Fundos DI: o básico da sua carteira de investimentos

por Arthur Utchitel

Neste post você vai ler:

  • O que são fundos DI
  • Nova classificação Anbima
  • Vantagens e riscos
  • Atenção! O impacto da taxa de admininistração

No universo das finanças, os fundos DI são uma aplicação financeira que pode trazer benefícios para todo perfil de carteiras de investimentos. É básico como arroz com feijão, café com pão de todo dia.

Oficialmente, a nomenclatura "fundos DI" deixou de existir desde outubro de 2015, quando entrou em vigor a nova classificação de fundos de investimento, determinada pela Anbima.

Apesar disso, o conceito que fundamenta esse tipo aplicação financeira de renda fixa permanece o mesmo.

O que são fundos DI

Um dos produtos mais simples do mercado, os fundos DI investem, no mínimo, 80% da carteira em títulos públicos federais (leia mais sobre Tesouro Direto), em ativos com baixo risco de crédito ou em cotas de fundos de investimentos em renda fixa.

A principal característica dos fundos DI é que a rentabilidade busca seguir o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – taxa pela qual os bancos fazem empréstimos entre si. O CDI está hoje no patamar de 10,14% ao ano.

O CDI, por sua vez, acompanha a variação da taxa básica de juros da economia, a Selic, que atualmente está em 10,25% ao ano.

Por acompanharem a variação da taxa básica de juros, os fundos DI são importantes para proteger o patrimônio dos investidores ao longo do tempo. Além disso, eles garantem rentabilidade mesmo em prazos mais curtos de resgate e com baixíssimo risco.

Mas existe um item em que é importante que você preste atenção: o efeito das taxas de administração cobradas pelo fundo na sua rentabilidade líquida. Vamos detalhar esse tema mais a frente.

Nova classificação Anbima

Como falamos na introdução, com a mudança nas regras de classificação dos fundos de investimentos pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais), em vigor desde outubro de 2015, os fundos DI deixaram de ter uma denominação própria.

Ou seja, os fundos referenciados DI foram incorporados a classe de fundos de renda fixa. E, na mudança, as gestoras dos fundos puderam determinar para qual subcategoria os fundos DI iriam.

A maioria dos antigos fundos DI é atualmente classificada como “Fundos de Renda Fixa Baixa Duração Soberano” ou “Fundo de Renda Fixa Baixa Duração Grau de Investimento”. Veja as diferenças:

Fundos de Renda Fixa Baixa Duração Soberano: de curto prazo, são fundos que investem 100% em títulos públicos federais do Brasil. Sim, os mesmos títulos que você pode comprar pelo Tesouro Direto.

Fundos de Renda Fixa Baixa Duração Grau de Investimento: também da classe de renda fixa e de curto prazo, investem pelo menos 80% da carteira nos títulos públicos federais.

Enquanto os (antigos) fundos DI concentram os investimentos em papéis pós-fixados ou indexados ao CDI ou à Selic, os outros fundos de renda fixa alocam mais recursos em aplicações prefixadas ou atreladas a índices de preços, como IPCA, índice oficial que mede a inflação.

Populares entre o grande público, as novas classes para as quais migraram os fundos DI têm grande representatividade dentro da indústria de fundos de renda fixa, respondendo por 48% do patrimônio líquido dos total de fundos de renda fixa (dado até abril de 2017).

Total Fundos de Renda Fixa

R$ 1794 bilhões

Duração Baixa Grau Investimento

R$ 598 bilhões

Duração Baixa Soberano

R$ 264 bilhões

Perfil do investimento

Os fundos DI costumam ser indicados para quem vai aplicar recursos com foco no curto prazo e não está disposto a correr (tanto) risco, ou seja, um investidor mais conservador.

Esses recursos podem ser, por exemplo, o colchão de liquidez da carteira do investidor: aquele dinheiro que pode ser acessado a qualquer momento - uma reserva para emergências, por exemplo, ou o dinheiro guardado para as férias do ano que vem.

No entanto, mesmo em carteiras com foco em longo prazo e perfil de risco menos conservador, os fundos DI têm papel relevante, pois representam a parcela dos recursos que acompanhará a evolução das taxa de juros da economia ao longo do tempo.

