Investimentos em renda fixa: um guia completo das aplicações

por Mariana Congo

Neste post você vai ler:

  • O que é investimento em renda fixa
  • Quais são os principais produtos de renda fixa
  • Por que todo investidor deve ter renda fixa em sua carteira

Talvez você já tenha ouvido falar por aí da "sopa de letrinhas" do mercado financeiro. Esse termo surgiu porque muitos tipos de investimentos são chamados por siglas. Isso é especialmente verdade dentre os produtos de renda fixa. Dá uma olhada nessa listinha de siglas e significados:


  • CDB - Certificado de Depósito Bancário;

  • LC - Letra de Câmbio;

  • LCI - Letra de Crédito Imobiliário;

  • LCA - Letra de Crédito do Agronegócio;

  • CRI - Certificado de Recebíveis Imobiliários,

  • CRA - Certificado de Recebíveis do Agronegócio.


São tantas siglas e significados que é completamente natural ficar perdido — eu sei que é bastante coisa (e você não precisa decorar nada!) —, mas entender os conceitos gerais vai te ajudar a investir melhor em renda fixa.


Por essa razão, preparamos este guia completo da renda fixa para te mostrar quais são as características principais dessa classe de investimentos. As aplicações em renda fixa são as mais populares entre os brasileiros: para se ter ideia, a partir de dados de um relatório da Anbima, é possível verificar que ​83% dos investimentos dos brasileiros são em renda fixa.


Um dos motivos para essa atratividade da renda fixa é que aqui no Brasil, apesar da queda dos juros no último ano, eles ainda são muito altos em comparação com outros países. A Selic hoje está em 7% ao ano. Nos EUA, em comparação, os juros estão entre 1% e 1,25% ao ano.


Agora que você sabe o que é renda fixa, entenda porque ela é tão importante para o seu dinheiro.

O que é renda fixa?

renda fixa

Rendimentos são mais previsíveis na renda fixa

Como o próprio nome diz, a principal característica do investimento em renda fixa é que o investidor sabe, no momento que aplica seu dinheiro, exatamente a regra que definirá seus rendimentos.


Isso não acontece com investimentos de renda variável, como é o caso de ações na bolsa de valores ou ETFs. Na renda variável o investidor não tem como prever se sua aplicação irá valorizar ou perder valor.


Como na renda fixa você sabe a regra de rentabilidade, os riscos são menores e há mais segurança (no sentido de previsibilidade) para o investidor. Existem investimentos em renda fixa prefixados, pós-fixados ou uma mistura dos dois.


Vamos aos exemplos:

  • Prefixado: o investidor sabe exatamente qual será o retorno do investimento. Um exemplo é o título Tesouro Prefixado (antiga LTN), do Tesouro Direto;

  • Pós-fixado: o investidor sabe exatamente a regra da rentabilidade do título de renda fixa, mas o valor exato do retorno varia de acordo com o desempenho do indicador usado como referência. Ou seja, o investidor só saberá exatamente o quanto seu investimento rendeu na data de vencimento do título. Por exemplo: uma Letra de Crédito Imobiliário (LCI) que tem retorno anual de 100% do CDI. O investidor não consegue prever exatamente quanto será o CDI, mas tem a noção clara de que seu retorno vai acompanhar essa taxa de juros,

  • Pré e pós-fixado (híbrido): uma parcela da rentabilidade é conhecida no momento em que o investimento é realizado e o restante depende da variação de algum índice. Um exemplo é o título Tesouro IPCA+, que tem um pedaço da remuneração conhecido (prefixado) e outro que acompanha a variação da inflação oficial do país.

Tipos de investimento em renda fixa

Existem investimentos de renda fixa em títulos públicos e em títulos privados. Os títulos públicos são, basicamente, o Tesouro Direto, do governo federal; já os títulos privados são aqueles emitidos por bancos, financeiras ou empresas.


