Você sabe quem é quem na estrutura de fundos de investimento?

por Mariana Congo

Quando você vai aplicar em um fundo de investimento, é importante saber quem são as empresas envolvidas na administração e gestão do fundo. Por isso, criamos este post com o intuito de esclarecer quem é quem na estrutura de fundos de investimento.

Nosso objetivo é ajudar você a entender qual o papel dos principais agentes envolvidos no funcionamento de um fundo, quais são as funções além de compreender como cada um desses profissionais pode ser mais estratégico em um determinado momento. Acompanhe o conteúdo para utilizar a estrutura de fundos de investimento da forma mais vantajosa possível!

Administrador

O administrador é o responsável pelo funcionamento do fundo de investimento. É ele quem cuida do dia a dia do fundo, controlando todos os prestadores de serviços (gestor, custodiante, auditor). Ele é responsável pela constituição do fundo e também deve ser regulamentado pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários), e também divulgar informações e prestar contas aos reguladores e cotistas.

Além disso, é responsável por calcular e divulgar o valor da cota para quem deseja investir no fundo. Para isso, a empresa administradora recebe a cada dia os investimentos e desinvestimentos realizados pelo gestor, além das aplicações e resgates comandados pelo distribuidor. Junto a isso, são levantadas as variações dos preços dos ativos do fundo, os lucros e prejuízos, as cotas resgatadas ou emitidas etc. Tudo isso para chegar ao valor da cota de fechamento do fundo.

A partir daí o administrador divulga a carteira do fundo de investimento. Nela estão todos os ativos, assim como a memória de cálculo do dia. De forma geral, o administrador tem o papel de zelar pelo bom funcionamento do fundo, defender os interesses dos cotistas e garantir que tudo esteja de acordo com a legislação.

Gestor

O termo gestor é utilizado para designar a empresa ou pessoa responsável por definir a estratégia, escolher e realizar os investimentos do fundo. Portanto, é ele quem administra a carteira de investimentos e toma as decisões de compra e venda, de acordo com os objetivos e política de investimento estabelecida no regulamento do fundo.

A empresa gestora também define as alocações de ativos, isto é, a porcentagem do dinheiro do fundo de será aplicado em cada tipo de ativo. Em um fundo de renda fixa, por exemplo, 80% do capital deve ser investido em títulos públicos federais.

A maior vantagem de investir por meio de fundos é justamente contar com a figura do gestor, um profissional qualificado e habilitado para exercer essa atividade. Ele pode ser pessoa física ou jurídica e também deve estar registrado na CVM.

Em fundos que tenham taxa de performance, o gestor pode receber diretamente um rendimento maior - como uma espécie de bônus - se a performance do fundo que ele gere superar algum índice de mercado que seja estabelecido como base de referência (na maior parte das vezes esse índice é o CDI). Neste caso, entende-se que o fundo teve performance superior por causa da atuação do gestor e ele deve ser remunerado por isso. Ou seja, quanto melhor for a performance do fundo, mais o gestor ganha.

Custodiante

A empresa custodiante é responsável por guardar os ativos que compõem a carteira fundo de investimentos. Além de fazer a guarda dos ativos do fundo, cabe ao custodiante enviar diariamente o inventário com dados para o gestor e o administrador do fundo.

Somado a isso, o custodiante também é o encarregado da liquidação física e financeira, isto é, o recebimento e pagamento de recursos e ativos.Para operarem, devem ter autorização da CVM, mas geralmente quem exerce a função de custodiante são grandes bancos.

Distribuidor

É a empresa que cuida do relacionamento com os investidores do fundo. O investidor geralmente tem o primeiro contato com o fundo através do distribuidor, ele é o responsável por distribuir as cotas entre investidores e funciona como uma "ponte" entre o cotista e o fundo. Sua principal função é aplicar questionários para definir o perfil de risco do cliente (conservador, moderado, arrojado).

Após identificar o nível de risco, o distribuidor pode aconselhar investimentos condizentes com o perfil do cotista. Entretanto, é o cliente quem decide se prefere correr mais ou menos riscos, podendo assinar um tempo no qual reconhece os riscos de investir em um fundo diferente do seu perfil.

O distribuidor também é responsável por prevenir a lavagem de dinheiro, checando a veracidade das informações fornecidas pelos clientes do fundo. Ele também verifica se existem pendências com entidades de crédito ou judiciais. Por fim, o distribuidor assegura que as informações cadastrais dos cotistas estejam sempre atualizadas. Os principais distribuidores de fundos são bancos de varejo, porém também podem ser distribuídos por corretoras e distribuidoras de títulos e valores mobiliários.

