Como as fintechs estão mudando o mercado brasileiro

por Mariana Congo

Fintechs são startups que geram soluções tecnológicas para questões financeiras. O surgimento das fintechs no Brasil aconteceu em meio à necessidade de contrapor as altas taxas cobradas pelos bancos, a escassez de crédito e a burocracia das instituições financeiras.

Com isso, a dificuldade da população em manter a vida financeira sob controle é algo que está ficando no passado. As várias horas de espera em filas estão sendo substituídas por apenas alguns cliques para tomar um empréstimo, aumentar o limite do cartão,pagar boletos ou ter acesso a melhores investimentos — atividades que hoje podem ser realizadas diretamente do seu smartphone.

Se você ainda não sabe sobre o que estamos falando, não se preocupe! Chegou o momento de entender de uma vez por todas o que é fintech e conhecer as principais delas no Brasil.

O novo modo de realizar essas operações e manter o controle sobre o dinheiro beneficia quem quer ter uma vida financeira tranquila. Sem filas, burocracia e estrutura física inchada, as fintechs oferecem taxas menores, comodidade, rapidez, segurança e transparência nos serviços financeiros.

As fintechs já trouxeram muitas inovações para o mercado e continuarão gerando grande impacto nas finanças das pessoas. Confira um panorama completo para você entender como elas surgiram no Brasil, como atuam no mercado nacional, quais são os impactos gerados nos investimentos e qual o seu papel para descomplicar os serviços financeiros.

Vamos conferir?

O surgimento das fintechs no Brasil

O ano de 2008 foi um marco para o mercado financeiro, especialmente para quem sentiu de perto a crise econômica que abalou o mercado mundial, arrastando consigo a confiança que as pessoas depositavam nos bancos. A quebra de empresas tradicionais e, até então, sólidas, deu espaço para o surgimento de uma série de soluções com origens na tecnologia.

No Brasil, os serviços financeiros eram inacessíveis para boa parte da população devido às altas taxas de juros e a burocracia do sistema financeiro. E ainda hoje milhares de pessoas ainda não têm acesso sequer a uma conta bancária.

O resultado disso foi uma conquista rápida do mercado por parte de empresas que usaram a tecnologia para democratizar o acesso a serviços financeiros, atentando para as novas necessidades das pessoas. Esse cenário se desenhou pelo mundo, trazendo à tona anseios da população por serviços descomplicados, menos burocráticos e baratos.

Foi assim que as fintechs nasceram,, oferecendo modelos de negócios muito mais flexíveis e realmente próximos das necessidades de seus clientes.

De acordo com uma pesquisa realizada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento e a Finnovista, apesar de já existirem algumas tentativas tímidas de inserir as fintechs no mercado desde 2011, foi apenas em 2014 que elas começaram a ganhar mais força no mercado. No Brasil, houve maior proliferação dessas empresas entre os anos de 2014 e 2016.

Ainda de acordo com o relatório, em maio de 2017 as fintechs brasileiras representavam 33% desse mercado na América Latina , 230 das 703 das fintechs são brasileiras. Esse número é seguido por países como:

  • Brasil (230);

  • México (180);

  • Colômbia (84);

  • Argentina (72);

  • Chile (65).

Juntos, esses cinco países representavam 90% da concentração de fintechs originárias da América Latina na época.

A principais áreas de atuação

De acordo com a FintechLab, as principais áreas de atuação das fintechs no Brasil estão distribuídas da seguinte maneira:

  1. Meios de pagamento (32%);

  2. Gestão financeira (18%);

  3. Empréstimos (13%);

  4. Multisserviços (11%);

  5. Investimentos (8%);

  6. Funding (7%);

  7. Seguros (6%);

  8. Negociação de dívidas (5%).

Enquanto grandes bancos tentam oferecer múltiplos serviços, e assim acabam não conseguindo entregar com qualidade em todos eles. No caso das fintechs, há a especialização em nichos fazendo com que sejam especialistas em um ou poucos serviços e assim consigam oferecer o melhor em na sua especialidade, de forma objetiva e prática. A simplicidade dos processos facilita o acesso a serviços em áreas como as listadas acima.