Independentemente do tipos de renda fixa, a lógica por trás dos títulos é sempre a mesma: você "empresta" seu dinheiro para o emissor do título e, em compensação, recebe os juros da rentabilidade. ​Separamos abaixo alguns dos principais investimentos de renda fixa, suas características, vantagens, desvantagens e rentabilidade de cada um. Veja:

Poupança

A poupança é um investimento pré e pós-fixado. Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês (essa é a parte prefixada), mais a Taxa Referencial (TR), sendo esta a parte pós-fixada. E quando a Selic estiver abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende 70% da Selic ao mês, mais a TR.


Apesar de ser acessível à maioria das pessoas e de não cobrar taxas ou impostos, o rendimento da poupança é bastante baixo quando comparado a outras opções de investimento.

Tesouro Direto

O Tesouro Direto é uma plataforma do governo federal para negociação de títulos públicos. O título mais popular é o Tesouro IPCA+ (com retorno pré e pós-fixado, como explicamos acima). Esse título é indicado para reservas de longo prazo, como para aposentadoria.


Outra aplicação bastante vendida é o Tesouro Selic, cujo rendimento varia de acordo com a taxa básica de juros da economia, ou seja, é pós-fixado. Uma vantagem do Tesouro Direto é que o valor mínimo para investimento é baixo (a partir de R$ 30), o que o torna bastante acessível para qualquer tipo de investidor.

CDB (Certificado de Depósito Bancário)

O CDB é um título emitido exclusivamente pelos bancos, um título privado. O banco usa o dinheiro do investidor para fazer empréstimos para outras pessoas e, com os juros recebidos, pagar a rentabilidade ao investidor.


Quanto menor for o banco, geralmente melhor a taxa de remuneração desse título. E quanto maior o tempo de aplicação, menor a incidência de Imposto de Renda.

LC (Letra de Câmbio)

A LC é um título emitido por financeiras. Segue a mesma lógica do CDB e, justamente por esse motivo, a Letra de Câmbio foi apelidada de “ CDB das financeiras”. A palavra câmbio não tem relação com o dólar e sim com o sentido de troca: o investidor investe no título da financeira e em troca recebe rentabilidade.

lci lca

LCI e LCA: títulos relacionados a crédito imobiliário e do agronegócio

LCI (Letra de Crédito Imobiliário)

A LCI é um investimento isento de Imposto de Renda. Pode ser pré ou pós-fixada e o investimento mínimo gira em torno de R$ 10 mil. A emissão da LCI pelo banco está atrelada aos empréstimos para financiamento de imóveis. Por esse motivo, se o mercado imobiliário está fraco, a emissão de LCI fica menos frequente.

LCA (Letra de Crédito do Agronegócio)

Assim como a LCI, a Letra de Crédito do Agronegócio também é isenta de Imposto de Renda. O valor mínimo da aplicação costuma ser de R$ 100 mil. A emissão de LCA tem relação com as linhas de crédito especialmente destinadas a financiar empreendimentos no setor agrícola.

CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários)

O Certificado de Recebíveis Imobiliários é um título relacionado aos recebíveis de aluguel de um determinado imóvel. É como se o proprietário estivesse negociando no mercado o direito de receber os aluguéis futuros daquele imóvel.


O investimento inicial mínimo gira em torno de R$ 300 mil e os juros são bastante atrativos, além da correção de acordo com a inflação. Há pouca liquidez, no entanto, já que é difícil vender o título antes de seu vencimento.

CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio)

CRA é um Certificado de Recebíveis do Agronegócio. Seu funcionamento se espelha ao CRI, porém em relação a empreendimentos rurais (por exemplo: expectativa de recebíveis de safras).


No entanto, são mais arriscados que o CRI, até mesmo em razão de mudanças climáticas, secas, regimes de chuvas. Sua remuneração ao investidor também costuma ser mais alta por causa do nível de risco.

