ETF: tudo que você precisa saber para investir!

por Luciano Tavares, CFP® | 16/03/2019

ETF: o que é?

Você já ouviu falar em ETF? Será que essa aplicação paga dividendos? Essas são as principais dúvidas de quem está interessado nesse tipo de investimento.

ETF é a sigla em inglês para Exchange Traded Funds. Em português, é algo semelhante a fundos negociados em bolsa. No Brasil, os ETFs também são chamados de fundos de índice.

Na prática, um ETF é um fundo que replica um indicador do mercado financeiro. 

Um ETF do Índice Bovespa (Ibovespa), por exemplo, é um fundo que reúne todas os papéis que o compõem. Assim, quem investe em um ETF de Ibovespa já aplica automaticamente em todas as ações do índice.

Os principais diferenciais de um investimento em ETF são o baixo custo e a diversificação, já que é possível investir em dezenas de ativos com pouco dinheiro.

Neste texto, vou responder as principais perguntas que recebemos sobre ETF e o que você precisa saber antes de investir. Vamos começar?

Veja mais: Conheça a lista completa dos ETFs listados na bolsa!

O que é ETF?

ETF significa Exchange Traded Fund ou fundo negociado em bolsa. Seu objetivo é replicar um determinado indicador financeiro para proporcionar rentabilidade similar.

Assim como outros fundos de investimento, os ETFs são compostos cotas. Cada cota possui uma pequena fração de todos os ativos que formam o índice de referência. Esse índice é o chamado benchmark financeiro.

A principal diferença entre um ETF e um fundo de investimento tradicional é que as cotas dos ETFs são negociadas na bolsa de valores (no caso do mercado brasileiro, a B3).

O ETF é bastante popular fora do Brasil. Tanto que, em outros países, é possível investir em variadas classes de ativos.

Além de ações e renda fixa, há também commodities (como petróleo e ouro, por exemplo), criptomoedas (como bitcoin) e até maconha.

Os primeiros ETFs lançados no mercado financeiro surgiram nos Estados Unidos no fim da década de 1980. Hoje, eles movimentam 3 trilhões de dólares no mundo segundo a BlackRock, maior companhia nesse ramo.

No Brasil, os ETFs ainda representam um mercado relativamente pequeno. Até fevereiro de 2019, eles haviam captado R$ 15 bilhões, menos de 20% do que a indústria de fundos movimenta no país hoje (cerca de R$ 85 bilhões).

Mais recentemente, surgiram duas opções de investimento nesse segmento: os ETFs de renda fixa IMAB11. e FIXA11. Eles são voltados para quem deseja investir em uma carteira diversificada de títulos públicos e privadas a um custo mais baixo e com menos impostos.

Veja mais: Saiba tudo sobre os ETFs de renda fixa disponíveis no mercado 

ETF paga dividendos?

Já que um ETF é formado por ações de empresas, inclusive as que pagam dividendos, ele também proporciona esse pagamento para seus cotistas? A resposta é: sim, mas de forma indireta.

Quando uma ação que faz parte de um ETF paga dividendos, esse valor é incorporado ao patrimônio do fundo. Funciona mais ou menos como um reinvestimento automático dos dividendos.

Por isso, quem investe em ETF não consegue sacar somente os dividendos do seu investimento, apenas o valor completo da aplicação.

Mas se você estiver em busca de um ETF que reúna ações de empresas que mais pagam dividendos, existe uma opção: o DIVO11, que replica o IDIV, o índice de dividendos da B3. No entanto, ele também segue a lógica do reinvestimento automático.

Investir em ETF ou fundos de ações?

Ao contrário dos fundos de ações tradicionais, os ETFs fazem somente a gestão passiva dos investimentos.

Assim, esse produto financeiro não tem o objetivo de superar o indicador em que ele se baseia, mas apenas acompanhá-lo.

Por outro lado, um fundo de gestão ativa seleciona ativos para criar uma carteira capaz de superar o seu benchmark

O trabalho de gestão ativa tem um custo maior, pois exige que pessoas se dediquem de forma constante à análise de quais são os melhores investimentos para o fundo.

Isso faz com que as taxas de administração dos fundos de gestão ativa sejam mais altas.

Além disso, eles também estabelecem um bônus para aquelas ocasiões em que eles conseguem superar a sua referência: a chamada taxa de performance.

Para você ter uma ideia, os fundos de ações tradicionais cobram taxas de administração entre 2% e 3% ao ano, além de muitos terem taxa de performance de 20% sobre ganhos acima do benchmark.

Por outro lado, os fundos de índice têm taxa de administração entre 0,20% a 0,80% ao ano e não cobram taxa de performance.

