Invista agora
a evolução na edução financeira, conheça a Magnetis.

Conrado Navarro: para investir, não é preciso ser Tio Patinhas

Criar uma reserva financeira e investir para o futuro não significa abrir mão de tudo no presente. Nada de se tornar um Tio Patinhas, que guarda dinheiro por guardar. O fundamental é estabelecer prioridades para os gastos e adotar um padrão de vida sustentável, diz Conrado Navarro, sócio-fundador do site Dinheirama e autor de livros sobre finanças pessoais como “Vamos falar de dinheiro?”.

“O que defendo é que se estabeleça um padrão de vida sustentável, com prioridades claras a serem satisfeitas. Cada pessoa tem uma necessidade específica a ser contemplada. Eu, por exemplo, priorizo o tempo com a minha família”, conta ele.

Navarro atingiu a independência financeira aos 30 anos e hoje se dedica a compartilhar conhecimentos nesse sentido. Ao blog do Magnetis, ele contou como lida com as próprias finanças e os investimentos.

“A disciplina sem dúvida é um ponto-chave. As pessoas são bombardeadas o tempo todo para gastar. É preciso manter o conceito de investir sempre, de ter regularidade. Para mim, foram decisivas três caracterísitcas: curiosidade, dedicação e disciplina.”

Acompanhe a entrevista em que ele fala também sobre as diferenças no modo como mulheres e homens lidam com as finanças:

 

Vida financeira e investimentos

Blog do Magnetis: Que estratégia você segue na sua própria vida financeira?

Conrado Navarro: Gastar menos do que ganho. Isso não significa simplesmente economizar, aquela ideia do Tio Patinhas de guardar dinheiro por guardar. O que defendo é que se estabeleça um padrão de vida sustentável, com prioridades claras a serem satisfeitas. Cada pessoa tem uma necessidade específica a ser contemplada. Eu, por exemplo, priorizo o tempo com a minha família. Para outra pessoa, a prioridade pode ser viajar ou então reunir muitos livros e construir uma biblioteca. É fundamental que se saiba o que se quer. Aí fica tudo mais fácil.

Que dica para as finanças a teoria não ensinou, mas você descobriu na prática?

Finanças pessoais não têm segredo. Elas são um problema essencialmente humano. O mais difícil é entender que, no fim, não se trata de um problema de matemática. A questão da matemática acaba sendo usada até como desculpa pelas pessoas. Na verdade, trata-se fundamentalmente de uma questão cultural.

Você já deu algum mau passo na vida financeira? O que foi?

Sim. Não dá para acertar sempre. Todos têm experiências para não repetir e isso faz parte da curva de aprendizado. Nos investimentos, ora acertei, ora errei e tive prejuízo. Também já fiz coisas como adquirir moeda estrangeira para uma viagem em cima da hora, não necessariamente pagando um bom preço. Hoje realizo esse tipo de compra com disciplina, planejadamente.

Dizem que a bolsa de uma mulher fala muito sobre ela. E sua carteira, o que conta sobre você? O que carrega nela?

Levo dois cartões e pouco dinheiro. Minha carteira é organizada, sem acúmulo de papeis, diferente do que se vê entre a maioria dos homens. As mulheres, ao contrário dos homens, são mais estruturadas na arrumação das bolsas.

Falando nas diferenças entre homens e mulheres, é mesmo verdade que elas gastam mais?

Isso é um mito. Elas num dia compram um vestido, no outro um sapato e assim por diante. Já o homem faz menos compras no dia-a-dia, mas num fim-de-semana pode adquirir uma televisão de última geração. Se somarmos os gastos, o total dá a mesma coisa.

Você costuma aprender com os leitores do Dinheirama?

Sim, isso já aconteceu diversas vezes. Há uma troca. Os leitores já compartilharam, por exemplo, experiências de empreendedorismo muito parecidas com as que vivi.

Desde quando você investe?

Desde muito cedo. Aos 18 anos, já investia.

Com que objetivo investe?

Para proteger o capital e garantir qualidade de vida. Não tenho grandes ambições de patrimônio, como comprar uma casa enorme ou um carro luxuoso. Mas gasto com viagens com a minha família.

De que forma aplica seu dinheiro?

Em imóveis, Tesouro Direto, LCI (Letras de Crédito Imobiliário) e renda variável. No caso da renda variável, meu foco são ações de empresas que considero mais previsíveis e também fundos. Tenho uma fatia entre 30% e 35% aplicada em renda variável e o resto está distribuído nos outros investimentos que mencionei, mais conservadores.

Quais as principais dificuldades que enfrentou para conseguir investir?

Falta de informação e de dinheiro.

Quais foram os seus principais erros e acertos nessa área?

Quando aconteceu de eu errar, sempre tinha uma estratégia bem definida de saída. Um grande acerto foi manter a disciplina, o que aprendi com a prática esportiva.

Na sua visão, a disciplina é o mais importante para um investidor ser bem-sucedido?

A disciplina sem dúvida é um ponto-chave. As pessoas são bombardeadas o tempo todo para gastar. É preciso manter o conceito de investir sempre, de ter regularidade. Para mim, foram decisivas três características: curiosidade, dedicação e disciplina.

Vida profissional

Quando e como surgiu a ideia de criar o Dinheirama?

Sempre tive paixão por finanças. Estudei Ciência de Computação e mais tarde fiz MBA Executivo em Finanças. Um professor do MBA me alertou sobre meu talento para escrever sobre finanças pessoais e que isso poderia ajudar pessoas. O Dinheirama nasceu como um hobby. Lá, mostro o que pratico, o que deu certo para mim. É isso que escrevo.

Quais os seus próximos projetos profissionais?

Estou preparando mais dois livros, que devem ser lançados no final de 2015. Outra novidade é que estamos desenvolvendo um aplicativo para o Dinheirama, para oferecer serviços e conteúdos pelo celular. Queremos aumentar a proximidade com o nosso leitor.

 

Foto: Divulgação

Interessado neste tema? Então leia também:

Como o empreendedorismo mudou a vida financeira de Fabio Akita

Marco Gomes revela como aprendeu a viver bem com menos

A receita de Ronaldo Lemos para investir: diversificação e paciência

Lições dos americanos sobre finanças e investimentos, por Bel Pesce