Debêntures

A debênture é um título emitido por empresas (assim como o CDB é dos bancos e a LC é das financeiras): as empresas emitem títulos com datas de vencimento e remuneração específica. As debêntures são negociadas em bolsa e, para atrair o investidor, oferecem um retorno superior ao do Tesouro Direto.


Os riscos, no entanto, são maiores. É muito importante conhecer qual é o projeto da empresa e suas perspectivas de crescimento antes de investir em uma debênture.

Fundos de renda fixa

A maioria dos fundos de investimento que existem no mercado são de renda fixa, criados por bancos ou gestoras. Existem fundos de renda fixa mais conservadores, que buscam seguir a variação da taxa de juros da economia, como os fundos DI, e outros mais arriscados, que compram debêntures ou títulos internacionais.

Qual é o risco da renda fixa?

Assim como qualquer outro investimento, também existem riscos no título de renda fixa. Um deles é de calote: o banco, financeira ou empresa pode deixar de honrar seus compromissos com os investidores. Os casos são raros, mas existem.


Em janeiro de 2016, por exemplo, o banco Azteca quebrou. Em situações como essa, o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) age como um seguro para as pessoas, pois devolve o dinheiro dos investidores.


Desde dezembro de 2017, passou a ter um limite global de R$ 1 milhão por CPF. Por exemplo: se você aplicar R$ 250 mil em 10 instituições diferentes (totalizando R$ 2,5 milhões), terá a garantia de R$ 1 milhão na somatória.


Dos títulos de renda fixa mencionados acima, poupança, CDB, LC, LCI e LCA têm garantia do FGC. Por outro lado, CRI, CRA, debêntures e fundos de investimento não possuem nenhuma garantia.


Outro ponto fundamental ao escolher a renda fixa diz respeito à variação de juros no período de investimento — o chamado risco de mercado. Por exemplo: imagine que você adquiriu uma aplicação prefixada mas, antes do vencimento, houve alta dos juros da economia. Neste caso, você irá lidar com um custo de oportunidade, pois terá um título que paga juros menores que o mercado.


Isso significa, basicamente, que seu dinheiro poderia render mais se não estivesse atrelado a uma aplicação prefixada. Contudo, o inverso também é possível: se você tem um prefixado e os juros caem, você estará ganhando mais que o mercado. Por isso é bom ficar de olho nas principais tendências do mercado.

Qual é a liquidez da renda fixa?

renda fixa investimentos

Alguns investimentos em renda fixa podem ser resgatados a qualquer momento. Para outros, só no vencimento ou no mercado secundário


A liquidez desse investimento é também outro aspecto que varia muito, de acordo com os diferentes tipos de renda fixa. A poupança, por exemplo, é totalmente líquida (você pode sacar a qualquer momento), assim como os fundos de investimento e o Tesouro Direto. Para o título Tesouro Selic não há nenhum risco nesta operação.


Enquanto para o Tesouro IPCA há o risco de que os juros do mercado estejam voláteis e que, ao vender, o investidor receba um valor inferior ao valor inicial. CDBs geralmente têm carência (período em que não pode haver resgate), mas depois podem ser resgatados antes do vencimento.


Nas LC, LCI e LCA, muitas vezes, o investidor é obrigado a esperar até o vencimento — se quiser resgatar antes, precisa encontrar um outro investidor disposto a fazer essa troca. Isso ocorre no chamado mercado secundário.


Como se pode perceber, não há uma regra geral para a liquidez da renda fixa: é preciso verificar as regras de aplicação de cada investimento. Porém, é imprescindível levar em consideração que investimentos em renda fixa costumam ser de médio e longo prazos, ou seja, valem mais a pena para o investidor quando o tempo de aplicação é maior.

Quais são os custos e taxas associados à renda fixa?

