Entenda de uma vez por todas como funcionam os fundos de renda fixa

por Mariana Congo | 04/09/2017

fundos de renda fixa

Nem todo mundo que quer investir lida bem com o risco de perdas no patrimônio — como a desvalorização de ações, por exemplo. Para essas pessoas, que consideram segurança e o crescimento constante como essenciais, os investimentos em renda fixa são os mais recomendados.

Em tempos de quedas de juros, muitas pessoas têm dúvida em o que investir. Como já mostramos aqui no blog, a renda fixa é sempre uma boa opção - mas desde que você esteja aplicando em um bom investimento. Dentre as várias opções disponíveis neste segmento de investimento, os fundos de renda fixa se destacam como uma alternativa.

Quer saber mais sobre o assunto? Leia nosso post!

Neste post você vai ler:

  • O que são e como funcionam os fundos de renda fixa
  • Como eles são classificados
  • Quais taxas e impostos são cobrados
  • Quais são as vantagens e desvantagens
  • Como investir

O que são e como funcionam os fundos de renda fixa?


Fundos de investimento são uma classe de investimento. Funcionam como uma espécie de “condomínio”, reunindo um conjunto de recursos aplicados por diferentes investidores, chamados cotistas. Cada cotista que decide investir em um fundo, tem por objetivo obter ganhos financeiros a partir da aquisição de uma carteira formada por diferentes ativos. Além disso, os fundos contam com um gestor especializado, a quem é delegada a responsabilidade de alocar seus recursos em ativos.

Fundos de renda fixa são aqueles que investem pelo menos 80% de seu patrimônio nessa classe de ativos, buscando obter rentabilidade por meio de taxas de juros ou de variação do índice de preços (inflação).

Ao optar por um fundo de investimento, você não compra os ativos diretamente, e, sim, cotas desse fundo, que representam sua participação nele.

O gestor, então, usa o seu dinheiro e o dos outros investidores para comprar os ativos. À medida que vocês obtêm lucro, o valor das cotas aumenta. Quando você efetua um resgate, suas cotas são convertidas novamente em dinheiro e pagas a você.

Como eles são classificados?

Nem todos os títulos de renda fixa são iguais. A maneira de calcular o rendimento varia entre os diferentes tipos disponíveis: existem títulos pós-fixados, prefixados e atrelados à inflação.

De acordo com a estratégia traçada e os ativos escolhidos em relação a ela, entre outros fatores, o fundo terá uma categoria diferente. Conheça as principais a seguir:

Simples

São fundos de renda fixa que investem pelo menos 95% do patrimônio líquido em títulos da dívida pública federal (Tesouro Nacional) ou títulos de mesmo risco de crédito. Além disso, divulgam suas informações e documentos preferencialmente por meios eletrônicos. Têm a denominação “Simples” em seu nome.

Indexados

Fundos de renda fixa que buscam acompanhar indicadores de referência do mercado de renda fixa, sejam de juros (como o CDI) ou de índices de inflação (IPCA; IGP-M). São classificados de acordo com o índice escolhido.

Gestão ativa

Os fundos de renda fixa de gestão ativa são aqueles que não se encaixam nas categorias anteriores.

Eles têm duas classificações independentes. Uma diz respeito à duração média ponderada da carteira e a outra, ao risco de crédito dos títulos.

A duração média ponderada da carteira define o quanto os títulos do fundo estão expostos a oscilações nas taxas de juros. As classificações são:

  • Duração baixa: fundos cuja duração média ponderada dos títulos da carteira é inferior a 21 dias, com pouca exposição a oscilações nas taxas de juros;

  • Duração média: fundos cuja duração média ponderada dos títulos da carteira é inferior ou igual à do IRF-M (índice da Anbima com base nos títulos públicos federais prefixados) apurada no último dia útil de junho; com exposição limitada a oscilações nas taxas de juros;

  • Duração alta: fundos cuja duração média ponderada dos títulos da carteira é igual ou superior à do IMA-GERAL (índice da Anbima com base em todos os títulos públicos federais) apurada no último dia útil de junho, com maior exposição às oscilações de taxas de juros futuros;

  • Duração livre: sem exigências de limites mínimos ou máximos para a duração da carteira.

O risco de crédito diz respeito à possibilidade do emissor do título de dívida não pagar seu compromisso. As classificações são:

  • Soberano: fundos em que 100% da carteira é composta por títulos públicos federais, que são os mais seguros disponíveis no mercado;

  • Grau de investimento: fundos em que, no mínimo, 80% da carteira é composta por títulos públicos federais ou títulos de grau de risco equivalente a eles;

  • Crédito livre: fundos que investem mais de 20% em ativos de médio e alto risco de crédito.

Como dissemos, as duas classificações são independentes. Um fundo pode ser classificado como Renda Fixa Duração Média Crédito Livre, enquanto outro pode estar na categoria Renda Fixa Duração Média Grau de Investimento, por exemplo.

E os fundos DI?

A nova classificação da Anbima, que estamos seguindo aqui, excluiu a categoria própria dos fundos DI, produto cujo objetivo é acompanhar a taxa de juros do CDI. A grande maioria deles está enquadrada, agora, como Renda Fixa Duração Baixa Soberano ou Renda Fixa Duração Baixa Grau de Investimento.

