Fundo simples: o que é? Vale a pena investir? Entenda aqui!

por Luiza Caricati | 27/09/2019

fundo simples

Os brasileiros ainda guardam seu dinheiro na poupança. Segundo uma pesquisa da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), 89% ainda optam por deixar seu dinheiro na caderneta.

Isso se explica pelo histórico da economia brasileira. Com poucos períodos de estabilidade, sempre houve uma certa desconfiança em relação à segurança dos investimentos. O problema é que o rendimento da poupança é muito baixo e, não raro, perde para a inflação.

Para estimular os investidores iniciantes a investirem em opções tão seguras quanto a poupança, foi criado o fundo simples. Neste post, vamos explicar melhor como ele funciona e analisar se vale a pena investir nessa opção. Acompanhe!

O que é o fundo simples?

Antes de detalhar melhor o fundo simples, vamos voltar à poupança. Por que tantas pessoas ainda mantêm seu patrimônio lá? Justamente, porque é um tipo de investimento que não aparenta ser complexo. Você deposita seu dinheiro lá, sabe que vai render alguma coisa e saca quando quiser. Existem, porém, alguns pontos de questionamento em relação a essa aparente simplicidade.

O primeiro deles é que a poupança tem uma data de aniversário — quando é pago o rendimento do mês. Assim, se você tirar o depósito em qualquer outro dia que não seja aquela data, não vai receber rendimento nenhum. Como existe inflação — ainda que baixa —, na prática, você perde dinheiro.

A segunda é que, como dissemos no começo deste texto, o rendimento da poupança é muito baixo e pode ocorrer de ela render menos do que a inflação. Isso já aconteceu, de fato, em 2002 e em 2015, mas, mesmo com rendimento real positivo, ele costuma ser bem pequeno: em 2018, por exemplo, teve um ganho de apenas 0,84%, quando descontada a inflação.

Esses fatores são muito importantes para mostrar por que é necessário começar a pensar em outras aplicações. Para estimular os investidores iniciantes a conhecerem outras opções, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) criou, em 2015, o chamado fundo simples.

A ideia era oferecer uma alternativa de baixíssimo risco e liquidez diária, ou seja, em que fosse possível resgatar o investimento a qualquer momento. O fundo simples é, basicamente, um fundo de investimento de renda fixa com algumas características específicas. Vamos ver a seguir quais são e como ele funciona.

Como funciona um fundo simples?

Como é um fundo de investimento, quem compra cotas de um fundo simples conta com as mesmas vantagens de quem investe em fundos de forma geral, ou seja, é um investimento que conta com uma gestão profissional.

No caso específico do fundo simples, para garantir o baixo nível de risco, ou seja, que as possibilidades de rendimento negativo sejam muito pequenas, existem algumas condições:

Porcentagem do patrimônio líquido

95% do seu patrimônio líquido (ou seja, do valor total que está aplicado no fundo) deve ser investido em títulos públicos federais ou em títulos emitidos por bancos ou com participação dos bancos. A condição para isso é que o risco seja o mesmo dos títulos públicos federais e operações compromissadas, isto é, que usam títulos públicos como garantia.

Volatilidade

Não podem ter nenhum ativo com volatilidade, ou seja, que tenha mais chance de apresentar variação negativa, como ações, operações no exterior, moedas estrangeiras etc.

Selic

A referência para o rendimento do fundo simples é a Selic, que é a taxa básica de juros do país, e não o CDI, que é a taxa de juros praticada nos depósitos interbancários. Apesar de o CDI ser muito próximo da Selic, é mais fácil para o investidor compreender quando dizemos que o fundo rende mais ou menos do que aquilo que o governo paga para quem empresta dinheiro para ele.

Questionário de perfil de investidor

Como o fundo simples apresenta nível de risco muito baixo, não é preciso preencher o questionário de perfil de investidor para aplicar nele, o que é uma exigência para aplicar nos outros tipos de fundo de investimento.

Proteção da carteira

Operações com derivativos podem ser feitas apenas com o intuito de proteger a carteira, e não para alavancar resultados.

Documentos

Os documentos do fundo, como regulamento e prospecto, devem estar disponíveis para o investidor interessado por meios eletrônicos.

Quais são os custos de investir no fundo simples?

Como todo fundo de investimento, o gestor do fundo cobra uma taxa de administração pelo seu trabalho, que é, justamente, a de administrar o fundo. Essa taxa de administração varia de fundo para fundo, e é um dos principais itens que a pessoa interessada em investir deve observar, uma vez que ela tem impacto direto na rentabilidade líquida para o investidor.

Além disso, diferentemente da poupança, há incidência de Imposto de Renda sobre os rendimentos do fundo simples, como em todos os fundos de investimento de renda fixa. A alíquota do IR é regressiva, isto é, quanto mais tempo o dinheiro permanecer aplicado, menor ela será.

Começa em 22,5% para aplicações de até 180 dias e a menor alíquota é de 15%, para investimentos com prazo superior a 720 dias. Ela é cobrada pelo chamado sistema come-cotas, ou seja, descontada automaticamente duas vezes por ano, nos meses de maio e novembro.

Caso haja resgate num prazo inferior a 20 dias, há também cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Por fim, vale destacar que não existe taxa de performance para os fundos simples.

Quais são as vantagens e desvantagens de investir em um fundo simples?

O fundo simples oferece todas as vantagens de um fundo de investimento. Ele permite uma diversificação maior da sua carteira de investimentos, uma vez que não precisa ter apenas títulos do governo federal, embora seu patrimônio seja composto basicamente por títulos de baixíssimo risco.

Além disso, é prático, conta com uma gestão profissional e o aporte mínimo é baixo. Isso varia de fundo para fundo, mas, em alguns, é possível começar a investir com R$50,00.

Por outro lado, como o nome sugere, é um fundo bastante simples e não foi feito para alcançar rendimentos muito elevados, mas para oferecer uma opção para entrar no universo dos investimentos. Inclusive, como vimos, existem taxas, como a de administração, o IR e o IOF, em situações específicas.

Vale a pena investir em um fundo simples?

Aqui, a resposta depende muito da taxa de administração. Se ela for de até 1%, vale a pena como alternativa de substituição da poupança.

Mas, lembre-se: o dinheiro destinado à aplicação no fundo simples deve ser aquele que vai compor a sua reserva de emergência. De forma geral, os especialistas recomendam que ela gire em torno de 6 vezes o valor da sua renda mensal e que esteja em aplicações de baixo risco e alta liquidez.

Esse dinheiro tem como objetivo ser uma segurança para você cobrir possíveis imprevistos. Nesse sentido, o fundo simples casa bem com esse propósito, já que tem baixo risco e alta liquidez.

Entretanto, se você tem objetivos maiores a serem alcançados, vale a pena conhecer outras opções de investimento.

Vimos que o fundo simples foi criado como uma alternativa à poupança, de forma que os investidores iniciantes tenham a chance de conhecer outras alternativas mais interessantes. Considere os prós e contras antes de tomar qualquer decisão! Agora, aproveite para aprofundar seus conhecimentos baixando nosso e-book sobre fundos de investimento!

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