ETF de renda fixa: saiba tudo sobre esta novidade

por Fernando Reis | 20/05/2019

ETF de renda fixa

Quem se interessa pelo mercado de ETFs ganhou recentemente uma nova alternativa: o ETF de renda fixa. 

Se você está sem tempo para ler, que tal ouvir este conteúdo? Aperte o play ou faça o download do áudio:

A sigla ETF vem do inglês e significa Exchange Traded Fund: fundo negociado em bolsa de valores. O grande diferencial de um ETF de renda fixa é que ele se trata de um investimento seguro, comprado e vendido por meio da bolsa de valores.

Os dois primeiros ETFs de renda fixa do mercado brasileiro são:

  • FIXA11: ETF estruturado pela gestora coreana Mirae Asset, que estreou na bolsa de valores em setembro de 2018. Sua taxa de administração é 0,30% ao ano;
  • IMAB11: ETF estruturado  pela Itaú Asset Management em parceria com o Tesouro Direto, que começou a ser negociado em maio de 2019 e é considerado o ETF oficial dos títulos públicos. Sua taxa de administração é de 0,30% ao ano.

Veja mais: Confira a lista completa dos ETFs listados na bolsa de valores!

Ambos os ETFs prometem ser alternativas bastante atraentes para o pequeno investidor. Eles são mais simples em comparação a fundos de investimento tradicionais e têm taxas mais baixas.

Para você ter uma ideia, 65% do patrimônio da indústria de fundos brasileira está atrelada à renda fixa.

Hoje em dia, um fundo de renda fixa de um grande banco cobra, em média, 2% ao ano de taxa de administração.

No entanto, investir em ETFs de renda fixa custa 8 vezes menos, como você verá mais adiante. Além disso, o Imposto de Renda é de 15% sobre o lucro, independente do prazo da aplicação.

Conhecendo essas novas opções, será que vale a pena investir em um ETF de renda fixa? É isso o que vamos saber a partir de agora!

Neste post, vamos dar mais detalhes de como essas aplicações funciona e o que vale mais a pena: Tesouro Direto, renda fixa privada ou ETF de renda fixa? Continue conosco e entenda mais sobre o assunto!

Veja mais: ETF – vale a pena investir? Confira as principais perguntas e respostas

O que é um ETF? 

Como já mencionamos, um ETF é um tipo de fundo de investimento. Só que, diferente dos fundos tradicionais, ele replica a composição de algum índice de mercado, daí o nome fundo de índice. 

Por exemplo, o BOVA11 é umETF que tem como referência o Índice Bovespa. Outros exemplos de ETFs são:

  • BRAX11: replica o índice que reúne as ações das 100 maiores empresas brasileiras em valor de mercado;
  • SMAL11: reproduz o índice das ações das companhias em ascensão e que atualmente têm baixa capitalização na bolsa (Small Caps);
  • IVVB11: reproduz o índice S&P 500 (que reúne as ações das 500 maiores empresas dos EUA) no Brasil, mais a variação do câmbio;
  • PIB11: reproduz o comportamento das 50 ações mais negociadas na bolsa;
  • DIVO11: replica o índice das empresas que pagam dividendos.

Assim, um ETF é uma cesta de ativos. Em um só produto, ele proporciona a diversificação dos investimentos, uma das ferramentas mais importantes para proteger o seu patrimônio e, ao mesmo, trazer mais consistência para a rentabilidade das suas aplicações financeiras.

Por exemplo, uma pessoa que adquire cotas do fundo BRAX11, terá como referência o IBrX-100, índice que replica o retorno de uma carteira teórica composta pelas 100 ações mais negociadas na bolsa de valores.

Ou seja, quem aplica neste fundo tem acesso a 100 diferentes ações por um custo muito menor do que comprar cada ação de forma direta. É por isso que investir em ETFs é um jeito bem mais eficiente de aplicar o seu dinheiro.

Por que investir em ETF?

