Investimentos acima da inflação: como escolher o mais adequado?

por Malena Oliveira

Estar atento à inflação é fundamental para quem tem alguma aplicação financeira. Sem esse cuidado, o dinheiro investido pode perder o poder de compra ao longo do tempo.

Imagine economizar por anos a fio e depois descobrir que a quantia acumulada não é suficiente para comprar o que você quer. Isso é algo que ninguém deseja.

Por isso, escolher opções de investimentos acima da inflação é muito importante para qualquer investidor.

Para ajudar você nessa tarefa, este texto vai mostrar como a inflação afeta os rendimentos de uma aplicação.  Você também vai descobrir como escolher os investimentos que oferecem ganhos superiores ao índice. Boa leitura!

O que é a inflação?

De tanto ouvirmos falar em inflação, acabamos não parando para refletir sobre o que ela realmente significa.

Por definição, inflação é o aumento generalizado e persistente dos preços.

Essa generalidade e persistência são os dois aspectos fundamentais para caracterizá-la. Se apenas um grupo reduzido de produtos sofre um aumento muito brusco de preços, não há inflação.

Da mesma forma, não podemos caracterizar um processo inflacionário quando há apenas um aumento repentino em um período breve, seguido por estabilidade ou queda nos preços.

Como a inflação é calculada?

Os índices de inflação são calculados por meio de uma média ponderada (ou seja, cada valor tem um peso diferente) obtida a partir dos itens mais consumidos pela população, como alimentos, aluguel, combustíveis, roupas, entre outros.

Esse método faz com a inflação seja percebida de maneira diferente por cada segmento da população. Como cada pessoa tem hábitos próprios de consumo, eles podem diferir muito da cesta de produtos na qual o cálculo se baseia.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado mensalmente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é considerado a medida oficial de inflação no Brasil. Portanto, ele é utilizado como referência pela maioria das instituições brasileiras quando se fala em inflação.

Além do IPCA, existem diversos outros indicadores de inflação. Um dos mais conhecidos é o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M), muito utilizado para corrigir o valor dos aluguéis de imóveis.

Como a inflação afeta os investimentos?

Para entender como a inflação afeta os investimentos, precisamos entender a diferença entre rentabilidade nominal e rentabilidade real.

Rentabilidade real é o rendimento do investimento que supera a taxa de inflação em um determinado período. Com base nessa definição, muitas pessoas utilizam um cálculo simplificado para encontrar essa taxa, apenas diminuindo o valor da inflação da rentabilidade bruta do investimento. Dessa forma, caso uma aplicação tenha rendido 10% em um ano em que a inflação foi de 6%, a rentabilidade real seria de 4%.

No entanto, esse cálculo simplificado não é correto. A fórmula certa para calcular a rentabilidade real é a seguinte:

Aplicando essa fórmula no mesmo exemplo do parágrafo anterior, a rentabilidade real seria de:

Você pode notar que para valores relativamente pequenos a diferença não é tão significativa, o que torna o cálculo simplificado uma aproximação razoável. Porém, para períodos de inflação alta, ou quando estão sendo consideradas janelas de tempo maiores, o uso da fórmula mais precisa é recomendado.

Um exemplo extremo pode ser buscado em 1993, antes do Plano Real estabilizar a inflação a níveis mais baixos. Neste ano, a poupança apresentou a inacreditável valorização nominal de 2.699,91%. Porém, esse desempenho fica bem menos impressionante quando descobrimos qual foi a inflação no período: 2.477,15%. Isso resulta em um rendimento real de cerca de 8,64%. Neste caso, fica evidente que o cálculo simplificado pode passar longe da realidade.

Percebeu o impacto da inflação no resultado final de uma aplicação financeira? Veja a seguir como amenizar esse efeito.

Quais são os investimentos que protegem contra a inflação?

Se você não quiser que seu dinheiro perca o poder de compra, precisa escolher um investimento que ofereça retornos maiores do que a inflação.

Pensando nisso, listamos algumas dicas de investimento que ajudam a proteger seu dinheiro contra essa desvalorização.

Tesouro IPCA+

Entre os títulos públicos ofertados na plataforma do Tesouro Direto, existem aqueles que são atrelados à inflação. É o caso do Tesouro IPCA+, que paga a inflação do período, mais uma taxa prefixada no momento da compra.

Eles são indicados para investimentos de longo prazo, embora seja possível fazer o resgate antes do vencimento.

