3 fatos que descobrimos em entrevista com o diretor-executivo do FGC

por Mariana Congo

Se você é um investidor preocupado com segurança, já deve ter ouvido falar do FGC. O Fundo Garantidor de Créditos funciona como um seguro para os seus investimentos.

A lógica é simples: se o banco em que você aplicou seu dinheiro tem algum problema e quebra, o FGC devolve seu dinheiro. O limite é de R$ 250 mil por CPF e instituição.

Além disso, para as aplicações feitas a partir de 22 de dezembro de 2017, passou a valer um limite global de R$ 1 milhão por investidor.

A cobertura do FGC vale para depósitos bancários, conta poupança, CDB, LCI, LCA e outros produtos (saiba mais aqui).

Legal.

Mas será que esse FGC é confiável mesmo?

Fomos direto na fonte para descobrir mais detalhes.

Conversamos diretamente com o diretor-executivo do FGC, André Loes (na foto acima).

Entrevista exclusiva com o diretor-executivo do FGC

Na entrevista com André Loes, descobrimos três fatos que nos chamaram a atenção:

1- O investidor brasileiro tem, proporcionalmente, mais garantias que o investidor dos Estados Unidos. Enquanto aqui a garantia do FGC representa nove vezes o valor da renda per capita do brasileiro em 2015, nos EUA a cobertura do FDIC é menor que cinco vezes a renda per capita do norte-americano.

2- O nível de proteção do FGC está alinhado com as boas práticas de outros países. O fundo tem hoje em conta o valor equivalente a 2,6% de todos os depósitos - enquanto o padrão mundial é de 2%.

3- A esmagadora maioria das pessoas e empresas está coberta pelo FGC.
Hoje, 99,7% dos CPFs e CNPJs dos depósitos elegíveis estão garantidos pelo fundo.


Leia a entrevista completa, com alguns comentários nossos (em azul):

Muitas pessoas pensam que o FGC é um órgão do governo, apesar de não ser. Como a instituição funciona?

O FGC é uma entidade privada, sem fins lucrativos, que contribui para a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional e protege o pequeno e o médio investidor. A atividade do Fundo se divide em duas principais vertentes. Em situações de intervenção ou liquidação de bancos pelo Banco Central do Brasil, o FGC realiza o pagamento de garantias (ou seja, quando um banco quebra e fecha as portas, o FGC funciona como um "seguro" para o investidor). Na segunda vertente, o FGC pode realizar operações de liquidez ou de suporte com as instituições associadas para contribuir para a estabilidade do sistema.

Para o investidor iniciante, percebemos que entender como funciona a proteção do FGC é um fator crucial no processo de tomada de decisão, principalmente para quem quer começar a investir fora da poupança e dos grandes bancos. De que maneira o FGC ampara o investidor?

O FGC garante os depósitos elegíveis de pessoas físicas e jurídicas em caso de intervenção ou liquidação de uma instituição financeira, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição (nem todo investimento tem proteção do FGC, por isso, "depósito elegível" significa aquele que está na lista de garantias FGC). Isso significa que o valor garantido em uma conta conjunta de R$ 500 mil será de R$ 250 mil, enquanto uma mesma pessoa com duas contas de R$ 250 mil em instituições financeiras distintas contará com uma garantia de R$ 500 mil pelo FGC. Hoje, 99,7% dos CPFs/CNPJs que possuem algum depósito elegível têm a totalidade de seus depósitos cobertos pelo Fundo.

Os fundos de investimento não são garantidos pelo FGC e muitos investidores têm dúvidas sobre isso. Por qual motivo isso ocorre?

Fundos de investimento têm a gestão de seus investimentos feita por profissionais qualificados, que têm como uma de suas atribuições selecionar ativos de qualidade para aplicar os recursos do fundo. Portanto, esses profissionais têm todas as condições de avaliar o risco dos ativos que adquirem para a carteira de seus fundos. A garantia do FGC está voltada à proteção dos pequenos investidores e depositantes, que não possuem conhecimento técnico para avaliar o risco dos investimentos. 

