4 dúvidas e preocupações sobre investimentos depois da delação da JBS

por Luciano Tavares | 23/05/2017

Finanças pessoais: preocupações sobre investimentos depois da delação da JBS

No início da noite de quarta-feira, 17, veio a público a delação da JBS contra o presidente Michel Temer e outros políticos. E, com ela, uma reviravolta na crise política do país.

Os novos fatos criaram um cenário e incerteza política e econômica que desde então está mexendo com a emoção e a razão de todos nós, brasileiros.

Ainda na noite de quarta-feira, começamos a receber mensagens de clientes com dúvidas sobre como essa situação poderia afetar seus investimentos.

Já era uma prévia do que aconteceria no dia seguinte: nervosismo nos mercados de Bolsa, dólar e juros futuros.

  • Dólar subiu 8,15% - maior alta em 18 anos.
  • Bovespa chegou a interromper suas operações (o que é chamado de circuit breaker), após queda de mais de 10% durante o pregão. Esse mecanismo existe para proteger o investidor em momentos de estresse e não era acionado desde a crise de 2008.
  • Juros futuros, para vencimento em janeiro de 2018, foram de 8,94% a.a. (no dia 17) para 10,04% a.a. no dia 18.

Diante da dúvidas, enviamos um comunicado para todos os clientes Magnetis logo no início do dia, para passar a seguinte mensagem:

Em um momento de crise, o melhor é manter a calma e não se deixar levar pelas emoções do momento. Construímos estratégias de investimento balanceadas e diversificadas justamente para atenuar as oscilações de curto prazo e proteger seu patrimônio em momentos como esse.

Apesar do lado racional já saber o que fazer, as emoções são muitas e podem dominar a cabeça dos investidores.

Para ilustrar como um momento de estresse desestabiliza mesmo o mais experiente dos investidores, reunimos a seguir os principais temas das dúvidas que recebemos dos nossos clientes, com destaque para trechos de mensagens reais. Você vai perceber que as reações são até contraditórias.

E agora? O que fazer com os meus investimentos?

"Diante dos abalos políticos e do reflexo nos mercados, qual será a estratégia?"

Se não houve mudança no prazo e no objetivo do seu investimento, não há necessidade de alterar as características da sua carteira por causa de um momento de volatilidade nos mercados.

Por exemplo: você está investindo para a aposentadoria e vai resgatar só daqui 20 anos - se esse plano continua igual, não é preciso mexer na sua estratégia por causa de um momento de volatilidade.

Quando criamos um plano de investimentos para nossos clientes, já fazemos as projeções considerando a volatilidade esperada para o nível de risco daquela carteira. Isso é, inclusive, mostrado na nossa ferramenta de simulação:

Volatilidade nos investimentos: simulação de longo prazo

Linhas superior e inferior do gráfico mostram volatilidade nas projeções. Observe que na carteira com mais risco (nível 5), a volatilidade esperada é maior do que em uma carteira com menor exposição à ações (risco 3).

Vale lembrar que uma carteira de investimentos é formada pelo todo, e não pelas suas partes individuais. Montamos carteiras diversificadas justamente para que o desempenho de um ativo equilibre o de outro, atenuando as oscilações de curto prazo e protegendo o patrimônio dos clientes em momentos de crise. E, claro: é importante manter a perspectiva de longo prazo do plano de investimento.

Exemplo: enquanto o mercado de ações caiu na quinta-feira, os juros futuros subiram. Isso ocorre porque são dois ativos negativamente correlacionados (o desempenho de um é inverso ao do outro).

Saiba mais: Os juros vão cair ainda mais. Como investir seu dinheiro nesse cenário?

Medo diante da incerteza: o que vai acontecer agora?

"Seria interessante mudar para um investimento mais conservador?"

Em momentos de crise ou de euforia, o futuro fica nebuloso ou brilhante demais e investidores podem a tomar decisões precipitadas.

Nesse tipo de situação, há uma tendência do investidor sair do seu perfil de risco, seja ficando conservador demais (quando o mercado está mais pessimista) ou agressivo demais (quando há muito otimismo).

Nas duas situações, é preciso manter a perspectiva de médio e longo prazos para seus investimentos.

