Fundos ‘melhores’ que robôs de investimento? Uma resposta à InfoMoney

por Luciano Tavares

Vimos essa semana na imprensa uma comparação entre o desempenho de fundos de investimento "geridos por humanos" versus o resultado de aplicações por meio de robôs.

A reportagem "No Brasil, robôs de investimento não conseguem bater melhores fundos", publicada nesta terça-feira, 12, no portal InfoMoney, diz basicamente que esses fundos superam o desempenho dos algoritmos, incluindo o das carteiras Magnetis, simplesmente porque há pessoas pensando o tempo todo em como investir o seu dinheiro.

Logo, valeria mais a pena aplicar nesses fundos. Será?

A matéria traz vários pontos interessantes, mas também algumas distorções de conceitos financeiros que gostaríamos de esclarecer aqui.

O texto acerta ao ponderar que o investimento via robô advisor ainda é uma novidade no Brasil. Apesar de já ser um modelo consagrado nos EUA e Europa, ele pode, num primeiro momento, despertar a desconfiança de quem ainda está se familiarizando com o ambiente digital.

E sim, conforme a reportagem menciona, o mercado financeiro no Brasil ainda é bastante influenciado pelo noticiário político e econômico. No entanto, é justamente aí que a objetividade de um robô pode ajudar um investidor a tomar melhores decisões de investimento.

Objetividade, aliás, que faltou ao texto na hora de mencionar alguns pontos. Vamos lá.

Quem escolhe os 'melhores' fundos?

A reportagem compara as carteiras da Magnetis (e de outros advisors) com uma carteira de fundos que foram considerados os "melhores".

Porém, não ficou claro na matéria: como esses fundos foram selecionados?

Se simplesmente olharam no retrovisor e selecionaram os melhores desempenhos em um determinado período, a comparação é injusta e incorreta pois assume que o gestor de um fundo tem uma bola de cristal.

No mundo real, o futuro é incerto e o investidor não tem o privilégio de saber antecipadamente quais fundos serão os "melhores".

Apesar de a matéria não deixar claro, é possível que a lista de fundos tenha sido selecionada previamente há 12 meses. Ainda assim ficam várias dúvidas: quem fez a seleção dos fundos e quais foram os critérios de avaliação?

É por isso que na Magnetis acreditamos em uma gestão quantitativa com critérios de seleção objetivos. Todas as nossas estratégias de investimento passam por testes estatísticos em períodos de pelo menos 10 anos (mais conhecidos como “back-tests”). Isso nos permite saber exatamente por que selecionamos cada produto financeiro para compor nossas carteiras. É possível simular o desempenho de nossa estratégia em qualquer período histórico. 

Rentabilidade não é um bom indicador no curto prazo

Um erro comum de muitos investidores é utilizar a rentabilidade histórica de curto prazo como o único critério de comparação de investimentos. O grande problema dessa abordagem é que ela explica bem o que aconteceu no passado recente, mas é um péssimo indicador do que vai acontecer no futuro.

O estudo feito pela reportagem incorre nesse mesmo erro.

A matéria mostra três carteiras de investimento com sete fundos voltados para diferentes perfis de investidor. Elas foram elaboradas considerando carteiras semelhantes às dos robôs de investimento. A rentabilidade analisada foi a dos últimos 12 meses e a dos sete primeiros meses de 2017 para todas as aplicações.

Sim, muita coisa aconteceu em um ano, mas somente esse período não é suficiente para dizer que um fundo é o melhor do mercado. Nada impede que esse desempenho não tenha sido tão bom nem antes e nem depois do período analisado.

O fundo multimercado Bahia AM Maraú, por exemplo, recomendado para carteiras de risco médio e arrojado, encerrou o ano de 2016 rendendo abaixo do CDI e só conseguiu superar essa marca a partir da segunda quinzena do mês de julho deste ano. Assim, quem investiu nesse fundo e sacou o dinheiro antes do fim de julho não teve a rentabilidade expressa na reportagem.

Além disso, a rentabilidade é apenas um dos vários critérios que devem ser utilizados.

Aqui na Magnetis utilizamos mais de 18 parâmetros diferentes, como consistência dos retornos desde o início do fundo, volatilidade, taxas de administração e performance, índice Sharpe, correlação com demais ativos, entre outros.

Como temos mais de 14 mil fundos de investimentos ativos no Brasil hoje, lidamos com mais de 250 mil indicadores atualizados constantemente.

Sempre que existe uma quantidade maciça de dados e cálculos complexos, a abordagem automatizada sempre terá uma vantagem competitiva em relação ao trabalho manual (imagine fazer manualmente uma busca de sites na internet como o algoritmo do Google faz...).

É preciso ter mais de R$ 1 milhão (!!!) para compor as carteiras sugeridas pela InfoMoney

O perfil do investidor que a reportagem considerou no levantamento é bem restrito.

