Fundos multimercado: saiba o que são e como investir?

por Fernando Reis

Quem pesquisa opções de investimentos acaba se deparando, mais cedo ou mais tarde, com os fundos multimercado.

Geralmente apresentada como um “meio-termo” entre a segurança da renda fixa e as ótimas oportunidades do mercado de ações, essa categoria é bem mais complexa do que isso, pois abarca diversas estratégias e tem níveis de riscos bastante variados.

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O que são fundos multimercado?

Fundos de investimento, caso você não saiba, são como condomínios: vários investidores reúnem seus recursos, dividem as despesas operacionais e delegam a um gestor a tarefa de escolher os ativos, de acordo com uma estratégia pré-definida, e aplicar o dinheiro.

Ao contrário do que acontece em fundos de renda fixa, que devem manter 80% das suas aplicações em ativos desse tipo, e em fundos de ações, que são obrigados a investir pelo menos 67% dos recursos em renda variável, os fundos multimercado não precisam seguir exigências desse tipo.

Eles podem, portanto, investir em diferentes classes de ativos — ou seja, em muitos mercados. Isso dá liberdade para o gestor montar estratégias e flexibilidade para o fundo se adaptar às condições do mercado, buscando aumentar a rentabilidade e diminuir os riscos em diferentes cenários.

Quais são as modalidades de fundos multimercado?

Os fundos multimercado podem adotar diversas estratégias ou formas de alocação de ativos, que vão desde o investimento em renda fixa até o uso de instrumentos complexos como derivativos.

É a partir dessas estratégias que os fundos são divididos em categorias. Veja, a seguir, as principais modalidades, de acordo com a classificação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

Balanceados

São aqueles que seguem uma estratégia de alocação de ativos pré-determinada e uma política de rebalanceamento, ambas definidas no regulamento. Não permitem alavancagem, isto é, investimentos maiores que o patrimônio do próprio fundo.

Dinâmicos

Neles, também há uma estratégia de diversificação de investimentos em diferentes classes de ativos.

Entretanto, ao contrário do que acontece nos balanceados, os dinâmicos não seguem uma alocação predefinida e, sim, faixas amplas em seu regulamento — entre 20% e 50% em ações, por exemplo.

O gestor pode definir o quanto terá de ações em um determinado momento e rever essa decisão no futuro, diminuindo ou aumentando a proporção, de acordo com o momento da economia.

Ao contrário dos fundos multimercado macro, que veremos adiante, essa avaliação não leva em consideração os ativos individualmente (quais empresas podem se valorizar, por exemplo), apenas a exposição às diferentes classes de acordo com o momento da economia.

Fundos de Investimento

Macro

Fundos em que os gestores avaliam as condições macroeconômicas, bem como as projeções para elas no médio e no longo prazo e seus impactos nos preços de ativos. O objetivo é se antecipar e conseguir acumular retornos positivos ao longo do tempo por meio do investimento em ativos que estejam com valores baixos.

Trading

Ao contrário da estratégia macro, fundos multimercado de estratégia trading buscam obter ganhos aproveitando oscilações de preços no curto prazo.

Long & Short

No mercado financeiro, operar comprado (long) é bastante óbvio: você compra uma ação e, se ela subir de preço, você ganha com isso.

Também há, entretanto, a possibilidade de operar vendido (short): uma das formas de fazer isso é alugar uma ação, vendê-la, recomprá-la depois de uma queda em seu preço e devolvê-la ao dono, ficando com o lucro da diferença entre a venda e a compra.

Uma operação long & short verifica que duas ações correlacionadas — isto é, que tendem a andar lado a lado por ser de um mesmo setor, como Itaú e Bradesco — estão com uma diferença de preço menor ou maior do que o esperado, e que devem, em breve, voltar ao “normal”.

O operador, então, fica comprado naquela que deve subir de preço e vendido na que deve cair. Em qualquer um dos movimentos, ele sai ganhando. Ao mesmo tempo, ele está menos exposto à oscilação geral do mercado.

Fundos Long & Short fazem esse tipo de operação como sua estratégia principal. Eles podem ser direcionais, que obtêm seu resultado principalmente da diferença entre posições compradas e vendidas, ou neutros, que só usam 5% do patrimônio nessas operações e sempre equilibram long e short, tendo uma exposição neutra ao mercado de renda variável.