Vale lembrar que o mercado financeiro é incerto por natureza. Por esse motivo, diversificar os investimentos (como a Magnetis faz para seus clientes) e investir de forma consistente (sem tentar fazer market timing - ou seja, sem tentar adivinhar o futuro e a melhor hora para comprar ou vender), traz melhores resultados ao longo do tempo.

Medo das perdas: é melhor vender minhas ações?

"Antes de um prejuízo maior, gostaria de verificar se minhas ações serão vendidas hoje."

Quando o mercado de ações tem uma quebra brusca e inesperada, o investidor sente aquele frio na barriga. Aquele medo que diz: meu patrimônio está derretendo, é melhor eu vender tudo agora para prevenir perdas maiores.

Mais uma vez, é nesse momento que existe o risco do investidor tomar decisões precipitadas e desfazer posições da sua carteira naquele calor do momento.

Entretanto, se você tem um investimento com foco no médio ou longo prazos, o mais prudente é manter a calma e não mexer na sua carteira.

Quando um cliente chega com esse tipo de demanda, sempre devolvemos com uma pergunta: você vai precisar do seu dinheiro antes ou depois do inicialmente planejado? Se nada mudou, não há motivo para mudar o perfil de risco da sua carteira de investimentos.

Como exemplo, podemos citar os dois fundos de índices de ações (ETFs) com os quais a Magnetis trabalha.

O Brax11 - índice que reúne as 100 ações mais negociadas da Bovespa - teve queda de 8,08% no dia 18, quando seu preço voltou ao patamar de janeiro deste ano (em torno de R$ 50 por cota). Mas, no dia seguinte, o mesmo ETF já subiu 1,60%.

E quando se observa em uma perspectiva de maior prazo - nos últimos 12 meses - fica claro que mesmo com a queda da quinta-feira passada, o Brax11 ainda está mais valorizado do que em maio de 2016.

ETF (fundo de índice) Brax11 nos últimos 12 meses (maio 2016 a maio 2017)

A mesma análise pode ser feita com o Smal11, índice que reúne empresas de menor porte da Bovespa. No dia 18, teve queda de 9,91% e seu preço voltou ao patamar de março deste ano. No dia seguinte subiu 3,24%.

Veja a perspectiva do último ano:

ETF (fundo de índice) Smal11 nos últimos 12 meses (maio 2016 a maio 2017)

Esses dois ativos exemplificam o quanto é importante analisar os fatos dentro de uma perspectiva de maior prazo e não se apegar somente ao momento.

Oportunidade de comprar na baixa: devo aproveitar e investir mais em ações?

"Agora que a Bolsa vai cair bastante, você acha que é um bom momento para entrar?"

Para todo investidor que está com medo da queda das ações e aceita vender a um preço baixo, há do outro lado um investidor que acredita que um dia de queda é o momento certo para comprar, afinal, está barato!

Esse tipo de atitude merece a mesma atenção e recomendação da anterior: é melhor manter a calma, analisar e não tomar decisões precipitadas.

A pessoa eufórica corre o risco de comprar mais do que precisa. Imagine a seguinte comparação: você vai à feira, mas chega já perto do horário de encerramento. Há diversas promoções de fim de feira e, acreditando que está tudo barato, você compra mais frutas do que consegue consumir na semana. Como resultado, as frutas estragam e você desperdiça seu dinheiro. Mantidas as devidas proporções, é a esse tipo de situação que estamos expostos em um momento de euforia com a Bolsa: comprar demais e aumentar em muito sua exposição ao risco.

Por isso é importante ter um plano de investimentos e segui-lo - assim como ter a uma lista do que comprar na feira. Isso evita que decisões equivocadas sejam tomadas no calor da emoção.

É nessas horas que a gestão automatizada dos investimentos e a diversificação das carteiras mostram todo seu valor aos investidores. Vamos continuar a trabalhar assim na Magnetis - e também a tirar todas as dúvidas que surgirem.

Luciano

Luciano Tavares é fundador e CEO da Magnetis. Administrador de carteiras credenciado pela CVM e planejador financeiro CFP ®, tem mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

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