ETF: tudo que você precisa saber sobre fundos de índice

por Luciano Tavares | 16/06/2017

ETF: aprenda tudo sobre Exchange Traded Funds, ou fundos de índice. O que é ETF? Vale a pena?

Você já ouviu falar em ETF? Trata-se da sigla para Exchange Traded Funds. Os ETFs também são chamados de fundos de índice, pois fazem gestão passiva ao replicar o comportamento de determinado índice do mercado de ações.


Neste texto, explicarei como funciona o investimento em ETF: uma forma simples de aplicar no mercado de ações de maneira diversificada e a um custo baixo.

O que é ETF?

O chamado Exchange Traded Fund (ETF) ou, traduzindo livremente, "fundo negociado em bolsa", é um fundo que tem como objetivo garantir o retorno similar a determinado índice de referência.


Como exemplos, temos o ETF chamado BOVA11, que tem como referência o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira. Já o ETF de nome SMAL11 representa o índice que reúne as companhias de menor porte da Bovespa (atual B3).


Cada ETF é composto por uma cesta com várias ações de empresas que compõem um índice do mercado de ações. Daí que vem o nome "fundo de índice". Veja na tabela o resumo de três exemplos de ETFs que atualmente são negociados na BM&FBovespa (atual B3):


ÍndiceComposiçãoETF
IbovespaAções mais negociadas e mais representativas da BM&FBovespa (B3)BOVA11
Small CapsCesta de ações das empresas com menor valor de mercado da BM&FBovespa (B3)SMAL11
Índice BrasilCesta com as 100 ações mais negociadas da BM&FBovespa (B3)BRAX11

Este investimento ocorre, como em outros fundos, por meio da negociação de cotas. No caso dos ETFs, a negociação das cotas acontece em Bolsa de Valores. No mercado brasileiro é na BM&FBovespa — atualmente chamada B3, após união com a Cetip.


O investimento em ETF, no Brasil, hoje está tanto no mercado de ações, quanto, depois da regulamentação, em ETFs de renda fixa, que devem ser, de fato, ofertados ao mercado ainda em 2018. Em outros países pelo mundo é possível investir em ETFs de variadas classes de ativos, como ações, renda fixa, commodities e diversas outras classes de ativos.


O ETF é bastante popular fora do Brasil; por aqui, está ganhando mercado ao poucos. Os primeiros fundos de índice lançados lá fora surgiram nos Estados Unidos no fim da década de 1980 e vêm crescendo em diversos países desde então. Somente nos EUA existem atualmente mais de 1.400 ETFs, que representam um volume de US$ 2,97 trilhões em ativos.


Só para se ter uma ideia da importância do ETF no mercado norte-americano, um dos maiores investidores, Warren Buffett, recomendou, em carta aos acionistas de sua companhia, que sua esposa mantivesse 90% do patrimônio em um ETF que segue o índice S&P 500, um dos principais do mercado acionário nos EUA.

ETF vs. fundos de ações​

Ao contrário dos fundos de ações tradicionais, que podem ter gestão ativa ou passiva, os ETFs fazem somente gestão passiva. Um fundo de gestão ativa busca, por meio da seleção de ativos, criar uma carteira capaz de superar o seu índice de referência. Já um fundo de gestão passiva têm como objetivo seguir o retorno idêntico ao do seu benchmark.


O trabalho da gestão ativa geralmente tem um custo maior para remuneração do gestor do fundo. Isso faz com que as taxas de administração dos fundos de ações sejam superiores às taxas de administração dos ETFs.


Os fundos de ações tradicionais cobram taxas de administração entre 2% e 3% ao ano, além de muitos terem taxa de performance de 20% sobre ganhos acima do benchmark. Por outro lado, os fundos de índice têm taxa de administração entre taxas de 0,20% a 0,80% ao ano e não cobram taxa de performance.


A equipe de pesquisa Magnetis fez um estudo sobre ETFs que mostrou que, historicamente, é muito difícil os gestores de fundos de ação superarem os índices de referência. Ponto positivo para os ETFs!

Quais são os tipos de ETFs?

​Entre os principais ETFs negociados na BM&FBovespa (B3), estão o BOVA 11, que segue o Ibovespa, o mais popular índice de ações da bolsa brasileira. Outro destaque é o BRAX11, que tem por objetivo seguir o desempenho do Índice Brasil (IBrx-100) por meio de uma carteira teórica composta pelos 100 papéis mais negociados na bolsa, ponderados pelo seus respectivos valores de mercado.


Ambos ETFs são oferecidos pela BlackRock, a maior gestora de ativos do mundo, com mais de US$ 4,6 trilhões em ativos sob sua gestão. Há também o PIBB11, que segue o IBrX-50, com as 50 maiores empresas da bolsa.


​Existem também ETFs atrelados a cestas de ações com características específicas. É o caso do DIVO11, que segue o IDIV, formado por companhias boas pagadoras de dividendos.


Há também o SMAL11, que tem como objetivo acompanhar o desempenho do BM&FBovespa (B3) Small Cap, índice focado nas ações de companhias menores, mas que geralmente possuem maior potencial de alta.

