheres, publicado em 2011 pela escritora americana LouAnn Lofton.

Veremos cada um deles a seguir.  🙂

1. Mulheres compram e vendem ativos com menos frequência

O temperamento é muito importante na hora de tomar decisões de investimento. A falta de controle das emoções faz com que uma pessoa tome uma decisão da qual provavelmente vai se arrepender no futuro.

Quando o mercado financeiro entrou em colapso em 2008, logo após a quebra do Lehman Brothers, as ações das empresas americanas derreteram.

Não só bancos e seguradoras sofreram, mas a indústria automobilística foi prejudicada, sem falar em empresas menores que sumiram do mapa após o colapso.

Diante do caos no mercado financeiro, os grandes tubarões começaram a vender suas ações, menos um deles: Warren Buffett.

Segundo estimativas de 2013, comprar ativos que ninguém queria na hora do pânico rendeu US$ 10 bilhões ao megainvestidor cinco anos depois do estouro da crise.

O que esse exemplo tem a ver com as mulheres?

As mulheres não têm tanta inclinação a ficar comprando e vendendo ativos o tempo todo. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos em 2001 mostrou que homens tendem a comprar e vender ativos em uma frequência 45% superior à das mulheres. Curiosamente, homens casados tendem a negociar menos.

Isso aumenta a rentabilidade das carteiras das investidoras no longo prazo, pois quanto mais ordens de compra e venda, maiores tendem a ser os custos com essas transações, além dos impostos.

2. Mulheres enxergam melhor o longo prazo e têm menos excesso de confiança

Diversos estudos já mostraram que as mulheres têm mais facilidade de pensar no longo prazo e, por isso, controlam melhor seus impulsos. Isso é o que move uma pessoa que compra uma ação cujo preço está caindo, pois entende que esse preço pode subir no futuro.

O próprio conceito de investimento é diferente para homens e mulheres. Outro estudo da Fidelity mostra que, para as mulheres, a ideia de investir está mais relacionada à segurança. No caso dos homens, o conceito está mais atrelado a poder ou sucesso.

Outra diferença pertinente é que homens demonstram maior autoconfiança do que as mulheres. Às vezes, esse sentimento até passa um pouco dos limites. É ele que, inclusive, faz os homens comprarem e venderem mais ativos financeiros do que as mulheres.

É o caso de alguém que não sabe muito sobre determinado assunto, mas diz saber e age como se soubesse. Também explica um pouco da frequência de negociações ser maior entre homens do que entre mulheres.

“Trocando em miúdos, homens pensam que sabem mais do que sabem”, diz LouAnn Lofton em seu livro.

3. Mulheres evitam o risco mais do que os homens

Resgatando um pouco do que o investimento significa para homens e mulheres (sucesso versus segurança), a postura de cada um será diferente diante de uma oportunidade financeira.

Assim, homens tendem a colocar uma parte maior do patrimônio em risco na esperança de obter ganhos maiores, enquanto as mulheres preferem manter o que já está garantido.

A primeira postura pode ser extremamente arriscada dependendo da proporção do patrimônio comprometido no investimento. Porém, a inércia, no segundo caso, pode condicionar uma carteira a ganhos menores.

Mas isso não quer dizer que as mulheres sejam totalmente avessas ao risco. Elas apenas encaram a questão de forma diferente, como defende a pesquisadora Barbara Stewart.

PS: Uma solução bastante elegante para resolver esse dilema é a diversificação dos investimentos, mas esse é assunto para outro post.

4. Mulheres são menos otimistas e mais realistas

Esse ponto está relacionado ao excesso de confiança masculino, que já discutimos no tópico anterior.

Homens têm maior inclinação ao otimismo, o que pode turvar a visão na hora de fechar um negócio. Por outro lado, as mulheres são mais realistas e projetam melhor o que fazer no caso de uma hipótese dar errado.

De volta ao exemplo da crise de 2008, o mercado entrou em colapso após a constatação de que não havia fundamento para os ganhos astronômicos com os empréstimos subprime, pois houve pessoas que se endividaram tanto que simplesmente não conseguiam pagar.

As proporções desse calote foram tamanhas que quase quebraram a economia dos Estados Unidos.

Aqui, o otimismo estava na crença de que a maioria das pessoas pagaria seus empréstimos ou que pelo menos o governo americano iria socorrer os bancos.

Mas não foi exatamente isso o que aconteceu, pelo menos com o Lehman Brothers.

Vale lembrar que Wall Street, o coração do mercado financeiro nos Estados Unidos, ainda é predominantemente masculino, o que faz a autora LouAnn Lofton questionar em seu livro: “Como seria essa história se o Lehman Brothers fosse o Lehman Sisters?”.

