Entenda como a inflação impacta em seus investimentos

por Mariana Congo

Um dos aspectos que frequentemente passa batido quando o assunto é investimentos é a inflação. Muitos investidores costumam focar apenas nos rendimentos. No entanto, os impactos dela nos investimentos afetam diretamente a rentabilidade de suas aplicações e, por isso, devem ser compreendidos por todos aqueles que desejam investir com sucesso.

Portanto, se você está fazendo planos e pretende investir de forma cada vez mais acertada, este artigo é ideal para você. Aqui, vamos mostrar, de uma forma simples, como a inflação impacta em suas aplicações, quais são os cuidados a serem tomados e o que fazer, na prática, para que seu dinheiro supere essa taxa e traga uma boa rentabilidade.Continue a leitura para entender tudo sobre os impactos da inflação nos investimentos! 

O que é inflação?

A inflação representa um aumento geral e persistente dos preços de produtos e serviços do dia a dia. Ela ocorre sempre que um conjunto de serviços e bens fica mais caro em relação a um período anterior. A consequência da inflação é a perda do valor do dinheiro, seja o salário, seja um investimento.

As duas características fundamentais da inflação são a generalidade e a persistência. Portanto, ela está presente quando os preços sobem de maneira generalizada e contínua (no longo prazo). Ou seja, o simples aumento de preço em um produto ou serviço isolado não é considerado inflação.

Em 2017, a inflação oficial do Brasil, que é medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA)​, ficou em 2,95% no ano. Foi a menor taxa desde 1998, quando foi de 1,68%. 

Como a inflação é medida?

No Brasil, a inflação é medida a partir de índices que monitoram os preços de alguns dos bens e serviços mais importantes para a população.

Porém, nem sempre o conjunto de itens utilizados para medir a inflação será o mesmo que você costuma consumir. Com isso, uma pessoa pode sofrer mais que outra com os impactos da inflação. Na prática, o impacto sentido no bolso pode ser maior do que aquele descrito nos índices oficiais.

Índices de inflação

Existem diferentes índices que mostram as altas ou quedas dos preços e cada um deles aponta uma inflação diferente. Isso ocorre porque eles utilizam faixas de renda, regiões, itens e períodos distintos em suas pesquisas. Essa diversidade torna a medição mais segura, pois há mais fontes disponíveis para comparação.

Os dois principais índices de inflação no Brasil são o IPCA e o IGP-M, detalhados a seguir.

IGP-M

É o Índice Geral de Preços - Mercado, calculado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas (FGV). Acompanha mensalmente os preços do comércio no varejo, no atacado e na construção civil. É utilizado para corrigir preços de tarifas de serviços públicos, aluguéis e vários tipos de contratos.

IPCA

É o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, sendo calculado todos os meses pelo IBGE. Aponta a variação do custo de vida de famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos. Embora não seja o único índice, o IPCA é utilizado pelo Banco Central (Bacen) como medidor oficial da inflação em nosso país e também é usado pelo governo como referência para verificar se a meta inflacionária estabelecida está sendo cumprida.

Leia também:   Veja o que é o IPCA e como ele pode influenciar seus investimentos

Quais são os impactos da inflação nos investimentos?

Rentabilidade real

Quando você lê que um determinado investimento rende, por exemplo, 10% ao ano, esse valor quase sempre diz respeito à rentabilidade nominal, — ou seja, ao retorno bruto, sem qualquer desconto.

Contudo, bons investidores sabem que é preciso descontar os custos (como taxas e impostos) e também a inflação para chegar à rentabilidade real de um investimento. Com o desconto de taxas e impostos encontramos a rentabilidade líquida. Depois, com o desconto da inflação, chegamos ao resultado da rentabilidade real.

Por que é importante calcular a rentabilidade real?

Descontar o valor da inflação dos investimentos é fundamental para saber se o seu poder de compra será preservado ao longo do tempo. Afinal, esse é o requisito básico para que um investidor escolha onde vai colocar seu dinheiro. A rentabilidade do investimento deve, no mínimo, recuperar o valor perdido para a inflação.

Em 2017, a inflação ficou em 2,95% e a poupança rendeu 6,93%. Assim, se descontarmos a inflação da poupança, a rentabilidade real da poupança foi de 3,88% em 2017. Foi o melhor retorno real da poupança desde 2006.