Qual é a rentabilidade de um ETF?

Assim como não é possível prever qual será o retorno da ação de determinada empresa, não é possível saber de antemão qual será o desempenho de um ETF. Portanto, estes são ativos de renda variável.


Mesmo assim, apesar de a rentabilidade não ser conhecida antecipadamente, como ocorre em investimentos de renda fixa, existe a segurança de que o retorno do ETF será bem próximo do índice de referência.

Quais são os riscos de investir em ETF?

O principal risco de se investir em ETF é o mesmo do mercado de renda variável como um todo: a volatilidade. O investidor que aplica em ações está sujeito a diversos imprevistos, desde uma crise econômica doméstica, até um problema em outro país que acaba por afetar o mercado financeiro brasileiro como um efeito dominó.


Com isso em mente, a recomendação é que o ETF seja procurado por quem tem maior tolerância a variações no valor da aplicação feita e possui recursos que podem ficar investidos por um período mais longo. Embora apresente maior potencial de retorno, o investimento no mercado de ações traz consigo um risco igualmente elevado.

Qual é a liquidez do ETF?

Assim como ocorre ao aplicar diretamente em ações na bolsa, a liquidez do ETF é considerada alta. O investidor que vende seus ETFs na bolsa, receberá seu dinheiro após três dias, período contado da data da venda.

Para entender melhor porque os ETFs oferecem uma alta liquidez, vale a pena ver o vídeo abaixo:

Quais são os custos e impostos associados a ETFs?

O principal custo do ETF é a taxa de administração cobrada pela gestora do produto. Os percentuais médios costumam ficar entre 0,20% e 0,80% ao ano. Como disse acima, esses valores são bem inferiores aos cobrados para investir por meio de fundo de ações e não há cobrança de taxa de performance.

Como o ETF é adquirido na bolsa, há também os custos de negociação, mais especificamente a taxa de emolumentos e liquidação (0,0325% por operação), cobrada pela BM&FBovespa (B3), e a taxa de corretagem, cobrada pelas corretoras de valores, percentual que varia de instituição para instituição.

Para o investidor de longo prazo, os custos de transação acabam sendo diluídos por muito anos e são menos relevantes.

Há incidência de 15% de Imposto de Renda (IR) sobre o ganho de capital, ou seja, a diferença entre o valor de venda das cotas e quanto foi gasto na compra. Diferentemente do que ocorre no investimento direto em ações, não há isenção de imposto para vendas abaixo de R$ 20 mil.

Webinar/vídeo: Como declarar ETFs no Imposto de Renda

Quais são as vantagens e desvantagens de investir em ETF?

Uma das principais vantagens do ETF é a diversificação: um investidor dificilmente teria dinheiro por conta própria para comprar uma carteira com dezenas ou centenas de ações, já que teria de desembolsar um bom dinheiro para bancar as altas taxas de corretagem que seriam cobradas para uma operação desse tamanho.


Por isso, o fundo de índice surge como uma maneira de garantir o acesso do investidor a um portfólio maior de ações, com baixo custo, já que a taxa de administração do ETF costuma ser menor que a de um fundo de ações.


Além disso, não é preciso ter um valor muito alto para iniciar uma aplicação. O valor exato pode variar, pois o investimento mínimo em um ETF corresponde ao lote padrão negociado, ou seja, 10 cotas do fundo, multiplicado pelo preço da cota na bolsa.


Atualmente, com cerca de R$ 500 é possível investir em um ETFs. De qualquer maneira, esse valor é inferior ao de muitos fundos de ações tradicionais, que exigem valores mínimos de aplicação que podem ser R$ 100 ou R$ 100 mil, dependendo do perfil do cliente.


Flexibilidade e praticidade são outras vantagens do ETF; afinal é possível aplicar em um ETF a qualquer hora, como se fosse uma ação. No caso de um fundo de ações tradicional, geralmente há maior restrição às janelas de entrada e saída do investimento.


A baixa liquidez de alguns ETFs somada à menor margem de manobra por parte do investidor podem ser consideradas desvantagens desse tipo de investimento. Ou seja, não é tão fácil comprar ou vender as cotas de alguns ETFs menos conhecidos, embora isso não seja um problema com os mais populares como o BOVA11, cujo volume de negociação costuma ser alto.

Como começar a investir em ETF?

Para começar a investir em um ETF, o investidor deve abrir conta em uma corretora que distribua esse tipo de produto e comprar suas cotas. Mas é importante que essa decisão seja tomada após uma análise de uma série de fatores, como tolerância a risco, objetivos financeiros, horizonte de investimento e necessidade de liquidez.


O ideal é que essa escolha seja feita com apoio de profissionais, tal qual uma consultoria de investimentos, que vai fazer uma avaliação do perfil do investidor antes de recomendar o produto.


Aqui na Magnetis nós priorizamos aplicações financeiras de baixo custo. Por esse motivo os ETFs aparecem nas carteiras de perfil de risco 3, 4 e 5, que são as que incluem ações e, em alguns casos, fundos multimercados. Você tem algum dúvida? Deixe seu comentário ou entre em contato para saber mais sobre a Magnetis!

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

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