O que é o Copom – Comitê de Política Monetária – Glossário Financeiro

por Rodrigo Botinhão | 11/05/2018

Glossário Financeiro: O que é LC?


A sigla Copom aparece de tempos em tempos nos jornais, na TV, no rádio e nos sites de notícias. Ela é fundamental para a economia do país, mas não é conhecida por todos os brasileiros. Então, o que ela significa e por que está sempre relacionada a assuntos como taxa Selic e inflação?

Simples: Copom é a sigla para Comitê de Política Monetária, um órgão formado por diretores do Banco Central do Brasil. O Copom é responsável por cuidar dos assuntos relacionados à política monetária do país, entre eles os rumos da Selic, a taxa básica de juros brasileira.

Criado em 1996, o Copom fazia reuniões mensais. Hoje em dia, essas reuniões são feitas a cada 45 dias, portanto oito encontros anuais, com intervalos iguais de aproximadamente seis semanas.

Desde que foi criado, ocorreram apenas três reuniões de caráter extraordinário - a última delas em 2002.

Seu modelo de atuação tem como inspiração o Federal Open Market Committee (Fomc), um comitê do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve, ou Fed) que define as diretrizes de política monetária daquele país.

Quais são os objetivos do Copom?

Os objetivos do Copom são:

  • Implementar e avaliar nova políticas monetárias;

  • Definir metas e projeções para a taxa Selic;

  • Avaliar o comportamento da inflação.

Assim, a partir do que foi definido pelo Copom, o banco central brasileiro procura manter a taxa básica de juros diária sempre alinhada com a meta definida nas reuniões do Copom.

Ele faz isso por meio das chamadas operações de mercado aberto, comprando e vendendo títulos públicos para grandes instituições.

Se a inflação oficial (medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - IPCA) está baixa, a Selic tem tendência de queda. Se o IPCA sobe, a taxa de juros tende a subir também, como uma forma de conter o aumento generalizado dos preços.

Para controlar a inflação, economistas do banco central do Brasil fazem estudos que determinam os chamados intervalos de tolerância para o IPCA.

O órgão da instituição responsável por essas diretrizes é o Conselho Monetário Nacional, ou CMN. Os intervalos de tolerância para a inflação são divulgados de dois em dois anos, no mês de junho.

Caso a inflação fique fora desse intervalo, tanto para cima, quanto para baixo, o presidente do banco central brasileiro deve fazer uma carta aberta ao Ministério da Fazenda, apontando as razões do não cumprimento da meta de inflação, assim como propostas para trazê-la de volta aos eixos.

Quem faz parte do Copom?

O comitê é composto por membros da Diretoria Colegiada do banco central brasileiro. Confira:

  • Presidente do BC;

  • Diretor do setor de Política Monetária;

  • Diretor do setor de Política Econômica;

  • Diretor do setor de Gestão de Riscos Corporativos e de Assuntos Internacionais;

  • Diretor do setor de Organização do Sistema Financeiro e de Controle de Operações sobre o Crédito Rural;

  • Diretor do setor de Fiscalização;

  • Diretor do setor de Regulação;

  • Diretor do setor de Cidadania e Relacionamento Institucional,

  • Diretor do setor de Administração.

Como funcionam as reuniões do Copom?

As reuniões são feitas em dois dias, sempre entre terças e quartas-feiras. O calendário das reuniões é divulgado sempre em junho do ano anterior.

No primeiro dia da reunião, são feitas apresentações que mostram o cenário econômico atual e as projeções para o próximo ano.

No segundo dia, os membros do Copom deliberam sobre qual deve ser a meta para a taxa Selic, dadas as informações analisadas na primeira parte da reunião.

O Copom pode se reunir fora das datas programadas se convocado pelo presidente do banco central. Isso pode acontecer em razão de fatos inesperados que afetam o cenário econômico.

Primeiro dia

No primeiro dia, ocorre a Reunião de Mercado, que se inicia com a apresentação do Departamento de Operações Bancárias e Sistema de Pagamentos (Deban). Ela trata das condições de funcionamento e de liquidez do sistema bancário.

Logo após, o Departamento de Operações das Reservas Internacionais (Depin) atualiza todas as informações a respeito do mercado financeiro internacional e de câmbio.

Para finalizar, o Departamento de Operações do Mercado Aberto (Demab) discursa sobre o mercado monetário e sobre as operações de mercado aberto.

Na parte da tarde, começam as discussões sobre a conjuntura econômica nacional, apresentada pelo Departamento Econômico (Depec), que apresenta dados das atividades econômicas, da inflação, de política fiscal e outros.

Já o cenário internacional é apresentado pelo Departamento de Assuntos Internacionais (Derin). Por último, o Departamento de Relacionamento com Investidores e Estudos Especiais (Gerin) fala das expectativas de mercado com relação à inflação.

Segundo dia

No segundo dia, em que estão presentes apenas membros do Comitê e o diretor do Depep, é feita uma avaliação de prospecções, analisando o que foi apresentado no dia anterior.

Aqui, são elaboradas diversas hipóteses para as variáveis macroeconômicas, com uma deliberação em seguida sobre qual deve ser a meta Selic a partir daquele momento.

Então, os membros do Comitê debatem as conclusões e votam sobre qual deve ser a meta Selic a ser perseguida pelo banco central.

Logo após, um texto sobre o posicionamento de cada um é redigido, com as devidas explicações das decisões e os riscos para a economia do país naquele momento.

Uma versão resumida desse texto é divulgada no site do banco central logo após o fim da reunião. Uma semana depois, o banco central também divulga a ata da reunião do Copom.

Ambos os documentos são aguardados por economistas do mercado, inclusive de grandes instituições, para tomar decisões sobre seus negócios.

Todas as apresentações realizadas no primeiro dia da reunião do Copom são mantidas sob sigilo de quatro anos. Já o material do segundo dia é mantido em sigilo durante 15 anos. Passado esse tempo, os documentos ficam disponíveis no site do BC.

Como o Copom impacta seus investimentos?

De certa forma, as decisões do Copom também refletem a situação econômica do país. Se o cenário for ruim, ele pode tomar decisões um pouco mais agressivas para tentar recolocar a economia nos eixos.

Se o cenário estiver mais favorável, a tendência é que suas decisões não alterem muito as diretrizes que já estão em prática.

Os efeitos mais imediatos das reuniões do Copom têm impacto em nossa vida de duas formas:

  • Rendimento dos investimentos de renda fixa;

  • Juros praticados em operações de crédito, como empréstimos e financiamentos.

Quanto aos investimentos, é mais difícil conseguir bons ganhos quando a Selic está mais baixa. Mas isso não quer dizer que você tenha que abandonar a renda fixa em tempos de juros menores.Escolher o investimento mais rentável e mais adequado para você exige uma análise aprofundada de fatores como o seu perfil e seus objetivos financeiros.

Mas fique tranquilo! Estamos aqui para ajudar você a ter a melhor experiência com investimentos. Entre em contato conosco e comece a investir melhor hoje mesmo.