Como a falta de cuidado com as finanças pessoais dos colaboradores impacta o turnover?

por Juliana Volpe | 14/02/2019

turnover

O turnover, ou a rotatividade de pessoal, é uma realidade que, em maior ou menor grau, afeta praticamente todas as empresas. Afinal, mais cedo ou mais tarde, ocorrem trocas de colaboradores nas organizações.

O problema acontece quando as substituições são realizadas por motivos que poderiam ser evitados. Nesses casos, a rotatividade passa a atrapalhar os resultados da empresa, seja em termos de produtividade, seja no aspecto financeiro.

Por esses motivos, o setor de Recursos Humanos deve estar bastante atento ao índice de turnover da empresa, de modo a analisar as causas desse fenômeno, além de promover ações preventivas para que diminuam as saídas de colaboradores.

Entenda, a seguir, como a falta de cuidado com as finanças pessoais influencia o grau de rotatividade de colaboradores.

Por que a empresa deve se preocupar com o bem-estar dos colaboradores?

Os colaboradores de uma organização precisam ser vistos como parceiros do negócio. Não é à toa que muitas empresas enxergam a equipe de trabalho como um dos principais ativos intangíveis da companhia.

Sem a participação ativa dos colaboradores, o negócio dificilmente consegue cumprir as metas do planejamento estratégico. Logo, negligenciar o bem-estar deles é dar margem para o não cumprimento dos objetivos da empresa.

Além disso, a oferta de benefícios contribui para que a equipe de trabalho se sinta mais motivada e engajada com as tarefas da organização. Ao perceberem que o negócio se preocupa com eles, os colaboradores tendem a querer compensar essa atenção especial, por exemplo, por meio de maior produtividade.

É importante salientar aqui que não se trata de promover o paternalismo entre empresa e colaboradores, mas sim de relações ganha-ganha, em que ambos os participantes recebem vantagens na troca de esforços um pelo outro.

Pelo contrário, quando o negócio não se preocupa com o bem-estar da equipe, existe a possibilidade de as pessoas fazerem “corpo mole” de propósito, já que passam a ver o negócio como um explorador da mão de obra.

Mesmo que a empresa ofereça certos benefícios, é importante ela ouvir o feedback dos colaboradores, para saber se essas iniciativas de fato têm gerado o efeito esperado. Afinal, se eles não enxergam as vantagens como algo positivo para a vida deles, é provável que o esforço da companhia tenha sido em vão.

Qual o impacto do turnover para o desempenho da organização?

O turnover traz uma série de impactos negativos para um negócio. Por exemplo, o alto custo de demissões e novas contratações pode pesar bastante no orçamento da empresa. Como você deve saber, a organização precisa arcar com todos os gastos da rescisão, para evitar ações trabalhistas.

Além disso, é preciso investir em um novo processo seletivo, que demanda capital e tempo do setor de Recursos Humanos. Não se pode esquecer também da necessidade de treinamento do profissional contratado, além do custo implícito da falta de experiência na função. Afinal, pode demorar certo tempo até que o novo colaborador se adapte ao trabalho.

Como os processos são interdependentes em grande parte das empresas, a mudança em somente um cargo pode trazer consequências ao longo de toda a cadeia de produção.

A rotatividade ainda pode gerar impactos no clima organizacional. Quando notar um constante entra e sai de colaboradores, a equipe pode começar a ter pensamentos negativos sobre o negócio, como questionar a liderança, duvidar da saúde financeira etc., sem contar possíveis conflitos entre os antigos e os novatos.

O turnover também pode afetar o relacionamento com a clientela, principalmente, quando o colaborador que saiu tinha contato direto com os contratantes da organização. Em certos ramos, alguém que deixa a equipe pode levar consigo um número considerável de clientes da antiga empresa.

Como a empresa pode ser atingida por decisões de colaboradores baseadas em questões financeiras?

Cada organização é um caso em particular, mas, em geral, o turnover é gerado por questões como desmotivação de membros da equipe, salário considerado baixo, falta de perspectiva de crescimento na carreira, preocupação com o futuro do negócio, desempenho insatisfatório do colaborador, más condições de trabalho etc.

Diante desses desafios, muitas empresas oferecem benefícios para melhorar a qualidade de vida do colaborador, como plano de saúde, plano odontológico, vale-alimentação, vale-cultura, entre outros. Contudo, se os negócios costumam pensar nos aspectos físico e psicológico, a vida financeira dos colaboradores é quase sempre deixada de lado.

Se você refletir, grande parte dos problemas de um indivíduo está associada à falta de dinheiro. Assim, quando o colaborador reclama que tem um salário baixo, no fundo, é sinal de que ele não soube gerenciar o orçamento de modo que as despesas coubessem nas receitas.

Além disso, o endividamento de um membro da equipe passa a impactar o desempenho dele no trabalho, por exemplo, devido à preocupação por causa de cobranças de credores. Assim, o colaborador passa a estar presente nas dependências do negócio, mas com a mente distante, o que diminui consideravelmente a produtividade.

Diante disso, é comum o colaborador buscar uma fonte de renda extra, o que pode atrapalhar a rotina no emprego atual, ou então procurar um emprego com salário maior. Embora essa segunda opção seja uma tentativa de agir na consequência do problema (custos maiores do que a renda), e não na causa (falta de planejamento financeiro), o profissional nem sempre tem consciência disso.

Logo, seja para evitar a fuga de talentos, seja para diminuir os impactos do turnover na gestão da empresa, vale a pena a organização investir no oferecimento também de um benefício de bem-estar financeiro. Dessa maneira, ela passa a ensinar os membros da equipe a lidar com o dinheiro.

Como resultado desse tipo de iniciativa, os colaboradores passam a ter menos problemas financeiros e, com isso, diminuem a preocupação com o pagamento das contas todo fim de mês. Outra vantagem da educação financeira empresarial é a redução das reclamações sobre salário. Afinal, ao aprenderem a gerenciar o orçamento, os colaboradores irão se conscientizar de que não adianta ter uma remuneração alta, se não souberem equilibrar receitas e despesas.

Como você pode notar, o bem-estar financeiro da equipe de trabalho é de grande importância para o sucesso do negócio como um todo, até porque, por mais que se queira, não é possível separar totalmente a vida pessoal do colaborador da realidade profissional dele na companhia.

Quer saber mais sobre impactos do turnover nas organizações? Leia, então, o post "Como calcular o custo do estresse financeiro para os negócios"! 

Juliana Volpe é Gerente de Negócios na Magnetis.

Avaliar o post