Considerando que investir em fundos de ações com gestão ativa é mais caro, é de se esperar que eles tenham uma performance melhor, certo? Mas nem sempre é o que acontece na prática.

Isso foi o que comprovamos a partir de um estudo que analisou a performance histórica de diversos desses fundos. A análise mostrou que é muito difícil os gestores de fundos de ação superarem os índices de referência. Ou seja: ponto positivo para os ETFs!

Quais são os principais tipos de ETFs?

Entre os principais ETFs negociados na bolsa, estão o BOVA 11, que segue o Ibovespa, o principal índice de ações da bolsa brasileira. 

Outro destaque é o BRAX11, que tem por objetivo seguir o desempenho do Índice Brasil (IBrx-100). Ele é formado pelos 100 papéis mais negociados na bolsa de acordo com seu valor de mercado.

Há também o SMAL11, que tem como objetivo acompanhar o desempenho do índice Small Cap, focado nas ações de companhias menores, que possuem grande potencial de crescimento.

Para quem se interessa por investir no exterior de forma prática, existe o IVVB11, formado pelas empresas do S&P 500. Ele replica o desempenho do principal índice de ações da bolsa americana.

Quais são os riscos de investir em ETF?

Não é possível prever qual será o retorno da ação de uma empresa. Da mesma forma, não dá para determinar a rentabilidade de um ETF. 

Por outro lado, é possível acompanhar essa rentabilidade de forma simples e clara: basta seguir o benchmark desse ETF.

Portanto, o principal risco de investir em ETF de renda variável é a volatilidade do mercado, ou seja, o sobe e desce dos preços das ações.

Por outro lado, existem os ETFs de renda fixa. Apesar de a cotação também estar sujeita à variação do mercado, esses fundos têm oscilação menor, pois são baseados em investimentos de renda fixa.

Qual é a liquidez de um ETF?

A liquidez de um investimento é medida pela facilidade de transformar essa aplicação em dinheiro.

No caso dos ETFs, eles são considerados investimentos com alta liquidez, pois o prazo para a devolução do dinheiro após a venda é de um dia útil (D+1).

Para entender melhor porque os ETFs oferecem uma alta liquidez, vale a pena ver o vídeo abaixo:

Quais são os custos e impostos para investir em ETFs?

O principal custo do ETF é a taxa de administração cobrada pela gestora do produto. Os percentuais médios ficam entre 0,20% e 0,80% ao ano. 

Porém, como os ETFs são negociados na bolsa, pode haver custos de corretagem e custódia, dependendo das taxas cobradas pela sua corretora.

Um terceiro tipo de custo são os emolumentos, tarifas cobradas pela B3 para fazer a liquidação dos ativos.

No caso dos impostos, há incidência de 15% de Imposto de Renda (IR) sobre o lucro do investimento. O IR não é retido na fonte, ou seja, a própria pessoa que investe é quem deve recolher.

Diferentemente do que ocorre no investimento direto em ações, não há isenção de imposto para vendas abaixo de R$ 20 mil.

Vale a pena investir em ETF?

Uma das principais vantagens do ETF é a diversificação: dificilmente, uma pessoa teria dinheiro para comprar todos os ativos de um índice financeiro na proporção ideal para replicá-lo.

Além disso, esse exercício daria muito trabalho, pois seria necessário comprar e vender esses ativos sempre que o índice fosse rebalanceado.

Outro destaque positivo é o baixo custo: a maioria dos ETFs na bolsa hoje requer um investimento mínimo abaixo de R$ 100.

Em relação aos custos, os ETFs também apresentam vantagem, pois você paga taxas como corretagem e custódia referentes à negociação de um ativo.

No caso das ações, você teria de pagar mais taxas de acordo com o número de negociações feitas. Pensando que um ETF reúne ações de pelo menos 20 empresas, pense no custo final que isso teria para você.

Como começar a investir em ETF?

Para começar a investir em um ETF, é necessário abrir conta em uma corretora.

Mas é importante que essa decisão seja tomada após uma análise de uma série de fatores, como tolerância a risco, objetivos financeiros, horizonte de investimento e necessidade de liquidez.

O ideal é que essa escolha seja feita com apoio de profissionais, tal qual uma consultoria de investimentos, que vai fazer uma avaliação do seu perfil antes de recomendar os melhores investimentos.

Agora que você já conhece as opções de ETF de renda fixa que existem no mercado, que tal entender mais sobre como montar a carteira de investimentos ideal para você? Baixe grátis o nosso ebook Consultoria de Investimentos: Guia Completo sobre esse Serviço.

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

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