Esse tipo de investimento geralmente é indicado para quem está pensando na aposentadoria, na educação dos filhos ou em outros objetivos de prazo mais longo.

CDBs

Outra opção de investimento são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs). Eles são emitidos por instituições financeiras para financiar parte das suas operações de crédito.

Em contrapartida, essas instituições devolvem o dinheiro do investidor corrigido por uma taxa de juros acertada no momento da compra do título.

Geralmente, os rendimentos se dão com base na taxa do Certificado de Depósito Interfinanceiro (CDI). Contudo, já existem opções que remuneram de acordo com a inflação, de modo parecido com os títulos do Tesouro IPCA+.

Os CDBs, dentro do limite estipulado, contam com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), uma espécie de seguro para o valor investido.

Porém, é importante observar a liquidez do investimento: boa parte dos CDBs só permite o resgate após o prazo de vencimento.

LCIs e LCAs

As Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) são outras modalidades de aplicação em renda fixa. A grande vantagem dessas aplicações é a isenção do Imposto de Renda.

Existem opções com rendimento atrelado à inflação, porém elas costumam exigir aportes financeiros iniciais maiores. Uma boa dica é procurar títulos de bancos menores, que oferecem rendimento mais atrativo.

Imóveis para locação

Os contratos de locação são sempre reajustados pelo IGP-M. Por isso, alugar um imóvel pode ser uma alternativa para quem quer contar com uma renda extra reajustada pela inflação.

O problema, nesse caso, pode surgir na dificuldade em encontrar locatários em determinados períodos, dependendo da situação da economia.

Outra questão são as negociações com esses locatários. Dependendo da demanda por aluguel, o proprietário pode ter de baixar muito o valor para manter seu imóvel ocupado.

Fundos Imobiliários

Outra alternativa envolvendo imóveis são os fundos imobiliários. Com eles, é possível fazer a diversificação dos seus investimentos, já que esses fundos reúnem um conjunto de propriedades com finalidades distintas (residenciais ou comerciais), com contratos de locação também corrigidos pela inflação.

Não é preciso investir grandes quantias para adquirir cotas de um fundo imobiliário. No entanto, por se tratarem de aplicações mais sofisticadas, é preciso avaliar quais são os riscos dessa forma de aplicação.

Debêntures

Menos conhecidas, as debêntures são títulos de dívida emitidos por empresas privadas que não são do ramo financeiro ou de crédito. Os títulos geralmente têm prazo de vencimento mais longo e o modelo de remuneração é semelhante ao do Tesouro IPCA+.

Por serem investimentos mais arriscados (debêntures não são cobertas pelo FGC, por exemplo), elas oferecem uma remuneração maior que os investimentos de renda fixa tradicionais. Porém, também exigem uma avaliação de riscos mais minuciosa.

Ações

Pode parecer estranho falar sobre ações aqui, mas as companhias também mantêm contratos que são indexados à inflação, principalmente as que trabalham com consumo e serviços básicos (como alimentação, energia elétrica e saneamento). Além disso, no longo prazo, uma inflação mais baixa beneficia os negócios das empresas.

Como escolher um investimento que renda acima da inflação?

Agora que você conhece um pouco melhor o universo dos investimentos que podem proteger o seu dinheiro contra a ação corrosiva da inflação, pode estar em dúvida sobre qual é a melhor aplicação para você. Então, aqui vão algumas dicas.

Invista de acordo com o seu perfil

Antes de escolher uma aplicação financeira, faça uma autoavaliação e descubra qual é o seu perfil de investidor. Pense em como seria o seu comportamento diante das variações do mercado: você toleraria o risco de perder dinheiro para obter um retorno maior no futuro? Ou você prefere ter a certeza de que seu dinheiro vai render exatamente o combinado?

Trace metas claras

Ter objetivos financeiros facilita e muito a escolha das suas aplicações. Se você tiver uma ideia de quanto dinheiro vai precisar no futuro e de quando pretende resgatar os recursos, é mais simples avaliar as diversas alternativas de prazo, liquidez e rentabilidade disponíveis no mercado.

Avalie a relação risco-retorno

Outra questão ligada diretamente ao seu perfil de investidor é a avaliação dos riscos que uma aplicação oferece. Geralmente, quanto maior o risco, maior é a possibilidade de retorno.

Assim, verifique quais são os riscos que você está disposto a correr para obter determinado rendimento. Um bom plano de investimentos pode ajudar você a identificar todos esses pontos.

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Luciano

Malena Oliveira é jornalista especializada em Finanças Pessoais e redatora na Magnetis.

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