Em comparação com outros países, qual é o nível de proteção que o investidor brasileiro tem com o FGC?

O nível de proteção oferecido pelo FGC corresponde a aproximadamente nove vezes a renda per capita do brasileiro em 2015, de R$ 28.876 (renda per capita é um indicador resultante da divisão do PIB - Produto Interno Bruto - do país pela sua população, indicando o nível de desenvolvimento e riqueza). Nos Estados Unidos, a título de comparação, a proteção oferecida pelo FDIC (Federal Deposit Insurance Corporation), que é uma espécie de referência global, é de US$ 250.000, ou seja, menos de cinco vezes o PIB per capita do último ano, de US$ 55.327.

'No momento, não há planos de alterar o limite de R$ 250 mil'
André Loes, diretor-executivo do FGC

No caso de uma crise bancária, até onde o FGC aguentaria? Em qual situação poderia ocorrer o pior cenário possível: de o FGC não conseguir pagar um investidor que está coberto pela garantia?

O FDIC, dos Estados Unidos, que é o garantidor de depósitos mais antigo do mundo (criado em 1933, depois da crise financeira de 1929), considera que um patrimônio equivalente a 2% do total de depósitos elegíveis é suficiente para garantir os recursos dos bancos mesmo em momentos de crise financeira. O patrimônio atual do FGC, de aproximadamente R$ 50 bilhões, corresponde a 2,6% do total de depósitos elegíveis. Portanto, temos uma relação confortável de acordo com esses parâmetros. (Aqui vale uma ressalva: no FGC, o percentual de 2,6% representa o patrimônio total, que pode ser usado para pagamentos de garantias ou também para operações de suporte às instituições financeiras. Se considerado somente o patrimônio que pode ser destinado a pagamentos de garantias, esse porcentual é menor - em torno dos 2%. Por outro lado, o porcentual de 2% do FDIC é relativo somente ao patrimônio para pagamento de garantias).

Em 2013, o limite de garantia subiu de R$ 70 mil por CPF para R$ 250 mil. Há algum plano de revisão desse limite?

No momento, não há planos de alterar o limite. Até porque o consideramos confortável para os padrões internacionais, como fica claro pela comparação que fizemos acima com os Estados Unidos, usando a renda per capita como parâmetro.

No recente caso de quebra do Banco Azteca, foram 47 dias até o pagamento da garantia aos investidores. Vocês trabalham com alguma meta de eficiência neste sentido, para que o investidor receba seu dinheiro no mínimo prazo possível?

Não é possível estipular um prazo fixo, pois o pagamento das garantias depende de informações que devem ser passadas a nós pelo interventor ou liquidante da instituição financeira (o interventor é a pessoa que assume a gestão da instituição financeira quando há intervenção do Banco Central, destituindo os respectivos dirigentes. Já o liquidante é aquele que cuida da parte burocrática para o encerramento e transferência das obrigações do banco que quebrou). Uma vez recebidas as informações e os documentos necessários, o pagamento se inicia em até 10 dias.

Qual é o maior desafio do FGC hoje? Quais são os principais planos?

O FGC é um caso raro no mundo, de instituição garantidora de depósitos de cunho privado. Nos últimos anos, passou por um expressivo aprimoramento institucional, com a constituição de uma diretoria de alto nível e um Conselho de Administração independente. Esse aperfeiçoamento continua. Um objetivo relevante que temos é proporcionar uma melhor compreensão de nossas atribuições para a população em geral, o que tentamos atingir, entre outros, com interações como essa que estamos tendo com a Magnetis.


E por falar em Magnetis, você sabia que o nosso algoritmo calcula automaticamente quanto você deve investir para ficar o máximo possível garantido pelo FGC? Isso é importante por causa de um detalhe: a garantia de R$ 250 mil inclui o rendimento do título. Ou seja: se sua carteira tem um título que vence daqui a dois anos, para ter a garantia completa, é importante que de hoje até o vencimento ele não ultrapasse R$ 250 mil.

Tem mais alguma dúvida sobre o funcionamento do FGC?

Deixe seu comentário 😉

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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