Com relação a custos, geralmente os títulos de renda fixa não têm taxa de administração. No entanto, é possível encontrar algumas corretoras que cobram essa taxa explicitamente, enquanto a maioria delas são remuneradas por meio do spread (diferença entre a taxa que a corretora consegue com o emissor e a taxa paga ao investidor), invisível ao investidor.


Já para os fundos de renda fixa a taxa de administração é uma constante. Vale lembrar que, em prol de uma melhor rentabilidade líquida, o investidor deve sempre procurar os fundos com os menores custos de administração.


No caso do Tesouro Direto, há uma taxa de custódia obrigatória de 0,3% ao ano sobre o valor investido, paga à BM&FBovespa (atual B3). Algumas corretoras e bancos cobram taxa de administração para Tesouro Direto, enquanto outras isentam.

Quais são os impostos dos investimentos em renda fixa?

Poupança, LCI e LCA são isentos de Imposto de Renda (IR). E existe uma categoria de debêntures — incentivadas ou de infraestrutura — que também são isentas. Para os demais investimentos (títulos e fundos), há a incidência do IR, segundo a tabela regressiva. Essa tabela tem como objetivo incentivar que o investidor faça investimentos de maior prazo, pois as alíquotas são reduzidas com o passar do tempo.

Tabela regressiva do Imposto de Renda
Prazo da aplicaçãoAlíquota de imposto
Até 180 dias22,5%
De 181 a 360 dias20%
De 361 a 720 dias17,5%
Acima de 720 dias15%

Para fundos de investimento há a cobrança adicional do IOF no caso de resgate inferior a 30 dias da aplicação.

Quais são as vantagens e as desvantagens da renda fixa?

A principal vantagem dos investimentos em renda fixa é que os rendimentos são previsíveis, pois, no momento da aplicação, o investidor conhece a regra da sua rentabilidade. Por essa característica, a renda fixa tem perfil conservador.


Mas toda pessoa, mesmo aquela com perfil de investimento mais arrojado, deve ter uma parcela da carteira em renda fixa. Por quê? Antes de sair arriscando seu dinheiro por aí, é preciso ter uma boa base de segurança, e esse é o papel da renda fixa.


Por serem investimentos que acompanham a taxa de juros, protegem seu dinheiro da inflação. Nessa linha, a Magnetis recomenda uma parcela de renda fixa para todos os perfis de investidores.


O perfil conservador da renda fixa está relacionado à sua principal desvantagem: é muito difícil obter ganhos extraordinários com renda fixa. Mas é possível sim, superar o CDI, dentro da renda fixa.


Uma das possibilidades é aplicando em títulos privados de bancos de menor porte, como CDBs, LCIs e LCAs. Esses bancos oferecem retornos superiores a 100% do CDI para atrair investidores. E a segurança? Esses títulos são segurados pelo FGC como também acontece com os bancos grandes.


Entretanto, retornos muitos superiores dependem de risco maior, ou seja, de investimentos em renda variável. Essa situação remete à regra básica de qualquer aplicação: quanto menor o risco, menores os rendimentos.

Como começar a investir em renda fixa?

Você deu o primeiro passo para investir em renda fixa: se informou sobre o assunto!

É claro que você não precisa virar especialista no tema, mas informação de qualidade pode te ajudar a fazer as perguntas certas para o profissional que vai orientar seus investimentos.


Com isso, é possível encontrar o melhor caminho para aumentar sua rentabilidade. Lembre-se de que o melhor investimento são aqueles que mais combinam com seus objetivos e, por consequência, com o seu perfil de investidor.


Para saber mais sobre como investir em renda fixa, renda variável e como equilibrar a sua carteira de investimento, conte sempre com a consultoria da M agnetis! Para isso, entre em contato conosco.

Se você não sabe por onde começar, vai gostar de ler outros dois artigos:

- Conflito de interesses - o inimigo oculto dos seus investimentos

- Como investir? 5 opções além dos bancos

Ainda tem dúvidas sobre renda fixa? Comente aqui!

Luciano

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.


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