Em ambos os casos, os recursos não utilizados são aplicados em fundos de renda fixa.

Juros e moedas

Visa obter ganhos no longo prazo através do investimento em moedas e ativos atrelados a juros e inflação. Não investe em renda variável, como ações.

Livre

Fundos que investem seus recursos sem compromisso de concentração, podendo, inclusive, usar mais de uma das estratégias acima.

Quais são os custos?

Assim como ocorre em outros tipos de fundos de investimento, há a cobrança de taxas para custear as despesas e remunerar a equipe responsável pela gestão e operação.

A taxa de administração é um percentual anual cobrado sobre o patrimônio líquido do fundo antes do repasse para o valor das cotas — por exemplo, 1,5% ao ano sobre o patrimônio.

Geralmente, essa taxa é maior que a cobrada em fundos de renda fixa, já que a gestão de um fundo multimercado é bem mais complexa.

A cobrança de taxa de performance também é mais comum em fundos multimercado. Ela incide quando a rentabilidade supera um índice de referência, chamado de benchmark, como forma de recompensar a equipe gestora pelos bons resultados. Pode ser, por exemplo, de 20% sobre o que exceder o CDI no ano.

Também não se pode esquecer da cobrança de impostos.

O Imposto de Renda incide semestralmente, no último dia útil dos meses de maio e novembro. É o chamado “come-cotas”. A alíquota é de 15% sobre o rendimento nos fundos de carteira de longo prazo e de 20% nos fundos de curto prazo.

Além disso, há uma cobrança complementar de IR no momento do resgate, de acordo com o tempo pelo qual os recursos ficaram aplicados.

Também há incidência de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para resgates de aplicações feitas há menos de 30 dias. A alíquota varia entre 96% e 0%.

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Quais são suas vantagens?

As principais vantagens dos fundos multimercado são a gestão especializada, a flexibilidade e a diversificação.

A gestão especializada dá acesso a estratégias elaboradas e análises complexas, que um investidor iniciante não poderia fazer sozinho.

Os fundos multimercado também são bastante flexíveis, o que permite que eles se adaptem às circunstâncias da economia com mais facilidade, podendo evitar perdas e obter ganhos. Assim, o investidor não precisa ter o trabalho de estudar o mercado e entender sua nova situação, vender os ativos que possui e comprar outros.

Por fim, há também a diversificação, que permite obter rendimentos maiores ao mesmo tempo em que se diminui a exposição aos diferentes tipos de risco.

Quais são suas desvantagens?

Apesar da diversificação, os riscos ainda existem e podem causar perdas consideráveis, principalmente em fundos que permitem a alavancagem. Por isso, esse investimento é recomendado apenas para investidores de perfil moderado ou arrojado.

Também não há garantias de resultado ou proteções como a do Fundo Garantidor de Créditos, que cobre possíveis calotes de títulos de renda fixa.

Por fim, altas taxas de administração e de performance podem comprometer a rentabilidade do fundo e ter um impacto significativo nos resultados.

Como investir?

Praticamente todos os grandes bancos oferecem fundos multimercado para seus correntistas. Porém, as taxas de administração costumam ser altas, e os resultados, pouco atraentes.

Por outro lado, abrindo uma conta em uma corretora de valores, você consegue ter acesso a fundos independentes que oferecem resultados mais robustos.

É importante, contudo, avaliar o histórico do fundo com cuidado, observar as taxas cobradas, o nível de risco e analisar se a estratégia se encaixa com suas expectativas, seus objetivos e seu perfil de investidor.

Fundos multimercado, inclusive, podem fazer parte de uma carteira diversificada e administrada por um robo-advisor, que inclua também o investimento em renda fixa e ações. Na proporção ideal dentro de uma carteira, o fundo multimercado pode trazer bons resultados.

Agora você já conhece os fundos multimercado e suas modalidades e sabe quais são suas vantagens e desvantagens. Quer saber mais sobre outros tipos de fundos de investimento? Leia nosso post sobre o assunto!

Fernando Reis é administrador e Analista de Marketing de Conteúdo da Magnetis.

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