Auditor

Um dos pré-requisitos para que um fundo de investimentos possa operar é contar com um auditor independente. O auditor é uma empresa que fica responsável por revisar as demonstrações financeiras, as contas e os documentos do fundo anualmente, prevenindo fraudes.

As auditorias devem seguir normas específicas estabelecidas pela CVM. Com isso, a empresa de auditoria contratada por um fundo de investimento deve ser autorizada pela CVM para prestar esse tipo de trabalho.

Cotista

É o investidor, ou seja, a pessoa que aplica dinheiro em um fundo. O termo “cotista” nem sempre é tão utilizado, já que muitas vezes utiliza-se a própria palavra “investidor”. De qualquer forma, o cotista é aquele que detém cotas de um fundo.

Um ponto importante a ser destacado é que, independentemente do valor investido, todos os cotistas de um fundo têm direito ao mesmo tratamento. Ainda assim, para efeitos de administração, é permitido pela CVM que os cotistas sejam classificados de acordo com seu perfil.

Órgãos reguladores

CVM

A CVM foi criada na década de 1970, com o objetivo de fiscalizar, normatizar, disciplinar e desenvolver o mercado de valores mobiliários no Brasil. Dentro deste escopo o órgão pode aplicar punições àqueles que descumpram as regras estabelecidas.

Esse mercado é representado por um conjunto de produtos de investimento oferecidos ao público, tais como ações de companhias de capital aberto, negociadas em bolsa, fundos de investimento e as instituições participantes do sistema de distribuição, assim como os clientes e investidores que operam no mercado de valores mobiliários.

Um dos principais objetivos da CVM é a proteção do cidadão, por se tratar de um mercado em que pode haver perdas e não há rentabilidade assegurada. Ela desempenha este papel por meio da ação de regulação e fiscalização, garantindo que as regras sejam cumpridas, além de oferecer um conjunto de informações que permita que o pequeno investidor possa tomar decisões de investimento conscientes. Os principais agentes na estrutura de fundos devem ter autorização da CVM para prestarem o serviço que oferecem. Esta exigência traz ainda mais segurança e transparência a quem quer investir em fundos de investimento.

Anbima

A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) foi criada em 21 de outubro de 2009 através da união entre a Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid) e a Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro (Andima).

Desta forma, a Anbima passou a representar as instituições do mercado de capitais brasileiro. A entidade possui diversos associados, entre bancos comerciais, bancos múltiplos e bancos de investimento, empresas de gestão de ativos, corretoras, distribuidoras de valores mobiliários e gestores de patrimônio.

Além da atividade de representação, a Anbima atua como entidade autorreguladora voluntária, através de 10 Códigos de Regulação e Melhores Práticas. Dentre eles está o Código de Melhores Práticas para Fundos de Investimento que tem como objetivo definir as regras pelas quais as atividades das instituições associadas devem aderir para promover entre outros aspectos concorrência leal, padronização de procedimentos, qualidade de informações sobre fundos de investimentos, etc.

A maioria dos fundos de investimentos adere ao código de melhores práticas da Anbima, isto é bom porque eleva ainda mais o padrão de qualidade destes investimentos.

quem e quem na estrutura de fundos de investimento

Como a estrutura de fundos de investimento impacta na rentabilidade?

Como você deve ter visto existem diferentes entidades por trás do funcionamento de um fundo de investimento. Dentre as vantagens de se investir em fundos de investimentos está a possibilidade de contar com a experiência e a capacitação destes profissionais. No entanto, como cada um destes agentes desempenha um papel específico, existe um custo por isso que é repassado para o investidor por meio de taxas.

As duas taxas mais comuns em fundos de investimentos são as taxas de administração e de performance.

A taxa de administração é o que permite a manutenção da estrutura necessária para pagar os custos e despesas com administrador, gestor, distribuidores, custodiante e auditor independente. Ela é um dos principais fatores que o investidor deve avaliar na hora de escolher um fundo, porque impacta diretamente na rentabilidade. Esta taxa é descontada diariamente do valor da cota do fundo.

Existem alguns fundos que ainda poderão cobrar taxa de performance, desde que esteja previsto no seu regulamento. Geralmente, ela ocorre no caso de fundos que tenham uma remuneração vinculada a algum índice de mercado. Desta forma, a taxa de performance só deve ser cobrada se o gestor conseguir gerar uma rentabilidade superior ao índice estabelecido no regulamento. Neste caso, entende-se que o fundo teve performance superior por causa da atuação do gestor e ele deve ser remunerado por isso. Ou seja, quanto melhor for a performance do fundo, mais o gestor ganha.

Agora, que você entendeu qual o papel dos diferentes agentes em um estrutura de fundo, você está mais preparado e seguro para investir neste tipo de investimento. E o melhor sabendo quem estará responsável pelo seu dinheiro através de diferentes funções.

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Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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