Olhando só assim parece que a poupança é um bom negócio, mas é preciso pensar no custo de oportunidade de deixar o dinheiro parado lá. Para se ter ideia, o Tesouro Selic, a aplicação mais conservadora do Tesouro Direto, rendeu 7,71% em 2017, já descontado do Imposto de Renda e taxa de custódia. Descontando a inflação do Tesouro Selic, sua rentabilidade real foi de 4,62% em 2017, maior que a poupança!

Ao calcular a rentabilidade real, você evita cair em ciladas financeiras. Quer um exemplo? O valor pago pela poupança nem sempre é suficiente para superar a inflação. Apesar de atualmente estarmos vivendo um período em que a inflação está girando em patamares bastante controlados, sabemos que historicamente essa não é a situação mais comum na realidade econômica do país.

No geral, ao longo dos últimos anos o rendimento da poupança sempre ganhou bem pouco ou empatou com inflação. Ao investir na poupança, em termos nominais, o seu dinheiro estará rendendo. Porém, ao mesmo tempo, o seu poder de compra também pode ser corroído.

Quando a rentabilidade real é negativa, no longo prazo, o dinheiro que antes era capaz de adquirir um determinado bem ou serviço deixa de ser suficiente.

Para contornar o risco de retorno real negativo, existem, no mercado, investimentos atrelados aos índices de inflação. Isso não significa que essas aplicações serão a melhor opção de investimento em 100% dos casos, já que tudo depende dos objetivos e do perfil de cada investidor. Porém, ao contratar investimentos atrelados à inflação, você garante que o poder de compra será mantido no médio e no longo prazos, protegendo seu dinheiro da desvalorização.

Quais são os investimentos atrelados aos índices de inflação?

Como mencionamos, os investimentos atrelados à inflação têm a capacidade de proteger o poder de compra do investidor, pagando, no mínimo, o equivalente ao índice no período investido.

Tesouro IPCA+

O Tesouro IPCA+ é um título público do governo federal. Seus juros são ajustados a partir da taxa IPCA do período contratado para a aplicação. Ao comprar um título ou fração de título do Tesouro IPCA+, você receberá de volta (ao final do período contratado) uma rentabilidade correspondente à inflação do período mais uma taxa extra prefixada.

CDBs, LCIs e LCAs atrelados à inflação

Também existem aplicações de empresas privadas que pagam juros com base no índice IPCA ou IGP-M. Esses investimentos são títulos de renda fixa de baixo risco, emitidos por bancos.

Imóveis para aluguel e fundos imobiliários

Normalmente, os aluguéis são corrigidos pelo IGP-M, fazendo com que o aluguel de imóveis comerciais e residenciais também seja uma maneira indireta de ter uma rentabilidade atrelada à inflação.

O mesmo vale para os fundos imobiliários. Eles são fundos de investimento que normalmente investem em imóveis comerciais, ganhando com o aluguel deles — que costuma ser corrigido com base no IGP-M ou IPCA.

Ações de empresas que repassem a inflação

Indiretamente, existem ações que repassam a inflação a seus acionistas, pois algumas empresas têm facilidade maior em repassá-la para os preços de seus serviços e produtos. É o caso de companhias dos setores de consumo e utilidades públicas, como concessionárias de energia elétrica e água.

Como a inflação impacta nos investimentos?

Como vimos, a inflação impacta indiretamente em todos os investimentos, seja na renda fixa, seja na renda variável, pois interfere no poder de compra. Sendo assim, acompanhar os índices de inflação torna-se fundamental para se observar a rentabilidade real dos investimentos.

Além disso, o impacto é ainda mais direto nas aplicações indexadas ao IPCA ou ao IGP-M, como é o caso do Tesouro IPCA+ e dos fundos imobiliários. No entanto, esses investimentos ajudam a preservar o poder de compra do investidor, servindo como alternativa para protegê-lo da inflação.

Agora que você já sabe quais são os impactos da inflação nos investimentos, que tal de aprender ainda mais sobre como investir com segurança e rentabilidade? Assine a nossa newsletter e receba os novos conteúdos exclusivos!

Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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