Riscos

O risco dos fundos DI é pequeno comparado a outros fundos porque o patrimônio é investido nos ativos mais seguros do mercado, os títulos públicos federais ou outros de baixo risco de crédito, ou seja, baixo risco do emissor do título dar um calote.

Vantagens

O baixo risco é justamente a principal vantagem dos fundos DI, que podem aplicar todo o patrimônio ou parte da carteira nos títulos públicos federais.

Outro ponto a favor dos fundos DI é que normalmente eles contam com liquidez diária, característica que os torna competitivos para quem, a qualquer momento, precisar sacar o dinheiro.

Muitos fundos DI também permitem aplicações de baixo valor inicial, o que é importante para investidores que estão começando a investir agora ou para aqueles que querem fazer aportes adicionais constantes.

Como escolher um bom fundo DI

O primeiro passo para escolher qualquer investimento é ter clareza sobre seu perfil como investidor, o que envolve uma série de aspectos, como tolerância a risco, objetivos financeiros, prazo do investimento e necessidade de liquidez.

Passado esse item básico, é muito importante comparar os custos e a rentabilidade dos fundos DI entre as instituições financeiras. Isso pode fazer uma grande diferença no retorno do seu investimento ao longo do tempo.

O impacto da taxa de administração

A taxa de administração é um fator muito importante na hora de escolher um fundo DI, afinal muitos produtos distribuídos oferecem a possibilidade de aplicar quantias baixíssimas, mas embutem um custo alto de administração.

Por outro lado, fundos com taxas menores, que podem parecer um bom negócio à primeira vista, geralmente obrigam você a fazer aportes mais altos.

Então, como fica essa história?

É importante equilibrar a dose: o bom fundo DI tem um custo baixo, mas também permite que você aplique quantias menores, o que vale a pena para aportes periódicos, afinal nem sempre você terá montantes altos para investir.

Veja uma comparação entre fundos:

Brasil Plural Yield Fundo de Investimento Renda Fixa Referenciado DI

- Taxa de administração: 0,30% ao ano

- Investe no mínimo 95% da carteira em títulos públicos e privados que acompanham a variação do CDI.

- Aplicação inicial: R$ 3.000

- Aportes mínimos adicionais: livre

- Liquidez diária

Bradesco FIC FI Renda Fixa Simples Brilhante

- Taxa de administração: 2,50% ao ano

- Investe no mínimo 95% da carteira em títulos públicos e privados que acompanham a variação do CDI.

- Aplicação inicial: R$ 50

- Aportes mínimos adicionais: R$ 50

- Liquidez diária

Notou a diferença? Os fundos são semelhantes em termos de estratégia e objetivos, mas a taxa de administração do fundo do Bradesco torna o investimento menos interessante comparado ao fundo do Brasil Plural, ainda que a aplicação inicial seja menor.

Visualize o efeito das taxas de administração sobre a rentabilidade acumulada:

Período

Fundo Brasil Plural

Fundo Bradesco

CDI

1 ano

13,25%

10,37%

13,25%

2 anos

28,86%

22,70%

29,08%

5 anos

68,35%

50,42%

68,97%

Fonte: ferramenta Comparação de Fundos da Magnetis

Como a Magnetis usa fundos DI nas carteiras

Para equilibrar a cesta de investimentos dos clientes, a Magnetis inclui em todas as carteiras uma fatia de aplicações com foco no curto prazo, o que ajuda a proteger o patrimônio do investidor das oscilações na taxa de juros. É aí que entram os fundos DI como uma estratégia de investimento de risco mais baixo.

O ideal é que, ao escolher um fundo DI, você conte com apoio de profissionais de investimentos e não caia na roubada de um fundo com alta taxa de administração.

O algoritmo da Magnetis pode avaliar seu perfil de investidor e te recomendar os melhores produtos. E aí, já simulou seu plano de investimentos grátis? É rapidinho.

6 características dos fundos DI

1 - Liquidez

Para os fundos DI, geralmente a liquidez é diária. Ou seja, você pode sacar o dinheiro que investiu a qualquer momento.

2 - Tributação

O Imposto de Renda incide sobre os rendimentos do fundo e você paga o tributo quando resgatar os recursos.