Vamos aos dados dos fundos, todos disponíveis na plataforma da XP Investimentos. Alguns até são exclusivos para clientes da corretora que, coincidência ou não, também é dona do portal InfoMoney:

Fundos

Taxa de Adm./
Performance (ao ano)

Aplicação
Inicial

Movimentação
Mínima

BTG Pactual Crédito Corporativo I
FIC FI RF Crédito Privado
*

0,50% + 20% sobre
o que exceder
104% do CDI%

R$ 5 mil

R$ 1 mil

CA Indosuez Vitesse FIRF
Crédito Privado

0,50% a 0,90%

R$ 25 mil

R$ 1 mil

Bozano Top Crédito Privado
Renda Fixa FI LP

1,50%

R$ 25 mil

R$ 5 mil

XP Investor FI Renda Fixa
Crédito Privado LP

0,75% a 1,25%

R$ 10 mil

R$ 500

Bahia AM Maraú FIC de FIM

2,0% a 2,20%

R$ 20 mil

R$ 10 mil

Pimco Income FIC FIM IE*

0,93% (0,95% 
após 18 meses)

R$ 25 mil

-

XP Dividendos FIA

3,0% a 3,5%

R$ 10 mil

R$ 500

*Fundos restritos a investidores qualificados.

Considerando a composição das carteiras "campeãs", segundo a reportagem, o investimento mínimo necessário seria:

Note que em todas as carteiras da InfoMoney há pelo menos um fundo exclusivo para investidores qualificados (que são aqueles que já possuem pelo menos R$ 1 milhão em investimentos).

Logo, se o objetivo da reportagem era educar o público de maneira a melhorar suas aplicações financeiras, ela falhou com a maioria dos brasileiros ao não citar em nenhum momento que apenas um número restrito de pessoas têm acesso a esses fundos hoje.

Na Magnetis, acreditamos em montar carteiras de investimentos de qualidade para todos os tipos de investidores, e não apenas para quem tem milhões para investir. A nossa aplicação mínima inicial é de R$ 10 mil. Aportes adicionais podem ser feitos a partir de R$ 100. É assim que nós, enquanto uma fintech de investimentos, trabalhamos para democratizar o acesso das pessoas comuns a investimentos de qualidade.

A reportagem traz um exemplo claro de conflito de interesses

Assim como o gerente de um banco, uma corretora de valores pode ter vantagens ao indicar determinados produtos financeiros. Assim, é bem provável que essa indicação não considere o que, de fato, é a melhor opção para o investidor.

No caso da matéria do portal InfoMoney, dois fundos da XP Investimentos aparecem indicados em duas das três carteiras. Não bastasse, o próprio head de fundos da XP aparece no texto como óbvio defensor dos fundos "geridos por humanos".

Se quiser saber qual é o incentivo que o seu assessor financeiro recebe, faça uma simples pergunta para ele: “Você ganha alguma remuneração sobre o produto que você está recomendando para mim?”. Se a resposta for sim, existe um conflito de interesses. Isso não significa que ele seja mal-intencionado, apenas que têm um incentivo diferente do seu -e isso pode influenciar sua recomendação de investimentos negativamente.

Na Magnetis, criamos um modelo de negócio que elimina o conflito de interesses e que está 100% alinhado com o nosso cliente. Nossa única fonte de remuneração é a taxa de consultoria e não recebemos bônus ou comissões pelos produtos financeiros que recomendamos. É a única forma do cliente ter a segurança de que estamos recomendando os melhores produtos para ele.​

As carteiras sugeridas são compostas só por fundos de investimento

Se você já conhece alguns conceitos básicos sobre investimentos, deve saber que não é recomendável colocar todos os ovos em uma mesma cesta.

Assim, uma carteira composta somente por fundos de investimento deixa de aproveitar benefícios garantidos ao investidor pessoa física. Seriam carteiras mais expostas ao risco de, por exemplo, uma instituição falhar no pagamento de um título, o chamado risco de crédito.

Na renda fixa, por exemplo, existem aplicações com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma espécie de seguro. No caso da falência de um banco que emitiu um CDB, por exemplo, o FGC garante o dinheiro do investidor em até R$ 250 mil por CPF.

Isso é algo que os fundos não oferecem. Por isso, nas carteiras hipotéticas da reportagem o investidor está mais exposto ao risco de crédito do que no caso de carteiras diversificadas entre diferentes tipos de ativos.

Não deixa de ser interessante incluir fundos em uma carteira de investimentos diversificada. Mas mesclá-los com outras aplicações, como títulos e ações, amplia chances de uma rentabilidade melhor e minimiza o risco de crédito.

E por falar em composição de carteiras, as de robôs de investimento não são "sombrias" - como dito na matéria da InfoMoney -, mas respeitam metodologias que sugerem ao investidor aplicações conforme o seu perfil de risco.