A diversificação com baixo custo é a principal vantagem de investir em ETF. Afinal, basta uma aplicação para investir em ações diversas empresas. 

Além disso, o investimento mínimo exigido é menor. Hoje, boa parte dos ETFs negociados na bolsa requer uma aplicação mínima abaixo de R$ 100.

Outro grande diferencial dos ETFs é a ausência da figura de um gestor do fundo. Como essas aplicações são montadas apenas para reproduzir o comportamento de um índice (não importa se ele subir ou cair), elas eliminam a necessidade de uma pessoa tomando decisões sobre onde investir.

Esse estilo de administrar investimentos (a chamada gestão passiva) é uma forma de investir já consolidada no mercado de investimentos no exterior.

Para você ter uma ideia, as empresas americanas BlackRock e Vanguard – as maiores do mundo – gerenciam nada menos do que 11 trilhões de dólares por meio de seus ETFs.

Até o ano passado, existiam 15 ETFs listados na bolsa brasileira e todos eram baseados em índices de ações.

Assim, os ETFs de renda fixa que mencionamos no início deste post são os primeiros investimentos dessa categoria a serem negociados no Brasil.

Como funciona um ETF de renda fixa?

Os ETFs de renda fixa funcionam de forma similar aos ETFs tradicionais. Porém, em vez de ações, eles replicam índices de investimentos de renda fixa, como títulos públicos e privados pré-fixados ou atrelados a indicadores de inflação.

O FIXA11, o fundo de índice da Mirae Asset, é composto por ativos referenciados na curva de juros futuros (curva de DI). A taxa de administração é de 0,30% ao ano.

O IMAB11, ETF de renda fixa gerido pelo Itaú em parceria com o  Tesouro, tem como referência o IMA-B (Índice de Mercado Anbima). Esse índice replica o comportamento dos títulos do Tesouro IPCA+ (as antigas NTNBs).

Assim, esse ETF consegue capturar o comportamento de todos os títulos do Tesouro relacionados à inflação que estão sendo negociados no mercado. 

A taxa de administração é de 0,25% ao ano, mesmo valor cobrado de quem investe de forma direta nos títulos do Tesouro Direto.

ETF de renda fixa: quais as vantagens?

1 – Taxa de administração mais baixa

O ETF de renda fixa terá um custo baixo (as taxas de administração de ambas as opções não ultrapassam 0,30% ao ano). Esse valor é bem menor que os fundos de renda fixa tradicionais do mercado. Os fundos DI dos grandes bancos, por exemplo, têm taxas de administração na casa de 1% ao ano.

2 – Mais diversificação

O investidor terá acesso a uma carteira de diferentes títulos públicos ou privados.

tipos de investimento

Outro diferencial é a possibilidade de negociá-los em uma única operação, sem de ter de comprar ou vender cada título separadamente.

3 – Investimento mais barato

Um ETF é um investimento que exige baixo valor inicial, o que garante acesso ao pequeno investidor.

4 – Mais flexibilidade na hora de comprar e vender

O investidor não ficará preso aos títulos adquiridos, podendo comercializá-los livremente no mercado, como se fossem ações. Além disso será possível acompanhar alterações da carteira teórica sem ter que comprar ou vender os títulos.

5 – Imposto menor

O produto é isento do come-cotas (impostos queincide semestralmente sobre os fundos de renda fixa e multimercados).

Além disso, o ETF de renda fixa é tributado de acordo com o prazo médio dos títulos em carteira.

Uma vez que ambos os produtos são compostos por títulos com prazo de vencimento mais longo, a alíquota de IR que incide sobre eles é a de 15% sobre o rendimento, independente do prazo da aplicação.

Os fundos e os títulos de renda fixa, por outro lado, são tributados pela tabela regressiva do IR – as alíquotas começam em 22,5% e diminuem conforme o tempo em que o dinheiro permanece investido.

ETF de renda fixa: quais as desvantagens?