A alíquota de IR diminui conforme o prazo do investimento, seguindo a famosa tabela regressiva:

– 22,5% para aplicações com prazo de até 180 dias;

– 20% para aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias;

– 17,5% para aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias;

– 15% para aplicações com prazo acima de 720 dias.

Mas atenção: ao longo do investimento, também há a mordida do chamado “come-cotas”, que funciona como um “adiantamento” da incidência do Imposto de Renda e é cobrado duas vezes por ano, em maio e novembro, com alíquota de 15% sobre a rentabilidade do período.

3 - Garantia

Ao contrário de outras aplicações de renda fixa, como poupança, CDB, LCI e LCA, os fundos DI não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Mesmo assim, há um alento nessa história: se o banco falir, o dinheiro aplicado estará protegido porque o patrimônio do fundo, juridicamente, fica separado do patrimônio da instituição financeira.

Mas todo cuidado é pouco. Custa nada você pesquisar sobre o administrador e o gestor do fundo DI no qual está aplicando seus recursos.

4 - Taxas

Para investir em fundos DI, você paga uma taxa de administração, que ajuda a remunerar a equipe por trás da gestão do fundo.

No caso dos fundos DI, não há incidência da chamada de taxa de perfomance (cobrada quando o desempenho supera o índice de referência ou benchmark). Isso porque, a gestão e a estratégia desse tipo de fundo costumam ser mais simples que outras categorias, como fundos multimercados e de ações, por exemplo.

5 - Investimento inicial e aportes adicionais

A aplicação inicial em fundos DI costuma ser menor em relação ao investimentos em fundos de outras categorias, assim como são permitidos aportes adicionais de valores baixos. Entretanto, os valores variam de acordo com o emissor.

Mas, como dito acima, é preciso tomar cuidado: nem sempre um fundo que permite um pequeno aporte inicial - é possível encontrar fundos a partir de R$ 50 - vai valer a pena por conta de altas taxa de administração.

6- Como comprar

Você pode aplicar em um fundo DI por meio do seu banco ou corretora. Na Magnetis, a corretora parceira é a Easynvest.

Arthur Utchitel é contabilista e consultor de Investimentos na Magnetis

Arthur Utchitel é contabilista e consultor de Investimentos na Magnetis.

  • Anne Kate Rodrigues Rocha

    Diante do come cotas, da não cobertura pelo FGC e da taxa de adm. pq eu escolheria um fundo DI ao invés de aplicar diretamente no TD (um T. Selic, por ex.)?

    • Bruno Paschoali

      Excelente pergunta, Anne.

      Considerando um fundo DI que invista 100% em títulos do Tesouro Direto, as taxas serão a de administração do fundo, mais a possível taxa de administração da corretora e a taxa de custódia de 0.3% a.a da BM&FBOVESPA.

      Já investindo em títulos do Tesouro SELIC, por exemplo, as taxas serão: possível taxa de administração da corretora mais a taxa de custódia de 0.3% a.a da BM&FBOVESPA.

      Nesse cenário, não vejo nenhuma vantagem em aplicar em fundo DI, uma vez que SELIC e CDI andam sempre juntos, o rendimento vai ser quase o mesmo, tirando o fato que no fundo terá ainda a taxa deles. Sem contar que no Tesouro Direto o investimento é sempre menor e o risco também.

      Tenho pensado nos motivos da Magnetis investir em fundos DI no curto prazo. Bom, fundo DI sempre investe, no mínimo, 80% em títulos públicos. Os 20% não obrigatórios podem ser investidos em outros títulos e daí pode vir o diferencial contra investir no Tesouro SELIC, por exemplo. Diferencial esse que pode ser positivo ou negativo.

      Enfim, vamos espera a posição de alguém da Magnetis com alguma posição.

      • Oi @annekaterodriguesrocha:disqus e @brunopaschoaliregis:disqus !

        A nossa estratégia vai muito em linha com o que o Bruno comentou.

        Em termos de taxas/custos, o Tesouro Selic e fundo DI do Brasil Plural – principal fundo com o qual a Magnetis trabalha – são muito parecidos. O Tesouro Selic tem a taxa de custódia obrigatória de 0,3% ao ano, essa é a mesma taxa de administração do fundo DI do Basil Plural, 0,3% ao ano.

