Vale a pena ter conta conjunta? Saiba o que considerar

por Mariana Congo | 28/11/2019

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Um casal costuma dividir as contas do dia a dia e as parcelas de financiamentos. Por que não dividir também uma conta-corrente? A conta conjunta pode ajudar na organização das finanças pessoais dos cônjuges para que consigam atingir objetivos comuns de forma mais eficiente.

Se o casal planeja comprar um apartamento ou carro, realizar uma viagem ou poupar para a aposentadoria, por que não trabalhar juntos para atingir essas metas? Veja neste post como funciona uma conta conjunta.

O que é uma conta conjunta?

Enquanto uma conta-corrente tradicional oferece uma senha única de acesso, a conta conjunta é feita no nome de duas pessoas e não há acesso exclusivo.

Ela se divide em dois tipos: solidária e não solidária.

Na conta conjunta solidária, os titulares podem realizar movimentações e contratar serviços oferecidos pela instituição financeira com total liberdade, sem a aprovação do cônjuge. Cada um pode fazer saques e transferências, por exemplo, quando quiser.

Caso o casal não se sinta confortável em permitir que o outro tenha total liberdade para movimentar o dinheiro depositado, a conta conjunta não solidária (também chamada de conta simples) impede conflitos.

Nesse tipo de conta, toda movimentação deve ser aprovada pelo casal — mesmo as mais simples, como saques.

Ou seja, um cheque emitido deve ser assinado por ambos, enquanto uma transferência feita pela internet deve conter a assinatura digital dos cônjuges.

Como funciona a conta conjunta?

A conta conjunta pode ser uma conta-corrente, uma conta poupança ou ambas. Assim como uma conta individual, ela também pode ser movimentada por diversos canais e meios de pagamento, como cartões, cheques ou pelo próprio internet banking.

Tanto para abrir quanto para encerrar uma conta conjunta, é necessário o documento de ambos os cônjuges, bem como suas respectivas assinaturas.

Em caso de falecimento de um dos cônjuges, os recursos da conta conjunta serão colocados em inventário. Em geral, o cônjuge é dono da metade do valor depositado, mas isso pode ser contestado por herdeiros.

Em uma conta conjunta na qual são contraídas dívidas, ambos os cônjuges são responsáveis por ela, inclusive legalmente.

Para fins de tributação, se ambos os cônjuges precisam declarar o Imposto de Renda, basta dividir o valor pela metade ou por quanto cada um efetivamente contribuiu. Essa decisão deve ser tomada em conjunto para que não haja risco de cair na malha fina.

Vale a pena ter uma conta conjunta?

A decisão de ter uma conta conjunta depende de algumas questões.

Como os recursos depositados vão para inventário em caso de morte do cônjuge, e como ambos são responsáveis por dívidas contraídas com o dinheiro depositado na conta, é aconselhável que a conta conjunta seja usada apenas para gastos realizados efetivamente em conjunto.

Para gastos pessoais, pode ser preferível uma conta individual. Isso evita desgastes desnecessários no relacionamento. Contudo, gera mais custos com taxas e pacotes bancários.

Veja abaixo as principais vantagens e desvantagens da conta conjunta.

Vantagens

É mais fácil ter controle de gastos quando se olha também para o orçamento do cônjuge. Além disso, a transparência sobre as finanças do casal permite verificar com maior clareza se será possível atingir os objetivos em comum.

Desvantagens

Ter uma conta conjunta significa ter menos independência na gestão do dinheiro. Para que a solução seja benéfica, é necessário que o casal esteja disposto a conversar sobre cada passo dado quando o tema é dinheiro — caso contrário, os conflitos serão inevitáveis.

O que analisar antes de abrir uma conta conjunta?

Veja abaixo cinco passos que devem ser analisados pelo casal que queira abrir uma conta conjunta.

Ter objetivos em comum

O casal deve concordar com os objetivos financeiros que vão seguir. Caso contrário, juntar contas pode ter um efeito negativo tanto para o orçamento quanto para o relacionamento.

Organizar as contas

É importante que a decisão de ter uma conta conjunta venha acompanhada de um relato minucioso das finanças do casal, obtido pela subtração de dívidas e contas a pagar do valor da renda de ambos.

O processo deve ser transparente, e eventuais escorregadas do passado de um dos cônjuges não podem influenciar esse momento.

Limitar gastos excessivos

Não há milagre: gastos a mais levam a dívidas. Portanto, para que um casal consiga batalhar por um mesmo objetivo financeiro, é importante que eventuais excessos cometidos por um dos cônjuges ou ambos passem a ser dimensionados dentro do orçamento no momento em decidem unir as contas e esforços em torno de uma meta.

Livrar-se de dívidas

Além de provocar estresse e discussões entre o casal, dívidas impedem ou limitam a ação em busca de melhorias de vida.

Portanto, o primeiro objetivo deve ser livrar-se de dívidas o quanto antes — especialmente as mais caras. Para isso, é importante considerar todas as dívidas existentes como pertencentes ao casal.

Planejar

Traçar um plano de ação é essencial para atingir metas, em especial quando se trata de organizar o orçamento.

Ao criá-lo, o casal deve estar aberto a mudanças e consciente que ajustes provavelmente terão de ser feitos ao longo do tempo. O importante é não se desviar do objetivo final do plano.

Como abrir uma conta conjunta?

A conta conjunta é oferecida por bancos tradicionais e digitais. Em corretoras e plataformas de investimento, é possível apenas realizar transferência de valores para contas conjuntas. Isso porque aplicações geralmente são feitas em um único CPF.

O processo é simples e parecido com o de uma conta individual. A única diferença é que ambos os cônjuges precisam ir até a agência, ou baixar o aplicativo e enviar os documentos pelo celular. Em geral, não são cobradas tarifas pela utilização do serviço.

Quais são os prós e contras de ter uma conta conjunta?

Unir investimentos faz sentido financeiramente. Quanto maior for o valor investido, melhores serão as condições e retornos das aplicações.

Em geral, fundos mais sofisticados e com histórico de bons retornos, por exemplo, têm uma barreira de entrada maior.

Além disso, unificar investimentos permite economizar com taxas de administração e corretagem, que incidem sobre as aplicações.

Nesse caso, é necessário que ambos concordem com os métodos de investimento — o que pode ser difícil caso cada um tenha um perfil de investimento diferente.

O foco principal deve ser um portfólio diversificado, com aplicações que permitam ter uma boa rentabilidade no médio e longo prazo.

Agora que você conhece as vantagens de criar uma conta conjunta, que tal colocar as mãos à obra e montar um plano de ação para atingir os objetivos financeiros definidos pelo casal? Comece baixando a nossa planilha de gastos!

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