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Green shoe: entenda como funciona esse tipo de oferta

O termo green shoe pode ser familiar para quem está acostumado com o mercado financeiro, especialmente as instituições que lidam com a venda de ações.

Entretanto, é preciso entender muito bem como funciona esse procedimento, para que seja eficaz e vantajoso tanto para quem deseja investir na bolsa, quanto para as empresas que decidem vender ações.

Mas, afinal, o que significa o green shoe? De que forma é possível utilizá-lo? Vale a pena investir? Saiba mais a seguir!

O que é green shoe?

O green shoe é um mecanismo financeiro que oferece às empresas a opção de vender ações adicionais durante uma Oferta Pública Inicial (IPO, em inglês).

Trata-se de um lote suplementar de ações. Nesse tipo de contrato, os underwriters (subscritores) podem comprar até 15% adicionais das ações da empresa pelo preço da oferta. Porém, essa opção deve ser exercida dentro de 30 dias após a proposta inicial.

Geralmente, os subscritores são bancos de investimentos ou corretoras. No processo de green shoe, essas companhias podem vender lotes adicionais ao mercado posteriormente, caso julguem necessário.

Como surgiu o green shoe?

O green shoe surgiu da chamada Green Shoe Manufacturing Company (atual Stride Rite Corporation), fundada em 1919. Essa foi a primeira empresa a implementar a cláusula green shoe em seu contrato de subscrição de ações.

A partir de então, todos os acordos de subscrição que apresentam a cláusula de opção de lote suplementar são considerados uma opção de green shoe.

Há poucos anos, o termo voltou a ganhar destaque graças ao Facebook. Mas como isso aconteceu? Quando a empresa realizou seu IPO em 2012, vendeu 421 milhões de ações da companhia aos subscritores, pelo valor de 38 dólares.

Esses subscritores faziam parte de um grupo formado por bancos de investimentos, encarregados de garantir que as ações fossem vendidas e o capital levantado fosse enviado à empresa. Em troca, eles receberiam 1,1% da transação.

Porém, quando as ações do Facebook começaram a ser negociadas, o preço inicial era de 42,05 dólares, um aumento de 11% acima do preço do IPO. Logo, os papéis se tornaram voláteis e o preço caiu para 38 dólares.

No total, os subscritores venderam 484 milhões de ações do Facebook por 38 dólares. Isso significa que os subscritores exerceram uma opção de colocação, vendendo 63 milhões de ações adicionais.

Na época, declarações da imprensa norte-americana indicaram que os subscritores intervieram e adquiriram ações adicionais como uma maneira de estabilizar os preços.

Em resumo: os subscritores tiveram a oportunidade de recomprar 63 milhões de ações adicionais a 38 dólares por ação para compensar qualquer perda sofrida na estabilização dos preços.

Como o green shoe funciona?

Para entender como o green show funciona, nada melhor do que um exemplo prático. Então, vamos lá!

Quando uma empresa deseja levantar capital para alguns de seus planos futuros de desenvolvimento, uma das maneiras pelas quais ela pode arrecadar dinheiro é por meio de uma oferta pública inicial.

Durante uma IPO, a empresa declara um preço de emissão para seus títulos e anuncia uma quantidade específica dos tipos de ações que vai emitir (por exemplo, 1 milhão de títulos a R$ 5 cada).

Porém, pode ser que a demanda tenha um aumento inesperado. Nesse caso, para controlar o déficit de oferta e demanda, as empresas usam o green shoe como uma espécie de mecanismo de manipulação do mercado.

Assim, quando as negociações começam, o preço do título não aumenta drasticamente, devido à inconsistência da oferta e demanda.

O dinheiro arrecadado com a oferta adicional no mercado não é depositado em nenhuma das contas da parte, e sim em uma conta de garantia criada para esse processo.

Uma vez iniciada a negociação no mercado, o agente estabilizador pode retirar dinheiro depositado na conta de garantia, conforme requerido, e recomprar ações em excesso dos acionistas. Em seguida, realizar o pagamento aos promotores da empresa.

É chamado de Mecanismo de Estabilização todo o processo de empréstimo de ações pelos promotores e o reembolso após um determinado período de tempo pelo agente estabilizador.

No início, a aceitação do green shoe foi controversa, mas hoje é uma prática considerada normal e legalizada nos principais mercados, incluindo a Bolsa de Nova York, por exemplo.

O que é reverse green shoe?

O reverse green shoe é, basicamente, uma opção de compra reversa também contida em um contrato de subscrição de oferta pública. Ela concede o direito de vender as ações de acordo com a IPO, mas posteriormente.

Assim, as negociações acontecerão quando os papéis estiverem com o preço desvalorizado.

Essa manobra é usada para apoiar o preço da ação no caso de a demanda cair após o IPO. As ações são compradas por um preço menor de mercado e vendidas ao emissor a um preço mais alto.

Vale ressaltar que essa também é uma atividade de compra que pode estabilizar o preço dos ativos.

Vale a pena investir em green shoe?

Investir em green shoe pode gerar maiores lucros para o emissor e a empresa de subscrição caso a demanda esteja acima do esperado.

A prática do green shoe também facilita a estabilidade de preços e reduz o risco de uma empresa emitir novas ações.

Isso permite que o subscritor tenha poder de compra para cobrir posições vendidas se o preço da ação cair, sem o risco de adquirir ações se o preço subir.

Em troca, o preço dos ativos se mantém estável, beneficiando tanto os emissores quanto as pessoas que costumam investir em renda variável.

No entanto, por ser uma prática complexa, se você for iniciante e estiver com dúvidas, o recomendado é pesquisar bastante sobre o tema antes de tomar qualquer iniciativa.

Só vale a pena investir em green shoe se você tiver certeza dos riscos e das vantagens oferecidas.

Agora que você conhece o processo de green shoe, a origem do termo e de que forma ele é utilizado no mercado de ações, baixe gratuitamente o nosso Guia Completo sobre Consultoria de Investimentos e saiba como investir melhor o seu capital!

Malena Oliveira

Especialista em Finanças Pessoais e membro do Grupo Consultivo de Educação Financeira da Anbima.

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