Descubra os principais custos dos investimentos

por Malena Oliveira

Encontrar a aplicação ideal é o sonho de todos os investidores. Mas muitas pessoas mantêm o foco na combinação entre boa rentabilidade e baixo risco e acabam se esquecendo de avaliar os custos dos investimentos.

Esses custos podem até comprometer os ganhos do investidor se não forem levados em conta na hora de decidir onde aplicar o dinheiro.

Para ajudar você a não se perder em meio aos impostos e taxas, preparamos um guia completo sobre as principais taxas cobradas nas modalidades mais comuns de aplicações financeiras. Confira a seguir.

Taxa de administração

A taxa de administração é um custo comum nas aplicações em fundos de investimentos.

Ela é cobrada sempre, independente de lucro ou prejuízo. Isso pode resultar em perdas para o investidor caso o rendimento de suas aplicações não supere essa taxa.

A taxa de administração remunera o gestor do fundo, um profissional dedicado a comprar e vender os ativos que fazem parte da carteira desse tipo de de aplicação.

O custo dessa taxa é expresso sempre em um valor anual (3% ao ano, por exemplo), mas a quantia é recolhida diariamente, de acordo com o cálculo proporcional.

Para esse desconto, entram no cálculo o valor total da cota e os rendimentos, ou seja, o valor total aplicado pelo investidor.

A taxa de administração varia muito de acordo com a estratégia do fundo, sempre levando em conta a complexidade dos investimentos e os recursos mínimos a serem aplicados.

O investidor deve pesquisar e comparar as taxas de administração dos fundos em que deseja investir para escolher as aplicações que ofereçam a melhor rentabilidade com o menor custo possível.

Dessa maneira, a taxa de administração não afetará tanto os rendimentos do investidor no longo prazo.

Taxa de performance

A cobrança da taxa de performance é mais comum nos fundos de investimento e consiste em uma espécie de prêmio por desempenho.

Por isso, ela só incide quando a rentabilidade de um fundo supera um índice de referência previamente combinado (chamado de benchmark).

Normalmente, ela é praticada em fundos de ações, multimercados ou cambiais, que exigem gestão ativa do administrador para aumentar os ganhos e superar o benchmark do fundo. A cobrança é feita em ciclos semestrais, sempre que a meta for superada. Mas isso pode mudar dependendo do regulamento de cada fundo. Alguns estudiosos criticam a taxa de performance por acreditarem que ela incentiva o gestor a correr riscos desnecessários. Por outro lado, há quem veja nela um reflexo da qualidade do trabalho do gestor de um fundo. De qualquer forma, ela ser considerada pelo investidor antes da escolha de uma aplicação financeira.

Taxa de custódia

A taxa de custódia é cobrada pelos bancos e corretoras para cobrir os gastos gerados no armazenamento de títulos junto à Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), instituição que faz parte da estrutura da bolsa de valores. Ela é cobrada para quem investe no Tesouro Direto, em ações ou em ETFs (Exchange Traded Funds, também conhecidos como fundos de índice).

Para ações ou ETFs, a taxa de custódia é mensal e varia de acordo com as corretoras, sendo que algumas dispensam esse recolhimento dos clientes.

Há ainda a cobrança de uma taxa extra sobre o valor em custódia. Quem tem menos de R$ 300 mil investidos geralmente é isento dessa cobrança.

Já aqueles com valores superiores pagam taxas decrescentes, que partem de 0,0130% ao ano, cobradas proporcionalmente todo mês.

No caso do Tesouro Direto, a taxa de custódia é de 0,3% ao ano sobre o valor dos títulos.

Ela também é contabilizada diariamente, de forma proporcional, e cobrada uma vez ao fim de cada semestre, nos meses de janeiro e julho. Em caso de resgate, essa taxa já é descontada automaticamente.

Boa parte das corretoras tem uma política de taxa zero para investimentos no Tesouro, mas alguns bancos podem cobrar tarifas adicionais sobre esse investimento.

Emolumentos

É uma taxa cobrada pela bolsa de valores (B3) e pela CBLC sobre a compra e venda de ações ou ETFs. Pode chegar até o máximo de 0,0325% por operação. Incluem os custos de negociação e liquidação.