Essas aplicações não são necessariamente as mesmas para todos os robôs. No caso específico da Magnetis, as aplicações recomendadas são:

  • Títulos privados que oferecem uma remuneração melhor do que os títulos públicos, como CDBs, LCs, LCIs e LCAs;
  • ETFs: fundos que replicam o comportamento de índices de ações.
  • Fundos DI
  • Fundos Multimercados

Humanos X Robôs

A reportagem da Infomoney mostra uma oposição entre a gestão de investimentos feita por humanos e a feita por robôs, o que remete à discussão: quem é melhor, a gestão ativa ou a passiva?

Um estudo feito pelo nosso time mostrou que, entre 2000 e 2015, apenas quem tivesse R$ 100 mil para investir em pelo menos seis diferentes fundos de ações teria mais de 50% de chance de superar a rentabilidade do Índice Bovespa, principal referência do mercado brasileiro de ações. Ou seja: seria necessário muito esforço (e dinheiro) para que um gestor ativo conseguisse reproduzir fielmente o comportamento do índice.

Já o BOVA11, o ETF que replica o Ibovespa, permite ao investidor acompanhar o índice com custos menores e aplicação mínima mais acessível. Conforme a cotação em 13 de setembro, de R$ 71,96, a aplicação mínima necessária seria de cerca de R$ 720, fora os custos. O gasto médio para manter um investimento em ETF fica entre 0,20% e 0,80% ao ano, mais uma taxa por operação de compra ou venda de 0,0325% (emolumentos). Do outro lado, fundos de ações com gestão ativa cobra taxas de administração mais altas - em torno de 2% ao ano -, além de performance.

Algumas carteiras Magnetis incluem, atualmente, dois ETFs: um deles replica o índice que reúne as maiores empresas da Bolsa brasileira (BRAX11, que acompanha o IBrX 100); o outro acompanha o índice das empresas com capitalização menor (SMAL11, que acompanha o Índice Small Cap).

Para concluir, não é a intenção da Magnetis que os robôs tomem o lugar dos humanos na gestão de investimentos, mas sim que ajudem em sua otimização e simplificação, garantindo o acesso de mais pessoas a investimentos de qualidade.

Como Vinícius Maeda, nosso diretor de Relações com Investidores, disse à reportagem: "Temos uma equipe robusta, um comitê de investimentos, uma equipe de consultores que ajuda a executar a estratégia. A tecnologia entra muito mais no processamento de dados e na execução, mas temos uma equipe por trás que faz a modelagem da estratégia".

Isso é o que torna a Magnetis pioneira no mercado: o trabalho de especialistas melhorado por algoritmos para dar segurança e rentabilidade para os investimentos dos nossos clientes.

E se você ainda não é um deles, te convido a fazer uma simulação para montar grátis o seu plano de investimentos. Se tiver dúvidas, um dos nossos consultores (humanos!) também poderá ajudar você.

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

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  • Ester De Morais

    Não entendi. Li a reportagem da infomoney e me pareceu que eles haviam feito um elogio à voces.

    • Olá Ester, tudo bem?

      Concordo que em alguns pontos a matéria ressalta pontos positivos sobre a tecnologia robô advisor. Mas a intenção aqui é apenas esclarecer outros pontos que ficaram distorcidos, como por exemplo, afirmar que carteiras compostas pelos “melhores fundos de investimento” tem maior rentabilidade que as carteiras da Magnetis. Na matéria, porém, não fica claro qual foi o critério para a escolha destes fundos. Na prática, como mostramos no post, estes fundos também não são acessíveis para o pequeno investidor. Então não daria para comparar, já que aqui na Magnetis queremos que cada vez mais pessoas, incluindo pequenos investidores, possam ter acesso a melhores decisões de investimento.

      Espero ter respondido a sua dúvida.

      Abraço,

  • Danilo Mat

    “É preciso ter mais de R$ 1 milhão (!!!) para compor as carteiras sugeridas pela InfoMoney” Não é verdade essa afirmação de voces. Tenho certeza que vcs sabem que para ser IQ há muitas pessoas que são sem ter esse 1M. Essa frase tem mais um efeito de marketing do que prático

    • Olá Danilo, tudo bem?

      Obrigado pelo comentário.

      Concordo com você, que é possível sim, ser investidor qualificado sem ter este valor. Mas na prática, segundo a instrução nº 554 da CVM de 2014, se o investidor não for um profissional de investimentos, deve ter valores superiores a R$ 1 milhão aplicados em investimentos para ser considerado qualificado.

      O que verificamos, é que em todas as carteiras recomendadas na matéria da Infomoney, há pelo menos um fundo exclusivo a investidores qualificados. Por isso destacamos isto no texto.
      Aqui na Magnetis, acreditamos que pequenos investidores podem ter bons investimentos, mesmo sem precisar ser especialistas ou milionários.

      Conte conosco, se tiver mais alguma dúvida.

      Abraço,