1 – Oscilação de preços mais aparente

Os títulos públicos prefixados ou indexados à inflação mudam de preço todos os dias, mesmo aqueles negociados pela plataforma do Tesouro Direto.

Quando você investe de forma direta nesses títulos, a única forma de garantir que você receberá a rentabilidade contratada é manter o investimento até o prazo de vencimento.

Só que, no caso de um ETF de renda fixa, não há como garantir essa rentabilidade.

Mas não se preocupe! Isso não quer dizer que você vai perder dinheiro com esse investimento!

Significa apenas que você precisa prestar atenção na hora de resgatar o investimento para não vender por um preço menor do que o de compra.

2 – Não há garantia do FGC ou do Tesouro Nacional

Por não se tratarem de títulos registrados em nome de quem investe, os ETFs não contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Da mesma forma, também não contam com a garantira direta do Tesouro Nacional.

No entanto, como se tratam de fundos que espelham uma carteira de investimentos seguros, o risco acaba sendo menor para quem investe.

3 – Imposto de Renda recolhido pela própria pessoa

Assim como acontece com qualquer outro ETF, o Imposto de Renda não é retido na fonte. Ou seja, ele é responsabilidade da própria pessoa.

Para ficar em dia com a Receita Federal, é necessário calcular o lucro obtido com a venda desses ETFs e pagar um DARF.

Para ajudar você, explicamos em outro post aqui no blog o passo a passo para calcular o imposto devido, gerar e pagar o seu DARF

Como investir em um ETF de renda fixa?

As operações de compra e venda de qualquer ETF são feitas no ambiente da bolsa de valores, a B3. Assim, é preciso abrir conta em uma corretora de valores, caso você ainda não tenha.

Depois, basta escolher o ETF desejado pelo código (confira aqui a lista completa dos ETFs listados na bolsa) e selecionar o valor que você deseja investir.

Os lotes mínimo e máximo de cotas que podem ser negociadas estão disponíveis no regulamento de cada ETF. 

Ao adquirir cotas do ETF de renda fixa, você passa a deter todos os títulos de renda fixa da carteirado índice, sem a necessidade de comprá-los separadamente.

Por que um ETF de renda fixa?

A espera pelo ETF de renda fixa começou em 2013, quando um memorando de entendimento foi assinado pelo governo brasileiro em parceria com o Banco Mundial.

A iniciativa, chamada de ID ETF (Issue Driver ETF), tem o objetivo de ampliar a utilização desta aplicação a fim de desenvolver mercado de dívida em países emergentes. O Brasil faz parte do projeto inicial, que será seguido pelos demais países em desenvolvimento.

Globalmente, os fundos de índice têm patrimônio de US$ 3 trilhões, sendo os Estados Unidos o principal mercado (com 70%).

No Brasil, este tipo de aplicação existe desde 2004, mas apenas os principais índices (como o Ibovespa e o Small Caps) são mais negociados.

Como mencionamos, até o ano passado havia 15 ETFs listados na bolsa brasileira, todos de renda variável. O patrimônio somado desses ETFs é de R$ 4 bilhões. 

Porém, com o lançamento dos dois novos ETFs de renda fixa, espera-se que esse mercado ganhe novos investidores, principalmente pessoa física, a partir de agora.

Vale a pena investir em ETF de renda fixa?

Como você viu, o ETF de renda fixa deve estimular o acesso de cada vez mais brasileiros ao mercado de fundos de índice. 

Além disso, promete ser atrativo para o pequeno investidor, principalmente do ponto de vista de diversificação, flexibilidade e custo, já que permite aplicação inicial mais baixa e menores taxas e impostos.

Agora que você já conhece as opções de ETF de renda fixa que existem no mercado, que tal entender mais sobre como montar a carteira de investimentos ideal para você? Baixe grátis o nosso ebook Consultoria de Investimentos: Guia Completo sobre esse Serviço.

(Texto atualizado em 21 de maio de 2019)

ETF de renda fixa: saiba tudo sobre esta novidade
5 (100%) 16 vote[s]