        Apesar da taxa ser igual, o fundo DI tem essa possiblidade de, além de investir em títulos públicos, investir uma parte em títulos privados de renda fixa. Com essa estratégia, o fundo DI consegue tem uma rentabilidade recorrentemente igual ou superior ao CDI, já descontadas as taxas e custos. Isso tudo reflete em rentabilidade para nossos clientes.

        Se ainda ficou alguma dúvida, estamos por aqui para conversar! Abraço 😉

        • Bruno Paschoali

          Bacana, Mari.

          Lembrando que, ao investir via fundo que comora título do Tesouro, pagamos a taxa de administração 0,3% a.a. + a taxa de custódia do Tesouro de 0,3% a.a, certo? Dessa forma, escolher entre um fundo que, por exemplo, só invista em título do Tesouro, compensa mais investir direto no Tesouro sem um intermediário comendo cota.

          []’s.

          • Oi @brunopaschoaliregis:disqus !

            Na verdade, não é bem assim. O fundo DI compra títulos do Tesouro Nacional no “atacado”, via sistema Selic, ou seja, não paga a taxa de 0.3% a.a. de custódia. No caso do fundo DI a única taxa é a de administração mesmo, usada para remunerar o gestor do fundo pelo seu trabalho de selecionar os títulos públicos e privados que farão parte da estratégia do fundo.
            Veja, por exemplo, que a rentabilidade — já líquida de taxa de administração! — do fundo DI Brasil Plural (que usamos como exemplo no texto) é de pouco mais que 100% do CDI (Veja aqui: https://magnetis.com.br/fundos/brasil-plural-yield-fundo-de-investimento-renda-fixa-referen)
            Abraço.

          • Bruno Paschoali

            Oi @mariana_congo:disqus .

            Ah tá, o fundo compra por atacado e não tem taxa. Bom, nesse caso o rendimento fica próximo de comprar Tesouro Selic, com o diferencial, claro, de ter uma pequena parcela em outros títulos.

            Bacana. Obrigado.

          • Mega Vapor

            ok mas no caso dos impostos, em ambos é igual? se retirar o dinheiro antes do vencimento? pode comparar ambos por favor questão de prazos que o dinheiro precisa ficar “preso”

          • Olá! Sobre impostos: nos dois casos incide a tabela regressiva do Imposto de Renda, ou seja, as alíquotas são idênticas. Sobre resgates: no fundo DI você pede resgate em um dia e recebe o dinheiro em 1 dia útil. No caso do Tesouro Direto pode ser de 1 a 2 dias úteis, conforme a regra: 1) Resgate realizado em dias úteis (de 0h00 às 18h00): a partir das 13h do 1º dia útil posterior à sua solicitação de resgate; 2) Resgate realizado em dias úteis (de 18h00 às 0h00), finais de semana e feriados: a partir das 13h do 2º dia útil posterior à sua solicitação de resgate.
            Se tiver mais alguma dúvida, estamos à disposição 🙂

  • Oi @brunolopesrios:disqus .

    Desculpe a demora para responder seu comentário, eu não tinha recebido a notificação e só vi agora. :/ Mas agora vai a resposta 🙂

    Sua carteira Magnetis é sim otimizada para que você tenha o menor gasto com taxas de administração e outros custos.

    O fundo Brasil Plural que a Magnetis usa tem taxa de administração de 0,3% ao ano. É uma taxa muito baixa, que é, inclusive, o mesmo valor da taxa de custódia obrigatória do Tesouro Direto (0,3% ao ano). O fundo do Brasil Plural tem o retorno consistente de mais de 100% do CDI, já líquido de taxas, como você pode checar na nossa lâmina de fundos: https://magnetis.com.br/fundos/brasil-plural-yield-fundo-de-investimento-renda-fixa-referen

    Sobre a estratégia da nossa carteira, oferecemos carteiras diversificadas de verdade e com custo baixo. Os investimentos que compõe a carteira têm diferentes perfis e retornos acima do CDI, como o fundo DI e os títulos de renda fixa. É bem diferente da Vérios, que por focar só em Tesouro Direto prejudica a verdadeira diversificação.

    Se ainda tiver alguma dúvida, por favor, me escreva por aqui ou procure alguém da nossa equipe de consultores! Estamos à disposição. Abraço 😉