Fundo multimercado ou fundo cambial: qual deles escolher?

por Malena Oliveira | 28/08/2019

Fundo multimercado ou fundo cambial: qual escolher?

Quando investimentos conservadores começam a render menos, há uma busca por mais rentabilidade, que acaba passando pelos fundos de investimento. Entre esses, fundo multimercado ou fundo cambial são alternativas. Mas como escolher o melhor investimento?

Esses fundos podem ser bons aliados, mas é preciso prestar atenção. Como eles servem para propósitos diferentes, a escolha precisa ser um pouco mais criteriosa.

Neste texto, vamos explicar como cada um desses fundos funciona para ajudar você em sua escolha. Mas antes, vamos recapitular os principais detalhes sobre o universo dos fundos de investimento.

Como funcionam os fundos de investimento

Tanto o multimercado quanto o cambial são fundos de investimento. Os fundos de investimento alocam os recursos dos seus clientes, chamados também de cotistas, em diversos tipos de ativos.

De acordo com a quantidade de dinheiro colocada, cada aplicador recebe frações de participação, conhecidas como cotas. Quando você sacar o investimento, essas cotas serão novamente convertidas em dinheiro, junto com os rendimentos.

A união de diversas pessoas investindo permite acessar aplicações com valor mínimo mais alto, algo difícil para se fazer individualmente.

Além disso, com fundos de investimento, não é preciso dedicar horas da sua semana para escolher quais títulos de renda fixa, moedas ou ações comprar. Uma equipe especializada faz a seleção dos melhores ativos para você.

Entretanto, os gestores não podem escolher qualquer estratégia que desejarem.

Eles precisam seguir alguns limites de aplicação em renda fixa ou variável, de acordo com a política de investimento descrita nos documentos do fundo.

O que são os fundos multimercado?

Um fundo multimercado é uma boa opção para os que estão insatisfeitos com o rendimento da renda fixa, mas não gostariam de lidar com ativos tão arriscados quanto os vistos em fundos de ações, por exemplo.

Os fundos multimercado podem investir em ativos de renda fixa ou renda variável, no Brasil e no exterior. Além disso, também podem investir em cotas de outros fundos.

Na renda fixa, o fundo multimercado pode investir em:

  • títulos do governo: Tesouro Selic, Tesouro IPCA ou títulos públicos aos quais só CNPJs têm acesso;
  • títulos privados: CDB (Certificado de Depósito Bancário), LCI (Letra de Crédito Imobiliário) e LCA (Letra de Crédito do Agronegócio);
  • investimentos no exterior: renda fixa fora do país, câmbio, ações estrangeiras;
  • renda variável: ações de empresas e outras operações desse mercado;
  • cotas de outros fundos de investimento: esses são os chamados fundos de fundos (os FOFs).

Como mencionamos, a política do fundo é que vai dizer em quais ativos especificamente o fundo pode investir.

Antes de investir, vale prestar atenção se essa política está de acordo com o seu perfil e com seu objetivo — como buscar mais rentabilidade ou segurança.

Um fundo multimercado que tenha uma parcela considerável de ações, por exemplo, naturalmente vai oscilar mais do que um fundo que tenha apenas ativos de renda fixa.

O que são os fundos cambiais?

Os fundos cambiais são aqueles que investem ao menos 80% do dinheiro captado em títulos que acompanham algum tipo de moeda, como dólar e euro.

O rendimento desses fundos costuma seguir a relação dessas moedas com o real. Os 20% restantes devem ser colocados em aplicações de renda fixa.

Se você aplica em um fundo cambial focado em dólar e a moeda se valoriza em relação ao real, por exemplo, seu rendimento tende a seguir o aumento do preço para adquirir dólares. O resgate do investimento sempre será recebido em reais.

Os fundos cambiais são ideais caso você queira proteger seu capital de oscilações cambiais, mantendo seu poder de compra na moeda estrangeira escolhida.

Por exemplo, você pode colocar em um fundo cambial focado em dólar o dinheiro que gostaria de usar para uma viagem aos Estados Unidos. 

Entretanto, por conta da incidência do Imposto de Renda nos fundos de investimento, não use fundos cambiais para objetivos de curto prazo — caso queira viajar daqui a poucos meses. Veremos a seguir todas as taxas que devem ser pagas ao investir em fundos.

Multimercado ou cambial: qual fundo de investimento escolher?

A seguir, vamos fazer uma comparação entre o fundo multimercado e o fundo cambial a partir de vários aspectos importantes. O primeiro deles é o perfil de quem faz as aplicações. 