A atuação das fintechs brasileiras

Muitas fintechs surgiram mudando a forma como as pessoas encaravam a administração de suas finanças e também a partir de rotinas simples que normalmente estavam atreladas ao banco. Alguns exemplos disso são as empresas:

  • Nubank: emissora de cartão de crédito sem tarifas, com juros significativamente baixos, totalmente desburocratizada, com forte atuação digital. A startup conta com mais de 800 mil clientes e recebeu em torno de R$600 milhões em investimentos. Em outubro de 2017, o Nubank anunciou o lançamento da sua conta digital NuConta, oferecendo mais um serviço financeiro para seus clientes;

  • Creditas: plataforma de empréstimos online com garantia, com um dos juros mais baixos do mercado, maior prazo de pagamento e maior valor emprestado. Possui mais de 3,5 milhões de clientes e recebeu aproximadamente R$90 milhões em investimentos nos últimos dois anos;

  • Biva: plataforma de empréstimos com taxas mais justas, do segmento P2P. Conta com mais de 10 mil clientes investidores e 1,1 mil empreendedores financiados;

  • Guia Bolso: é um aplicativo gratuito disponível para iOS e Android que conta com mais de 1 milhão usuários no Brasil, e tem uma proposta clara: auxiliar você a fazer um planejamento financeiro completo e sem estresse. Além de ser uma excelente ferramenta de controle financeiro, conta com a mesma segurança dos grandes bancos;

  • Magnetis: consultoria de investimentos online, que auxilia no planejamento de aplicações inteligentes e automatizadas. Já realizou a simulação de investimentos com mais de 60 mil usuários e possui clientes em 20 estados brasileiros.

Com essas e outras soluções, a vida financeira dos brasileiros se tornou muito mais fácil de ser administrada, até por aqueles que não entendiam muito bem sobre o assunto.

O crescimento das fintechs no Brasil vem tomando conta de boa parte do mercado financeiro o qual, durante muito tempo, foi dominado por instituições financeiras convencionais. De acordo com um relatório emitido pelo banco americano Goldman Sachs, devido ao setor bancário concentrado no país, a estimativa é de que a estrutura de mercado brasileira seja fortemente impactada por esse novo modelo de administração financeira nos próximos anos.

Ainda de acordo com a pesquisa, existe a estimativa de que as empresas de tecnologia financeira no Brasil gerem uma receita próxima de US$24 bilhões nos próximos 10 anos.

Esse posicionamento das fintechs no Brasil vem estimulando a movimentação por parte dos bancos e outras instituições financeiras para acompanhar as inovações já existentes. Quem ganha com isso são as pessoas, que podem contar com serviços mais simples e, em geral, menos burocratizados.

Os impactos no mercado de investimentos

O cenário apresentado pelas fintechs no Brasil é claro e objetivo: mais eficiência e qualidade. Não é diferente sob o aspecto dos investimentos.

Aliado ao uso de algoritmos e da automatização de processos, se tornou muito mais simples investir por meio das inovações trazidas pelas fintechs. O resultado é maior rentabilidade e segurança, principalmente para quem temia investir com pouco conhecimento.

Essa e outras soluções podem ser apontadas como os grandes trunfos das fintechs para o mercado de investimentos. Confira um pouco mais sobre cada uma delas a seguir e saiba por que investir com uma fintech:

Os robôs investidores

Essas soluções variam desde opções mais simples — como a programação de comandos automáticos para comprar e vender ativos ou emitir notificações sobre ações —, até robôs que compõem carteiras inteligentes de investimento, baseadas em informações fornecidas pelo investidor a respeito do risco que ele quer assumir e quanto quer investir, por exemplo.

Para quem quer garantir bons investimentos, com crescimento contínuo de seu patrimônio e risco calculado, os robôs investidores — ou robôs advisors — são uma excelente opção. Isso tudo porque contam com a colaboração de consultores especialistas em investimentos, qualificados para analisar a rentabilidade de aplicações financeiras. Com a ajuda de algoritmos conseguem consultar a oferta de produtos mais rentáveis no mercado possibilitando a automação dos investimentos e garantindo uma recomendação adequada ao perfil do investidor.

Este serviço é a melhor substituição aos grande bancos e tradicionais corretoras, por trazer ofertas mais amplas de produtos financeiros, recomendando carteiras de investimentos diversificadas reunindo aplicações em diferentes fontes, como:

Além disso, as consultorias de investimentos defendem os interesses do cliente, diferentemente das instituições financeiras tradicionais, que aproveitam a vasta carteira de clientes para focar nos seus próprios interesses, mesmo que isso não signifique a melhor rentabilidade para quem está investindo. Enquanto a recomendação em bancos e corretoras é baseada em recebimento de comissões e alcances.

Os investimentos peer-to-peer lending

De um lado, pessoas em busca de crédito para seus projetos. De outro, investidores buscando rentabilidade superior à que os os produtos tradicionais oferecem. O empréstimo coletivo (peer-to-peer lending) é uma modalidade arriscada para investir, mas que tem atraído adeptos por conta da facilidade do processo. Ela reúne aplicações pequenas de diversos investidores e as direcionam para as empresas que necessitam de dinheiro.

