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Gustavo Caetano: inovador nos negócios, não nas finanças

Inovador nos negócios e conservador nas finanças. Assim é Gustavo Caetano, fundador da SambaTech e da Associação Brasileira de Startups. Paradoxal? De forma nenhuma. Essa combinação de opostos foi a fórmula que ele encontrou para ter uma vida balanceada, algo difícil para quem se dedica ao empreendedorismo.

Gustavo destaca que iniciar e tocar um negócio próprio envolve altos riscos. Uma forma de tentar compensá-los é contar com reservas financeiras sólidas. “Tento ser um pouco menos ousado nos investimentos para ter mais de segurança. Funciona como um contraponto: de um lado o risco, de outro a segurança”, explica ele.

Apesar do conservadorismo, Gustavo revela que, de uns tempos pra cá, começou a pensar em ir um pouco além de aplicações tradicionais como a previdência privada. Ele quer ver seu patrimônio crescer mais rápido. Para tanto, busca exemplo em outros investidores, da mesma forma que serve de inspiração para quem quer empreeender.

“Do jeito que estava, me vi estagnado. Por um lado, me sentia tranquilo porque estava guardando recursos. Mas, por outro, vi que o dinheiro não estava rendendo nada. Às vezes apenas repunha a inflação. Também tenho encontrado exemplos de outras pessoas que estão conseguindo investir sem necessariamente correr tanto risco, mas com retorno maior, e isso vem abrindo a minha cabeça e funcionando como estímulo”, conta.

Quer saber mais? Acompanhe a entrevista:

 

Vida financeira

Gustavo Caetano: Você é amplamente reconhecido como um profissional inovador. Quando se trata da gestão das suas finanças, também busca inovar?

Blog do Magnetis: Por incrível que pareça, sou extremamente conservador nas finanças. Meus investimentos ainda estão muito centrados em fundos que o banco oferece e previdência privada.

Qual a razão do conservadorismo?

Já corro muito risco sendo empreendedor. Acho que essa postura conservadora tem muito a ver também com a minha criação. Sou do interior, de uma família tradicional. Meu pai construiu uma história interessante com investimentos super conservadores e sempre disse: não mexa com Bolsa. Quando eu estava na faculdade e comecei a ganhar um dinheirinho, apliquei um pouco em ações e perdi tudo porque não tive paciência. Isso me deixou um pouco traumatizado. Foi um investimento ruim por eu não saber mexer com esse tipo de negócio.

Tem receio de sofrer perdas?

Já que é tão sofrido ganhar meu dinheiro, tento correr o mínimo possível de risco, mas o retorno às vezes é medíocre. Se existe a possibilidade de eu perder, me assusto e fico com o ‘pé atrás’. Essa postura é algo que quero começar a mudar.

Como enxerga essa mudança?

Comecei a pensar em alternativas para ser um pouco mais criativo nos investimentos. Neste momento, busco alguma maneira de multiplicar meu patrimônio de forma mais exponencial, não tão linear como tem sido até aqui. Vi que não adianta simplesmente continuar com os investimentos na linha que tenho seguido. Podem se passar 20, 30 ou 40 anos e na verdade vou estar só guardando dinheiro. Não estou perdendo, mas também não estou ganhando. Quero começar a investir realmente e ver a minha carteira crescer mais rápido.

Quando começou essa transformação?

No começo deste ano. Do jeito que estava, me vi estagnado. Por um lado, me sentia tranquilo porque estava guardando. Mas, por outro, vi que o dinheiro não estava rendendo nada. Às vezes apenas repunha a inflação. Também tenho encontrado exemplos de outras pessoas que estão conseguindo investir sem necessariamente correr tanto risco, mas com retorno maior, e isso vem abrindo a minha cabeça e funcionando como estímulo. Um desses exemplos vem do meu irmão, que é um pouco mais agressivo nos investimentos e sempre me conta no que está aplicando seus recursos e por que. Ele tem me mostrado novas oportunidades.

Essa revisão de postura tem a ver também com um novo momento pessoal?

Sim. Sempre tive um mindset (modelo mental) de poupar. Desde a faculdade, todo dinheiro que eu ganhava colocava em alguma aplicação. Nunca pensei só no presente, nem quando era solteiro. Agora que estou casado e passei a pensar em família, quero construir algo maior. Como mudar para um apartamento mais amplo? Como dar mais qualidade de vida para a minha família? Como fazer mais viagens?