Investimento no exterior

Existem duas categorias de fundo nessa categoria. São elas:

  • Investimento no Exterior: fundos que investem mais de 40% do patrimônio líquido em ativos financeiros no exterior;

  • Dívida Externa: mínimo de 80% do patrimônio líquido em títulos representativos da dívida externa.

Quais taxas e impostos são cobrados?

O trabalho da empresa gestora do fundo de renda fixa precisa ser remunerado, assim como as despesas operacionais precisam ser pagas.

Por isso, os fundos de renda fixa cobram uma taxa de administração. Ela é um percentual anual sobre o patrimônio líquido do fundo — 0,5% ao ano, por exemplo. O valor das cotas já é calculado após essa cobrança.

Pode haver, também, taxa de performance, cobrada quando o desempenho do fundo supera um indicador de referência. Um fundo pode cobrar, por exemplo, 20% sobre o que superar o CDI.

Com relação aos impostos, há a cobrança de Imposto de Renda e Imposto sobre Operações Financeiras.

O IR é cobrado semestralmente, no último dia útil dos meses de maio e novembro. A alíquota é de 15% sobre o rendimento nos fundos de longo prazo e de 20% nos fundos de curto prazo. Além disso, há uma cobrança complementar no momento do resgate, de acordo com o tempo pelo qual os recursos ficaram aplicados.

Já o IOF incide sobre resgates feitos há menos de 30 dias da data da aplicação. Ele varia entre 96%, no primeiro dia após a aplicação, a 0%, do trigésimo dia em diante, e é calculado sobre o rendimento.

Quais são as vantagens dos fundos de renda fixa?

Os fundos de renda fixa são bastante fáceis de investir e operar. O investimento inicial exigido geralmente é baixo, e todo o trabalho de seleção e compra dos ativos, que pode ser bem difícil para um investidor iniciante, fica a cargo do gestor.

Outra vantagem é a liquidez diária que muitos desses fundos oferecem. Em fundos com resgate em D+0 (a letra "D" significa dia e o número diz respeito aos dias úteis até você receber o dinheiro), é possível solicitar um resgate e receber o dinheiro investido de volta no mesmo dia. Isso torna esses fundos uma boa opção para a reserva de emergência.

Não se pode esquecer, também, que há fundos de renda fixa atrelados à inflação, que podem ser uma boa opção para quem quer proteger o poder de compra do dinheiro no longo prazo, visando a aposentadoria.

Quais as desvantagens?

A operação de um fundo de renda fixa é bem mais simples que a de um fundo de ações ou um multimercado, que são fundos que exigem mais pesquisa, análise e desenvolvimento de estratégia. Por isso, a taxa de administração cobrada nos fundos de renda fixa pode ser menor.

Porém, isso não é o que acontece: grandes bancos geralmente cobram percentuais elevados, principalmente em fundos cujo investimento inicial exigido é baixo. E essa alta taxa de administração pode comprometer seriamente os rendimentos — em alguns casos, o fundo de renda fixa pode se sair até pior do que a poupança!

Outro aspecto que pode comprometer a rentabilidade é a alíquota semestral de Imposto de Renda, também chamada de “come-cotas”. Em outros produtos de renda fixa, a tributação ocorre apenas no momento do resgate, o que faz com que o dinheiro do imposto fique investido por mais tempo, rendendo mais.

Há também o risco de crédito: que se refere a chance de uma instituição financeira não conseguir cumprir com suas obrigações e falir. É importante ressaltar que bancos menores são mais arriscados neste sentido, pois a chance de não pagar suas dívidas é maior se comparada a um banco maior ou ao Governo Federal. No entanto, exatamente por apresentar relativa maior segurança e solidez, bancos grandes tendem a cobrar juros mais altos que são revertidos em altas taxas de administração e outros encargos. É interessante ficar atento se de fato compensa investir em uma instituição maior e ter rendimentos menores.

Além disso, é preciso lembrar que esse investimento não conta com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), como acontece ao se investir diretamente em CDBs, LCIs e LCAs. Ou seja, se a instituição financeira der calote, o investidor perde o dinheiro investido.

Como investir em fundo de renda fixa?

Como dissemos, grandes bancos cobram altas taxas de administração por seus fundos de renda fixa. Por isso, é melhor buscar opções em corretoras de valores independentes ou em empresas que oferecem carteiras de investimentos personalizadas para seu perfil e seus objetivos.

Em grandes bancos é difícil encontrar fundos de renda fixa do segmento de varejo (pessoa física) com boas taxas de administração, abaixo de 1% ao ano, por exemplo. Geralmente, apenas clientes de segmentos de alta renda conseguem ter taxas de administração mais acessíveis.

No entanto algumas corretoras conseguem oferecer boas condições com taxas de administração mais baixas para que pessoas comuns também possam investir em fundos de renda fixa.

Na Magnetis, por exemplo, temos como recomendação em nossas carteiras um fundo de renda fixa que tem uma taxa de administração 0,3% ao ano, já descontadas taxas de impostos, e retorno de 100% do CDI. Assim garantimos que o capital esteja alocado nos melhores investimentos ao mesmo tempo que não comprometemos a rentabilidade real da aplicação.

Agora você já sabe tudo sobre fundos de renda fixa! Gostou do assunto? Não deixe de ler também nosso guia completo do investimento em renda fixa

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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