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Fundo hedge: entenda como funcionam os fundos de cobertura

Você já deve ter ouvido falar sobre os hedge funds — ou fundos hedge. Ou talvez conheça grandes gestores de fundos de investimento dessa modalidade, como Ray Dalio. Mas ainda não entendeu muito bem como funcionam essas aplicações financeiras? Nós explicamos!

Populares nos Estados Unidos, os também chamados de fundos de cobertura têm um patrimônio sob gestão de mais de 3 trilhões de dólares. Eles são uma alternativa para diversificar a carteira em um cenário de juros baixos. Isso porque a aplicação tem baixa correlação com o mercado de títulos de renda fixa ou com o de ações

Quer saber mais sobre os fundos hedge e quais são as suas diferenças em relação a outras modalidades de investimento? Leia neste post!

O que é um fundo hedge? 

Os fundos hedge são fundos de investimento que podem aplicar em diversos ativos e seguem estratégias próprias

O objetivo dos fundos de cobertura, diferente do que o nome possa sinalizar, é prioritariamente oferecer retornos que fiquem acima da média de outras aplicações. Para isso, estão dispostos a tomar um risco maior. 

Para obter retornos elevados, os fundos hedge também podem usar estratégias para diminuir riscos, como diversificar a carteira. Isso permite que registrem retornos em vários cenários. 

Surgiram na década de 50 como uma classe de fundos menos regulada no mercado financeiro. Isso, porém, mudou durante a crise do subprime dos Estados Unidos, quando esses fundos registraram diversas perdas. Desde então, passaram a ser mais regulados pela SEC, a CVM americana. 

O nome da classe de fundos deriva de uma das operações que essas aplicações podem fazer: a long & short. O fundo hedge pode alongar sua posição em ações ao prever uma valorização do mercado. Mas também pode encurtá-la na carteira, caso espere uma queda dos papéis. Ou seja, fazem hedge de suas operações. 

Quais são as suas características? 

Para atingir seus objetivos, os fundos hedge utilizam todos os ativos disponíveis no mercado. Portanto, eles têm uma cartela diversificada, mas majoritariamente composta por ativos de renda variável. São ações, imóveis, commodities, moedas e derivativos. 

A modalidade de fundo pode realizar operações usadas por traders de ações, como alavancagem (aplicações com dinheiro emprestado) e vendas a descoberto

Cada fundo hedge pode ter uma estratégia diferente. Alguns lucram com mudanças no ambiente macroeconômico e são denominados Macro. Outros investem em ações globais ou papéis de um determinado país por meio de estratégias como a long & short, sendo chamados de Equity. 

Outros podem aplicar dinheiro apenas em mercados emergentes, como o Brasil. Existem, ainda, fundos hedge que investem em cotas de outros fundos, como os fundos de fundos. 

Por conta de sua sofisticação e gestão ativa, os maiores fundos hedge costumam ser administrados por gestores reconhecidos no mundo todo. Entre eles, estão os bilionários Ray Dalio, que dirige a Bridgewater, e Carl Icahn, que lidera a gestora que leva o seu sobrenome. 

Os fundos hedge cobram uma taxa de administração em torno de 2% ao ano, além de uma taxa de performance de 20%. As aplicações são geralmente oferecidas por gestoras especializadas, dada a complexidade de sua estratégia. 

No Brasil, isso faz com que sejam parecidos com modalidades como multimercado livre, bem como fundos exclusivos. 

Quais são as diferenças entre os fundos hedge e outros fundos? 

Apesar de se parecer com os chamados fundos mútuos (mutual funds), o conceito do fundo hedge é mais agressivo e arriscado

Fundos hedge usam, por exemplo, operações com alavancagem maior do que a de outros tipos de fundos. Ou seja, o potencial de perdas nessa modalidade de aplicação é maior. 

Por isso, fundos mútuos podem ser oferecidos em plataformas online de investimentos, enquanto fundos hedge só podem ser acessados por clientes de alta renda. 

Em geral, as taxas cobradas nessas aplicações são mais elevadas do que a de outros fundos, como os mútuos. Isso porque a aplicação precisa ter uma estratégia ativa para conseguir oferecer bons retornos. Como consequência, essa característica exige uma remuneração maior ao gestor

Além disso os fundos hedge costumam ter uma liquidez menor, também por conta de sua estratégia mais arriscada. Enquanto fundos mútuos, por exemplo, têm liquidez diária, a liquidez de um hedge pode ser semanal, mensal e até anual. 

Geralmente, em momentos de maior volatilidade do mercado, fundos hedge têm até mesmo um período de bloqueio. Nesse intervalo, quem aplica não pode se desfazer de sua participação. É uma forma de evitar uma venda em massa das participações. 

Os fundos hedge são constituídos de forma diferente dos tradicionais. Existe uma associação entre o gestor e administrador e quem aplica dinheiro no fundo. Todos são sócios limitados, que se juntaram para colocar dinheiro no fundo e deixá-lo sob gestão do administrador. 

Essa característica faz com que se pareçam com fundos de private equity (que, porém, têm objetivos de longo prazo e investem diretamente em empresas). Diferentemente deles, os fundos hedge buscam ativos disponíveis no mercado financeiro. Além disso, seu objetivo é oferecer retornos a quem aplica o mais rápido possível. Portanto, costumam ter parte de sua carteira em ativos líquidos. 

Os fundos hedge não têm prospecto público. Ou seja, são menos transparentes do que outros fundos. 

Para qual perfil esse fundo se destina? 

Apenas quem tem mais de 1 milhão de dólares para investir pode participar dos fundos hedge. Ele também pode ser acessado por quem cumpre algumas exigências regulatórias nos Estados Unidos. Por exemplo, ter uma renda mensal mínima ou atuar profissionalmente no mercado financeiro. A seletividade de clientes acontece por conta do risco embutido nesse tipo de aplicação. 

Suas taxas são mais elevadas e as aplicações mínimas são maiores do que a média do mercado. Isso também contribui para que apenas clientes de alta renda tenham acesso a esse tipo de fundo. 

Ou seja, os fundos hedge podem ser uma boa opção para quem tem um perfil arrojado. Ou, ainda, para quem quer diversificar a carteira e tem um patrimônio relevante para investir. Se você ainda não tem patrimônio suficiente para acessar os fundos hedge, que tal entender o que é Circuit breaker?

Malena Oliveira

Especialista em Finanças Pessoais e membro do Grupo Consultivo de Educação Financeira da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

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