Os serviços financeiros estão perto de um momento Netflix?

por Luciano Tavares, CFP® | 15/02/2016

Está lançado o Desafio Fintech

Daqui a 10 anos, você acredita que ainda pegaremos fila em uma agência bancária? 

Ou ligaremos para a gerente do banco para realizar um investimento? 

Os serviços financeiros estão passando por uma grande transformação.​ 

Hoje recorremos aos bancos para a maioria - senão todas - das nossas operações financeiras. Esse modelo fazia sentido no mundo antes da era digital. Somente os grandes bancos conseguiam ter escala suficiente para montar uma enorme rede de agências e oferecer todos os serviços financeiros em "um só lugar".

Porém, com o avanço de tecnologias como internet móvel, redes sociais e inteligência artificial, o modelo integrado dos bancos começou a se mostrar muito engessado para a nova realidade dos clientes. Um número crescente de empresas, mais ágeis e especializadas, estão utilizando a tecnologia para prestar serviços melhores e mais baratos que os oferecidos pelos bancos tradicionais.

Apelidadas de "fintechs" - abreviação de financial technology (tecnologia financeira) - essas empresas jovens estão, pouco a pouco, conquistando o gosto do consumidor.

O momento Netflix

Você já cancelou sua TV a cabo?  (Foto: Divulgação/Netflix)

Em longo prazo, é inevitável a mudança dos serviços financeiros, mas em que ponto do processo nos encontramos?

Será que ainda estamos no estágio embrionário, com adesão limitada de alguns entusiastas, ou já nos encontramos à beira de uma transformação mais ampla?

A Netflix mudou hábitos dos consumidores nos últimos anos. Existe um grande número de pessoas que já cortaram a TV por assinatura (cord-cutters), mantendo apenas o serviço online. Além de oferecer acesso imediato a um grande catálogo de filmes e séries em qualquer dispositivo, a Netflix custa apenas uma fração do preço da TV a cabo.

Quando há uma quebra de paradigma tecnológico, é muito difícil se prever quando ocorre o ponto de inflexão da curva de adoção da novidade. O WhatsApp era uma empresa praticamente desconhecida há alguns anos, mas hoje é capaz de "parar" o país quando fica fora do ar - como aconteceu em dezembro de 2015, quando o aplicativo foi bloqueado por uma decisão judicial.

Será que estamos perto de um momento Netflix nos serviços financeiros?

Para responder a esta pergunta, decidi virar cobaia.

Em 2016, está lançado o Desafio Fintech

Todos os anos, Mark Zuckerberg, CEO do Facebook, assume um desafio pessoal para aprender novas habilidades e se desenvolver fora da sua atividade profissional. Em anos anteriores, ele já se comprometeu a aprender mandarim, ler um livro por semana, entre outros.

Em 2016, Zuck decidiu aprender inteligência artificial, automatizando sua própria casa.

Inspirado em Zuck, resolvi criar - e encarar - o Desafio Fintech neste ano.

Como funcionará?

Ao longo do ano, tentarei migrar todos os meus serviços financeiros para empresas de fintech. Todos os meus pagamentos, investimentos, cartões de crédito, seguros e demais transações financeiras deverão ser realizados através de startups de tecnologia financeira. Sempre que possível, evitarei bancos e instituições tradicionais.

O principal objetivo é responder à pergunta: será que já é mais conveniente usar somente serviços de fintechs?

Assim como fazem os cord-cutters da TV paga, será que já compensa cortar o "cordão umbilical" com os bancos? Ou eles ainda são uma parte essencial dos serviços financeiros?

Pretendo sentir na pele esse desafio e contar todos os detalhes aqui neste blog. A ideia é fazer a transição em cada tipo de serviço financeiro e relatar aqui todas as facilidades ou dificuldades que passei. Descreverei em detalhe cada serviço que utilizei e como foi a minha experiência.

Em alguns casos, será necessário relatar alguma situação que vivi nos bancos que atualmente utilizo. Nestes casos, omitirei o nome do banco, pois a ideia do desafio não é criticar essa ou aquela instituição, e sim oferecer uma visão ampla da indústria.

Um alerta sobre conflito de interesses

Como fundador de uma empresa de fintech, estou longe de ser uma fonte totalmente isenta. No segmento de investimentos, minha visão será enviesada, conscientemente ou não, a defender o modelo adotado pela Magnetis.

A Magnetis também recebeu aportes de grandes fundos de venture capital como Monashees e Redpoint e.ventures. Esses fundos investem em outras empresas de fintech e isso pode, de alguma forma, influenciar as minhas opiniões. Para completar, sou também investidor anjo de algumas empresas do setor através da Napkn Ventures.

Como não posso me livrar desses conflitos de interesses, deixarei sempre transparente quando eu estiver utilizando ou falando sobre alguma empresa com a qual tenho alguma relação direta ou indireta. É importante entender que a ideia do Desafio Fintech não é recomendar serviços ou empresas, mas simplesmente oferecer um relato pessoal da jornada.

Não sei aonde vamos chegar, mas tenho certeza de que a jornada será interessante!

E você? Que tal criar seu próprio Desafio Fintech?​

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

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