O crowdfunding imobiliário

Assim como os investimentos em Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), é possível aplicar em títulos de projetos imobiliários com valores bastante acessíveis — a partir de R$1 mil, por exemplo. Tudo isso, com taxas bastante atrativas e a transparência de qualquer outro investimento online.

A grande sacada aqui é que a simplicidade do investimento reduz o número de intermediários, fazendo com que a rentabilidade seja repassada diretamente para o investidor, superando os investimentos tradicionais dessa modalidade.

Os investimentos em bitcoins

Para aqueles que querem investir em uma das opções mais voláteis (e com possibilidade de alta rentabilidade) do mercado — os bitcoins, ou dinheiro digital —, existem fintechs encurtando caminhos e facilitando essa jornada.

A moeda gerada por computador é uma das melhores representações da combinação de tecnologia e finanças no mercado atual.

Como a cotação do bitcoin é negociada de forma livre no mercado, à medida em que a demanda aumenta, o preço dela também sobe. Assim, investir em bitcoins com a ajuda de especialistas pode se tornar muito rentável.

O papel das fintechs para uma vida financeira melhor

O surgimento das fintechs no Brasil veio para revolucionar o mercado e trazer uma série de benefícios para quem as utiliza, disso você já sabe. No entanto, além de reinventar a forma como as pessoas cuidam do seu dinheiro, a combinação entre tecnologia e finanças institui uma melhoria significativa na vida financeira das pessoas.

Ter o controle das suas finanças na palma da mão foi apenas um pequeno passo em direção à avalanche de mudanças nas finanças da população em geral. Por meio de soluções simples, como aplicativos para celulares, é possível controlar os gastos, fazer aplicações e até realizar um planejamento financeiro eficiente e flexível em poucos minutos.

A relação com o dinheiro ficou muito mais simples e prática, quebrando as barreiras e a falta de transparência entre as instituições financeiras e seus clientes.

Agora o verdadeiro poder de decisão sobre o futuro das suas finanças está com você! E você ainda conta com o apoio das fintechs para facilitar todos os aspectos da sua vida financeira.

Mais eficiência

Produtos e serviços melhores, por um preço justo. Essa é a proposta das fintechs, que tornaram os produtos financeiros mais enxutos e fáceis de serem compreendidos por todos. Algo que era extremamente caro e até mesmo difícil de entender se tornou bem mais acessível ao público.

As estruturas bancárias inchadas e sua burocracia já não cativam mais os clientes. Na era da tecnologia, as pessoas buscam soluções práticas e fáceis de aplicar, que funcionam intuitivamente.

O objetivo de um custo operacional menor para as fintechs faz com que ganhem escala graças ao uso intensivo da tecnologia. É isto que garante ao consumidor final taxas mais acessíveis e atrativas, tornando sua entrega eficiente.

Foco na experiência

Se passar horas esperando nas filas dos bancos e ainda receber um atendimento próximo ao descaso eram experiências comuns há pouco tempo, hoje o cenário é bem diferente.

Como o lema das fintechs é a facilidade, o atendimento precisa estar alinhado. Por essa razão, a informação está cada vez mais acessível e transparente. Os atendimentos são personalizado, rápidos e mais acessíveis do ponto de vista de custo.

É assim que a era digital tem lidado com serviços que antes eram associados ao estresse e à impaciência.

O papel das fintechs na inclusão financeira

Outra mudança importante na melhoria financeira gerada pelas fintechs no Brasil é o aumento da acessibilidade dos serviços financeiros para a população de baixa renda.

Pensar na inclusão e na melhoria da situação financeira nacional como um todo é possibilitar a participação de toda a população em soluções que possam realmente trazer avanços para as finanças.

Quando o assunto é investir, grande parcela desse público mantém seu dinheiro aplicado em poupança, por exemplo, perdendo a chance de aumentar sua rentabilidade ao melhorar os investimentos. Na maioria das vezes, isso ocorre por falta de informação.

Se considerarmos o caso das administradoras de cartões com baixas taxas de juros, ou taxas nulas, como a Nubank por exemplo, elas não fazem sentido para quem possui alta renda, afinal, esse público investe em cartões com mais benefícios e programas melhores. Boa parte deste público já está assistida pelas grandes instituições e tem condições de pagar por isso.

No entanto, a fatia restante é carente de muitos serviços que podem ser considerados básicos. Por isso é tão importante entender quais são as reais necessidades do mercado e do nicho específico no qual a fintech pretende atuar.