Taxa de corretagem

É o valor cobrado pelas corretoras na hora da negociação de determinado ativo. Ela pode ser fixa ou variar de acordo com o volume de negociações.

Algumas corretoras isentam da cobrança os clientes que operam um valor mínimo mensal. O segredo, novamente, é pesquisar, fazer as contas e encontrar a opção mais adequada ao seu perfil de investidor e seus objetivos.

Taxa de entrada e saída

As taxas de entrada e saída podem ser cobradas em fundos de investimento e planos de previdência privada sobre novos aportes ou retiradas de recursos antes dos prazos determinados.

A taxa de saída representa uma espécie de multa para quem saca o dinheiro investido antes do prazo, de modo a incentivar a permanência no fundo por longos períodos.

Em fundos de investimentos, esses valores variam muito e podem ser decisivos para a rentabilidade líquida do investimento. Então é muito importante pesquisar quais são as taxas cobradas antes investir ou resgatar o seu dinheiro. A taxa de entrada, por sua vez, é cobrada sobre novos depósitos no fundo, mas isso é muito raro. É mais fácil encontrá-la em fundos de previdência privada, sob o nome de taxa de carregamento.

Taxa de carregamento

É aplicada principalmente em planos de previdência privada do tipo PGBL e VGBL. Incide sobre cada novo depósito feito e é utilizada para cobrir despesas de corretagem e administração.

Quanto maior for o valor do aporte e o tempo de permanência, menor tende a ser a taxa cobrada, podendo inclusive chegar a zero. Em alguns casos, há cobrança em casos de portabilidade (transferência de planos) ou resgates antecipados.

Tributação dos investimentos

Os principais impostos que incidem sobre os investimentos são o Imposto de Renda (IR) e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Alguns investimentos têm impostos cobrados apenas sobre os rendimentos, enquanto outros incidem sobre o valor total investido. Existem também as aplicações isentas, como é o caso da LCA (Letras de Crédito Agrícola) e da LCI (Letras de Crédito Imobiliário).

O IR sobre a maioria das aplicações financeiras é cobrado de forma regressiva, ou seja, quanto maior for o tempo da aplicação, menor é a alíquota de IR, conforme a tabela a seguir.

Tabela Regressiva do IR

Prazo da aplicação

Alíquota do IR

Até 180 dias

22,5%

De 181 a 360 dias

20%

De 361 a 720 dias

17,5%

Acima de 720 dias

15%

Já o IOF é descontado quando há movimentações financeiras nos primeiros 30 dias da aplicação. Ele também incide de forma regressiva e pode até zerar os ganhos de um investimento.

Tabela IOF Regressivo

Prazo (dias corridos)

(%) Alíquota do IOF

Prazo (dias corridos)

(%) Alíquota do IOF

1

96

16

46

2

93

17

43

3

90

18

40

4

86

19

36

5

83

20

33

6

80

21

30

7

76

22

26

8

73

23

23

9

70

24

20

10

66

25

16

11

63

26

13

12

60

27

10

13

56

28

6

14

53

29

3

15

50

30

0

No caso dos planos de previdência privada, o investidor pode escolher o regime de tributação que melhor se adequa a seus objetivos.

O imposto pode ser cobrado de forma regressiva, tal como no caso de outros investimentos, mas também é possível optar pelo regime progressivo. Nesse último caso, a alíquota mínima pode chegar a 10%.

Porém, cada regime contempla um horizonte de investimento diferente. Vale analisar qual deles é o mais adequado para você antes de aplicar o seu dinheiro.

Quando falamos dos custos dos investimentos, sentir-se confuso é normal. Calcular as taxas e impostos não é uma tarefa fácil, ainda mais para quem está começando a conhecer o mundos dos investimentos.

Por isso, reflita sobre esses encargos antes de tomar uma decisão de investimento e busque saber qual será o rendimento líquido do seu investimento.

Para isso,  busque a ajuda especializada e não hesite em utilizar os serviços de uma consultoria financeira. Quer receber mais conteúdos sobre investimentos diretamente no seu e-mail? Assine nossa newsletter! Deixe aqui o seu comentário caso tenha alguma dúvida ou queira compartilhar conosco a sua experiência.

Luciano

Malena Oliveira é jornalista especializada em Finanças Pessoais e redatora na Magnetis.

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