IGPM: entenda o que é esse índice de inflação e saiba como ele afeta a sua vida

por Luiza Caricati | 16/07/2019

IGPM: o que é e como ele mede a inflação do aluguel?
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Não é preciso entender muito de finanças ou sequer ver muitas notícias sobre o assunto para em algum momento ter ouvido falar de IGPM. Essa sequência de quatro letras se junta a outra série de siglas que afetam nossos bolsos e investimentos de diversas formas.

Por isso, trouxemos neste conteúdo a explicação sobre o que é IGPM, a diferença dele para outras siglas bastante populares, como o IPCA, e de que maneira ele influencia em nosso dinheiro. Interessado? Então prossiga com a leitura!

O que é IGPM?

O IGPM, sigla para Índice Geral de Preços do Mercado, é um indicador econômico cujo objetivo é apontar qual foi a oscilação dos preços dentro de determinado período. Seu cálculo é feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Assim, se os preços estiverem em alta, o IGPM subirá, se estiverem em queda, ele cairá, refletindo o cenário macroeconômico do país. Apesar disso, esse índice não é utilizado como inflação oficial, o que não faz dele menos importante.

Ele é uma das versões do IGP (Índice Geral de Preços), que é divulgado pela mesma FGV. Além do IGPM, o órgão também calcula e divulga o IGP-DI (Índice Geral de Preços — Disponibilidade Interna) e o IGP-10 (Índice Geral de Preços 10).

Como o IGPM afeta a sua vida?

O cálculo do IGPM começou em 1989, como uma encomenda da Confederação Nacional das Instituições Financeiras. Desde então, o índice ganhou popularidade e passou a ser utilizado como referência para tomada de decisões em diversos setores da economia.

Além de servir como base para reajustes de contratos para serviços de telefonia, energia elétrica, alguns planos de saúde e, principalmente, aluguel. Por isso o IGPM é frequentemente conhecido como a “inflação do aluguel”.

A utilização do IGPM para aplicação do reajuste acontece da seguinte forma: a partir do mês em que o contrato completa 1 ano, é somada a inflação medida pelo índice nos 12 meses anteriores. Assim, um contrato cujo aniversário aconteceu em maio de 2019 teve aumento de 7,64%.

Logo, é importante que quem aluga um imóvel ou tenha qualquer contrato reajustado pelo IGPM fique de olho na flutuação do índice. Pela maneira como ele é calculado, acontece da inflação aferida seja maior que a obtida pelo IPCA, do qual falaremos mais a frente.

Como é feito o cálculo do IGPM?

O IGPM leva em conta no seu cálculo tanto bens de consumo, como alimentos, roupas e outros itens de varejo consumidos regularmente pela maioria das famílias, quanto bens de produção, como máquinas industriais, preços no atacado, matérias-primas, entre outros.

Por isso, o IGPM é composto a partir de três outros índices, que medem a elevação dos preços em setores ou atividades específicos da economia: o IPA-M (Índice de Preços do Atacado – Mercado), o IPC-M (Índice de Preços do Consumidor – Mercado) e o INCC-M (Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado).

Cada um desses índices é considerado a partir de um peso diferente. O IPA-M é responsável por 60% do valor apontado no IGPM, enquanto o IPC-M tem peso de 30% e o INCC-M responde apenas por 10%.

Lembra que dissemos que o IGPM é uma das versões do IGP? A grande diferença entre as três formas de divulgação do IGP está nos dias utilizados para a coleta de dados que basearão os cálculos.

No IGPM isso é feito entre os dias 21 do mês anterior e 20 do mês corrente. NO IGP-DI isso é feito do dia 1º ao 31 e no IGP 10 o intervalo empregado vai do dia 11 do mês anterior e o dia 10 do mês em curso.

Qual a diferença entre IGPM e IPCA?

Embora sejam dois índices que têm como objetivo indicar qual foi a variação dos preços em determinado período, o IGPM e o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) mantêm algumas diferenças bastante nítidas.

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A primeira delas é natureza dos órgãos que calculam e divulgam os números. Enquanto o IGPM fica sob responsabilidade de uma instituição privada (a já mencionada FGV), o IPCA é atribuição do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), órgão vinculado à administração federal.

Por isso, ele é considerado o índice oficial de inflação do país, orienta políticas públicas e serve como baliza para as metas de inflação estabelecidas pelo Banco Central (BC), que utiliza a taxa básica de juros (a SELIC), para tentar conduzir o IPCA para o patamar estipulado.

Dessa forma, se os preços estiverem fora de controle e fizerem a inflação subir, o BC intervém, subindo os juros. Caso a inflação ceda, os juros voltam a cair.

Outra diferença está na forma de cálculo. O IPCA é obtido a partir da coleta de preços de uma cesta de produtos com mais de 400 itens em algumas capitais pelo país.

Estão na lista Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Vitória, Porto Alegre, Brasília, Goiânia e Campo Grande.

Além disso, o enfoque do IPCA são as famílias que ganham entre 1 e 40 salários mínimos, diferentemente do IGPM, que não leva em conta esse recorte.

Dessa forma, pode-se dizer que o índice divulgado pelo IBGE está mais próximo da realidade dos consumidores do varejo, enquanto o IGPM retrata melhor a elevação de preços no mercado como um todo.

Quais investimentos estão relacionados ao IGPM?

Ficar de olho nas variações do IGPM não serve apenas para saber quanto seu aluguel subirá no próximo reajuste. Alguns investimentos adotam esse índice como parâmetro para a remuneração dos seus investidores, embora isso seja cada vez mais raro.

O Tesouro Direto, bastante conhecido por seus títulos atrelados ao IPCA, já ofereceu papéis cujo índice de referência era o IGPM. Todavia, a emissão de papel foi interrompida em maio de 2006.

Hoje em dia, só é possível encontrá-los no mercado secundário (ou seja, por meio da recompra de outros investidores), já que as emissões colocaram no mercado papéis com vencimentos previstos apenas para 2031.

Outros investimentos que têm como base de remuneração o IGPM são aqueles atrelados ao mercado imobiliário, caso das Letras de Crédito Imobiliário (LCIs) e dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs).

Com alguma procura é possível encontrar títulos atrelados a esse índice. Ainda mais raros são os fundos imobiliários cuja taxa de performance tem como referência o IGPM.

Resumindo, o IGPM é um dos diversos índices utilizados para dimensionar a velocidade da aceleração dos preços na economia brasileira.

E ainda que ele não seja adotado como a inflação oficial do país, ele é largamente empregado na correção de contratos de locação e prestação de serviço.

Além disso, tal número também é a referência de remuneração de alguns investimentos, embora isso seja pouco comum. Portanto, acompanhe sempre de perto como andam os números do IGPM!

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