Custo de oportunidade: como aplicar esse conceito para investir melhor?

por Malena Oliveira

Todos os dias, nos deparamos com escolhas que precisam ser feitas. Algumas decisões são simples e tomadas quase no modo automático (qual roupa usar, por exemplo). Outras escolhas são mais complicadas, principalmente quando envolvem decisões relacionadas ao nosso dinheiro (viajar ou economizar? Qual a melhor aplicação?).

Essas questões demandam planejamento financeiro, já que, ao escolher uma opção, você obrigatoriamente abre mão de outras, que podem se mostrar mais vantajosas no futuro. Assim, entender o conceito de custo de oportunidade pode ser muito útil na hora de escolher o que fazer com o seu dinheiro.

Quer entender por quê? Então confira este post, entenda o que o termo significa e saiba como aplicá-lo às suas decisões de investimento para fazer escolhas mais inteligentes! Boa leitura!

O que é custo de oportunidade?

Custo de oportunidade é um conceito que vem da Economia e designa o benefício renunciado a partir do momento em que uma escolha é feita. Mas vamos evitar uma linguagem técnica aqui e partir para exemplos, que facilitarão o seu entendimento. Primeiro, com uma situação em que não há dinheiro envolvido.

Vamos supor que você é estudante e têm duas opções: acordar às 8h e estudar por 4 horas até o almoço ou dormir essas quatro horas e só pegar os livros depois da refeição.

Se você optar por acordar cedo, renunciará a um benefício: mais 4 horas de sono em troca das horas adicionais de estudo. Ou seja, nesse caso, o seu custo de oportunidade será o período menor de repouso.

Podemos pensar agora no custo de oportunidade em uma indústria. Imagine que uma empresa compre uma máquina por meio de um financiamento. Contudo, devido à baixa demanda, a máquina fique ociosa por metade do dia. Em tal situação, a escolha pela compra pode ter sido equivocada, já que o valor do financiamento se mostra mais alto do que o dos itens que a máquina consegue produzir. Portanto, o custo de oportunidade de financiar a máquina naquele momento é maior do que o de adiar o financiamento para um período de demanda mais alta.

Apesar de tão importante, não é existe uma fórmula para calcular precisamente o custo de oportunidade de uma situação. Isso porque muitos elementos são subjetivos.

Porém, como é possível notar, sempre se trata de uma escolha entre itens finitos: sejam as horas não dormidas ou o dinheiro gasto com o financiamento da máquina não utilizada.

Por isso, um exercício simples pode ajudar a estabelecer estimativas quando você se deparar com esse tipo de escolha.

Pegue uma folha de papel e divida-a em pelo menos duas colunas. Elas representam o número de escolhas que você tem diante de determinada situação.

Liste em cada uma das colunas o que será perdido de acordo com cada escolha. Faça um esforço para, sempre que possível, comparar valores iguais. É mais difícil estimar o custo de oportunidade quando se está comparando itens com valor diferente, como horas de sono com dinheiro gasto, por exemplo.

Outro cuidado é não confundir o custo de oportunidade com despesas, que é o gasto feito com base na opção escolhida. Lembre-se de que o custo de oportunidade é aquilo a que renunciamos quando optamos por uma alternativa em vez de outra.

Como o custo de oportunidade se aplica ao universo dos investimentos?

Agora que você sabe qual é o significado de custo de oportunidade, deve estar se perguntando como ele aplica aos seus investimentos. É simples: imagine escolher entre deixar seu dinheiro parado na poupança, uma aplicação que tem um rendimento ruim, enquanto você poderia investir com a mesma segurança e ter um retorno até melhor em outras aplicações financeiras, como o Tesouro Direto ou os CDBs, por exemplo.

Porém, mais do que trocar uma aplicação financeira pela outra, imagine o custo de oportunidade de concentrar todos os seus investimentos em uma única aplicação e ela não entregar o retorno que você deseja. É aí que entra a diversificação dos investimentos.

Diversificar nos investimentos significa, de maneira bem resumida, repartir o seu dinheiro entre diferentes aplicações financeiras que terão diferentes papéis em sua carteira de investimentos: algumas servirão como um colchão de liquidez; outras servirão para buscar retornos maiores; outras buscarão mais retorno no longo prazo, e assim por diante.

A melhor parte dessa estratégia é que você aumenta a rentabilidade da sua carteira, à medida em que um possível retorno ruim de uma aplicação pode ser compensado pelo melhor desempenho de outra. Além disso, você também reduz riscos quando distribui o seu dinheiro entre diferentes aplicações.

Como o custo de oportunidade pode ajudar a fazer escolhas melhores?

Já dissemos que é difícil calcular o custo de oportunidade, mas é possível estimá-lo. No caso dos investimentos, existem algumas estratégias que podem ser seguidas para tornar essa estimativa mais confiável.

Para ajudar nessa tarefa, é interessante que o investidor tenha alguma do que significam os principais indicadores do mercado dos investimentos:

  • Selic: taxa básica de juros, é usada no cálculo para determinar a remuneração das aplicações financeiras de renda fixa, como a poupança e o Tesouro Selic;
  • CDI, taxa de referência para a remuneração de diversos investimentos em renda fixa, é considerada a taxa livre de risco no Brasil;
  • Índice Bovespa (Ibovespa): principal referência do mercado de ações no Brasil.

Esses três indicadores dão alguma ideia da temperatura do mercado de investimentos no Brasil e, quando se trata de custo de oportunidade, podem dar um norte ao investidor que precisa de alguma referência para tomar decisões.

Um ponto importante que não deve ser esquecido ao elaborar essas projeções são os impostos e custos de cada investimento, que variam conforme a aplicação financeira escolhida. Existem, por exemplo, investimentos que são isentos de impostos, mas que não oferecem uma rentabilidade tão boa, como é o próprio caso da poupança.

Em outros casos, os impostos variam conforme o tempo da aplicação e vão diminuindo quanto maior for o tempo que o investidor deixar o dinheiro aplicado.

Como dito anteriormente, o ideal é montar uma carteira diversificada de investimentos, de modo a aproveitar o melhor da rentabilidade de cada investimento. No entanto, antes é necessário conhecer o seu perfil de investidor para saber quais aplicações são as mais indicadas para você. 

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Luciano

Malena Oliveira é jornalista especializada em Finanças Pessoais e redatora na Magnetis.

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