O que é risco de liquidez? – Glossário Financeiro

por Rodrigo Botinhão | 16/05/2018

Glossário Financeiro: O que é LC?

Todos os investimentos possuem risco. Isso não é novidade. Hoje vamos falar especificamente sobre um tipo de risco a que todas as aplicações financeiras, sem exceção, estão sujeitas: o risco de liquidez.

O risco de liquidez está relacionado à facilidade ou dificuldade de se transformar uma aplicação financeira ou um ativo em dinheiro.

Mas o que é liquidez?

Liquidez é a facilidade, ou velocidade, que determinado ativo financeiro pode ser transformado em dinheiro. Na prática, estamos falando sobre a diferença de tempo entre o pedido de resgate do valor e seu depósito em conta propriamente dito.

Assim, há investimentos que são convertidos em dinheiro com maior ou menor velocidade, instantaneamente ou em questão de dias! Outros podem demorar anos. Nesse momento é que entra o risco de liquidez.

O que significa risco de liquidez na prática?

A maneira mais simples de entender o risco de liquidez é com o exemplo de um imóvel. Como sabemos, a compra e venda de uma propriedade também é considerada um tipo de investimento. No entanto, em caso de necessidades urgentes, não é possível transformar um imóvel em dinheiro rapidamente.

A venda de uma propriedade é um processo que leva tempo. Seja por conta própria ou por meio de corretores, é impossível fazer uma negociação vantajosa no mesmo dia. Além disso, ainda se corre o risco de não haver compradores em potencial, deixando o imóvel parado por dias, meses ou até anos. Ainda que seja vendido de forma rápida, o dinheiro recebido pode ser negociado em muitas parcelas. Há ainda todo o trâmite burocrático...

Este é o risco é liquidez: é o risco que se corre de, quando precisar de dinheiro, não poder resgatá-lo em seus investimentos. Ou, ainda, não fazer “o melhor negócio” na hora do resgate. Veja o exemplo do imóvel. O proprietário até poderia escolher vender o imóvel barato para aumentar sua liquidez, mas isso seria desvantajoso para ele em termos financeiros.

Como funciona o risco de liquidez em ações?

O investimento em ações tem uma liquidez alta. Ações são papéis negociados em bolsa e, desde que exista um comprador do outro lado, o investidor pode vender suas ações a qualquer momento e resgatar o dinheiro. Ações de empresas grandes tendem a ter uma liquidez ainda maior que as de empresas médias ou pequenas.

Entretanto, o risco de liquidez em ações está relacionado a outro risco: o risco de mercado. Você até pode vender suas ações a qualquer momento, mas não há nenhuma garantia de qual será o preço dessa transação.

Caso necessite de dinheiro, basta vender uma ação pelo preço de mercado, isto é, pelo valor cotado no momento e pronto: em poucos dias, o valor estará em sua conta. Por outro lado, é importante considerar o risco de mercado, isto é, corre-se o risco de ter prejuízo na negociação, em que o valor da venda é menor do que o valor da compra.

Por isso, o investimento em ações pode ser mais vantajoso sob a perspectiva de longo prazo. No curto prazo são ativos que sofrem bastante com a influência do risco de mercado. Mas no longo prazo as ações refletem o crescimento da economia e, por isso, a tendência é de valorização.

Risco de liquidez e prazos de resgates

Dependendo do investimento que se faz, é bastante comum ver alguns códigos junto ao prazo de carência. Isso é bastante comum com fundos de investimento. D+60, D+30, D+0 são, na verdade, o prazo necessário para o resgate daquele ativo. Esses números correspondem à quantidade de dias que se deve aguardar até que o dinheiro esteja na sua conta do banco ou corretora.

Assim, quando é pedido resgate de um fundo de investimento, por exemplo, D+90, significa que o investidor deve esperar até 90 dias para que o valor esteja disponível em sua conta. Outros fundos, especialmente de renda fixa, permitem o resgate imediato (D+0).

Vale lembrar que geralmente o prazo de resgate está relacionado à expectativa de rentabilidade. Quando mais fácil resgatar, menor a rentabilidade prometida e vice-versa.

Como contornar o risco de liquidez?

Quando falamos em risco de liquidez, o mais importante é casar o prazo das suas aplicações com os seus objetivos e necessidades. O segredo do sucesso é ter um bom planejamento financeiro.

Um exemplo é a reserva de emergência. Essa reserva financeira é o primeiro tipo de investimento que qualquer pessoa precisa ter. É o primeiro passo, o mais básico. A reserva de emergência representa aquele dinheiro que você guarda para imprevistos, como uma manutenção no carro ou consulta médica inesperada. Por estar relacionada a imprevistos, essa reserva deve ser feita por meio de investimentos com muita liquidez, como Tesouro Selic, CDBs com liquidez diária, fundos de investimentos em renda fixa com resgate em D+0 ou mesmo na poupança.

Já outros objetivos de investimento, como compra da casa própria ou aposentadoria, têm horizontes mais longos e podem ter outros tipos de liquidez. Para o gerenciamento de risco de liquidez, o melhor é sempre fazer investimentos considerando cada prazo de resgate. Caso tenha dúvidas, é possível contar com um especialista, como a Magnetis! Venha conversar conosco e invista seu dinheiro com mais segurança e despreocupação.