Quais as principais dificuldades que enfrentou para conseguir investir?

Tudo o que guardei na época da faculdade foi embora quando comecei a empreender. Eu estava iniciando um negócio, não tinha dinheiro, ganhava um salário de sobrevivência. Então, comecei a usar as minhas reservas. Lembro de quase todo mês resgatar um pouco de dinheiro até secar tudo. Passei cerca de dois anos completamente zerado. Depois, voltei a aplicar, me reeduquei e refiz meu mindset para investir assim que recebia o salário, não mais no final do mês.

Que fatia da sua renda você separa para os investimentos?

Geralmente 25%, mas tenho guardado até mais.

Na sua avaliação, quais foram os seus principais erros e acertos ao investir até aqui?

Todo empreendedor segue uma máxima: se não está errando é porque não está se movendo. Aplicando essa mesma regra aos investimentos, vejo que não errei tanto porque não me movi muito. Fiquei muito no lado tradicional.

Você diria que empreender transformou o modo como lida com as finanças?

Sim. Dou muito valor a cada real gasto porque sei quanto custa ganhar dinheiro. É como morar com os pais e depois sair para viver sozinho. O dinheiro passa a ter outro valor. Como empreendedor, trabalho noite e dia, sei o que estou deixando de fazer para estar ali e valorizo muito o que estou construindo. Ao mesmo tempo, tento ser um pouco menos ousado nos investimentos para ter mais de segurança. Funciona como um contraponto: de um lado o risco, de outro a segurança. Imaginando um portfólio de investimentos, a empresa representaria uma aplicação de alto risco; então, é importante ter ativos de menor risco para que a carteira fique balanceada.

Que conselho de finanças pessoais daria a quem está pensando em empreender?

Empreender é um negócio de alto risco, qualquer que seja o empreendimento. Todo o esforço um dia retorna, mas demora. Então, o empreendedor tem que investir para ter uma base sólida para a sua vida. Eu recomendaria ter dinheiro guardado equivalente a um período de seis meses a um ano de sobrevivência, para o caso de a empresa dar errado ou de ser preciso parar de tirar recursos dela.

Dizem que a bolsa de uma mulher revela muito sobre ela. E sua carteira, o que conta sobre você? O que carrega nela?

Levo um monte de santinhos. São Jorge, pingente do olho grego, escapulário de proteção… Sou muito supersticioso e minha carteira é cheia dessas mandingas. Carrego também cartões e prefiro sempre usar a função crédito para ganhar milhagem. Ando com pouquíssimo dinheiro.

Vida profissional

O que você descreveria a como sua maior realização na vida, olhando para a sua trajetória de empreeendedor?

O legal é construir alguma coisa que mexe com a sociedade, que estimula outras pessoas. Uma das coisas que me dão maior satisfação é pensar que outros se inspiram na SambaTech para criar seus negócios. Ser um exemplo é uma grande realização. Por isso, gasto uma parte grande do meu tempo fazendo palestras em eventos, dando meu testemunho do que deu certo e do que deu errado. Isso é muito gratificante.

Então, você se sente de certa forma responsável por ajudar outros a fazerem uma trajetória de sucesso também…

Exatamente. Muito do que me inspirou a começar a empreender foi ver outros casos de sucesso, como o de Romero Rodrigues, do Buscapé, e o de Manoel Lemos, que se tornou conselheiro da SambaTech. Precisamos de inspiração e temos essa responsabilidade. Por isso também fundei a Associação Brasileira de Startups, que já tem 2800 startups.

Que planos está traçando para o futuro da SambaTech?

A Samba virou um grupo. Deixamos de ser só uma startup. Já temos quatro empresas e estamos comprando mais duas. Nosso caminho é esse: nos expandir. Seguimos muito a linha do Buscapé, de focar a cadeia inteira das companhias. Entendemos que, na área de vídeo online, dá para criar várias soluções, seja em educação, mídia ou entretenimento. Nosso caminho agora é crescer através de aquisição, nas áreas que estão ligadas ao nosso core business (negócio principal), que é vídeo online.

 

Foto: divulgação

 

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