Redistribuição de poder

A independência nos processos é outro ponto crucial ao falar sobre as fintechs, já que um dos principais impactos causados por elas é a redução de burocracia. Contando com recursos de segurança baseados em criptografia, por exemplo, já é viável tornar seguros os registros de transações importantes, tal como a aquisição de um imóvel.

Dessa forma, é possível eliminar muitos intermediários responsáveis por “vender confiança” durante alguns processos sem perder sua credibilidade e segurança, como ocorre com os cartórios, agentes de custódia de títulos e afins. Com isso, os custos desses serviços reduzem significativamente e aqueles órgãos que detinham poder sobre tais processos passam a ser desnecessários.

O mesmo acontece com a desbancarização — um movimento natural de busca por serviços financeiros mais atrativos do que aqueles encontrados nos grandes bancos.

Em uma perspectiva mais abrangente, os serviços que podem ser realizados de forma automática recebem essa nova configuração. Assim, as pessoas têm muito mais tempo para se dedicarem ao que realmente importa, tal como as relações sociais, por exemplo.

As tendências para os próximos anos

A ascensão das fintechs no Brasil ainda não terminou. As inovações geradas e o valor das soluções criadas por elas impulsionaram essas startups para o topo de um dos mercados mais cobiçados atualmente. As fintechs estão sob os holofotes dos investidores e também dos consumidores e por isso não é difícil prever que esse mercado só tende a crescer.

Crescimento exponencial

Com os serviços similares aos de instituições financeiras tradicionais, as startups dividirão cada vez mais o mercado financeiro, acabando com a exclusividade dos grandes bancos. Porém, o seu portfólio de soluções não deve se ater aos serviços já existentes. As fintechs vêm para recriar a forma de encarar o modo como as pessoas administram seu dinheiro.

Assim, tanto a administração do dinheiro” quanto as aplicações de investidores serão cada vez mais simples de ser realizadas.

Parcerias entre bancos e empresas de tecnologia

É muito provável que os bancos e outras instituições financeiras passem a se unir às empresas de tecnologia em busca do desenvolvimento de novas soluções. O trabalho será, portanto, de encontrar novos gargalos e solucioná-los por meio de novas soluções em produtos e serviços.

Uma outra realidade que já começa a se manifestar é a de alguns bancos que têm investido na aceleração de startups, desenvolvimento de novos aplicativos e provedores de tecnologia.

Dois exemplos disso podem ser conferidos abaixo:

  • o Itaú criou uma incubadora de startups como meio de se aproximar das inovações lançadas;

  • o Bradesco desenvolveu um programa que permite que as startups utilizem seus clientes para testar suas ideias e soluções.

Mais aplicativos

O smartphone foi um dos grandes responsáveis pela maior acessibilidade dos serviços financeiros. Ele aproxima os clientes das soluções geradas pelas fintechs e as torna ainda mais simples. A projeção é de que cada vez menos as pessoas precisem se deslocar até suas agências bancárias, por exemplo, para resolver problemas financeiros.

Isso impacta, entre outras coisas, na maior liberdade para escolher serviços que realmente façam sentido, além de custos menores, crédito mais barato e investimentos diversificados.

Seleção natural

Outra grande tendência é que as fintechs passem por um processo de seleção natural, durante a qual muitas delas perderão espaço chegando até a encerrar suas atividades. Para que as startups se mantenham no mercado será preciso investir pesado em tecnologia e inovação.

Nesse sentido, fintechs que vêm para fazer o mesmo que outras já estão fazendo não devem sobreviver por muito tempo ou podem ser absorvidas por outras, ao contrário daquelas que se propõem a mudar significativamente os processos.

Novos empregos

De acordo com o Radar FintechLab, de fevereiro a novembro de 2017 as fintechs no Brasil cresceram 36%. Com isso, pode-se esperar um significativo aumento na busca por profissionais capacitados em 2018.

No entanto, não será suficiente possuir formação na área de TI ou finanças — é preciso conhecer o mercado e atuar proativamente em busca de inovação. A demanda será por aqueles profissionais que entendem a dinâmica das startups e que estejam dispostos a encontrar soluções financeiras para os problemas da população.

Atendimento humanizado

Quase todos os produtos das fintechs podem hoje ser contratados por meio de aplicativos ou plataformas online. Com isso, a automação de processos se mostra presente e o consumidor ganha em termos de agilidade.

Nesse contexto, se torna cada vez menos necessário que pessoas estejam por trás dos computadores desempenhando funções mecanizadas, impessoais e com padrões de execução rígidos. Por outro lado, o atendimento tende a ser cada vez mais humanizado e personalizado, possibilitando a real solução dos problemas do cliente.

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Mariana Congo é Gerente de Comunicação da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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