Confira 5 características de um investimento seguro

por Mariana Congo | 21/08/2017

Característica de um investimento seguro

O que é risco de uma aplicação financeira? Como medi-lo? Se você está aqui, é porque provavelmente tem pelo menos uma dessas dúvidas e está em busca de um investimento seguro.

Esse assunto me faz lembrar essa citação:

“Os peixes veem a isca, mas não o anzol; os homens veem o lucro, mas não os riscos.” (Provérbio chinês)

Esse provérbio nos ajuda a reforçar um conceito importante quando falamos em investimento seguro: todos os investimentos são arriscados em maior ou menor grau. Pegue a caderneta de poupança, por exemplo, seu maior risco está relacionado a um custo de oportunidade, já que ao aplicar na poupança você não está investindo em outras opções que rendem mais. 

Não existe investimento sem risco nem investimento milagroso. ​

Na verdade, quando falamos em segurança e investimentos, um dos pontos principais é o investidor aplicar seu dinheiro de acordo com seu perfil, ser disciplinado na condução de seus objetivos e montar estratégias corretas — como diversificação.

Exatamente por isso, ao longo do texto vamos sempre falar sobre risco e segurança em conjunto com perfil do investidor.

Investimento seguro tem baixo risco? Mas o que é risco?

Não há como falar sobre investimento seguro sem compreender minimamente o conceito de risco, que é a probabilidade de algum evento incerto ou inesperado impactar suas aplicações financeiras.

O problema de uma aplicação financeira não está exatamente na existência dos riscos, pois, como dissemos antes, todo investimento tem riscos. O que é importante em termos de segurança é a forma como fazemos o gerenciamento dos riscos. Os riscos, aliás, são proporcionais às possibilidades de lucro, e esse é o mantra de todo investidor de sucesso.

As principais incertezas a que um investidor está submetido são:

  • risco de crédito (calote);
  • risco de mercado (investimento não render o esperado, por causa de condições de mercado);
  • risco de liquidez (dificuldade para vender um ativo, se necessário);
  • risco operacional (perdas resultantes de falhas em processos internos).

Quais são as características de um investimento seguro?

1. Adequado ao perfil de risco do cliente

Você é mais conservador, moderado ou agressivo? O primeiro passo antes de começar a investir é diagnosticar qual é seu perfil, bem como seus objetivos. Você se importaria de colocar todos os seus recursos em ações e derivativos? Ou preferiria não se submeter a tamanha volatilidade e investir a maior parte de seu capital em renda fixa?

Um investimento seguro é aquele que está alinhado com seu perfil de risco. Questões como sua idade, finalidade, conhecimento de mercado, nível de disciplina, grau de tolerância ao risco e prazo de aplicação são componentes dessa análise que, preferencialmente, deve ser feita por uma boa consultoria de investimentos.

Não basta, portanto, escolher o investimento, é preciso que ele seja intercruzado com os dados de seu perfil. Por exemplo: uma pessoa de meia idade, com foco em construir um patrimônio para a aposentadoria, certamente não estará fazendo um investimento seguro se optar por muitos “micos” da Bolsa de Valores (ações de altíssimo risco, geralmente de empresas falidas ou em recuperação judicial).

Da mesma forma, não faria muito sentido que um investidor jovem, com profundos conhecimentos de mercado, bom capital disponível e alta tolerância ao risco, se limitasse a aplicar em CDB.

2. Diversificado

Um investimento seguro é aquele que não concentra todo o capital do investidor. Isso porque, em caso de alguma oscilação do mercado ou resultado negativo, as perdas serão multiplicadas exponencialmente.

Imagine, por exemplo, que você tenha uma carteira formada por CDB, Tesouro Selic, Fundos DI e Multimercados. Eventualmente, um período de queda na taxa referencial de juros pode derrubar a rentabilidade de seus papéis do Tesouro.

Todavia, a estabilidade econômica sugerida por um cenário macroeconômico de controle da inflação e da Selic pode favorecer o desempenho de alguns ativos no mercado de renda variável. Seria o caso das ações, que compõem os fundos de investimento multimercados.

Em um exemplo como esse, uma eventual perda no Tesouro poderia ser balanceada por uma rentabilidade mais elevada nos fundos citados. Percebeu, na prática, o efeito da diversificação no crescimento de seu patrimônio?

A diversificação dilui os riscos de sua carteira de investimentos. Ao formar um mix de ativos, misturando renda fixa e variável, você assegura menor flutuação de seu capital — uma vez que maus resultados eventuais serão compensados por desempenhos positivos de outros ativos.

3. Sem nenhum tipo de alavancagem

Um homem de 80 kg não consegue levantar uma pedra de 300 kg; entretanto, com o auxílio de uma alavanca, talvez essa façanha se torne possível. 

O mercado financeiro possui também sua alavanca, mas que por elevar exponencialmente o nível de risco das aplicações, deve ser utilizada com extrema cautela.

Algumas corretoras de valores oferecem aos investidores de ações na Bolsa esse recurso chamado alavancagem. Trata-se de uma espécie de “empréstimo”, em que você consegue operar com até seis vezes o capital que possui. Nesse caso, se as chances de ganhos são maiores, é evidente que em caso de perdas os resultados serão devastadores na mesma medida.

Perceba que até um investimento seguro pode se transformar em aplicação de alto risco, a depender de como o investidor a configura. Ainda que estejamos falando de um investidor arrojado e com experiência na Bolsa de Valores, operar “alavancado” torna qualquer investimento muito mais perigoso. Como dissemos, o risco está muito mais na conduta de quem investe do que no investimento em si.

4. Protegido contra o risco de crédito

Investimentos em CDB e LCI/LCA de banco menores oferecem rentabilidade acima do CDI. Nos casos dessas aplicações em renda fixa, o risco de crédito é mitigado por causa da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC funciona como um "seguro" para o investidor de renda fixa. Em caso de falência da instituição financeira, o FGC garante o pagamento de até R$ 250 mil para o investidor.

Já os títulos do Tesouro Direto, embora não sejam protegidos por nenhum mecanismo de ressarcimento, são considerados os ativos de menor risco do mercado. A explicação é que o governo, ainda que esteja na mais absoluta penúria, pode simplesmente imprimir mais papel-moeda para quitar seus credores.

5. Baixas taxas de administração

Não adianta o fundo de investimento ser atrativo se as taxas de administração “comerão” todo o seu lucro. Um investimento “seguro” possui custos justos, condizentes com o risco e complexidade daquela aplicação. Sobre esse tema, temos esse outro texto que fala sobre a rendimento líquido dos investimentos.

Resumo

Em suma, perceba que um investimento seguro deve conciliar baixo risco de crédito, boa liquidez, boa rentabilidade e baixa taxa de administração. E, obviamente, os ativos com essas características ainda devem ser analisados conjuntamente com o perfil de risco do investidor.

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Mariana Congo é Gerente de Conteúdo da Magnetis e jornalista especializada em finanças pessoais.

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