5. Mulheres gastam mais tempo e esforço procurando possibilidades de investimentos

O estilo de como Warren Buffett investe é conhecido por estabelecer uma espécie de casamento com as empresas.

Ele analisa uma gama de companhias com potencial de crescimento, investe nas mais promissoras e trabalha para fazer essas companhias evoluírem. Passados anos, ele pode até vender as ações de algumas delas, mas tende a permanecer no negócio.

Essa postura evidencia uma estratégia de investimentos de longo prazo, o que aumenta o retorno potencial de um investimento. Além disso, como há menos operações de compra e venda, isso também diminui as despesas com investimentos, como falamos no tópico 1.

Um estudo publicado em 2002 no International Journal of Bank Marketing mostrou que mulheres tendem a analisar mais o investimento antes de tomar uma decisão.

Elas recolhem todas as informações possíveis, questionam mais e aceitam melhor o fato de que algum dado possa ser contraditório. Na dúvida, a solução é pesquisar mais.

Os homens, por outro lado, tendem mais a usar atalhos para tomar uma decisão e executam uma ideia baseada em uma hipótese ainda que não a tenham testado.

6. Mulheres resistem mais à pressão e são menos sugestionáveis

Pesquisas mostram que fundos de investimentos comandados por mulheres têm performance melhor. Isso porque elas geralmente aguentam melhor a pressão na hora de tomar uma decisão e dificilmente mudam seu comportamento por algum estímulo externo.

Um experimento divulgado em 2008 por pesquisadores da Universidade da Califórnia mostrou que homens tendem a tomar decisões mais arriscadas do que o necessário quando são julgados por outros homens. As mulheres, por outro lado, não apresentaram mudança de comportamento quando expostas ao julgamento alheio.

7. Mulheres aprendem com seus erros

Warren Buffett já errou. E mais de uma vez. Todos os anos, ele geralmente escreve sua tradicional carta aberta aos investidores de sua firma, a Berkshire Hathaway (Curiosidade: apenas uma ação dessa companhia vale cerca de US$ 100 mil!!!).

Nessa carta, ele costuma passar a limpo o ano anterior e não ameniza os próprios erros. Na edição de 2008, ele lamentou a aquisição de uma companhia de petróleo chamada ConocoPhilips quando o preço do petróleo estava subindo.

Buffett escreveu o seguinte a seus acionistas: “Até aqui eu tenho estado mortalmente errado. Mesmo que os preços subam, o timing da minha compra custou bilhões de dólares à Berkshire”.

Segundo as linhas científicas que estudam o comportamento, pessoas aprendem mais quando reconhecem seus erros. E as mulheres tendem a aceitar melhor o fato de que cometem enganos.

Para os investimentos, essa habilidade é fundamental para evitar armadilhas, uma vez que o aprendizado permite que as pessoas tomem decisões melhores em qualquer área de sua vida.

8. Mulheres têm menos testosterona e, por isso, evitam riscos extremos

A única diferença biológica que explica os comportamentos de homens e mulheres é a testosterona. Mais abundante nos homens, esse hormônio influencia decisões mais arriscadas e a busca do poder.

Um dos primeiros estudos relacionando esse hormônio à tomada de risco foi publicado em 2008 pelo pesquisador John M. Coates, da Universidade de Cambridge.

Na pesquisa, notou-se níveis elevados de testosterona e cortisol (hormônio que ajuda a controlar o estresse) em homens que trabalhavam no mercado financeiro em momentos de decisões difíceis.

Após essa pesquisa, várias outras foram desenvolvidas e resultaram em duas principais hipóteses para relacionar risco e testosterona:

  • Hipótese do desafio: os níveis de testosterona sobem além do necessário diante de uma ameaça ou possibilidade de agressão;
  • Hipótese do ‘efeito de ganho’: os níveis de testosterona sobem diante de um confronto ou uma competição.

O grande problema diante de decisões tomadas sob pressão ou influência de terceiros é a chance maior de fracasso. Assim, com menos testosterona, as mulheres conseguem, em teoria, analisar mais friamente uma situação.

Percebeu como todos os oito princípios acima estão relacionados? Por todos esses motivos, mulheres tendem a tomar melhores decisões de investimento do que os homens. E, segundo LouAnn Lofton, Warren Buffett é uma exceção.


Agora é a sua vez!

Compartilhe sua experiência nos comentários e conte para nós quais são as suas técnicas para tomar as melhores decisões de investimento.

Luciano

Malena Oliveira é jornalista especializada em Finanças Pessoais e redatora na Magnetis.

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