Qual é o seu perfil?

Os fundos multimercado são indicados para quem tem perfil moderado ou agressivo quanto à aceitação de flutuações na rentabilidade.

Os fundos cambiais também, mas são mais arriscados por se concentrarem em moedas, e pelo câmbio ser naturalmente bem volátil — diversos fatores em vários países podem fazer as moedas valorizarem ou desvalorizarem de forma rápida.

Os fundos cambiais também, mas são mais arriscados por se concentrarem em moedas, e pelo câmbio ser naturalmente bem volátil — diversos fatores em vários países podem fazer as moedas valorizarem ou desvalorizarem de forma rápida.

Qual é o seu objetivo?

Também leve em consideração o seu objetivo. Se você busca diversificar a carteira, prefira o fundo multimercado, que investe em aplicações variadas.

A rentabilidade vai mudar de acordo com a composição de ativos do fundo, mas costuma superar os ganhos obtidos na renda fixa. 

Já se você quer proteger seu capital de oscilações no câmbio, o fundo cambial é uma boa opção.

Outro objetivo do fundo cambial é investir se você acreditar na valorização de uma moeda, o que implica correr mais risco em troca de uma rentabilidade maior.

Por quanto tempo quer investir?

Por fim, pense por quanto tempo você pretende deixar seus investimentos no fundo multimercado ou no fundo cambial.

O prazo que você terá que esperar para resgatar seu dinheiro, também conhecido como liquidez, varia de fundo para fundo.

le é descrito pela sigla “D+X”, sendo que o X representa a quantidade de dias para receber o dinheiro em sua conta. 

Se o prazo for “D+1”, por exemplo, significa que terá seus recursos um dia. Se for “D+30”, você terá acesso ao dinheiro 30 dias depois de pedir o resgate.

Quando o prazo é “D+0”, você recebe o dinheiro no mesmo dia em que o pedido de resgate é realizado.

Caso você saque o dinheiro antes de completar 30 dias no fundo, terá que arcar com uma taxa fixa ou variável de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Nos dois tipos de fundo, será preciso pagar o Imposto de Renda por meio do come-cotas, uma espécie de antecipação do pagamento desse tributo.

Nesse sistema de pagamento de tributos, o IR é recolhido no último dia útil dos meses de maio e novembro, e é cobrada a menor alíquota possível: 15% para fundos de longo prazo e 20% para fundos de curto prazo.

Ao resgatar, você paga a diferença entre essa alíquota antecipada e a do Imposto de Renda regressivo — que vai de 22,5% a 15%, dependendo do tempo investido.

Como as taxas de administração funcionam?

Ainda falando de taxas, os dois cobram uma taxa de administração anual. Ela remunera o trabalho dos gestores e gira em torno de 1,5%, idealmente.

Há fundos com taxas acima de 3% ou 4%. Elas são consideradas altas e podem impactar no rendimento final, então vale a pena conhecê-las antes de assinar o contrato de investimento.

O fundo multimercado também tem uma taxa de performance, que remunera os gestores quando eles superam o índice de comparação proposto nos documentos.

Nos fundos de renda fixa, pode ser o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Nos fundos de ações, pode ser o Ibovespa.

Qual é a segurança de cada fundo?

Nenhum dos fundos é protegido pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

Esse é um mecanismo que, em caso de falência de um banco, ressarce quem investiu em títulos como CBD, LCI e LCA. Há um limite de R$ 250 mil por instituição, com teto de R$ 1 milhão por CPF.

Apesar de fundos de investimento não serem cobertos pelo FGC, isso não significa que seus cotistas estejam totalmente desprotegidos.

Os fundos são geralmente administrados por uma instituição financeira que é fiscalizada ou pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

No caso de problemas com a instituição financeira, a administração do fundo pode ser trocada por meio da decisão dos cotistas em uma assembleia geral.

Os fundos multimercado foram feitos para quem busca diversificar, enquanto os fundos cambiais são ideais para aqueles que querem proteger o poder de compra de seu capital, ou para quem acredita na valorização de uma moeda específica.

Fique de olho nas políticas de qualquer tipo de fundo de investimento e faça a comparação com o seu perfil de composição da carteira, condições de liquidez e tributação para fazer a melhor escolha.

Agora que você entende melhor a finalidade do fundo multimercado e do fundo cambial, que tal conhecer outras opções no universo dos fundos de investimento? Baixe grátis o nosso Guia Completo sobre Fundos de Investimento e saiba quais são as alternativas à sua disposição.


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